Há beleza no inverno

6 O poder é ambíguo


Notas iniciais
Então, primeiramente, me desculpem por ter demorado para postar mais capítulos. Minhas aulas começaram, então durante a semana eu estava sem tempo algum. Prometo que, neste final de semana, vou escrever bastante! Queria agradecer MUUUUUITO pelos acompanhamentos e pelos favs. Sério, é isso que me impulsiona a continuar escrevendo! Aproveitem o capítulo, espero que gostem :)

Observo o floco de neve do tamanho de uma cabeça na minha frente. Ele é lindo, feito de gelo puro e rico em detalhes.

– Parabéns, Elsa – diz Jack, me dando um beijo na testa. — Ele é realmente muito bonito.

Estou pasma. Minha criação é de tirar o fôlego.

– Eu... Eu não fazia ideia que eu era capaz de criar algo tão perfeito.

Jack sorri.

– É o que eu lhe disse. Você não pode subestimar as suas próprias capacidades.

Olho para ele e o beijo. Ele estava me fazendo tão, tão bem, que eu não me sentia mais tão insegura. Aos poucos, eu ia ficando menos tímida, e mais confiante em mim mesma. Jack estava me ensinando a usar meus poderes de uma maneira que eu nunca fui capaz de imaginar que conseguiria. Era incrível.

Apesar de tudo, eu continuava tendo pesadelos. Sonhos horríveis, onde meus pais me diziam que eu era um monstro. Eu, por um lado, eu sabia que deveria ser verdade. Por mais que Jack conseguisse me ajudar a fazer coisas tão bonitas, ele não conseguia me ensinar a controlar meus poderes. Ainda tinham dias em que eu acordava com meu travesseiro parcialmente congelado, ou com uma pequena nevasca no meu quarto.

Eu estava enfrentando meu pequeno dilema. Como algo poderia ser tão ambíguo? Como que meus poderes poderiam, ao mesmo tempo, criar coisas lindas e me assustar tanto?

****

– Elsa, Elsa, venha me fazer companhia! – grita Anna, rolando no jardim.

Vou correndo até ela, rindo. Nós nos jogamos no chão, e deslizamos no gelo que eu crio. Está tudo tão perfeito, até que, quando olho para ela, minha irmã está completamente congelada.

–Anna! Não! Acorde! – eu tento sacudi-la, mas ela está completamente congelada. – Por favor, Anna...

É quando meus pais chegam, e eu vejo o fogo em seus olhos me queimando. Me julgando. Eu leio seus pensamentos “Monstro”, é o que eles pensam “Você é um monstro, Elsa”.

Acordo suando frio. “Foi só mais um sonho, se acalme”, digo para mim mesma. Vou até o banheiro, e encosto-me à pia. Ela instantaneamente vira gelo.

****

Quando chego na sala de aula, Jack já está a minha espera. Ele sorri calorosamente, e eu retribuo. Sei, porém, que meu sorriso deve ter saído um pouco amarelo.

– E aí, geladinha – ele diz, me abraçando. – Como passou a noite?

– Bem, até – minto, e ele percebe. Eu lhe dou um beijo, mas ele me olha com um olhar indagador. – Não foi nada, Jack, é sério. Não precisa se preocupar comigo.

Ele sabia que eu estava tendo problemas para me controlar, mas ele ficava preocupado.

– Bem, então vamos treinar hoje, no final da aula?

– Claro! – e sorrio.

A aula começa, e nos sentamos em nossas carteiras. Logo, começa um anúncio nos alto-falantes.

“Bom dia, alunas e alunos! Viemos convidá-los para o Baile de Inverno de nossa escola. Haverá muita dança e eleição de rei e rainha do inverno! Sintam-se à vontade para comprar os ingressos com o comitê no baile.”

Jack olha para mim, sorrindo.

– Parece a nossa cara, não acha? – ele sussurra.

Eu rio.

– É, talvez. Acho que nós devemos ser os maiores reis e rainhas do inverno que essa escola já teve.

****

Após o treino com Jack, vou até a pista de patinação. Eu deslizo, flutuo e voo pelo gelo, criando uma névoa de gelo atrás de mim. Quando giro, ela cria uma cortina ao meu redor.

Dou uma pequena pausa para tomar água, quando vejo Anna chegando.

– Elsa!!! Oi! – ela exclama, animada. – Eu resolvi vir aqui ver você dançar um pouquinho.

Eu rio.

– Mas por que você veio aqui só para isso? – pergunto.

– Ah, eu... Gosto de ver você dançar. Faz você parecer tão feliz – ela diz, sorrindo – E eu... estava com saudades.

Eu rio. Gosto de ficar perto de Anna às vezes, sua felicidade e doçura são contagiantes para mim.

– Bem, então eu acho que você deveria vir até aqui, e patinar comigo – digo, colocando as mãos na cintura, em uma posição mandona.

Ela fica pálida.

– Mas, Elsa, eu não sei... – ela balbucia.

– Ah, deixe de frescura. Venha logo!

Ela me fuzila com o olhar, e vai até o armário de patins da escola. Depois que ela calça os patins, eu a puxo pelas mãos até o ringue.

– Elsa, cuidado... – ela começa.

Nós duas giramos juntas, de mãos dadas. Ela logo para de ficar nervosa e começa a rir comigo. Era tão bom me divertir com ela.

– Acho que eu até consigo sozinha. Veja! – ela solta minhas mãos e começa a deslizar sozinha pelo gelo.

– Isso, você até que consegue – eu digo. Quando vejo, porém, ela está caída de costas no chão frio. – Anna!

Vou correndo até ela, que já começa ase levantar.

– Relaxe, Elsa, eu estou bem. – Mas a nuca dela está sangrando.

Com o coração acelerado, eu a levanto do chão e a tiro da pista. Ao apoiar minhas mãos na beirada do ringue, vejo que ele se congela.

– Não precisa se preocupar, foi só um arranhão... – ela começa a dizer, mas eu a interrompo.

– Não, Anna, é perigoso. Eu não quero mais machuca-la, vamos embora.

E, com um silêncio eterno entre nós duas, nós vamos para casa. Eu me sinto burra, estúpida. Não sei o que passou pela minha cabeça para achar que eu poderia baixar a guarda assim, e deixar minha irmã em risco. Eu preciso mantê-la a salvo, mesmo que isso signifique que eu não devo me aproximar dela deste jeito. A distância entre nós é para o bem dela.

Notas finais
Então, eu estava com saudades da Anna. Para mim, ela é um personagem muito fofo e incrível, e gostoso de escrever sobre. Eu queria explorar um pouco mais a relação das irmãs, e a insegurança de Elsa perto dela. Até o próximo e espero que tenham gostado!!!