Hyoku
14 Dia 16 - Plúmbeo.
Notas iniciais
Zaki adormeceu após alguns minutos em seus braços. Com delicadeza Enzo colocou-o sobre a esteira, em seguida pôs-se a admira-lo. Recordou os primeiros anos do rapaz na fazenda dos Fontaine. Sua adaptação foi terrível em comparado com a da irmã. Iana no alto de seus doze anos, logo entendeu quem era o sinhô na propriedade dos italianos. O negro não entedia o idioma tampouco fazia questão de aprender. Odiava o povo responsável por seu afastamento de Cabinda, sua amada terra natal.
Zaki e Iana Cabinda. Tal alcunha foi dada aos dois por padre Damião, sacerdote justo e bondoso, que os batizou assim que chegaram a Pernambuco. O pároco foi o primeiro a manifestar carinho pelo ‘nigrinho orgulhoso e fujão. Como o pequeno ficou conhecido por aquelas bandas.
O médico perdera as contas das vezes que flagrou Iana chorando a sorte do irmão. O moleque fugia e apanhava, apanhava e fugia. Segundo sua ama seria um príncipe em sua tribo, se antes não tivesse sido escravizado por mãos brancas. A menina lamentava o destino plúmbeo imposto a ambos.
Enzo acariciou o rosto do jovem. Tão frágil. O contrário do que sempre foi. Sussurrou cansado:
— Meu príncipe.
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