I Believe
56 Capítulo 52
Notas iniciais
Após o almoço as mulheres se reuniram na sala para ter mais um momento em família, Melody havia ganhado de Mark um novo jogo de tabuleiro e ela ainda não tinha tido oportunidade de jogar com as mães e agora com elas em casa a garotinha aproveitou para apresentar o jogo para elas.
–Mama, mamãe!!! — a menina exclamou assim que chegou na sala com o jogo nas mãos — Joga comigo? — pediu ao parar na frente das duas que estão sentadas no sofá.
–Claro, meu amor. — respondeu a loira.
–Mas você vai ter que ensinar a gente, okay? — a morena piscou para loira.
–Okay. — respondeu animada já retirando o jogo da caixa e colocando sobre a mesa de centro. — O nome do jogo é labirinto mágico. — mostrou a caixa do jogo para as mães — E pra jogar é muito fácil, primeiro a gente tem que montar o labirinto. — ela pegou a peça que encaixa as paredes para formar o labirinto — Cada vez que a gente for jogar tem que montar essas paredes, então o labirinto nunca é igual ao jogo ou rodada anterior, mas também podemos rodar a parte de baixo que também vai mudar o lugar onde estava a parede na rodada anterior. — ela explicava como se fosse expert no assunto. — Depois de montado a gente escolhe nossas peças. — ela retira do saquinho quatro "avatar" de cores diferentes, sendo elas, amarelo, verde, azul e vermelho. — Embaixo deles tem um ímã e nesse imã a gente vai grudar essa bolinha aqui, oh. — mostrou a bolinha para as mães.
As mulheres prestava a atenção na filha que se dedicava em explicar o jogo.
–Depois de tudo montado, as paredes no suporte e o tabuleiro por cima sem que ninguém possa ver como está as paredes do labirinto, a gente dá uma rodada no tabuleiro para não saber onde está as paredes, e agora eu vou iniciar uma partida de mentirinha só para vocês verem como que é. — ela pegou outro saquinho com mais algumas fichas com desenhos de animais. — Morcego. — disse ao olhar a ficha. — Agora eu vou jogar o dado. — jogou o objeto que caiu no número três. — Agora eu vou ter que andar três casas para chegar até o morcego que está desenhado no tabuleiro, se eu chegar até lá sem minha bolinha cair, essa ficha é minha, mas se minha bolinha bater em alguma parede do labirinto e cair, eu tenho que voltar do começo e na próxima jogada que for a minha vez, tenho que lembrar onde está a parede para não bater de novo e quem conseguir cinco fichas primeiro ganha. — concluiu a explicação.
O peito de Arizona inflou de tanto orgulho ao ver como sua filha estava cada dia mais inteligente e Callie não ficou atrás com o sentimento. A morena se levantou e ajudou a loira a sentar no chão e em seguida fez o mesmo.
–Mamãe, mama, vocês conseguiram entender? — perguntou
–Aham. — murmuraram em uníssono.
–Agora, vamos jogar para valer, tá bom? — certificou animada — Eu quero o avatar vermelho. — anunciou rápido.
–Eu fico com o azul. — falou a morena.
–Hum, então fico com o amarelo. — escolheu a loira.
Cada uma posicionou sua peça em uma extremidade do tabuleiro para iniciar o jogo.
–Mamãe, eu vou deixar você começar, então sorteia uma ficha e depois jogue o dado.
A loira sorteou uma ficha com a figura de uma pena, logo em seguida jogou o dado que caiu no número dois, ela pegou seu avatar e andou duas casas sem colidir com nenhuma barreira.
–Agora a minha vez. — disse a menina pegando o dado e jogando. — Isso! — comemorou quando o dado caiu no número quatro. Ela pegou seu avatar e andou as quatro casas sem perder sua bolinha. -Vai, mama, sua vez. — deu o dado para Callie.
A morena jogou e o cubo que caiu no número três, a morena andou duas casa e na terceira sua bolinha caiu, pois bateu em uma das paredes e teve que voltar ao seu ponto de partida novamente. E assim elas permaneceram jogando, Arizona ganhou a primeira rodada, Melody a segunda e Callie a terceira. As três jogaram a tarde toda, até que a loira notou ao olhar para a janela que a noite estava chegando.
–A brincadeira está muito boa, mas agora está na hora de parar. — avisou.
–Ah, mamãe. — a menina resmungou manhosa. — Só mais um pouquinho, por favor? — pediu.
–Deixa a gente jogar a última rodada e depois guardamos tudo. — a morena interveio. Afinal Callie estava se divertindo muito com o jogo, embora no começo estava perdendo, agora ela havia empatado com Melody, ambas ganharam oito vezes e Arizona cinco. — Esse vai ser nosso desempate. — olhou para a loira com os olhos pidões.
–Tá bom, mas depois vocês guardam tudo, pois temos uma janta para preparar. — falou olhando para a morena. — Me ajuda a levantar, preciso ir no banheiro. — pediu. A morena rapidamente se levantou e ajudou a esposa a levantar.
A loira foi rumo ao banheiro enquanto elas se organizavam para jogar a última partida. Callie retirou a ficha com o desenho de uma coroa, em seguida lançou o dado que caiu com o número seis virado para cima, pegou seu avatar e começou a andar as casas, mas ao chegar na última, ela bateu numa das paredes fazendo sua bolinha desgrudar do imã.
–Mama, vamos fazer uma aposta? — Melody olhou para a morena com a cara de sapeca. A morena arqueou uma sobrancelha.
–Por que eu acho que você está querendo levar vantagem com essa nossa partida de desempate? — a morena falou e semicerrou os olhos ao falar com a filha. A menina sorriu travessa e as covinhas ficaram em evidência e neste momento Callie se derreteu e sabia que iria aceitar qualquer coisa que a menina falasse, as Robbins tinham poder sobre ela. — Diga, qual é a aposta?
–Bom, se eu ganhar essa partida podemos pedir pizza para comemorar a minha vitória e se você ganhar podemos pedir pizza para comemorar a sua, hum?. — propôs. Callie riu ao notar que em qualquer hipótese elas comeriam pizza. A morena estava realmente sem ânimo para ir para a cozinha, então decidiu aceita a aposta da filha.
–Aposta aceita. — a mulher estendeu a mão para filha para selarem a aposta. A menina rapidamente pegou a mão da mãe e apertou firme. — Agora, jogue o dado, pois se eu ganhar a pizza não vai ser de queijo. — provocou.
Algumas jogadas de dado depois a menina conseguiu conquistar a quinta ficha desempatando com a mãe, ganhando a aposta e ainda poderia escolher o sabor da pizza. A menina pulava animada comemorando sua vitória, ela deu uma corrida em volta do sofá toda animada. A loira que entrava na sala ficou olhando a cena da menina elétrica.
–Posso saber o motivo de tanta alegria?
–Eu e mama apostamos pizza se uma de nós ganhasse e eu ganhei. — a loira olhou para a mulher que ainda estava sentada no chão.
–Eu achei que iríamos fazer a janta. — a morena rapidamente se levantou querendo amenizar sua situação e foi em direção da loira a abraçando pela cintura e selando seus lábios. A loira ainda lhe deu um olhar irritado — Eu já disse pra você parar de fazer tudo que ela quer, amor. — sussurrou. Calliope pode notar que ela ainda estava irritada, menos que antes, mas ainda tinha irritação correndo por aquele corpo cheio de hormônios.
–Okay, mas estamos de folga, a Consuelo saiu e só volta amanhã, vamos aproveitar um pouquinho, tá bom? — pediu. A loira bufou e revirou os olhos.
–Tá bom. — cedeu.
A garota aplaudiu animada e a morena lhe lançou um olhar cúmplice.
–Já que sua mãe concordou com a nossa janta ser pizza, a senhorita vai guardar o jogo e se arrumar para o banho, okay? — pediu gentilmente.
–Mama? — chamou. A morena que beijava a mais baixa voltou sua atenção para a menina — Você prometeu que iríamos tomar banho juntas na banheira com muita espuma. — lembrou.
–Ela nunca esquece das coisas. — Arizona disse sarcástica. Pois mesmo ela avisando para a morena parar de prometer as coisas para a filha delas, a morena nunca obedecia. — Quero ver você se sair dessa. — sussurrou no ouvido da amada.
–Tudo bem, eu tomo banho com você na banheira, mas guarda tudo e vai para o seu quarto pegar seu pijama que já estou indo.
–Mamãe não vai tomar banho com a gente? — perguntou enquanto começava a desmontar o jogo.
–Acho que a mamãe não vai caber com a gente. — sorriu travessa.
–Tá me chamando de gorda, Calliope? — deu tapa no braço da esposa que se encolheu e alisou o local. — Saiba que tudo isso. — apontou para a barriga — É nosso filho. — retrucou irritada. A menina que via a cena ria e balançava a cabeça em negação.
Já com o jogo guardado e tudo organizado na sala, as três se encontravam nesse momento dentro da banheira, as mulheres ainda vestia suas roupas íntimas, Callie estava encostada na borda e Arizona sentada no meio das pernas da esposa a usando de apoio, fazendo sobrar um bom espaço para a menina brincar com a espuma durante o banho.
–Eu amo banho com muita espuma. — a garota falava enquanto passa espuma na barriga protuberante da mãe. — Será que o bebê quando tiver do lado de fora vai gostar de espumas também? — perguntou enquanto olhava para a mãe loira.
–É provável que sim. — fez um carinho no rosto da filha — Pega a esponja pra eu te esfregar, pois só espuma não limpa. — pediu. Callie as observava quieta, apenas memorizando aquele momento.
Melody pegou prontamente a esponja e deu para a mãe. A loira passou a esfregá-la com carinho. Fazia tempo que elas não tinha momentos juntas, a correria do hospital e ela com neura de se sentir inútil fez com que ela passasse mais tempo que devia se sobrecarregando no hospital. A ficha dela caiu mais uma vez naquele simples momento em família, sua filha estava crescendo rápido, em breve completaria seis anos, o tempo passa rápido demais e ela não quer mais perder nada, ela quer curtir tudo. Pois já não conseguiu aproveitar muita coisa quando a filha mais velha nasceu, estava na sua residência e tinha que se desdobrar demais.
–Por que você está chorando, mamãe?
–Não é nada, meu amor. — sorriu — Eu só estou vendo o quão rápido você cresceu. Parece que foi ontem que você ainda estava na minha barriga. — a menina sorriu de volta e abraçou a mãe e lhe beijou o rosto. Callie lhe apertou os ombros para lhe passar conforto.
–São apenas hormônios. — soltou a morena para a menina e a loira lhe deu um olhar de soslaio. — Okay, eu vou me retirar, pois vou ligar para pedir a pizza. — Torres se levantou antes que Arizona lhe dissesse algo, se enrolou na toalha e saiu do banheiro.
–O que são hornomios?
–O certo é hormônios. — corrigiu.
–O que é?
–Hum… Hormônios são substâncias químicas que controlam diversas funções do organismo. — a menina continuou com a cara de interrogação — Por exemplo: quando você está muito feliz, como você ficou ao ganhar o jogo da mama, você liberou endorfina, dopamina, serotonina e ocitocina. Esse hormônios faz com que você fique feliz.
–É muito nome complicado. — fez uma careta.
–Quando você estiver maior eu te explico melhor. — concluiu enquanto enxaguava o corpo da filha.
–Mamãe, eu posso andar de cavalo? — perguntou já fora da banheira enrolada na sua toalha.
–Por que dá pergunta? — perguntou de volta enquanto retirava as lingeries molhada e se enrolava na toalha.
–Entrou um menino novo na minha sala e a mãe dele tem um lugar onde mora um monte de cavalo.
–E? — incentivou a continuar
–E ele me chamou para passear e andar de cavalo com ele, porque eu fui legal com ele e agora sou amiga dele.
–Eu vou ter que conversar com a Calliope sobre isso, tá bom? — a menina apenas meneou positivamente enquanto caminhavam para o quarto. — Você quer ajuda para se trocar?
–Não, a mama me ensinou a colocar o pijama do lado certo.
–Tudo bem.
A pizza finalmente chegou e mais uma vez elas se reuniram na sala colocando a caixa na mesa de centro.
–Essa pizza está uma delícia. — a loira soltou um gemido de satisfação.
–Isso porque você queria fazer janta. — provocou a morena empurrando a loira com o ombro. Arizona apenas revirou os olhos e voltou a saborear a pizza.
–Mama? — chamou.
–Oi, meu amor.
–Posso andar de cavalo? — pediu. A menina estava animada com a possibilidade de fazer algo novo. A ortopedista a olhou sem entender muito e olhou para a esposa a procura de resposta.
–Melody me perguntou a mesma coisa enquanto nos secavamos. — pegou um guardanapo e limpou a boca — Entrou um aluno novo na sala dela e pelo visto se tornaram amigos e ele a chamou para andar a cavalo, a mãe deve ser proprietária de um haras ou algo assim. — informou.
–Bom, temos que conversar com a mãe dele para saber se você pode ir. — a menina já se animou, pois sabia que era raro a morena lhe dizer não — Mas… — a menina estacou o movimento para saber a condição, pois sempre tinha alguma. — Mas não essa semana, você sabe que sua mãe está de repouso e quando você for eu quero acompanhar esse passeio e conhecer a mãe do seu novo amigo, tudo bem?
–Tudo bem. — sorriu largo fazendo suas covinhas aparecerem. — Eu te amo, mama. — foi ao encontro da mais velha e a abraçou. Arizona coçou a garganta para se fazer notada — Eu também te amo, mamãe. — foi até a loura e se jogou em seus braços.
IB
A semana de folga delas passou rápido e a rotina voltou, agora mais devagar para a loira, ela passava mais tempo no consultório e nos pós operatórios, entrava no centro cirúrgico algumas vezes e evitava as cirurgias longas e se acaso fosse demorar muito, ela avisava a esposa assim como fora combinado. Callie agradecia por sua esposa finalmente está seguindo as ordens médicas impostas por sua obstetra, Lucy.
Elas retornaram na consulta e fizeram a ultra para verificar o feto e felizmente estava tudo bem e o deslocamento não evoluiu,mas mesmo assim a mulher sugeriu continuar com o ritmo mais amenos nas atividades dentro e fora do hospital.
–Você já terminou? — a ortopedista perguntou ao se aproximar da esposa que está no posto das enfermeiras enquanto preenchia um prontuário.
–Falta apenas anotar algumas coisas, mas já estou quase acabando. — parou de anotar e olhou para a esposa e selou os seus lábios no dela — Se quiser ir se trocando… — disse enquanto voltava sua atenção para o papel — Eu só vou terminar esse aqui e passar meu turno e deixar um interno responsável pelo paciente.
–Eu te espero.
Alguns minutos depois as mulheres foram para o vestiário se trocar para poder irem para casa. O plantão foi cansativo e tudo que elas queriam era banho e cama. A morena veio dirigindo enquanto conversavam amenidades, o rádio ligado tocando uma música baixa para o ambiente não ficar totalmente silencioso. Ao virarem a esquina o coração das duas erram a batida fazendo bater descompassado ao ver uma viatura parada em frente a sua casa. Callie acelerou e em menos de dois segundo já estacionava e desciam do carro com passos rápidos para dentro da casa.
–Melody? Consuelo? — chamou a loura já nervosa.
–Aqui na cozinha. — respondeu a mulher mais velha.
E rápido elas caminharam até lá. Encontrando a latina que preparava o jantar e sentada na no banco que tinha próximo ao balcão, há uma mulher loira de cabelos cacheados e compridos, que olhou para elas assim que adentraram o local.
–Aconteceu alguma coisas? — Callie foi a primeira a quebrar o curto silêncio que se instalou.
–Não, dona Callie. Por quê? — a loira ao ouvir a resposta soltou a reposição que nem sabia que estava prendendo.
–Tem uma viatura na porta de casa e eu imaginei que havia acontecido algo.
–Me desculpe pelo transtorno. — a loira saiu do seu lugar e caminhou até às mulheres. — Eu sou, Emma. — estendeu a mão para a Torres. — Sou a mãe do Henry. — agora cumprimentou a pediatra. — O ônibus deles teve um problema e como eu estava fazendo uma ronda próxima dali fui buscá-lo e como era caminho de casa, ele pediu para eu trazer sua filha junto e ligaram aqui na sua casa e dona Consuelo autorizou.
–Oh, você é a dona do haras? — Callie já mais aliviada puxou conversa.
–Não, minha esposa que é. — respondeu — Eu sou apenas uma xerife. Até gosto de cavalos, mas minha paixão é fazer com que respeitem a lei. — sorriu carismática.
–Aqui a paixão é por cirurgias… — Arizona entrou no assunto. — Quando você disse seu nome e de quem era mãe, eu me senti confusa, pois eu falei com sua esposa pelo telefone uns dias atrás e ela me disse o nome, eu não lembro agora, mas tinha certeza que não era Emma. — riu.
As mulheres após as apresentações conversaram por um bom tempo enquanto as crianças brincavam agora na sala. Melody estava mais animada ao finalmente ter certeza que poderia andar de cavalo, pois agora ela tinha uma data para o passeio. E sua ansiedade infantil só aumentou.
–Tem certeza que não quer ficar para o jantar? — Arizona perguntou pela segunda vez.
–Tenho sim, Regina faz questão de jantarmos todos juntos, todos os dias. — disse enquanto a mulher lhe acompanhava até a porta — Mas podemos combinar de jantarmos todos juntos qualquer dia, assim vocês podem experimentar a lasanha de Regina. — convidou. — Prometo que não vai se arrepender, ainda mais se ela fizer a sua famosa torta de maçã. — a loira de olhos verde realmente conseguiu fisgar Arizona pela barriga ao falar dos dotes culinários da esposa.
–Oh, sim. Podemos marcar. — Robbins cedeu rápido ao ouvir sobre os pratos que será servido no suposto jantar.
–Bom, até mais, Arizona. — se despediu.
–Tchau, Swan. Tchau Henry.
–Tchau, Ari… Zouna? — a mulheres riram ao ver a dificuldade do menino ao falar seu nome.
–Pode me chamar só de Ari, okay? — ela bagunçou o cabelo do amigo da filha antes de finalmente se despedirem. Ela ficou na porta até ver eles entrarem no carro e o mesmo sumir após uma curva.
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