I Believe
24 Capítulo 21
Notas iniciais
PDV CALLIE
Deitada na minha cama, sabia que o sermão do meu pai ainda estaria por vir, sei que ele não fez seu discurso sobre aquilo ser errado e que eu iria arder no inferno, que se relacionar com uma mulher não é de Deus e blá blá blá, porque não queria fazer cena diante aos convidados, que estavam ali presentes para me prestigiar e nem sei o por que. Só por que sobrevivi a um afogamento? Isso pra mim nao é motivo para comemorar, ja que perdi uma parte da minha memoria. A verdade que por mim nem teria voltado para Califórnia, se eu fui pra Seattle teve algum motivo, me conheço muito bem e não tomaria essa decisão do nada.
Jogada na minha cama ainda com o traje de festa, me levanto para retirar aquela roupa, pois já estava me incomodando, caminho ate meu closet para encontrar algo mais confortável, depois de encontrar algo do meu agrado, começo a retirar meu vestido, o jogando em cima do sofá presente no quarto em frente a janela, pego minha camisola de cetim azul marinho de alças finas e a visto, sigo até o banheiro e paro em frente à pia, começo a limpar meu rosto para remover a maquiagem. Assim que termino meu ritual volto para meu quarto, desforro minha cama me deitando e me cobrindo em seguida, por mais que tentasse dormir o barulho que ainda vinha do andar inferior me incomodava, olho para o relógio e marcava duas e meia da manhã, percebendo que já fazia um bom tempo que estava em meu quarto. Subi porque não aguentava aquelas pessoas me olhando com esguilha, fora o olhar perseguidor e fuzilante do meu pai em cima de mim, para cada canto que ia. Dei a desculpa da dor de cabeça e subi para meus aposentos, depois de algum tempo me revirando na cama o sono chega me abrançando para a escuridão.
Coloco um vestido branco, soltinho de alças finas, para suportar o calor que fazia por aqui. O sol brilhava do lado de fora e a temperatura por aqui é sempre elevada, a casa dos meus pais fica na área nobre de Chula Vista, San Diego, um dos bairros onde a maioria dos moradores são mexicanos, alguns nativos e outros emigrantes, a questão é que minha família não quis ficar longe de suas raízes mesmo estando fora do pais de origem. Minha irmã bate na porta e me chamar para tomar café, já passava das nove da manhã. Desço a escadaria com a morena mais nova ao meu lado, ela assim como eu adorava dormir até tarde, por isso seríamos as últimas a tomar nosso desjejum. Para minha surpresa meu pai ainda estava na mesa, o sermão vai vir á cavalo, sento na cadeira ao lado da minha irma.
–Bom dia Calliope.- meu pai diz com tom grave e olhar serio, sinto meu corpo dar uma leve travada nos meus músculos.
–Bom dia.- retrubuio sutilmente, me ajeitando no meu lugar.
–Você está melhor? Por que você subiu antes da festa terminar ontem.- ele fala em seguida da um gole no líquido que continha em sua xícara.- Bom, estava apenas fazendo hora aqui, ate que você aparecesse, pois não queria deixar recado por ninguém. Calliope assim que terminar de tomar seu café, quero que você venha ate meu escritório, preciso conversar com você.- ele se levanta e sai da mesa e caminha em direção à saida.
– O que conteceu?- minha irmã se pronuncia pela primeira vez depois da tensão que aconteceu alguns segundos atrás.- Papai parece furioso com você.- ela me olha com os olhos arregalados.
–Não aconteceu nada, ainda. Mas vai acontecer quando colocar os pés no seu escritório.- digo, me servindo com o suco de laranja.- Pra falar a verdade, não sei como ele não me chamou ontem em particular no escritório.
–Mas por que ele quer falar com você? O que você fez pra ele? — a latina mais nova continua a me questionar.
–Não quero falar sobre isso, por favor Aria?- peço, não queria que ela se intrometesse, pois sabia que ela não sossegaria.
–Aposto que tem haver com a Beatrice.- murmura a garota, e eu me engasgo com o gole de suco que acabara de tomar.- Sabia que era isso.- ela bate nas minhas costas para me ajudar e ria ao mesmo tempo.- Papai não foi o único que viu você aos beijos com a loira.- diz, respiro fundo e olho espantada para minha irmã.
–Em primeiro lugar, eu não estava aos beijos com ela, em segundo foi ela que me beijou e terceiro...- fico sem adjetivos para me explicar.-Mas enfim eu não tive culpa, porque estava me afastando dela e ela que me seguiu e me pegando de surpresa.
–Uhum sei.- cantarola.- Como se você não tivesse gostado, ainda me pergunto por que você se casou com o George? — ela da uma colherada na salada de fruta. — Não sei direito, mas tem algo nesse homem que eu não gosto. Na verdade tenho um bom motivo, mas não vou dizer para não eclodir seu ego.- conclui rindo.
–Começou, agora termina, juro que não deixarei meu ego transbordar.- digo curiosa. — Sabe Aria, eu sinceramente não me lembro dele. Nao me lembro de completamente nada, não sei se eu o amo ou não, não senti nada quando o vi no hospital, mas... — suspiro.- Deixa pra lá.
–Começou agora termina.- Aria usa o mesmo tom que usei. — Se você contar o que ia me dizer, conto o que eu iria dizer.- ela aponta a colher em minha direção enquanto falava.
– É que tem uma pessoa em Seattle, que mesmo eu não me lembrando, ela mexe comigo de uma uma maneira estranha...- sou interrompida.
– JESUS, CALLIOPE.- ela grita toda esbaforida. — É uma garota.- a latina mais nova cochicha.
–Eu não disse se era homem ou mulher Aria.-
–Você disse "ela" Callie ao invés de "ele."- Aria dá ênfase as palavras.- Me conta logo quem é, como ela é?- pergunta curiosa.
–Não tenho nada para contar, pois não sei nada sobre essa pessoa.- digo em um só fôlego.
Ao terminar meu desjejum, me despeço de minha irmã e trilho meu caminho pelo enorme corredor até chegar à porta do escritório do meu pai. Bato na porta, alguns segundos depois meu pai da permissão para minha entrada no local, entro a passos lentos no local até chegar a sua mesa, onde ele estava sentado em sua cadeira giratória, muito confortável por sinal, o Torres mais velho me oferece a cadeira para que eu me sente.
–Papai eu sei que...- o homem me interrompe
–Callie, minha filha, você voltou pra casa, lhe recebemos de braços abertos, eu e sua mãe te amamos muito, e como você faz uma coisa daquela, conosco? Você sabe que isso é contra os princípios de Deus?- ele me bombardeia com suas perguntas sobre o certo e o errado.
–Pai eu não fiz nada, foi ela que me agarrou, e quando o senhor apareceu eu estava tentando me soltar.- minto. Realmente tentei resistir, mas não consegui, Beatrice me conhecia muito bem e sabia mexer de certo modo comigo.
– Mais uma vez vou deixar passar Calliope, espero que não me decepcione novamente, sua sorte foi que apenas eu vi, e também não contei nada para sua mãe.- seu olhar de desgosto aperta meu coração.- Agora vamos para o real assunto que lhe trouxe aqui. George conversou comigo ontem e ele quer que você volte para casa de vocês.- a cada palavra que meu pai dizia era como se um tijolo acertasse minha cabeça, até que seria bom, derrepente minha memória voltava.- Então quero saber de você, o que você quer fazer?
–Papai eu não consigo me lembrar dele, ele é um estranho pra mim, não conseguirei ficar em uma casa onde não me sentirei bem, então posso ficar aqui por enquanto?- peço.
–Claro, mas como assim por enquanto?- pergunta o homem com a feição curiosa.
–Porque pretendo voltar pra Seattle ainda pai, tem algo naquele lugar que me deixa confortável, e aquele emprego é perfeito.- falo e me sinto completamente leve por dizer aquilo.- Dr. Shepherd disse que tenho uma consulta com ele daqui um mês, e se estiver liberada para exercer minha profissão pretendo ficar por lá.- concluo.
– Se é isso que deseja minha filha, se isso lhe deixa feliz, darei meu apoio, embora sua mãe discordar de você ir embora novamente, e sua irmã ira sentir muito sua falta.- ela da a volta em sua mesa e me envolve em um abraço.
*3 dias depois*
–Ah Cal por favor, se você não for papai jamais vai deixar eu ir,diz que sim, sim?- minha irmã implora
–O que vai ter de tão importante em Los Angeles que você quer tanto ir?- pergunto
– Vai ter três dias de festa em uma das propriedades dos Collemans, os pais da Lety foram viajar e ela vai dar a maior festa de todos os tempos, e eu quero muito ir. Mas mamãe e papai não vão deixar eu ir pra Los Angeles sozinha.- Aria insiste.
–Vou pensar no seu caso garota, porque eu não vou ficar em uma festa onde tem um bando de adolescentes com os hormônios a flor da pele.- dou de ombros.
O método Torres de Aria funcionou super bem, com nossas malas feitas pegamos a estrada para Los Angeles, o percurso foi feito em duas horas e meia, havia um pouco de transito, mas nada que atrasasse o trajeto ao nosso destino, estaciono meu Impala/67 azul, personalizado e muito potente que meu pai comprou em um leilão beneficente, em frente ao Torrance Palace, um dos hotéis da enorme rede que meu pai possui. Entrego a chave do meu xodózinho para o manobrista e passo com minha irmã pela grande porta de vidro do hotel, andamos até a recepção para pegar um quarto, eu e Aria travamos uma pequena discussão sobre o quarto que pegaríamos, ela queria o mais luxuoso e eu apenas queria algo confortável sem muitos requintes, não ligo muito para para essas coisas posso ter nascido em berço de ouro, mas amo a simplicidade. A nossa briga só terminou quando cada uma ficou com um quarto, Aria também tinha a personalidade forte e não sossegaria até conseguir o que queria e eu a mesma coisa, a recepcionista ficou confusa com a gente, porque depois dessa discussão à toa saimos de mãos dadas em direção ao elevador.
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Faltava dez minutos para as onze da noite, estava fazendo uma escova rápida no meu cabelo, passo o lápis no contorno dos meus olhos e passo uma sombra com uma cor mais suave e nos lábios um gloss. Coloquei uma roupa mais confortável, já que a maioria das pessoas naquela festa tinha entre 17 e 22 anos, então não precisaria chamar a atenção de ninguém, apenas coloquei algo que me sentiria bem, uma saia com o comprimento certo nem muito longa e nem muito curta, tamanho suficiente para mostra-las sem expo-las em excesso, uma blusa soltinha branca, minha jaqueta por cima e pra finalizar calcei minha bota de cano médio preta. Antes de sair do meu quarto Aria bate na porta, vou de encontro a madeira e a abro. Vejo minha irmã pronta, com um vestido verde frente única que moldava o corpo da latina mais nova, com um salto quinze, seus cabelo solto jogado para um dos lados assim como o meu. Andamos até o elevador, aperto o botão e aguardamos a caixa de metal chegar até o andar que estávamos, a porta se abre e adentramos no lugar, algumas paradas depois chegamos ao térreo, peço a recepcionista que tragam meu carro, não era fanática por carros, mas aquele modelo em si me fascinava. Eu e Aria aguardava o manobrista chegar com meu xodózinho ao lado de fora do hotel.
Conseguia ouvir a musica alta a algumas quadras de distancia, achar uma vaga para estacionar estava sendo uma missão impossível devido a quantidade de carros espalhados pelos acostamentos, dirijo pela redondeza ate achar uma vaga, estaciono meu carro quatro quarteirões abaixo, as ruas nobres de Santa Monica são extensas e de uma imensa beleza com sua iluminação bem arquitetada. Assim que adentro o local avisto vários jovens dançando e bebendo por todo lado, não acredito que tem mais dois dias para aguentar isso, o que eu não faço por minha irmã.
*Ultimo dia de festa*
Mexo meu corpo no ritmo da música, estava completamente relaxada, o álcool já corria por minha veias, e a vergonha tinha dissipado do meu corpo, Aria ria loucamente já completamente alcoolizada junto com sua a miga Lety, uma linda garota morena jambo com cabelos e olhos castanhos, ela se aproxima e cola seu corpo ao meu e tenta acompanhar meus movimentos com o ritmo da musica, ela segura nos meus ombros e joga sua cabeça para trás, deixando seu busto exposto com alguns fios de seus cabelos longos, a garota ria muito, dava para ver o nervosismos em seu rosto.
–É só relaxar e deixar a musica controlar seu corpo.- falo no seu ouvido assim que giro seu corpo a parando de costas pra mim.- Viu? Agora solta um pouco mais o quadril.
–Aria sempre disse que a irmã dela era linda, mas não imaginava o quanto.- a garota cantarola
–Obrigada Lety, mas amanha você mudara de ideia.- digo e solto uma risada.- Solta mais seus braços, para o tanto que bebeu era para seu corpo esta igual maria-mole.- brinco.
–HEY,HEY.- minha irma se aproxima com a cara fechada.- Acho que já esta bom essa aulinha particular.- o ciúme estava estampado na cara de Aria.
–Okay, a aula já acabou. Vou pegar uma cerveja, vocês querem?- pergunto já me afastando da amiga da minha irmã.
Passo entre as pessoas que estavam dentro da casa, atéw chegar a cozinha pego três garrafas que estavam em cima do balcão, ando ainda requebrando com a musica que tocava, chego até o local onde minha irmã deveria estar, procuro as duas só com o olhar, ate que encontro Aria do outro lado do jardim com um rapaz aos beijos, meu estômago revira ao ver aquela cena, sento em uma das espreguiçadeiras que estava em volta da piscina e observo os outros jovens dançando e curtindo a vida como se não houvesse amanhã, e lembrei quando ainda estava na faculdade, não deixava passar uma festa se quer.
–Aposto que você esta pensando na nossa época da na faculdade, acertei?- a loira surge ao meu lado como um fantasma, me assustando.
–Ah não, você não, o que você faz aqui?- falo em tom de suplica, estava custando em acredita que aquela mulher estava na minha frente.
–Eu sei que acertei, e deixa de drama Calliope, eu sei que você ainda me ama.- a mulher ri ao final de sua fala.- Eu dei carona para a irmã de uma amiga e acabei ficando, depois que vi você.- ela abre um sorriso cheio de malícia.
–Me polpe Beatrice.- dou uma risada sarcástica.- Quem disse que te amei algum dia?- levanto e a encaro.- A única coisa que quero é que você fique longe de mim, você já arrumou muita encrenca na minha vida e a última não faz muito tempo.- ando deixando a mulher para trás.
–Callie deixa de exagero. — a mulher segura meu braço impedindo que eu continuasse meu caminho.
–Exagero? Se você me beijar sem minha permissão é exagero, quem sabe isso aqui é.- viro a garrafa de cerveja na sua cabeça.- Então estamos quites agora? Fica também por toda vez que me colocou em maus lencóis e saiu correndo deixando eu me ferrar sozinha.-concluo antes de caminhar novamente
–VOCÊ DISSE QUE NÃO TINHA GUARDO RESSENTIMENTO.- brada a mulher.
Pego Aria e coloco no carro, dirijo com cautela, pois sabia que havia bebido demais e também sou a responsável por Aria e se acontecer qualquer coisa com ela minha mãe me mata, paro nos faróis necessários, e faço meu percurso até o hotel novamente, paro o carro em frente ao Torrance Palace, saio do veículo dando a volta até o lado do carona, abro a porta e retiro minha irmã do veículo, passo seu braço por cima dos meu ombros e a carrego adentrando o local, paro em frente a um dos elevadores que ficava perto da recepção, aperto o botão e aguardo a sua chegada, as portas se abrem e entro com a minha irmã, aperto o botão do décimo andar para deixa-la em seu quarto, mas antes das portas se fecharem meu coração para de bater e engulo seco ao ver a imagem da loira na recepção, o que essa mulher veio fazer aqui?
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