Hush Hush - Patch Cipriano

8 À beira do precipício.


Notas iniciais
OOOOOOOOOOOOOOI GENTE!!! Galera, eu to sem tempo euhauehuae, então postei esse capítulo correndo. Está sem revisar, então qualquer erro, peço desculpas! Peço desculpas á minha demora também, inspiração me odeia!! Próximo capítulo não vai demorar muito, e prometo explicar direito o porque do atraso. Ah, já ia me esquecendo, eu postei uma nova fic :3, caso quiserem dar uma olhada : http://fanfiction.com.br/historia/476121/Black_Heart/ Beijos, boa noite e boa leitura!

A silhueta de Melissa ficou totalmente visível quando seu corpo se afastou da escuridão, sendo iluminada pelas luzes do parque de diversão Delphic logo atrás de mim, dando um contraste em seu rosto. Sua expressão era indecifrável, parecia séria ou zangada, porém um sorriso debochado brincava em seus lábios.

Alguns fios de seu cabelo caiam desajeitamente em seu rosto, tampando o brilho de seus olhos azuis cinzentos, porém sabia perfeitamente o quão seu olhar estava zangado, como se lutasse contra uma tempestade. Como se ela lutasse entre manter o controle ou quebrar tudo que está a sua volta.

Ela passou a mão por seu rosto, tirando os cabelos de seus olhos e então notei o quanto ela havia mudado. Suas feições meigas haviam sido deixadas para trás e agora seus olhos eram contornados por delineador preto e sombra da mesma cor, dando certo charme ao seu olhar. As maçãs do rosto agora têm um leve tom de rosa – a deixando fofa – e, vestia roupas escuras. Seu olhar parou em um ponto atrás de mim, ou seja, em Rixon.

A fúria invadiu seu olhar no mesmo instante e a notei cravar suas unhas nas próprias mãos.

– Se não é a traidora! – a voz de Rixon não era tão diferente de como imaginei que seria. Era ríspida, fria. Era como se ele não estava mais no comando de si mesmo, deixando tudo no modo automático.

Não se deixando abater – suponho – o sorriso debochado de Melissa alargou mais, enquanto suas costas iam de encontro com a parede, procurando apoio.

– Olá Patch. Bela coleção de whiskys, devo admitir. Olá pra você também Rixon.

Sentei no sofá e esperei o momento em que eles falariam o porquê, diabos, estavam brigando.

– Se fazendo de coitadinha? O que os seus amados Arcanjos irão pensar da queridinha deles?

Melissa arqueou a sobrancelha e seus olhos focaram no meu. Sua voz saiu mais fria do que a de Rixon:

– Aposto que o que estou fazendo não é tão ruim como pensa.

– Não se faça de santa só por estar perto dele!

A risada de sarcasmo de Melissa ecoou por todo o cômodo, enquanto caminhava lentamente em direção á ele.

– Santa? Desde quando eu quis ser santa, amor? – o corpo de Rixon tremeu e ele se afastou, porém Melissa agarrou em sua camisa. – Ou se esqueceu do que fazíamos antigamente?

Rixon a empurrou e como sua força é extrema, as costas de Melissa bateram na outra parede. Ele a pegou pelo pescoço, dizendo com fúria:

– Você foi o pior erro da minha vida!

Melissa arfou, porém seus lábios se curvaram para cima em um sorriso sombrio.

– Qual o problema, amorzinho? Cuspir no prato que comeu não é uma boa maneira dos Anjos.

– Cale a boca, vadia. Ou...

As unhas da morena voaram em direção ao rosto de Rixon, deixando três marcas vermelhas ali, enquanto Melissa se desprendia de seu aperto.

– Ou? Você não pode me matar. E nem se pudesse, o faria. Você odeia o fato de ainda sentir esse seu amor por mim.

Levantei-me quando vi Rixon se aproximando novamente, e o joguei no sofá. O barulho de seu impacto com o móvel foi abafado pelo barulho dos trilhos da Montanha Russa do parque.

– Agora chega! – eu disse. – Ou vocês calam a boca e me explicam porque estão brigando como cão e gato, ou eu chuto seus traseiros daqui e vão parar no inferno. Vocês escolhem. Estou falando sério.

– Melissa é uma traidora!

– Ah, por favor, troque o disco! – reclamou Melissa.

– Já chega! Cinco segundos. Cinco segundos para vocês me explicarem. Cinco.

Nenhum dos dois ousou falar. Notei Rixon encarar Melissa com ódio, como se o fato dela estar respirando no mesmo ambiente que o dele, o deixe doente. Como se ela fosse uma doença sem cura. Algo tóxico. E, sabia que era exatamente assim que ele a via. Algo ruim que não consegue se livrar.

E, por mais que Melissa fora cruel com ele, ela está certa. Ela é como uma droga, que quando mais você querendo parar, mais você a deseja. Como se fosse uma bomba relógio que quanto mais demora para a desarmar, mais rápido ela irá explodir, sem se importar com os danos que irá fazer.

Quatro.

Ouvi as conversas das pessoas no parque, e o barulho dos brinquedos. A respiração de Melissa e Rixon tentando se normalizar, mas nenhuma palavra tinha saído da boca deles.

Três... Dois... Um!

– Melissa mentiu – disse Rixon. – O tempo todo, ela nunca foi viajar para procurar algo sobre a droga daquele livro. Tudo foi uma farsa. – A última palavra saiu baixa e quase imperceptível, porém eu sabia que a palavra “farsa” para ele o machucou. O rancor ainda estava impregnado dentro de si, e provavelmente, demoraria a sair. Se, sair.

– Dramático! – começou Melissa. – Não sou uma farsa, nem tudo foi uma farsa, pelo menos para mim. Entenda Rixon, estou fazendo isso para ajudar. Nos ajudar, e Patch não existe nenhum Livro, sinto muito.

– Então.. – comecei. – O que você anda fazendo de ruim? Vendendo seu corpo para os Arcanjos? Para os anjos caídos?

Seu olhar azul cinzento me fuzilou.

– Trabalhando para os Nefilins. – respondeu simplesmente.

A encarei, perplexo.

– Desculpe o que disse?

– É Patch, você não é o único que tem segredos, que tem cartas na manga.

Ouvi Rixon se levantar do sofá e ele caminhou até nós, ficando frente á frente. Seu olhar parecia vazio, assim como seu sorriso e sua expressão. Deu a impressão que toda a sua alma fora embora, o deixando com o vazio. Sua voz saiu rouca:

– Por quê? Por que decidiu simplesmente nos trair?

– Nos trair? – ecoou ela, com a sobrancelha erguida. – Rixon, o único traído aqui foi você. Como eu disse, não sou a única que tem segredos. A única vítima disso tudo, foi você.

As mãos de Rixon voaram para seus cabelos e automaticamente ficaram ali, prensadas. Seu olhar vazio parou em mim. A expressão era como de Melissa no começo da noite, indecifrável. O olhando assim poderia dizer que ninguém seria capaz de magoá-lo, ele parecia ser forte o suficiente para aguentar as coisas. Mas no fundo, eu me arrependi de tudo isso. Eu me arrependi de não ter contado a verdade desde o início.

– Quer saber? – ele caminhou até a porta, a abrindo, mas não deu um passo sequer. Seu corpo girou para onde Melissa e eu estávamos parados e continuou; – Vivam a mentira de vocês, eu cansei. Se querem se afundar nesta mentira toda, vão em frente. Mas eu não quero me ver afundando. Não dessa vez. Se querem morrer afogados nisso tudo, continuem. Mas eu não ficarei na platéia assistindo tudo. Eu sou o único verdadeiro aqui, pelo visto! – Rixon nos deu à costa, e antes de fechar a porta, lançou um olhar para mim. Sua voz entrou na minha cabeça:

Eu confiei em você e como sempre, você mentiu. – Dizendo isso, bateu a porta.

E a bomba explodiu.

Eu disse que iria descobrir o que estava escondendo, Patch. – a voz de Melissa ecoou na minha cabeça depois de um momento. Eu havia sentado no sofá e pegado um litro de Whisky dos poucos que sobraram da ira de Rixon, e tomei.

Por favor, pelo menos uma vez na sua vida cale a boca.

Uma Nefilim? – Ela continuou; – Apaixonado por uma Nefilim?

Melissa, cale a porra da boca!

Qual o seu problema? Se envolver com uma Nefilim que nem sabe que é isso e depois, mata-lá para conseguir o seu precioso corpo? Por favor, Patch. Você realmente acredita que pode fazer isso?

Você não sabe nada sobre mim! – argumentei.

Tente mentir direito se for mentir para mim! E você sabe muito bem que o que disse é verdade. Você é como um humano, se deixa levar pelas emoções. Você é um fraco!

Saia da minha cabeça! – gritei e tentei me concentrar para criar uma barreira, tipo de um bloqueio, porém ela foi mais rápida.

– Não me bloqueie nunca mais! – disse em voz alta. – Você é um fraco. E o pior, você sabe disso. Quer algo pior ainda? Você ama ser um fraco. – Melissa se aproximou lentamente, ficando de frente para mim e suas pernas ficaram do lado das minhas, seu corpo ficou em cima do meu e um sorriso satisfatório brotou de seus lábios. – Você é bom demais para essa humana. E para Dabria.

Dei um sorriso amargo.

– Então para quem eu sou bom o suficiente?

Um sorriso malicioso tomou conta de seu rosto e, como se fosse ainda mais possível, o corpo de Melissa se curvou para frente fazendo o meu tombar e deitar no sofá. Sua boca foi em direção a minha orelha e sussurrou:

Para mim.

As mãos dela voaram em direção á minha nuca e seu rosto se aproximou do meu, ficando apenas alguns centímetros distanciados. Ela deu um beijo no canto da minha boca e, continuou:

– Bom o suficiente somente para mim. Na medida certa.

Sou eu quem você deve amar – Sussurrando isso em minha cabeça, Melissa me beijou.

Notas finais
Oi! :3