Notas iniciais
Queria agradecer a minha primeira review. Dríada Dias , esse capítulo é para você.

Anne nunca havia corrido tanto em sua vida. Seus pés latejavam ( embora ela pensasse que aquela era uma consequência de sua queimadura) e , mesmo correndo mais rápido do que muitas pessoas treinadas correriam, ela estava longe de alcançar Bianca. Anne havia pensado que perderia o braço de tanto que Bianca o puxava. Mesmo cansadas , elas não se atreviam a parar. Conseguiam ouvir os sons provocados pela criatura, e eles não pareciam muito longe, porém nenhuma das duas se atreveu a olhar para trás.

Havia dois dias que elas fugiam do bicho. Já haviam até conseguido despista-lo por algumas horas, mas ele sempre as encontrava novamente. Anne começava a desconfiar que o homem havia feito a criatura perseguir o seu cheiro e que talvez nunca se livrassem dela.

Anne olhou para o rosto de Bianca enquanto corriam. Ela tinha o cenho levemente franzido e estava claramente exausta , não muito melhor do que ela mesma. Haviam chegado a um rio , quando finalmente pararam. Os sons estavam um pouco mais distantes, mas Bianca sabia que logo ele as alcançaria de novo. Tomando uma decisão drástica , se virou para Anne disse:

-Eu quero que você atravesse esse rio e ande paralela a estrada. Não pare até o final. A estrada vai dar numa cidade grande. Eu quero que você se esconda lá , entendeu?- Anne balançou a cabeça afirmativamente- E não importa o que você escute, não olhe para trás. Agora vá!

- Você não vem comigo?

Bianca se virou e deu um sorriso triste para ela.

- Fique tranquila. Ele não vai conseguir me matar. Eu vou te encontrar Anne. Mas agora você tem que ir.

Ainda hesitante Anne deu alguns passos vacilantes na direção do rio. A mata próxima começava a se agitar e elas sabiam que o bicho estava próximo.

- VÁ!- berrou Bianca.

Anne finalmente pulou no rio , nadou rapidamente até a outra margem e começou a correr novamente, resistindo a louca tentação de olhar para trás. Ela conseguia ouvir os sons de uma luta, eles iam ficando cada vez mas fracos enquanto ela corria como uma condenada. Anne começou a morder o pulso a medida que ouvia os gritos de Bianca.

Anne sabia que não ia conseguir correr muito a frente da fera , então escolheu uma árvore bem grande e a escalou , parando em um de seus últimos galhos. Finalmente sem ter que correr, Anne conseguia ouvir a briga muito melhor, o que foi uma tortura. Ela ia mordendo o pulso cada vez mais forte a cada grito de Bianca até que ela deu um grito muito forte que se seguiu de um silêncio. Anne mordeu seu pulso como se fosse um pedaço de pão e tentava regularizar sua respiração e controlar suas lágrimas enquanto ouvia a criatura vir em sua direção.

Ela parou alguns passos afrente da árvore de Anne e começou a farejar o ar. “ Eu sabia” pensou . Mas sabendo disso , soube que seria impossível não ser pega. Tendo uma ideia arriscada e bem irracional, Anne arrancou um pedaço de seu vestido, amarrou em um galho solto e jogou do outro lado da margem ,bem longe de onde estava . A criatura pareceu notar o movimento e o cheiro pois logo correu naquela direção. Assim que ele entrou na mata , Anne desceu e recomeçou sua corrida, só que agora com uma nova esperança de sobreviver.

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Anne caminhava por uma floresta cheia de folhas caídas. Estava no inicio de seu terceiro dia de caminhada sem Bianca. Por enquanto não havia sinal da besta. Era uma manhã clara e ela andava devagar. A cada passo , pisava em dezenas de folhas e aquele barulho a incomodava. Apesar de saber que era quase impossível do monstro a encontrar novamente ela continuava atenta a qualquer coisa suspeita. Ela havia feito apenas pequenas pousas ( geralmente para vomitar ) em todo o seu trajeto. Não dormira e muito menos vira o conteúdo de sua mochila. A única coisa que se lembrava de fato ter nela era seu pequeno arco de caça. Ela havia apenas aberto o bolso menor , onde achou um pão que veio comendo enquanto andava nos últimos dias. Apesar disso.... Alguma coisa estava errada, Anne conseguia sentir.

Ela parou abruptamente , escutando com facilidade o barulho de cascos de cavalo. Ela poderia pensar que era da estrada que ela vinha caminhando paralelamente, mas não. O barulho veio de trás. Tão abruptamente quando parrou , ela começou a correr. Agora conseguia ouvir nitidamente o barulho dos cascos.

Anne ia aproveitando ao máximo a única vantagem que tinha: as árvores. Ela conseguia se mover com muito mais facilidade do que o cavaleiro em seu encalço.

Mas Anne estava fraca por causa dos últimos dias e sabia que não iria conseguir despistar o seu perseguidor. Ela continuava a serpentear pelas árvores , mas sabia que aquele era seu fim.

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Will e Halt voltavam de mais uma missão bem sucedida . Eles haviam ido resolver um problema nas fronteiras com Picta. Lá havia um grupo de bandidos que estava assustando a população local. Nada que nossos heróis não pudessem resolver, e vinham conversando pelo caminho.

Will vinha tentando rir o caminho todo fazer Halt rir , o que , é claro foi em vão.

- Desista Will- disse Halt – Você nunca vai conseguir.

- Eu não entendo qual é o seu problema- disse Will balançando a cabeça ainda inconformado.

Halt esboçou um sorriso.

- Talvez suas piadas não sejam engraçadas- disse Halt

-Minhas piadas são muito engraçadas- retrucou Will- Talvez você que não tenha senso de humor para entende-las.

Halt arqueou uma sobrancelha. Aquela conversa iria durar muito tempo se os cavalos não tivessem alertado a presença de outra pessoa. Eles mal tiveram tempo de se entreolhar antes que ouvissem um berro as suas costas.

Eles se viraram e viram ali no meio da estrada uma garota, devia ter uns 5 anos. Ela tinha os cabelos castanhos totalmente bagunçados e estava descalça. Usava o que era para ser um belo vestido longo vermelho, mas ele tinha um rasgo enorme que ia até a altura do joelho.

Eles também tiveram menos de dois segundos antes que a menina desse um forte tranco no corpo e caísse de joelhos no chão, soltando um grito estrangulado e segurando a parte de trás de seu ombro esquerdo. Will pode notar que havia uma flecha ali , provavelmente disparada pelo cavaleiro com uma atiradeira logo atrás da menina. Ele estava encapuzado o que não permitia aos arqueiros que o identificassem.

Percebendo a presença dos arqueiros, o homem começou a trotar na direção oposta.

- Fique com a garota- disse Halt – eu pego ele.

Will assentiou com a cabeça e , enquanto seu ex-mentor corria trás do bandido ele desmontou de puxão e correu em direção a garota. Ela agora estava caída no chão e agarrava a flecha com força.

Will rapidamente tirou o kit de primeiros socorros da sela de puxão e se ajoelhou ao lado dela. Ele retirou a flecha das suas costas e fez um curativo. Olhando agora mais de perto ele podia notar que o estado da garota era bem pior do que aparentava. Ela estava muito magra e pálida ,sua respiração estava pesada, a barra do vestido além de rasgada estava queimada e ,ao olhar para os pés, notou que eles ostentavam queimaduras realmente graves. Ele mais do que rapidamente pegou a pomada para queimaduras do estojo e passou nos pés dela. Mas ele ainda pode perceber que além de ferida ela estava fraca.

- Tudo bem – ele disse – vai ficar tudo bem.

Seus olhos estavam entreabertos e Will não pode deixar de notar que eles eram lindamente verdes.

Anne não conseguia enxergar direito. Parecia que tudo estava sem foco. Ela também sentia uma enorme fadiga e dor em seus pés e em seu ombro. Apesar disso ,ouvir as palavras daquele rapaz a relaxavam e confortavam. Ela nem ao menos conseguia enxergar seu rosto. A única coisa que sabia distinguir era o colar com a folha de carvalho de prata. Ela sabia que era a insígnia do corpo dos arqueiros. Pelo menos, teve a certeza de que não correria mais riscos por ora. E foi embalada pelas palavras do rapaz que ela desmaiou.

Foi desse jeito que Will e Anne se encontraram pela primeira vez.