Hybrids

33 É o fim


Notas iniciais
E vamos para o antepenúltimo capítulo (‾◡◝)


Mingi e Taehyung estavam diante do delegado. Ambos o encaravam com expressões sérias e impassíveis. O homem permanecia preso e amarrado a uma cadeira, furioso por ter sido capturado por causa de um descuido tão idiota.

— Vocês não têm um mandado contra mim. Sabem muito bem que estão infringindo a lei! — esbravejou o delegado.

— Quer mesmo envolver a Justiça nisso? — perguntou Taehyung, em um tom frio. — Tudo bem. Nesse caso, podemos expor algumas práticas suas que também configuram crimes graves, meu caro delegado.

O homem lançou um olhar carregado de ódio enquanto tentava inutilmente se soltar das amarras.

Mingi aproximou-se e espalhou sobre a mesa diversas fotografias do delegado beijando uma garota dentro do carro. O delegado estreitou os olhos, tomado pela raiva.

— O que vocês querem?

— Queremos saber por que você colocou Dak-ho no caso dos híbridos. Você sabia que ele era um espião daquela corporação?

O delegado soltou uma gargalhada.

— Vocês são tão idiotas... foram completamente enganados por ele.

— Ele quem? Dak-ho? Onde ele tá?

— Dak-ho? — O delegado soltou outra risada debochada. Taehyung e Mingi trocaram um olhar confuso. — Vocês realmente julgam as pessoas pela aparência. Dak-ho é uma vítima de toda essa história. Sim, ele é um espião, mas trabalha para o governo. Taehyung, por que você acha que Dak-ho começou a trabalhar justamente no mesmo prédio que você? Quem você acha que ele estava investigando? Ele começou a trabalhar muito próximo a quem?

— Ao Suk. Mas isso é irrelevante agora. Queremos saber onde Dak-ho está. Você é cúmplice dele e deve ter essa informação.

— É mesmo? — O delegado sorriu com desdém. — É sério que o verdadeiro culpado nem sequer passou pela sua cabeça?

Taehyung permaneceu em silêncio, observando o delegado com as sobrancelhas arqueadas.

— Ele tá enrolando a gente. — Mingi estalou os dedos, claramente contendo a vontade de fazê-lo falar por outros métodos.

— Foi justamente por isso que ele enganou vocês tão bem. — O delegado riu e, em seguida, limpou a garganta. Seu semblante se tornou sério. — Kwan Suk é o verdadeiro culpado. É ele quem está por trás de tudo isso. Na verdade, ele herdou o trabalho do pai. Depois da morte do Doctor, assumiu todas as pesquisas e as levou a um novo patamar. Suk queria estudar os híbridos vivendo em sociedade e, por isso, manipulou toda a fuga deles...

— VOCÊ TÁ MENTINDO! — Taehyung avançou contra o delegado, mas Mingi o segurou antes que pudesse alcançá-lo.

— Tae, se acalma. Não cai na provocação dele. É exatamente isso que ele quer.

— Eu contei tudo o que sei. Se vocês vão acreditar ou não, isso já não é problema meu. Eu fiz a minha parte. Agora me soltem.

Taehyung fervia de raiva. Mingi percebeu que ele estava prestes a perder o controle.

— Vamos verificar se essa informação é verdadeira. Se for, conversamos novamente. — Mingi segurou Taehyung pelo braço e o tirou dali o mais rápido possível.

…

— Preciso que você mantenha o foco. Não pode perder a cabeça agora, Taehyung.

— Isso não pode ser verdade... — A voz de Taehyung saiu trêmula, embargada pela raiva e pela dor. Ele desferiu alguns socos contra a parede. — Não pode ser verdade! Ele é meu amigo, Mingi... ele é meu amigo! — Quando voltou o rosto para ele, Mingi viu as lágrimas escorrerem por sua face. A sensação de traição parecia despedaçá-lo por dentro.

— Tae, se acalma... eu estou aqui com você. — Mingi o puxou para um abraço firme.

De repente, Taehyung pareceu se lembrar de alguma coisa. Afastou-se rapidamente, tirou o celular do bolso e ligou para Yoongi com as mãos trêmulas.

— Yoon? Graças a Deus! Você tá bem?

— Tae? Estou, sim. O que aconteceu?

— Yoon, o Suk tá aí? Ele apareceu por aí?

— Não. Ele não apareceu. Por quê? Ele tá vindo pra cá?

— Yoon, presta muita atenção no que eu vou dizer. Eu sei que isso pode parecer estranho, mas, se o Suk aparecer aí, não deixe ele entrar. Tranca todas as portas e não sai de casa por motivo nenhum. Me espera chegar. Quando eu estiver aí, explico tudo o que está acontecendo.

Yoongi soltou um longo suspiro.

— Meu instinto felino sempre dizia que havia algo de errado com o Suk. Achei que fosse apenas ciúme, mas não era só isso... estou certo?

— Sim, Yoon. Suk não é quem diz ser. Mas ainda precisamos ter certeza absoluta. Até lá, não atenda nenhuma ligação dele e não o deixe entrar em casa. E, por favor, não comente nada disso com os outros. Precisamos confirmar tudo primeiro, entendeu?

— Está bem, Tae. Só não faz nenhuma loucura, por favor. Volta logo para casa.

— Logo estarei aí, Yoon. Cuida dos meninos. Se acontecer qualquer coisa, me liga imediatamente.

— Pode deixar, Tae. Te amo.

— Também te amo, gatinho.

Taehyung desligou o telefone e respirou fundo. Só de ouvir a voz de Yoongi, sentiu a mente se acalmar um pouco.

— Precisamos arrancar mais informações daquele delegado. Ele sabe muito mais do que contou e deve ter alguma prova que aponte quem é o verdadeiro culpado... mesmo que esse culpado seja o Suk. — O peito de Taehyung apertou só de imaginar que aquela possibilidade pudesse ser verdadeira.

…

— Estou ficando viciado em você. — Suk distribuiu vários beijinhos pelo rosto de Dak.

— Acho justo, já que eu sou viciado em você desde o dia em que te vi. — Dak acariciou seus cabelos com delicadeza.

Estavam no apartamento de Suk. Haviam passado a semana inteira aproveitando a companhia um do outro, conhecendo-se melhor, trocando beijos intermináveis e vivendo momentos que ambos jamais imaginaram experimentar.

— Me dá mais um morango? — Suk fez um biquinho adorável.

Dak lhe deu um selinho antes de pegar um morango. Prendeu metade da fruta entre os dentes e se aproximou devagar. Suk sorriu e mordeu a outra metade diretamente de sua boca.

— Você gosta disso, não gosta? — Dak o empurrou de leve sobre a cama e segurou seus pulsos acima da cabeça.

— Adoro. — Suk abriu espaço para que Dak se acomodasse entre suas pernas. — É assim que a felicidade é?

— Sim. Ser feliz é isso. Amar alguém e ter esse amor correspondido. — Dak lhe deu um beijo demorado. Quando se afastou, permaneceu olhando em seus olhos. — Eu sei que tudo isso parece uma loucura e que nossa situação está longe de ser a ideal, mas... Suk, eu realmente estou apaixonado por você. Eu te amo.

Suk ficou completamente imóvel. A última vez que ouviu um "eu te amo", perdeu para sempre a pessoa que o havia dito. Seus olhos arderam ao recordar a voz da mãe sussurrando aquelas mesmas palavras momentos antes de morrer. Ele se desvencilhou lentamente do abraço e se afastou, sentando-se na beira da cama. Dak observou tudo sem entender, ainda mais quando viu Suk começar a chorar.

— Suk? — Dak aproximou-se e o abraçou por trás. — Eu fiz alguma coisa errada?

— Dak... não fala mais isso, por favor.

— Isso o quê?

— Que me ama... não fala mais isso.

— Eu não entendo. Por que eu não posso dizer isso?

Suk virou-se de repente e o abraçou com toda a força que tinha. As lágrimas escorriam sem parar, e os soluços tornavam difícil até respirar.

— Eu não quero te perder.

— Ei... você não vai me perder. Eu estou aqui e não vou sair do seu lado.

Dak o envolveu em um abraço apertado e passou a acariciar suas costas, tentando acalmá-lo. Naquele momento, toda a fachada confiante e manipuladora de Suk desapareceu. Restava apenas aquele rapaz aparentemente frágil, carregando feridas que nunca haviam cicatrizado.

Ouviram um estrondo vindo da sala. Dak se levantou imediatamente, colocando Suk atrás de si em um gesto instintivo de proteção. Passos pesados e apressados ecoaram pelo apartamento. Tudo aconteceu rápido demais. A porta foi arrombada com violência e vários soldados, acompanhados de oficiais armados, invadiram o quarto apontando suas armas para os dois.

Dak sentiu o coração disparar. O pior cenário que imaginava acabava de se tornar realidade.

— Eu mandei você investigá-lo, e, em vez disso, está brincando de namoradinho com ele? Sério isso, Dak-ho? — Um homem de sobretudo preto avançou alguns passos em direção aos dois.

— Eu posso resolver isso com você. Suk vai colaborar com tudo. Só me deixa cuidar dele. — Dak tentou manter a voz firme, embora sentisse Suk tremendo enquanto apertava sua camisa por trás.

O homem soltou uma risada debochada.

— Peguem ele! — ordenou.

Os soldados avançaram sobre Dak. Ele ainda conseguiu derrubar alguns com socos e chutes, mas a vantagem numérica falou mais alto. Eram quatro homens armados contra apenas um. Mesmo rendido, Dak continuava lutando como um animal acuado.

— DEIXEM ELE EM PAZ!

— Está tendo compaixão do inimigo? Não foi para isso que eu treinei você, Dak. Nós somos os mocinhos. Suk precisa ser preso.

— NÃO! — Dak tentou se desvencilhar das mãos que o imobilizavam.

O homem caminhou até Suk, que permanecia encolhido contra a parede. Segurou seu pulso com força e começou a arrastá-lo em direção à porta.

— DAK! — Suk tentou se soltar. Esticou o braço desesperadamente em direção a ele, e Dak conseguiu alcançar sua mão.

— Suk, eu vou buscar você. Por favor... sobreviva. — Dak chorava enquanto apertava sua mão o mais forte que conseguia.

Os dois eram puxados em direções opostas. Lutavam para não se separar, mas seus dedos começaram a escorregar lentamente. Primeiro as palmas deixaram de se tocar. Depois restaram apenas as pontas dos dedos. Até que, por fim, o contato se desfez por completo, e Suk desapareceu pela porta ao lado do homem de sobretudo.

Dak permaneceu imóvel, em choque. Baixou os olhos para a própria mão, agora vazia, e desabou em lágrimas.

Notas finais
Os mocinhos venceram .·´¯`(>▂<)´¯`·.