Notas iniciais
Essa fic é muitas "primeiras" pra mim: minha primeira fic completa de Ereri, minha primeira publicada na internet em português e minha primeira séria aqui no Nyah!.
Logo que assisti SNK já vi que esse ship se tornaria um de meus favoritos, amo ukes mais velhos e meio tsunderes hahah
Ela é toda do ponto de vista do Levi. Espero muito que gostem! E me avisem de qualquer erro, revisei várias vezes mas sempre deixo mil coisas passarem...

“Merda, merda, merda!”

Era impressionante minha capacidade de ignorar meu despertador independentemente do toque que colocasse em meu celular. Já tentei de tudo; galos, músicas irritantes, sirenes e até latidos de cachorro. Eu simplesmente ignorava.

Já havia decidido, ao fim de meu expediente compraria um despertador clássico, daqueles com sinos em cima que fazem um barulho ensurdecedor. Ao menos um desses teria que funcionar. Mas primeiro, precisava me arrumar, engolir algum café da manhã e correr para pegar o ônibus (no qual mal tinha certeza do ponto correto).

Após resgatar tudo que precisava das caixas que entupiam meu novo – e minúsculo – apartamento, sai correndo para alcançar o elevador que havia acabado de chegar a meu andar. Já havia percebido que pela manhã ele sempre estaria cheio, então fui preparado para me espremer entre os rostos pouco conhecidos de meus vizinhos. Às vezes ser pequeno tinha suas vantagens.

No térreo, desço primeiro que todos e corro para fora do prédio. Olho para ambos os lados da rua e busco no bolso de meu casaco o pequeno papel em que fiz as anotações necessárias para meu primeiro dia nesse novo emprego, até que repentinamente sou atingido por um objeto voador não identificado. Ou um jornal, como preferirem. Mas nesse momento, estava já enfurecido observando meu papel cair em uma poça d’água no chão e minhas anotações ficarem ilegíveis.

“Desculpa!” Uma voz segue o incidente. Ouço um barulho de moto sendo estacionada logo ao meu lado na calçada, mas me recuso a me virar e fico ainda observando minhas preciosas anotações se diluírem. “Você está bem? Eu ia jogar na grama—”

Não poderia ignorar a mão que toca meu ombro, então em um movimento rápido eu a empurro e me viro finalmente.

“Tinha que ser você.” Eu murmuro, controlando ao máximo minha voz para não explodir no meio da rua.

“Desculpe-me. Mesmo. Sério.” O jovem engole seco, recolhendo suas mãos para si. “Eu não pretendia acertar em ti...”

“Escuta aqui, garoto. Fazem apenas três dias que me mudei, e em todos, sem exceção, quase fui acertado por sua mira maravilhosa. Hoje, justo hoje, você conseguiu.” Sinto minhas sobrancelhas franzirem em raiva enquanto eu gesticulo.

“O que eu posso fazer se você sempre sai no horário em que eu entrego os jornais?” Ele ousa se defender, deixando-me ainda mais irritado.

“A culpa é minha? Você que não deveria jogar os jornais como um arruaceiro! Custa descer da moto e colocar corretamente nas caixas de correio?”

“Levaria o dobro do tempo se fizesse isso!”

Falar em tempo me fez rapidamente levantar meu pulso para checar o horário, percebendo que não tinha mais tempo para ficar discutindo.

“Droga.” Suspiro em frustração. “Já estava atrasado e ainda perco minhas anotações sobre o ônibus. Ótimo, obrigado.”

Viro para minha esquerda e saio marchando pela rua, mesmo sem saber se aquela era a direção correta a seguir. Poderia pedir informações para alguém no ponto do final da rua e torcer para conseguir chegar ao escritório com somente trinta minutos de atraso.

Continuo andando em passos largos até ser interrompido por uma buzina aguda e irritante ao meu lado.

“Ei, aonde quer ir?” O jovem jornaleiro me pergunta, acompanhando-me lentamente em sua moto.

“Não é da sua conta.” Sigo em frente, ignorando sua presença.

“Uh— se não for longe, posso te dar uma carona. Pra, uhm, você sabe, compensar a minha mira ‘maravilhosa’.”

Paro e o observo com o canto do olho, e meu olhar nada amigável faz com que ele nervosamente pare sua moto e me encare.

“Você ainda tem a cara-de-pau de achar que eu aceitaria uma carona dessas?”

“Bom... Você não está atrasado?” Ele pende a cabeça para o lado, fazendo com que o visor de seu capacete caia, mas ele rapidamente o levanta de novo. “Acho que não seria um problema...”

“Você está levando um cesto de jornais.”

“Ah, com certeza você cabe aqui comigo.” Ele mostra o vão entre ele e o tal cesto, que era estreito, mas realmente o suficiente para mim.

“E como faria com o fato de que há apenas um capacete?”

“Tenho um reserva debaixo do banco.” Ele se levanta rapidamente e abre o compartimento, revelando o segundo capacete. “Vamos, diga logo onde deve ir.”

Suspiro fundo para organizar minhas idéias. Já estava no mínimo vinte minutos atrasado a essa altura, e o ponto de ônibus mais próximo ficava dois quarteirões em frente. Teria ainda que pedir informações e aguardar pelo transporte, o que me faria perder muito tempo.

“... então?” Ele me pergunta, ansioso.

“Eu não tenho seguro de vida.”

“Não se preocupe.” Ele sorri enfim, retirando o capacete extra e me entregando. “Tenho a carteira há dois anos e nunca tive uma multa.”

“Só dois anos?”

“Anda, venha logo.”

Com certeza eu estava ficando louco, mas visto o capacete e aceito o convite. Por sorte, chego em apenas 10 minutos ao trabalho e vivo, o que era mais importante. Até que o garoto não dirigia sua moto como atirava jornais.

“Ei, que horas você sai?” Ele grita após termos nos despedido e eu já estar perto da entrada do prédio.

Viro para trás franzindo as sobrancelhas.

“Não é da sua conta.” Respondo lentamente, um tanto confuso.

“É sério. Posso passar aqui mais tarde para te pegar.” Ele diz, removendo seu próprio capacete e ajeitando seu cabelo castanho.

Porque ele estava oferecendo isso? Já não era o suficiente me trazer aqui esta manhã?

“O que pretende com isso?” Questiono, suspeito.

“O que eu pretendo?” Ele pisca mais de uma vez, surpreso com minha pergunta. “Bom, você não conhece nada por aqui, achei que poderia ser uma boa idéia... Para evitar que você se perca na volta.”

“E porque você se preocupa?”

“Só estou tentando ser legal, ok?” Ele balança os braços em defensiva. “Não seja tão frio.”

“Se quer compensar por todas as vezes que quase me acertou com o jornal, pode considerar que estamos quites já. Então esqueça isso.”

Para evitar que eu me atrasasse mais, sigo rapidamente em direção a entrada do prédio, não permitindo que ele diga mais nada.

~*~

Por sorte não tive muitos problemas com meu atraso, apesar de uma pequena bronca. Felizmente eles entenderam que eu havia acabado de me mudar para essa cidade e não estava me localizando direito, mas deixaram claro que não tolerariam outros atrasos como esse.

Ser secretário de um escritório de advocacia foi o primeiro emprego que me apareceu e era longe de ser minha função dos sonhos. Na verdade, nem posso dizer que algum dia tive um sonho, pra ser honesto. Tudo o que fiz até o momento foi sobreviver; e para continuar sobrevivendo que me mudei a essa cidade. Nesse caso, para sobreviver tive que fugir. Pelo menos não teria que exercer nada muito desafiador além de atender telefonemas e agendar compromissos, o que eu menos queria no momento é me estressar com qualquer coisa.

Eis que saio do prédio, ao fim de meu expediente, e tomo um papel de meu bolso no qual fiz novas anotações sobre o ônibus que deveria pegar (consultado meu querido Google maps). O ponto de ônibus era relativamente perto, apenas a um quarteirão, e passava de uma em uma hora. Já que provavelmente um passaria agora, me preparo para andar em passos rápidos até lá, até ser interrompido por uma buzina aguda bastante familiar.

“Oi, aqui!” A voz inconfundível do garoto segue o barulho da buzina.

Viro-me lentamente e meus olhos encontram o do rapaz, estacionado do outro lado da rua. Ele estava sentado em sua moto desligada, segurando o capacete debaixo de seu braço esquerdo e sorrindo.

“O que está fazendo aqui?” Minhas sobrancelhas se franzem. Eu realmente deveria parar de franzi-las tanto, ganharia rugas muito cedo dessa forma.

“Vim te buscar.” Seu sorriso cresce ainda mais.

“Como—“

“Chutei que sairia às 18hs, já que a maioria dos experientes acaba nesse horário. Ainda bem que não estava errado.”

Fico sem palavras com tal situação. Por qual motivo aquele garoto fez isto? Apesar de quase ter me acertado múltiplas vezes com seu jornal, não conseguia encontrar uma justificativa para tanto. Éramos nada mais que estranhos.

“Vem, ta ficando frio. Eu te deixo em casa.” Ele desce de sua moto e busca o capacete extra debaixo de seu banco. Reparo que ele não carrega mais o cesto de jornais.

Sem dizer nada ainda, atravesso a rua em direção a ele, que me estende o capacete. Sem pensar muito, o visto e subo com ele em sua moto.

“Por que veio aqui?” Enfim pergunto.

“Não sei. Só achei que poderia te ajudar de alguma forma.”

“Ajudar? Não preciso de ajuda, pirralho.”

“Tsc, não sabe nem apreciar uma gentileza...” Ele ri. “Segure-se.”

Ele sabia vários caminhos alternativos e conseguiu evitar todo o trânsito que tomava a cidade naquele horário. Segundo ele, ele sabia essa cidade inteira de cor, já que já teve que entregar jornais em diferentes bairros.

Chegamos em frente ao prédio em que eu morava nos mesmos 10 minutos que tomamos para ir. Desço de sua moto com cuidado e o entrego o capacete, ainda meio confuso e sem jeito com toda situação.

“Obrigado, eu acho.” Eu digo.

“Oh, não esperava que fosse agradecer.” Ele ri, me encarando.

“Não sou mal educado.” Faço careta. “Você mesmo disse que foi uma gentileza.”

“Ok, ok...” Ele se levanta para guardar o capacete no compartimento de sua moto. “Ah, antes que eu me esqueça, seu nome é...?”

“Pra que quer saber?”

“Você não disse que não era mal educado?”

Cruzo os braços, um tanto irritado, e viro o rosto para o lado. Ele termina de guardar o capacete e sobe até a calçada, ficando de frente para mim.

“Meu nome é Eren.” Ele estende a mão direita, chamando minha atenção.

Viro e o encaro. Seus olhos grandes e verdes pareciam bastante simpáticos, provavelmente devido a sua jovialidade. Pela maneira que age, não o daria mais que vinte e cinco anos de idade.

“Levi.” Resolvo responder ao cumprimento, encontrando minha mão direita com a dele.

“Levi.” Ele repete, aparentemente feliz que não o ignorei. “Esse nome combina com você.”

“Por quê?”

“Você tem cara de Levi.” Ele sorri.

Giro os olhos e encerro o cumprimento, retornando minha mão para cruzar meus braços novamente.

“Bom, acho melhor eu ir.” Eren diz. “Prometo não te acertar com o jornal amanhã.”

“Seria bom.” Suspiro.

“Tenha uma boa noite.”

“Boa noite também.”

O observo subir em sua moto e, após um breve aceno, ele parte. Por algum motivo fico parado no mesmo ponto por alguns segundos, até me dar conta de que estava trancando a calçada e decidir entrar.

~*~

Acaba por se tornar uma rotina ser levado por Eren ao trabalho. Segundo ele, era relativamente perto e seria muito mais rápido pegar uma carona com ele do que esperar pelo transporte público, podendo assim até dormir por mais alguns minutos todas as manhãs. Estava me sentindo um tanto irreconhecível ao aceitar tão facilmente essa proposta, não era de mim confiar nas pessoas tão facilmente. Talvez eu estivesse me sentindo um tanto solitário nessa cidade nova.

Eren entregava jornais há dois anos. Era um trabalho fácil e ele recebia relativamente bem; considerando que a moto foi um presente de seu pai e ela foi essencial para conseguir esse emprego. Quando descobri que fazia apenas um ano que ele terminou o ensino médio quase desci de sua moto e fui embora. Ele realmente parecia jovem, mas não imaginava que tivesse apenas dezenove anos.

Creio que ele também tenha tido dificuldade em não parecer surpreso ao descobrir minha idade. Em uma das manhãs, sai sem tomar café da manhã e assim decidimos comer algo juntos em uma cafeteria próxima ao meu prédio. Durante a refeição, ele me jogou a pergunta, um tanto nervoso.

“Quantos anos acha que eu tenho?” Retruquei, colocando meus cotovelos sobre a mesa e o encarando.

Lembro de observar sua expressão ficar ainda mais nervosa.

“Uns... vinte e poucos?” Ele chuta.

“Mais.”

“Vinte e cinco?”

Pelo menos levei todos seus chutes como elogio. Gosto de saber que ainda pareço bastante novo, apesar de já ter trinta e um anos. Quando ficou sabendo, seus olhos já grandes se arregalaram ainda mais, enquanto exclamava ‘Mas você parece tão novo!’. Aquela frase me fez ganhar o dia. Mas claro que o xinguei, sugerindo que ele tivesse me chamado de velho então. Não poderia deixar passar a oportunidade de brincar com ele, essa era outra coisa que havia se tornado rotina também.

Confesso que temi que Eren se afastasse ao descobrir que tenho mais de trinta anos, mas ele continuou agindo da mesma forma. Os únicos dias que não o via eram nos finais de semana, mas aparentemente isso iria mudar neste próximo.

Sexta-feira após o expediente, quando sou levado para casa, Eren me surpreende perguntando-me sobre o que faria nesse sábado à noite.

“É que...” Ele explica, passando uma mão em seu cabelo bagunçado. “Vai ter um show em um bar, e parece legal... pensei que talvez quisesse ir comigo.”

“Como chegou a essa conclusão?” Acho que às vezes brincava demais com ele e chegava a parecer rude, mas não resistia ver sua expressão de nervosismo.

“E-Eu...” Ele gagueja. “Bom, creio que você não tenha saído à noite ainda por aqui, talvez fosse uma experiência interessante.”

Não digo nada por alguns segundos, pensando.

“Show de que?” Pergunto, legitimamente curioso.

“Ah, é uma banda cover de bandas de grunge.”

“Hm.” Giro os olhos. “Não curto muito grunge.”

“Ah...” Ele desanima.

“Mas posso ir com você.” Logo digo, deixando de enrolá-lo.

“Sério?” Seus olhos se levantam novamente, e ele quase sorri.

“Sim. Você me pega aqui que horas?”

“Uh... Lá pelas 21hs?”

“Certo.” Afirmo com a cabeça.

“Ok.” Ele respira fundo. “Nos vemos amanhã então.”

E assim eu tinha um encontro com um rapaz doze anos mais novo.

~*~

Eren ficou surpreso ao me ver com roupas que não eram as minhas de trabalho e disse que não imaginava que eu fosse tão estiloso. Iria perguntá-lo como alguém poderia não ser estiloso, mas desisti ao reparar o quão desleixado ele sempre se veste. Não desleixado especificamente, mas Eren estava sempre de jeans, all star e alguma camiseta estampada. Se estava frio, jogava uma camisa xadrez por cima ou um casaco simples. Nunca o vi vestindo nada mais elaborado, nem esta noite ele estava vestindo algo diferente.

Não que eu não gostasse. Seu estilo combinava com seu jeito de ser, e parecia natural.

Eu não achava que estava especialmente estiloso nessa noite, normalmente demorava mais para escolher uma combinação. Como imaginei que o bar que iríamos era de rock, simplesmente recuperei algumas peças da minha época roqueira e as combinei, ficando com um jeans skinny, uma camiseta cinza meio grande demais para mim e uma jaqueta de couro preta. E, claro, meu coturno, que não encontrava há séculos uma oportunidade para usar novamente.

O bar era bastante grande, e havia muitas pessoas lá quando eu e Eren chegamos. Seguimos para o bar e encontramos algumas cadeiras livres em torno dele para nos sentarmos.

“O que vai beber?” Eren pergunta, pegando um cardápio.

“Não sei. Não costumo beber.” Suspiro, inclinando-me em sua direção para observar com ele os nomes das bebidas.

“Sério?” Ele se surpreende. “Você não tem cara de quem não bebe.”

“Você não faz idéia alguma sobre mim.” Rio ironicamente. “Não gosto de me intoxicar com essas coisas. Mas vinho é meu fraco.”

“Você é sofisticado.” Ele ri.

Acabo por pedir o mesmo que ele, um drink com vodka e suco de limão. Até que não era ruim, mas eu realmente estava desacostumado a beber assim.

Como iria dirigir ainda na volta, Eren pede apenas uma coca-cola para a segunda rodada. Eu paro para ler mais atenciosamente sobre os drinks e acabo não resistindo em experimentar um com sorvete de menta, o meu favorito. Eren me diz que geralmente essas bebidas doces são bastante fracas, o que apenas serve de incentivo para que eu experimentasse.

Após terminarmos com as bebidas, o show enfim começa, e muitas pessoas começam a se aglomerar em torno do pequeno palco. Eren e eu nos levantamos também para nos aproximar, mas mantemos uma distancia saudável das pessoas mais empolgadas na frente. A banda era boa, mesmo tendo um estilo que não era dos meus favoritos, e em certo momento me pego cantando algumas musicas com Eren e até vibrando. Isso certamente não era algo que alguém da minha idade deveria estar fazendo. Com certeza era influencia desse garoto e do álcool, de certa forma.

Eis que, em uma pausa entre músicas, eu viro para o lado e reconheço as costas de uma pessoa. Continuo olhando, temendo ser quem eu imaginava, e repentinamente a pessoa se vira, fazendo nossos olhos se encontrarem por alguns segundos. Finjo que não vi e olho para o palco, mas logo senti a mesma pessoa se aproximando de nós. Droga.

“Eren...” Pego seu braço, nitidamente nervoso.

“O que foi?” Ele me pergunta, preocupado. Não era todo dia que eu demonstrava uma expressão de quase pânico.

“Você pode...” Penso em algo rápido. “... me abraçar?”

“Huh?” Seus olhos se arregalam. Claro, eu não podia esperar menos.

“Anda, só me abraça.”

Sem que ele respondesse, ponho meus braços ao redor de seu pescoço e o puxo para um abraço. Sinto ele colocar suas mãos trêmulas cautelosamente sobre minha cintura e rezo para que seja o suficiente para espantar a pessoa, mas infelizmente sou chamado pela voz grave que ouvi durante cerca de oito anos de minha vida.

Afasto Eren um pouco, mantendo meus braços em seu pescoço ainda, e encaro com irritação o homem alto e loiro que para ao nosso lado.

“Que surpresa, Erwin.” Digo com ironia. “Achava que não gostava desse tipo de lugar.”

“Achei que havia se mudado para mais longe. Ir para a cidade vizinha não foi muito esperto de sua parte, se queria me evitar.” Erwin diz, olhando agora para Eren, que estava imóvel ainda segurando-me pela cintura. “Resolveu atacar o jardim de infância?”

“Cale a boca.” Suspiro com irritação. “O que faz aqui, afinal?”

“Aniversário de um amigo de trabalho.” Ele dá de ombros.

Não podia acreditar na falta de sorte que tinha. Encontrar Erwin era a ultima coisa que eu queria no universo. Afinal, ele havia sido a razão no qual me mudei. Esse canalha.

“Bom, vá se divertir com ele então.” Digo, tentando parecer indiferente, enquanto puxo Eren para mais perto de mim.

“Melhor eu ir mesmo.” Ele diz, olhando com desdém entre nós. “Cuidado para não ser preso.”

Opto por ignorar e espero que ele se afaste bastante para soltar Eren.

“Merda.” Suspiro, passando uma mão por meu cabelo.

Quando viro para olhar Eren, o encontro ainda um tanto imóvel e com o rosto avermelhado.

“Você está bem?”

“Estou!” Ele dá um pulo, piscando várias vezes. “Estou.”

O observo confuso enquanto ele ajeita sua roupa e seu cabelo, aparentemente tentando se acalmar. Logo uma música começa e ele foca sua atenção na banda, dizendo que era uma de suas favoritas. Viro-me para o palco e tento me distrair novamente com o show, mas não consigo. Saber que Erwin estava no mesmo local que eu me dava um nó no estômago.

“Você está bem?” Eren pergunta em certo momento.

“Não muito.” Confesso.

“Você quer ir embora?”

“Não, você queria muito ver esse show.”

“Eu não me importo, já vi uns mil shows dessa banda.” Ele me encara, gentil. “Você não parece bem, melhor irmos mesmo.”

Não digo mais nada e apenas sigo Eren para a saída. Droga, porque Erwin tinha que aparecer do nada assim na primeira noite que resolvo sair para me divertir? Vou o caminho todo perdido em pensamentos dessa forma, e nem reparo quando chegamos em frente ao meu prédio.

“Obrigado por hoje.” Digo, ao descer da moto. “E... desculpa.”

“Não se desculpe.” Eren desce também, tirando seu capacete e parando de frente para mim. “Eh... Posso te fazer uma pergunta?”

“Claro.”

“Quem era aquele homem?”

Já esperava que ele fosse fazer essa pergunta em algum momento, mas ainda assim sou surpreendido. Achei que Eren fosse deixar o assunto morrer simplesmente, já que ficou praticamente obvio o que fiz e porque fiz.

“Era...” Hesito um pouco, nervoso. “Meu ex-namorado.”

Eren leva alguns segundos para processar a informação, respirando lentamente.

“Você... é gay?” É o que ele me pergunta, meio incrédulo.

“Conseqüentemente.” Pendo a cabeça para o lado, querendo quase rir da pergunta.

Ele pausa por mais alguns segundos, e sua expressão confusa realmente me força a esconder o riso. Entretanto, a pergunta que vem a seguir cessa completamente minha vontade de rir.

“Eu posso te beijar?”

Franzo as sobrancelhas em surpresa e o encaro. Sua respiração estava agora acelerada, e seus olhos me encaravam de volta com ansiedade. Não encontro minha voz para responder quando abro a boca, e levo vários segundos para enfim responder algo.

“Pode.”

Eren dá um passo à frente, praticamente acabando a distancia entre nós, e gentilmente levanta meu queixo para me beijar. Fecho os olhos quando nossos lábios se encontram. Ele era doce. E suave. Acho que nunca havia beijado lábios tão macios e delicados.

Quando enfim fico na ponta dos pés para intensificar o beijo, Eren o interrompe. Ele dá um passo atrás, com a mão sobre a boca, e parecendo amedrontado.

“Eu... tenho que ir.”

É a ultima coisa que ele diz antes de subir em sua moto e partir rapidamente, deixando-me ali paralisado. Ponho a mão sobre minha boca e sinto meu estomago se embrulhando novamente. Droga.

~*~

Na segunda seguinte, Eren não aparece pela manhã para me levar ao trabalho. Sou obrigado a pegar o ônibus e quase chego atrasado, mas o que mais me deixava abalado era imaginar que ele iria sumir após aquele beijo. Não fazia sentido; ele quem pediu para me beijar. Por que iria me evitar agora?

Da mesma forma, ao final do expediente, ele não estava me esperando. Volto para casa perdido em pensamentos. Provavelmente Eren era hetero e estava apenas curioso, e ao me beijar teve certeza de que não era o que ele queria. Maldito. Devia ter pensado primeiro antes de pedir tal coisa. Como pode ser tão insensível a ponto de simplesmente sumir dessa forma sem nem me dar satisfações?

Não que eu fosse uma pessoa sensível, na verdade eu não era. Mas sozinho em meu apartamento não conseguia evitar me sentir um lixo.

Na manhã seguinte não encontro ânimo para preparar algo para comer e decido tomar café da manhã na cafeteria novamente. Eren não estava me esperando, como eu já havia antecipado, então tento seguir com passos firmes e sem me abalar até lá.

Quando já estava bastante próximo da cafeteria, vejo a porta de entrada se abrindo e paro. De lá saem duas pessoas; Eren e uma garota de cabelos pretos. Eles conversam um pouco antes de começarem a andar, quando ele passa o braço em torno de seus ombros e a trás para perto de si. Namorada.

Sim, eu havia imaginado. Só queria que não doesse tanto ver de verdade.

Acho que eu havia me acostumado mais com o garoto do que devia. Acostumado não, talvez eu tivesse gostado dele mais do que deveria. Só não tinha me dado conta.

No fim de meu expediente daquele dia, entretanto, sou surpreendido ao ver Eren me esperando do outro lado da rua, cabisbaixo. Fico um tanto irritado ao vê-lo com tal expressão e penso em ignorá-lo, mas se torna impossível no momento em que ele me chama. Respiro fundo e caminho até ele, cruzando os braços sobre minha barriga.

“Olha quem apareceu de novo.” Ironizo, o encarando com raiva.

“Desculpa.” Ele pede, ainda cabisbaixo.

“Pelo que? Você precisa ser mais especifico.”

“Por sumir.” Ele responde, confuso. “Não apareci ontem, e hoje não te levei ao trabalho... e nem te avisei nada. Desculpa.”

“Tudo bem, creio que esteve ocupado ontem da mesma forma que esteve essa manhã.” Giro os olhos, agora nitidamente irritado. Droga, não queria cair nesse assunto, mas não sou capaz de controlar minhas palavras. De fato, a cena dele com a garota ficou em minha mente durante todo o dia, então seria difícil me controlar se o visse novamente.

“Como assim?” Ele se levanta de sua moto, seus olhos verdes arregalados como sempre.

Suspiro fundo e ponho a mão direita sobre minha testa, massageando minhas têmporas.

“Eu vi você e sua namorada hoje. Já sei de tudo.” Solto, tentando controlar minha irritação.

“Huh?” Ele quase se engasga.

“Eu entendo, Eren. Imagino que tenha ficado curioso, e vou tentar esquecer isso, mas—“

“Do que você está falando?” Ele me interrompe, quase arrancando seus próprios cabelos.

“De...”

“Não, espera, acho que já sei.” Ele sacode a cabeça, parecendo se lembrar de algo. “Você deve ter me visto com a Mikasa.”

“Huh?” Fico confuso. “Uma garota de cabelos pretos, da sua altura?”

“Minha irmã.” Ele ri, nervoso. “Ela é minha irmã. Fomos hoje a mesma cafeteria que tomamos café da manhã aquele dia.”

Sinto minha boca se abrir em surpresa, mas logo trato de me recompor. De qualquer forma, as coisas não estavam ainda completamente esclarecidas.

“Se não tem namorada, por que sumiu então? Por que não me disse mais nada?”

“Olha, eu realmente te evitei segunda. Mas foi por completo nervosismo meu, e nada além disso.” Ele se explica. “Não sabia como te encarar novamente. Era tudo tão estranho pra mim, ter as coisas enfim dando certo—“

Não sigo o que ele estava dizendo e franzo as sobrancelhas novamente.

“Daí hoje de manhã marquei um encontro com minha irmã e conversei com ela. Ela é minha melhor amiga e sempre me aconselha nessas coisas... ela me ajudou a organizar minhas idéias.”

“Que idéias?” Pergunto, ainda confuso.

“Eu sempre fui muito inseguro pra essas coisas, então nem cogitava a possibilidade antes de ter certeza absoluta de que não seria rejeitado. Agi por impulso no sábado após aquela situação com aquele homem e—“ Ele se embola com as palavras, quase atropelando uma a outra. “Eu gosto de você, Levi.”

Continuo o encarando, agora perplexo. Pisco algumas vezes e o observo ficando cada vez mais nervoso.

“O que deu em você?”

“Se vai me rejeitar, apenas faça isso. Só não seja cruel com meus sentimentos.” Ele diz, firme.

Minha boca se abre novamente, mas nenhuma palavra sai dela por um momento.

“Eren...” Digo, com a voz meio fraca. “Acho que eu gosto de você também.”

Seus olhos se levantam para mim, e ele me encara com surpresa por alguns instantes.

“É sério?” Ele suspira, quase trêmulo.

“Achei que fosse simplesmente sumir após me beijar.”

“Nunca—“ Ele dá um passo até mim. “Eu não faria isso.”

“Então não faça novamente.” Digo, soando mais sério do que pretendia. “Não quero ser abandonado mais uma vez.”

Expressar em palavras ainda era difícil pra mim e eu nem esperava que o fosse fazer, mas acabo soltando e me arrependendo em seguida. Tampo minha boca com meus dedos, suspirando fundo. Minhas palavras surtem efeito em Eren, que entende o significado disso tudo.

“Não faria isso.” Eren diz, finalmente.

Eren me beija e eu o beijo de volta. E ficamos assim por vários minutos. Tentei ignorar todos os pensamentos de minha cabeça e focar apenas no momento, e como ele parecia honesto comigo e com seus próprios sentimentos.

Pensei em chamá-lo para entrar quando ele me deixa em casa naquela noite, as palavras quase escaparam de minha boca. Mas achei que pareceria desesperado. Sentia-me tão solitário e carente, talvez essa seja a maior explicação para tudo com Eren. Mas sei que se fosse outra pessoa no lugar dele não seria a mesma coisa.

Eu gostava dele com seu sorriso bobo e seu jeito jovial de ser. E como ele ficava nervoso e me fazia rir e esquecer do mundo.

Não o convidei pra entrar naquela noite. Nunca saberei se ele teria aceitado, talvez sim, por curiosidade. Mas provavelmente me arrependeria de acelerar as coisas.

Eren agia como se tivesse todo o tempo do mundo. Eu queria voltar a ser como ele.

Queria voltar a acreditar que não precisava correr para não ser abandonado.

~*~

Seguimos com nossa rotina por uma semana. Eren me buscava todas as manhãs, nos cumprimentávamos com um beijo, e da mesma forma no fim do dia, quando nos despedíamos. Algumas vezes tomamos café da manhã juntos e conversávamos sobre nossas vidas e nossos gostos em comum. Eren pretendia entrar na faculdade no fim do ano, estudaria Geografia. Tento ignorar o aperto no peito que sinto ao saber que não teríamos nossa rotina no ano seguinte, mas daríamos outro jeito. Como sempre me preocupava demais com o futuro, coisa que parecia não afetar Eren de forma alguma. Gostaria de ter a mesma idade que ele agora.

Passamos a sair nos finais de semana. Íamos ao cinema, ao parque, a um fast-food comer e jogar conversa fora. Não me importava com o lugar que ele escolhesse, qualquer lugar que nos permitisse ficar juntos estava bom. Em uma dessas vezes conheço sua irmã, ela quase me mata com seu olhar julgador, mas aparentemente tenta aceitar nosso relacionamento. Segundo Eren, o que mais a deixa preocupada é nossa diferença de idade. Quando pediu ajuda a ela sobre nós anteriormente, Eren evitou dar informações sobre mim, deixando-a achar que eu era nada mais que um jovem da mesma idade que ele. Espero que ela não tenha se arrependido de tê-lo ajudado.

Em um sábado à noite, pegamos a ultima sessão de um filme qualquer só para aproveitarmos o cinema vazio. O filme, um terror trash com muito sangue jorrando, não nos prende a atenção nem por um segundo. Na verdade, os únicos momentos que olhamos para a tela são entre beijos, e sempre rimos do que estava acontecendo no filme. Havia dois outros casais no cinema aparentemente nada concentrados no filme da mesma forma. Dava quase para se dizer que uma sessão tão tarde e com filme tão ruim era somente para casais darem uns amassos mesmo.

Eren me leva em casa após a sessão, como sempre. E, como sempre, enrolamos em frente ao meu prédio, ficando abraçados e nos beijando mais algumas vezes.

“Ah... Melhor eu ir.” Eren suspira, acariciando minhas costas. “Avisei Mikasa que voltaria meia noite, já passou disso.”

“Ela te controla muito.” Passo a mão por seu peito, desamassando sua camiseta. “Parece sua mãe.”

“Sim. Acho que ela absorveu esse papel desde que mamãe morreu.” Ele suspira. “Eu deveria ficar mais irritado, mas não consigo... Sei que ela só está preocupada.”

“Podemos fazer assim...” Digo, abraçando-o por dentro de seu casaco. “Ligue para ela e diga que ficará aqui essa noite.”

Ele fica sem palavras por alguns segundos. Chego a ficar preocupado que meu convite soasse precipitado e me afasto para poder encará-lo, e tudo que encontro é ele com seus olhos arregalados.

“Eren?”

“Uh?” Ele balança a cabeça e olha para mim.

“Acho que não deveria ter sugerido isso.” Deixo meu olhar cair, olhando agora para sua camiseta.

“N-Não!” Ele quase me sacode. “E-Eu... só não esperava. Nunca cogitamos isso, até agora, então... Fiquei meio nervoso.”

Acho que adiei demais também. Não havia encontrado até então uma boa oportunidade para convidá-lo para entrar; sempre Mikasa estipulava um horário que ele deveria voltar e ele sempre o cumpria. E eu ficava sem graça de fazê-lo se atrasar. Apesar de um tanto irritante, achava bonitinho como ele tinha esse cuidado com a irmã.

“Vou ligar para ela.” Ele diz, tomando o celular de seu bolso e mantendo seu braço esquerdo em torno de mim.

Aguardo em silêncio enquanto ele fala com ela. Noto que ele gagueja algumas vezes e fica bastante envergonhado, e apesar de imaginar o que ela está o dizendo, não tenho confirmação se o que penso está correto.

“Pronto.” Ele encerra a ligação e guarda o celular de volta no bolso, ainda com as bochechas avermelhadas.

“O que houve?” Pergunto, querendo rir.

“N-Nada...” Ele gagueja. “Ela só me fez umas perguntas estranhas.”

Então provavelmente o que pensei estava certo. Pobre Eren, tomando lições desse jeito pelo telefone como se ainda fosse um adolescente... Apesar de que ele ainda é um, de certa forma. Em qual idade se acaba a adolescência? Acabo por me sentir muito velho para ele por um momento.

“Vamos entrar?” Ele interrompe meus pensamentos, e eu apenas confirmo com a cabeça.

Eren entra em meu apartamento bastante tímido, observando tudo como se estivesse explorando um novo mundo. Apesar da demora e certa preguiça de minha parte, consegui terminar de arrumar todo meu apartamento algumas semanas atrás, e agora ele já estava como eu queria.

Indico para que ele se sente no sofá e ele obedece, ainda cauteloso. Pergunto se ele quer algo para beber e ele recusa, mordendo seu lábio inferior, como costumava quando estava nervoso.

“Eren...” Decido me aproximar e sento ao seu lado no sofá, apoiando meu queixo sobre seu ombro. “Você tem que me dizer o que quer; se não, não saberei o que fazer.”

Ele vira seu rosto, fazendo com que eu levante o meu para poder encará-lo.

“Eu quero você, Levi.” Ele diz, se inclinando em minha direção.

Seus lábios tocam os meus lentamente. Não cansava de amar a gentileza que ele me beijava. Mesmo quando estávamos no escuro do cinema e com desejo correndo por nossos corpos, Eren nunca deixava de ser doce. A forma que ele me segurava e apertava nos pontos certos era como se ele me conhecesse melhor do que qualquer ex-namorado meu jamais conheceu.

Nunca gostei de brutalidade, mas cheguei a achar que sempre seria assim sendo gay. Até conhecer o Eren.

Ele me deita sobre o sofá e mantém seu corpo sobre o meu. Sua boca nunca deixa a minha, e eu quase me esqueço que ainda estamos no sofá da sala.

“Eren...” Eu interrompo em certo momento. “Vamos para meu quarto.”

Mais uma vez mordendo o lábio inferir, Eren concorda com a cabeça e se levanta, ajudando-me a me levantar também. Guio-nos até o quarto e observo enquanto ele se senta na beirada de minha cama, bastante sem jeito. Fecho a porta e caminho até ele, percebendo sua respiração ficar cada vez mais acelerada. Talvez eu devesse fazer algo para deixá-lo mais relaxado.

Ponho minha mão sobre seu ombro e, sem dizer nada, sento em seu colo com cada perna de um lado de seu corpo. Eren apenas suspira trêmulo e põe a mão em minha cintura, mantendo-me perto.

“Você é virgem, Eren?” Murmuro, me inclinando para mordiscar sua orelha. Ele arrepia em resposta, e suas mãos em minha cintura me apertam suavemente.

Com tanta timidez e nervosismo tinha certeza que ele era; só faço a pergunta para ter certeza.

“Não.” Ele suspira.

Sua resposta me surpreende tanto que volto meu rosto para encará-lo.

“Porque está tão nervoso, então?” Pergunto.

“Por que...” Ele evita me olhar. “Eu gosto de você? E—você parece tão mais experiente. Não quero agir como um idiota com você.”

Sua preocupação me faz sorrir.

“Não sou lá tão experiente. Só tive dois namorados, e com um perdi anos demais de minha vida.” Explico, o abraçando e descansando minha cabeça em seu ombro. “E não foram experiências tão boas assim.”

“Isso só me deixa mais nervoso. Não quero te tratar da mesma forma que eles tratavam.” Ele acaricia meu cabelo.

“Você já não trata, Eren. Você é completamente diferente.”

“Um diferente bom?”

“Um diferente como eu sempre quis.”

Ele beija o lado de minha cabeça e eu a levanto para que nossos lábios se encontrem. Nosso beijo lentamente se torna mais intenso, como se aproveitássemos o máximo cada intensidade. Não consigo conter um gemido quando Eren mordisca meu lábio inferior. Eu amava quando ele fazia isso.

Quando ele enfim passa suas mãos por dentro de minha camiseta para acariciar minhas costas, eu percebo que já não agüentava mais vesti-la. O empurro sobre a cama e a retiro rapidamente, ganhando um olhar surpreso de Eren. Esperava que ele não se importasse com minha magreza; fazia anos que não praticava nenhuma atividade física. Mas acreditava que seu corpo não fosse muito diferente do meu.

Ajudo-o a retirar sua própria camiseta em seguida e me inclino para beijá-lo. Continuava ajoelhado sobre sua cintura, fazendo com que minha bunda roçasse sobre sua ereção através de nossas calças toda vez que me mexia. Em certo momento creio que ele não agüenta mais a provocação e leva sua mão até sua calça para desabotoá-la. Novamente o ajudo a tirá-la, e ele se senta novamente para me ajudar com as minhas.

“Droga.” Suspiro. “O que precisamos está na gaveta...”

Eren olha para a gaveta que aponto, no criado-mudo ao lado da cama. Ele desliza pela cama para pegar um pote de lubrificante e camisinhas que eu costumava guardar ali, e eu o sigo para trancá-lo contra o encosto da cama após isso.

“Espero que não esteja vencido, está a mil anos guardado.” Retorno ao seu colo, rindo com o canto da boca.

Sua ansiedade o faz apenas ignorar minhas palavras e me puxar para um beijo. Ele brinca com o elástico de minha cueca e eu puxo sua mão para baixo para removê-la, não agüentando mais esperar também. Logo dou um jeito de remover a sua também, revelando seu pênis desejando atenção. Tive que me controlar para não parar tudo e tê-lo em minha boca, esse não era o momento.

“Você vai me preparar ou eu o faço?” Pergunto, pegando o frasco de lubrificante abandonado sobre a cama.

“E-Eu...” Ele toma o frasco de minha mão, gaguejando. “Eu faço.”

Ele suja seus dedos com o liquido e desce sua mão até minha abertura. Respondo apenas por colocar meus braços em torno de seu pescoço, indicando que estava pronto. Deixaria tudo com ele de agora em diante.

Seu dedo indicador desliza facilmente por dentro de mim, e eu sinto um arrepio correr por meu corpo. Logo mais um dedo se junta ao primeiro, e ele faz um lento movimento de tesoura. Fico um pouco angustiado com a lentidão, pois já estava acostumado com isso, mas quando me dou conta que ele está fazendo tudo para não me machucar, o abraço ainda mais forte. Quando ele insere o terceiro eu indico que já era o suficiente, e ele pega uma camisinha da cama. Ofereço-me para colocá-la nele, já que suas mãos estavam ocupadas me segurando, e o visto provocando-o com minha mão. Retorno minhas mãos para seu pescoço e sinto ele guiar seu pênis para dentro de mim.

“Qualquer coisa me manda parar.” Ele suspira.

“Não se preocupe.” Sorrio, mordendo o lóbulo de sua orelha.

Sentir meu corpo se ajustando ao seu tamanho foi a melhor coisa do universo. Eren segurou-me pelo quadril e me ajudou a mover para cima e para baixo, e a cada penetração me sentia mais próximo do êxtase.

“Eren...” Murmuro entre gemidos, perto de seu ouvido. “Estou—“

Não consigo completar minhas palavras, mas foram suficientes para que ele entendesse. Ele leva uma de suas mãos até meu pênis e o envolve, massageando lentamente. Logo não consigo me conter e ejaculo, sentindo meu corpo todo se amolecer. Ele beija meu pescoço e aguarda alguns segundos para que eu me recuperasse, mas eu sabia que geralmente meu estado pós-orgasmo poderia ser um tanto longo. E seu pênis continuava dentro de mim, quase latejando de vontade.

“Ajude-me a me virar.” Suspiro, já levantando de seu colo.

“Huh?” Ele quase me para, confuso.

“Vamos Eren. Você precisa resolver isso ai ainda.” Puxo sua mão, piscando e contendo o riso.

Deito de bruços e o puxo para que ele deitasse por cima de mim. Logo ele põe uma mão por baixo de meu quadril e o puxa para cima, quase me deixando de quatro. Sinto-me já ficando excitado novamente em tal posição, e ainda mais quando ele retorna para dentro de mim e começa com movimentos de vai e vem. Ele era bom em dominar.

“Mais... Forte...” Instruo, com a voz trêmula.

Ele aumenta a pressão suavemente, e eu mordo o lençol. Isso era perfeito, como se nossos corpos se encaixassem como peças de um quebra-cabeça. Nunca me senti tão completo durante o sexo, na verdade, conto nos dedos as vezes que realmente apreciei uma transa.

Acabo por vir uma segunda vez e logo depois ele vem quente dentro de mim, apenas completando meu orgasmo. Meu corpo sente sua falta quando ele sai e cai ao meu lado, mas ele logo me puxa para seus braços e eu esqueço.

Nossos corpos nus um contra o outro não poderiam ser mais perfeito. Confesso que senti algo tão forte que deu vontade de chorar, mas me controlei. Não queria assustar o garoto.

“Levi...” Ele quebra o silencio, ainda com a respiração pesada. “Você é fantástico.”

“Nós somos.” Corrijo, traçando seu peitoral levemente malhado com meus dedos.

“Nossa.” Ele suspira fundo, fechando os olhos.

Ficamos em silencio novamente, apenas sentindo nossa proximidade. Ele me abraça e beija minha testa lentamente.

“Eu te amo.” Ele suspira. “Desculpa por dizer isso assim, e agora, mas... eu te amo. E o que fizemos só comprovou isso mais dentro de mim.”

Droga. Eu não podia começar a chorar, seria patético. Eu nem sou uma pessoa que chora com freqüência.

“Eu te amo também.” Consigo dizer, controlando para que minha voz não saísse tremula. “Você parece um milagre.”

Ele me encara e acaricia meu rosto.

“Eu nunca vou te abandonar.”

Já estava meio velho para acreditar em promessas de amor após o sexo, mas Eren era diferente. Eu sabia disso. Ele era diferente de Erwin, de Mike, e acredito que de todos os homens que conheci até então. Ele apareceu quando eu estava mais desesperançado, correndo para fugir de um relacionamento fracassado, e me fez ver uma luz no fim do túnel. Um arco-íris após uma tempestade.

“Mesmo quando eu tiver 40 anos e enrugado?” Brinco, escondendo meu rosto em seu ombro. “Mesmo que você descubra alguma de minhas manias irritantes? Mesmo que nós comecemos a brigar incontrolavelmente por coisas fúteis?”

Sinto que exagerei em minha brincadeira e levanto o rosto, meus olhos encontrando os dele.

“Já sei que você tem problemas com limpeza e acorda constantemente de mau humor. Já sei também que não é muito de falar e prefere lugares calmos a agitados, e seu passatempo favorito é ouvir musica. Também sei que demora para se arrumar, mas nunca se atrasa para compromissos. Sei que gosta do seu café amargo e não é muito chegado a doces, exceto os com menta. E você não é uma pessoa de muitos amigos, se sente melhor quando está consigo mesmo. Sei que tenho uma infinidade de coisas a aprender ainda, e eu quero a cada dia aprender mais.”

Tal confissão em sua voz rouca quase me fez desabar, mas eu me controlo e apenas o abraço.

“Nunca me deixe.” Peço, fechando os olhos.

~*~

Nunca acreditei em historias de amor incondicional, e fiquei ainda mais descrente quando Erwin terminou comigo após oito anos, quando eu achava que iríamos morar juntos e, quem sabe um dia, casar. Agora acredito que não era pra ser mesmo. Eu não estava feliz com ele, só acostumado.

Mesmo após alguns anos com Eren, tudo parecia como nos primeiros dias que nos vimos e começamos a namorar. E tudo me fazia crer que continuaríamos assim por um bom tempo. Adaptando-nos as novas situações, como quando ele entrou na faculdade, e enfrentando os problemas juntos.

Acho que finalmente descobri o que era amor de verdade.

Notas finais
O que acharam? Temi ter ficado muito corrida, mas não consegui fugir muito disso por ser apenas uma one-shot...
Se desejarem, deixem comentários! Ficarei muito feliz com eles n_n~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!