Hush Hush - Patch Cipriano

22 Você consegue sentir meu coração?


Notas iniciais
Salve Anjos! Eae, tudo bem com vocês? Então tá bom *w* Hoje é o meu aniversário YAAAAAH! E de presente para vocês, Anjos, um capítulo saindo do forno (ou do word hehehe) Devo dizer que esse capítulo ficou beeeeeeeeeem chatinho, mas prometo que o próximo vai melhorar, ok? Quero agradecer também à uma Anjo linda que me deu de presente uma recomendação divástica! Scot [u/390185] muito obrigada por suas palavras que me deixaram no chão de tão maravilhosas que são! :3 Posso te abraçar? :3 Ah, antes de ler o capítulo, só vou avisar que vai ter bônus +18 sim HOHOHO e preciso da ajuda de vocês: vocês preferem que o Hot seja no ponto de vista de quem? Patch ou Nora? É isso jovens, boa leitura! P.S: as tretas malignas vao chegar no próximo HEHEHEHE Agora sim, boa leitura! :3

Era comum o silêncio rondando meu corpo como um manto. Era comum a solidão me engolir e me destruir. Era comum meus gritos de desespero ao ver meu reflexo no espelho e ter a certeza que nada mudou, que a escuridão ainda fazia parte de mim.

Era comum. No entanto, ao longo que convivi com Nora, que aceitei que ela seria minha destruição, tudo havia mudado. Eu não estava mais sozinho vendo a face de um passado assustador, sombrio.

Eu estava com Nora. E com a ruiva eu esqueci completamente de tudo.

Encarando o bilhete em minhas mãos trêmulas, a verdade me atingiu como um tapa na cara: não dá pra fugir do passado, pois uma hora ele retornará.

Chancey havia retornado e estava em suas mãos o meu destino.

A adrenalina pulsava em minhas veias como algo vital. Meu corpo tremia e minha respiração estava descontrolada. Todo o meu ser estava fora de controle. Uma parte queria sair correndo à procura daquele maldito e outra optava por ficar no lugar e esperar até o espetáculo começar.

Fechei meus olhos e soltei um gemido.

Como era de se esperar, o clima ficou frio de repente e uma fila de carros atrás de mim buzinava sem parar, já que parei o Jeep bem no meio da avenida.

Queria gritar. Gritar e xingar qualquer um que aparecesse em minha frente. Queria ligar o carro e fugir como sempre fiz. Contudo, não fiz nada. Continuei quieto, como um morto, enquanto as buzinas preenchiam o silêncio. Não ousei me mover, pois sentia como se qualquer movimento meu, eu viraria pó.

Fácil de destruir.

Novamente, fechei meus olhos e não sei quanto tempo fiquei assim, imóvel e de olhos fechados, mas quando os abri não tinha mais fila de carros buzinando ao redor. Só restou o silêncio e o vazio.

Nunca entendi muito bem essa expressão de se sentir completamente vazio, sozinho ao meio de uma multidão. Mas agora entendia, na verdade eu sempre soube mas nunca senti. E agora sentia, dentro de mim, que desde minha queda fui alguém vazio no meio de tanta gente que transborda vida.

Isso é o que acontece quando não resta mais nada e você tem apenas si mesmo. Quando todos que ama se forem e você continua no mesmo lugar. O que resta é apenas a sensação que está perdido, está se afogando e ninguém irá te salvar.

É isso o que o medo e a dor fazem: abrem um buraco em nós que jamais será capaz de se fechar. As palavras de Chancey rondavam-me como um monstro à espreita, esperando o momento certo para me matar. Palavras cheias de rancor e ódio que parecia ácido contra minha pele, envenenando-me, trazendo à tona aquela noite. Aquela noite que virei um monstro prestes a ferir e matar, um demônio em forma de um anjo.

Suas palavras envolviam minha mente como uma névoa, uma névoa que me levava ao precipício:

Quando arrumar um jeito, qualquer oportunidade que for, estarei lá para te destruir.”; e em minha frente estava seu lembrete. Cruel, traiçoeiro. Um terrível lembrete que ele achou a oportunidade que queria.

Nora. A única que tem o poder de me destruir. A única que está me levando para minha própria morte, para minha desgraça. Minha queda ao inferno. A única coisa que restava de bom em mim.

Maldito Nefilim!

Imagens se embaralhavam diante de meus olhos, conseguia ver Nora sorrindo e Chancey olhando-a. Via Annabel e também seu desespero ao saber que eu era capaz de feri-la, como fui cruel ao testar o amor de Chancey para ela e de como sorri ao vê-lo sangrar.

E agora estava frente a frente com o passado, arriscando-me pela única certeza que tenho, exatamente como Chancey fez há muito tempo. Quando eu o encurralei na parede como um leão faminto e cruel. Agora o jogo virou e ele havia me encurralado. Eu estava na jaula do leão e o leão estava faminto, sedento por vingança. Como um jogo perverso, começou o segundo round e eu não sei quem vai dar o Xeque-Mate.

Amassei o papel que estava em minhas mãos e liguei o carro. Adrenalina percorria meu corpo como uma corrente elétrica, formando um curto-circuito onde toca. Isso foi o suficiente para trazer-me de volta e girar o volante para a esquerda, pegando novamente o caminho para o casarão de Nora.

[...]

O casarão de Nora estava quase invisível por conta da neblina que se instalou ali. Um vento forte atingiu-me e os fios de meu cabelo caiam em meus olhos. Estacionei o Jeep na estrada e segui o restante do caminho a pé, para não chamar a atenção de Nora.

A clara ameaça daquele maldito ainda rondava minha mente, deixando que uma tensão sobrecarregasse em meu corpo. Ele podia estar em qualquer lugar.

Caminhei olhando para todos os lados, tentando captar qualquer movimento suspeito. Tirei os cabelos do rosto e apoiei meu corpo em uma árvore, olhando para a janela aberta do quarto da ruiva.

Nora tinha muitas manias. E deixar a janela aberta no meio da noite, onde tudo ao redor é quase deserto era uma dessas manias irritantes. Claro que para ela não existe risco algum, já que a janela fica a muitos metros do chão. Se alguém tentasse pular ali, sairia muito machucado, na melhor das hipóteses.

Soltei um longo suspiro e deixei meus ombros relaxarem. Estar ali me fazia bem, como um lembrete que tudo poderia melhorar. Que ainda existe um pouco de esperança para mim.

Com o canto de olho, captei um movimento ao redor do casarão e novamente a adrenalina pulsava em minhas veias.

Ele está aqui. Esse filho da puta realmente está querendo machucá-la.

Mais rápido que um raio, cheguei perto da pessoa e girei seu corpo para trás, prensando suas costas na parede e com a mão cobri sua boca.

— Nora? – perguntei completamente surpreso.

A garota revirou os olhos e arqueou a sobrancelha. Lentamente, tirei minha mão que cobria sua boca e cruzei os braços.

— Droga, Patch! Que diabos, você quase me fez ter um ataque do coração! E posso saber o que você está fazendo aqui?

Eu soltei um risinho e a tensão se evaporou do meu corpo. Percebi que seu corpo tremia e tirei minha jaqueta.

— Pegue, você está tremendo. – estendi a jaqueta em sua direção.

— Obrigada. – ela pegou, nossos dedos se tocaram por alguns segundos até Nora afastar seu corpo de mim, cobrindo-se com minha jaqueta. — E então, posso saber o que você está fazendo aqui? Por acaso está me vigiando ou você é só maluco, mesmo?

— Sim e sim.

A garota cruzou os braços e buscou apoio na parede atrás de si. Ela estava com o cabelo todo arrepiado, os fios trilhando um caminho estranho no topo da cabeça. A pele pálida tremia quando o vento atingia seu corpo e ela fechou o zíper da jaqueta.

— Você não deveria estar dormindo? – perguntei.

— Eu que faço as perguntas aqui, camarada. – ergui as mãos em rendição e ela soltou uma risada baixa. — Você foi embora, eu vi seu carro se afastando.

— Realmente, mas fiquei com saudades e decidi voltar.

Grey revirou os olhos.

— Não faz nem uma hora que você saiu, Patch.

— Uma hora é muito tempo.

— Pare com isso.

Eu sorri e virei seu corpo para o meu, meus dedos tocaram suas bochechas levemente coradas por conta do frio. Passei o indicador em seu nariz e o desci até tocarem seus lábios.

O cinza de seu olhar se fixou em meus olhos negros. Novamente, aquele poder surreal que ela tinha se descarregou em minha pele. Nora é como um vírus, corrosivo, fatal. Entrava lentamente em minha pele e ia matando cada célula, cada órgão.

Talvez fosse Nora que iria me destruir e não Chancey. Talvez o perigo fosse ela, como sempre imaginei.

— Patch? – o timbre de sua voz tirou-me dos meus devaneios e a encarei.

— Sim?

— Podemos entrar? Estou congelando aqui fora.

— Sua mãe.

— Ela precisou sair para fazer alguma coisa de última hora no trabalho. Não volta até amanhã.

Antes de qualquer palavra minha, a ruiva agarrou minha mão e guiou-me para a varanda. Ela largou minha mão para abrir a porta e quando nós já estávamos dentro da sala e ela já tinha trancado a porta voltou a pegar minha mão, seguindo para o segundo andar.

Ela parou na frente de seu quarto e largou minha mão. Seu quarto estava uma bagunça e o pouco de claridade que fazia ali era por causa do abajur perto da cama. Roupas estavam espalhadas pelo chão. Em contradição, os livros estavam organizados de forma impecável na mesa de estudo.

Quando voltei meu olhar para ela, Nora já tinha tirado minha jaqueta, mostrando que vestia apenas um blusão de mangas curtas, com uma estampa escrita: “Faça-me implorar por mais..”.

Ignorando a ardência em minha garganta, ultrapassei a distância entre nós e sentei na beirada de sua cama.

— Faça-me implorar por mais? – perguntei.

Os olhos dela se arregalaram e seu rosto ficou vermelho. Não consegui evitar um sorriso.

— Não é minha.

— Claro.

— Bem, ainda não respondeu por que estava no meu quintal.

— Digamos que me sinto bem aqui.

— Não acredito em você.

Eu dei de ombros.

— Não precisa acreditar, Anjo.

— Você está tenso. Aconteceu alguma coisa?

Eu a encarei e soltei um longo suspiro. O que poderia dizer para ela? Melissa tinha razão, eu não tinha como chegar nela e dizer que ela corria perigo e ainda por minha causa. Seria egoísta demais. Sabia que se o fizesse ela poderia se afastar e não posso deixar isso acontecer.

Não agora que toda minha existência pertence a ela. Não quando Chancey está aqui.

— Não. Só precisava me afastar um pouco do mundo.

— E nada melhor como vir na minha casa e quase me matar do coração!

— Escute Nora. Não precisa acreditar em mim. Só deixe-me ficar aqui, tudo bem?

Nora me encarou, franzindo a testa.

— Farei um chocolate quente. Fique aqui. Voltarei em dez minutos.

Ela já estava se levantando quando a impedi.

— Não quero chocolate quente nenhum.

— E o que você quer então?

— Você, seja gritando, xingando ou simplesmente em silêncio. Só quero que fique comigo esta noite.

— Ficarei com você, Patch. Sempre que quiser.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Tudo que podia ser ouvido era a respiração de Nora. Ela tinha fechado a janela e deixou que uma música lenta e baixa tocasse em seu celular.

Desviei meu olhar dos seus livros e a encarei. Grey me olhava, estudando, tentando decifrar o que estava acontecendo. Lentamente ela se aproximou. Passou a mão por meu cabelo e depois em meu rosto, descendo até meu pescoço.

— Você consegue sentir meu coração? – perguntei.

— O quê?

Rapidamente, a puxei para mim. Seu pequeno corpo que antes estava deitado agora estava em meu colo. Suas pernas envolta da minha cintura, enquanto suas mãos se prendiam em meu pescoço.

Os olhos dela estavam como se lutassem contra uma tempestade. Furiosos, sedentos.

— Você consegue sentir meu coração? – repeti.

Confusa, Nora levou sua mão esquerda até meu peitoral, tentando sentir as batidas de meu coração morto.

Neguei com a cabeça e puxei sua mão para meu pescoço.

— Não assim, Anjo. – passei minhas mãos por suas costas, causando um arrepio na garota em meus braços. — Assim.

E a beijei.

A sensação foi que o mundo havia parado. Como se algo muito catastrófico aconteceu, destruindo todo o resto e só existíamos nós. Não havia passado, não havia Anjo Caídos e nem Nefilins, havia apenas Nora e eu.

A garota que havia virado meu mundo tão planejado e incompleto de cabeça para baixo. A garota que fez com que eu caísse e me voltasse contra todos, até contra mim mesmo.

Ela que salvou minha alma condenada, que me puxou da escuridão que costumava me rondar. Ela por quem eu irei e vou lutar.

Seus lábios pareciam ser moldados aos meus, sua língua travava uma guerra com a minha no mesmo momento que explorava cada canto de minha boca.

Nora havia rompido qualquer maldição que existia entre nós, se agarrando em mim como se eu fosse sua única salvação.

Afastei seu corpo do meu lentamente. Os fios ruivo de seu cabelo estavam bem pior do que quando a vi, mas ainda sim conseguia ser sexy. Ela respirava com dificuldade, os lábios entreabertos estavam vermelhos assim como as maçãs de seu rosto.

O blusão que vestia estava levantando, mostrando até a metade de suas coxas.

Arqueei a sobrancelha e passei minha mão por suas pernas, imaginando a maciez de sua pele.

Ela tombou o corpo sobre o colchão e puxou-me para ela.

— E agora, Anjo? Você consegue sentir meu coração?

E voltei a beijá-la, esquecendo que o mundo existia à nossa volta e que quando amanhecesse meus demônios voltariam para me assombrar.

Notas finais
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