Hurts Like Heaven
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Primeiramente, Amélia pensou que o som de algo se quebrando fosse de seu sonho. Se sentou na cama e viu Beatriz acordada também.
– Você ouviu?- perguntou ela.
– O barulho ?- disse Amélia – sim.
– E adivinhe quem está fora do quarto? A rainha das encrencas, a princesa das voltinhas de madrugada no corredor...
– Anne! – interrompeu Amélia.
– É.
– Você não está nem um pouco preocupada ? pode ter sido ela que fez o barulho...
– disso eu tenho certeza! – riu Beatriz- se há uma confusão á noite, Anne está nela.
Amélia a encarou.
– Isso não tem graça.
– ora vamos Mia. Nos duas sabemos que daqui a pouco Anne vai entrar por essa porta nos contando uma história e tanto. Provavelmente algo difícil de se acreditar.
Dito e feito, poucos segundos depois que Beatriz disse isso , Anne entrou no quarto.
– Eu não te disse?
– disse o que?
– nada, Anne.
– Agora por que não nos conta o que foi esse barulho?
– não sei direito como explicar... eu vi uma moça andando nos corredores... não sei quem era, não vi o rosto. Mas ela me viu e ficou assustada. Ela virou em um corredor e eu ouvi um barulho. Pensei que ela tivesse se machucado , então, fui atrás dela. Mas...
– mas...- incentivou Amélia.
– Ela havia sumido. Não estava em lugar nenhum! E a janela e um pedaço da parede estavam quebrados.
– um pedaço pequeno ou grande? – perguntou Beatriz
– Um razoável.
Ela endireitou a postura.
– que estranho.- disse Bia.
– eu sei que estranho. Pessoas não desaparecem assim do nada quebrando as coisas!- disse Amélia.
– e depois que você viu o estrago? – continuou Beatriz – o que fez?
– fiquei parada feito uma tonta! Até ouvir passos e sair correndo!
– muito corajoso, Martinez...- bufou Beatriz.
– ora cale a boca!
– Anne...- repreendeu Amélia.
–ok. Mas o que fazemos agora?- perguntou Beatriz. – não vou conseguir dormir sabendo que tem uma moça quebradora de janelas/paredes solta por aí!
– alguém ai sabe algum jogo?- suspirou Amélia.
–-----xxxxx------
A noticia sobre o misterioso ocorrido se espalhou rapidamente. Na manhã seguinte todos do castelo já sabiam do misterioso ocorrido. Anne ficava inquieta toda vez tocava nesse assunto. Ela e as amigas chegarão de não deviam comentar o ocorrido com ninguém.
Quando Anne desceu e não achou a mesa do café na sala de jantar, pensou que havia dormido demais. Mas depois que viu uma ruiva sorridente acenando para ela da porta da cozinha, teve a estranha sensação de estar esquecendo algo.
Na mesa da cozinha estavam seus amigos e ainda Mary ( que recebi constantes olhares venenosos de Beatriz) , uma garota loira e mais dois meninos morenos de olhos azuis.
– se não é a Bela Adormecida com uns parafusos a menos!- disse Beatriz.
– Ora, cale a boca!- disse Anne rindo. A amiga riu junto com ela.
Amélia pigarreou.
– Anne, estes são os colegas do Gabe. Jessica , os gêmeos Josh e John e acho que você conhece a Mary.
Beatriz resmungou algo que soou como “vaca”, mas aparentemente ninguém mais escutou. Anne cumprimentou-os com um aceno de cabeça e voltou sua atenção para Jerome que rabiscava furiosamente em um bloco de anotações com Lily olhando por cima de seu ombro e Harry do outro.
– Jerome?- chamou ela.
– hum? – resmungou ele.
– será que você não pode parar de fazer seus cálculos nem para comer?
– não sei o que ele vê nesses números que pode ser mais importante que comida...- resmungou Alex.
Jerome se limitou a revirar os olhos e voltar aos seus cálculos. Passaram-se dois minutos antes que Anne se invocasse e tirasse o caderno de Jerome;
– Ei!- protestou ele tentando pegar o caderno de volta – me devolve isso!
– Depois do café.- disse ela. – agora faça o favor de comer alguma coisa.
Jerome olhou feio para Anne, mas acabou pegando alguns pães resmungando. Anne bufou. Ela também não entendia o que o irmão tanto calculava naquele caderno.
– vamos , Anne! – disse Lily – ele estava tentando descobrir onde que a pessoas que quebrou a parede foi.
– mas isso é simples. – disse Amélia. – está morta. Não se sobrevivi á uma queda daquelas....
– é. E o corpo saiu andando por ai. Como um zumbi- disse Beatriz.
Amélia fuzilou-a.
– então você acha que o que? A pessoa saiu voando? – perguntou Anne.
Jerome olhou acusadoramente para ela.
– era isso que eu estava tentando descobrir quando você tirou meu caderno! – disse ele.
Anne deu de ombros.
– você ainda tem o resto do dia para descobrir isso. – disse- não precisa fazer isso na hora do café.
– tecnicamente , nós temos até ao anoitecer.- disse Mary.
Beatriz lançou um olhar á Anne eu claramente dizia “ quem convidou essa menina para conversa?”.
– Por que ? – perguntou – o que tem h....
Mas ela não terminou a frase, porque Amélia se virou para Alex
– termine logo esse café!- repreendeu ela. – desse jeito você vai almoçar tarde e não vai conseguir comer nada no jantar.
– relaxe- disse Alex- para mim, sempre cabe mais um pouco.
Todos riram , menos Anne.
– eu estou me esquecendo de algo que vai acontecer hoje? – perguntou.
– que ótimo- disse Beatriz- Além de ter uns parafusos a menos ainda tem amnesia ...
Amélia lançou lhe seu melhor olhar de “ você só pode ser acéfala. “
– com tudo que está acontecendo eu também esqueceria.- disse.
As risadas morreram e uma tensão pairou no ar. O olhar de Beatriz ficou duro e seu rosto inexpressível. Amélia fez uma clara referencia ao que acontecera com Katherine e com o ocorrido ontem á noite, cujo apenas Anne ela e Beatriz sabiam.
Quem quebrou o silencio que seguiu-se foi Lily que se virou para Anne e explicou:
– Hoje é a festa de aniversario da princesa Charlotte.
Finalmente Anne entendeu o porque de não terem tomado café na sala de jantar. Deu um tapa na própria testa.
– mas é claro que é- disse- como pude esquecer?
– soube que já se encontrou com ela.- disse a amiga de Mary. Qual era mesmo o nome dela? Jennifer? Juliana? Não, Jessica. – é verdade?
Anne deu de ombros.
– nos esbarramos no corredor e ela derramou suco em mim. – no final acabei pegando um dos vestidos dela emprestado. Lembrando agora, eu preciso devolve-lo...
– oh , Anne.- disse Gabe de um modo teatral – uma garota tão integra.... como veio parar no meio de nós, meros adolescentes perturbados?
– Gabriel tem razão, Milady.- disse Alex entrando no jogo – que fazes aqui?
– Penso que não devo ser tão normal como vós pensastes. – disse ela colocando a mão no peito, em um falso drama.
– apenas não perguntem isso á Amélia, cavalheiros – disse Beatriz. – pois ela os responderá com algum poema existencial.
Todos riram, menos as amigas de Gabe e Amélia , que parecia muito tentada a ignorar todos os seus bons modos e mostrar um dedo nada bonito á Beatriz.
– poemas são cultura, Cortez. –disse a loira.
– um aparte chata da cultura.- disse Beatriz dando de ombros. – e é la Cortez.
– não faz muita diferença.
– faz toda diferença.- retrucou.
Nesse momento , Jerome conseguiu pegar de volta seu precioso caderno. Anne bufou e olhou feio para ele.
– Ok.- disse ela com as mãos em sinal de rendição – você venceu. Eu vou dar uma volta na floresta e ficar um pouco longe dessa loucura toda!
– eu vou com você- disseram Harry e Alex em uníssono.
–ok...- disse ela. – e você Mia?
– não posso eu tenho que....- ela parou a frase no meio. Não podia falar do livro com outras pessoas ali. – que ir á biblioteca.
Mary franziu as sobrancelhas.
– quem vai na biblioteca por que quer? – perguntou.
– quem quer decorar poemas, pelo visto- disse Beatriz rindo.
–------xxxxx------
– vamos! Andem logo vocês dois! – berrou Anne.
Ela, Alex e Harry estavam á algumas horas na floresta. Haviam caçado três coelhos e agora estavam fazendo o caminho de volta, mas aparentemente os garotos se cansavam mais rápido do que ela.
– ande mais devagar! – protestou Harry – ainda temos tempo para chegar ao castelo...
– ora, pare de ser tão frouxo! – berrou ela de volta
Mesmo á distância, ela conseguiu ouvir ele bufar. Ela riu e continuou seu caminho , parando pouco depois ao dar de cara com uma enorme árvore caída no chão.
– ei! Alguém se lembra de alguma tempestade ontem a noite para derrubar um árvore??? – perguntou ela assim que os meninos á alcançaram.
– nem... choveu... ontem... á noite – disse Harry ofegante.
Anne franziu as sobrancelhas.
– então... como uma árvore desse tamanho foi parar no chão? – perguntou olhando em volta.
Alex começou a olhar em volta também.
– alguém deve tê-la derrubado... – disse.
– algo ,você quis dizer. – disse Harry – acho que ninguém conseguiria derrubar uma árvore dessas...
– não está ajudando... – sibilou Alex.
– Não estava querendo ajudar.- disse Harry.
Anne bufou. Os dois não haviam parado de brigar caminho todo. Ela começou a procurar no chão por pegadas enquanto os dois discutiam. Frustrada, olhou um pouco mais afrente na trilha.
Foi quando viu um leve movimento em um arbusto.
Com os meninos ainda distraídos , andou devagar até o arbusto. Parou de frente para ele e conseguiu vislumbrar um chumaço de cabelos loiros.
– está tudo bem. Eu não vou te machucar.
Ela se sentia um pouco estupida falando com o arbusto, mas tinha certeza de que havia alguém atrás dele. A mesma mulher que vira noite passada nos corredores do castelo.
– vamos. Estou tentando te ajudar. Não sei o que vão fazer se conseguirem te encontrar! Provavelmente vão querer saber como entrou no castelo... e como sobreviveu aquela queda! Não tenha medo...
O arbusto continuava imóvel e ela percebeu que os garotos haviam parado de brigar. Sentiu que estavam olhando para ela.
– por favor. – sussurrou – só quero ajudar.
O arbusto se mexeu de novo revelando dois olhos azuis. Devagar, Anne tirou a faca do cinto e jogo para o lado, as mãos levantadas em sinal de rendição. Agora aparentemente convencida, a mulher se levantou.
Ela tinha cabelos longos e de um loiro tão claro que Anne podia jurar que eram brancos. Ela era muito magra e estava muito suja. Ela notou os amigos de Anne e perguntou algo em uma língua que ela não entendeu.
A confusão dela teve ter ficado muito estampada no rosto, pois a loira revirou os olhos e falou na língua dela agora:
– quem são eles? – disse ela com um sotaque muito forte.
–meus amigos. – explicou Anne. – fique calma eles não vão machuca-la.
Ela levantou as sobrancelhas. Anne também não ficaria totalmente convencida se olhasse para os dois amigos, com os olhos arregalados.
– Eles costumam ser mais corajosos. – explicou Anne.
– entendo... – disse ela devagar. Ela tirou os cabelos dos olhos e Anne reparou em um enorme corte no braço direito.
– oh, você está ferida... – disse.
Ela abaixou o braço rapidamente.
– não se preocupe.- disse – não e nada sério.
– deixe me ver.
– não.
– ora se não é nada grave....
Relutante , a loira estendeu o braço a Anne que o estudou rapidamente. Ela podia não ser nenhum perito no assunto, mas conseguia ver que o corte era profundo e que não era tão novo a julgar pelo sangue seco.
– a quanto tempo você está machucada assim?? – perguntou.
– três dias, eu acho. – disse ela depois de algum tempo pensando. – perdi um pouco noção do tempo.
– três dias sangrando sem parar? – Anne repetiu – me admira que você não tenha morrido! Acho que posso te ajudar...
– se quiser me levar para cidade, desista. Não ponho os pés lá. Muito menos na casa de um curandeiro.
– não me diga que acha que eles são bruxos também! – disse cruzando os braços.
– não acho que são bruxos. Acho que são feiticeiros.
– e qual a diferença?- perguntou Alex que havia as alcançado sem ao menos ela perceber.
– bruxas são imortais. Feiticeiras, não. – explicou a loira.
– Anne, quem é ela? – ele perguntou.
– bem... – disse coçando a orelha – foi ... hã... meio que ela que quebrou a parede do castelo....
Alex arregalou os olhos.
– você viu? – perguntou – e não me disse nada?
– eu te contar, tudo bem? Mas não podia falar com os amigos do Gabe na mesa do café...
– ok. Mas ela é....?
– Samantha. – ela disse.
– Anne.
– Alex. E aquele ali que está com medo de vir aqui é o Harry.
Anne bufou.
– Harry! – gritou – Harry, venha logo aqui!
Ele hesitou um pouco, mas acabou andando em direção á eles.
– o que foi?- perguntou.
– sua mãe não está me casa hoje, está?
– não...- respondeu ele desconfiado.
– mas Lily está, certo?
–sim...
– ótimo. Vamos leva-la para lá.
– o que? – disseram os três em uníssono.
– eu já disse que não piso na cidade...
– por que você quer leva-la para lá?
– ficou doida?
– calados! – berrou – deixem eu falar!
A contra gosto, os três se calaram e olharam para ela, esperando explicações
– Vamos leva-la para lá porque ela está machucada. – disse – Lily é sabe alguma coisa sobre cura, não?
Harry assentiu.
– acho que Samantha não tem escolha. Se continuar com o braço assim, é bem capaz de pegar uma infecção ou sangrar até morrer.
Samantha ainda tentou argumentar mas acabou desistindo e deixou que eles a levassem até a casa do tal Harry. Andaram beirando a floresta até chegarem á casa e entraram pela porta dos fundos.
Lily estava no quarto dela, desenhando um passarinho que tinha parado na janela. Ela se assustou com a chagada repentina deles e derrubou o caderno no chão.
– desculpe- disse Harry – não queria te assustar...
– quem é ela? – perguntou apontando para Samantha.
– Samantha- disse Anne – ela precisa de ajuda. Está machucada. Você acha que poderia....?
Mas a ruiva já estava de pé olhando o braço ferido da loira. Até Samantha ficou assustada com a velocidade com que Lily se moveu.
– é um ferimento bem feio.... – comentou – mas nada tããããão grave assim. Me dê algumas horas e acho que ela vai ficar bem.
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Amélia foi acordada por uma voz irritantemente familiar.
– você está babando no livros.- disse Beatriz.
A loira quase caiu da cadeira de susto. Olhou ao redor. Era verdade, estava na biblioteca tentando traduzir o bendito livro.
– olá , Beatriz.
– então – disse ela se sentando na mesa – o que temos aqui?
Amélia bocejou e se espreguiçou.
– um livro de uma língua tão antiga que até eu estou tendo problemas em traduzir.
Beatriz arregalou os olhos
– deve ser algo realmente difícil, não?
– quase impossível, eu diria. – disse Amélia voltando ao livro.
– e o que achou por enquanto?
– acho que talvez a resposta para nosso enigma esteja nesse livro.
– e você pretende terminar todas essas paginas hoje?- perguntou Beatriz incrédula.
– tenho que tentar , não?
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Anne havia acabado de deixar a casa de Lily. A ruiva mandara ela ir comprar um lista de medicamentos que ela não se atrevia a tentar dizer o nome. Estava perto de seu destino quando viu uma mulher de capa atravessar a rua apressadamente em direção á igreja.
Aquela capa.... não. Não podia ser...
Perdendo para a curiosidade , a menina seguiu a mulher. Ela entrou na sacristia pelo mesmo corredor que ela , Alex e Amélia haviam entrando, porém, foi em direção á ultima porta do corredor. Anne esperou algum tempo depois que ela entrou para se aproximar da porta, apenas para garantir que ela não voltasse. Ela tentou espiar pela fechadura, mas não conseguia ver muita coisa, então, simplesmente encostou o ouvido na porta.
– fique calma.- dizia uma voz masculina.
– não me peça para ficar calma! – disse uma voz feminina extremamente familiar.
O homem suspirou.
– Olhe – continuou Lady Melaine. – Katherine pode ter sido um engano, mas ela não será mais problema. Se sobreviver a hoje, morrerá até o final da semana. Admito que foi muito engenhosos da sua parte aquele sonífero para ela não acordar, embora eu duvide muito que Louise descobrisse o que se passa com ela.
– e o rei?
Anne pode ver a lady sorrindo.
– envenenado hoje no café. – disse.
Do outro lado da porta, Anne mexeu os lábio formando a palavra “vadia”, mas logo em seguida dando um tapa na sua própria boca ao se lembrar que estava em uma igreja.
– e a filha dele?
– ela também é um problema, mas já tenho um plano para me livrar hoje a noite. Quem me preocupa é o arqueiro...
– Halt ou o ex-aprendiz dele?
– os dois- respondeu Melaine. – mas nada de perigo imediato. Mas a garota também me preocupa...
– Anne? – riu o homem.
– sim seu idiota. Acho que ela sabe de algo...
– qualquer coisa já sabemos com quem usar o ultimo frasco.
Anne desencostou o ouvido da porta, incrédula. SE esquecendo mais uma vez que estava em uma igreja, fez um gesto obsceno com a mão. Já havia ouvido demais. Começou a andar de costas até tropeçar, no que tudo indica , no seu próprio pé e exclamar bem alto “ ai”.
Tapou a boca imediatamente, mas as vozes atrás da porta haviam cessado. Ela estava perdida
–------xxxxx------
Amélia se esforçava ao máximo, traduzinho a ultima frase do livro. Beatriz havia ficado com ela a tarde toda, mas em algum momento , acabou dormindo. Agora ela estava largada, com as costas apoiadas em uma estante e um livro aberto no colo. A loira se perguntava se Beatriz era um animal noturno.
– terminei!!!! – exclamou jogando a caneta para o lado – eu não acredito que terminei!
Com a repentina exclamação de Amélia, Beatriz deu um empurrão na estante, fazendo vários livros caírem em cima dela.
– calma loira! – disse – espero que tenha um ótimo motivo para me acordar desse jeito!
– EU TERMINEI!!!!! – berra ela triunfante.
É, para algo fazer Amélia gritar na biblioteca deve ser realmente importante. Mas nesse caso era mesmo. E , ao se lembrar disso, o sorriso s esvai do rosto da loira.
– o que foi?- perguntou Beatriz.
– eu acho que isso pode ser o que a Katherine tem.
– isso é bom não é?
– veja por você mesma- disse ela estendendo o papel.
Beatriz leu o papel, sua cara se fechando a cada palavra.
– acho melhor nós falarmos com os outros. – disse por fim.
Amélia assentiu e elas deixaram a biblioteca correndo. Foram aos quartos, ao telhado e até ao esconderijo mas não havia ninguém em lugar algum. Por fim, acharam gabe em um dos corredores jogando baralho com seus amigos.
– Gabe! você sabe aonde está todo mundo? – perguntou Beatriz.
– não. – ele respondeu – acho que ainda não voltaram da caça...
– ainda não? – estranhou ela estranhou.
Ele apenas deu de ombros e voltou a jogar com os amigos.
– gabe , pode vir aqui um minuto?
– estamos no meio de um jogo se não percebeu – disse Mary
Beatriz parecia prestes a pular no pescoço dela.
– Gabe – dessa vez foi Amélia quem pediu – por favor.
Ele suspirou e começou a se levantar. Os dois meninos murmuraram um “ohhhh, que fofo” . Como resposta o loiro jogou as cartas que estava segurando neles, fazendo-os começar á rir. As garotas olharam feio para Gabe , que apenas as ignorou e se afastou com Amélia e Beatriz.
– o que foi? – perguntou quando haviam se afastado o suficiente para não serem ouvidos.
– consegui – disse a loira segurando a folha. – é algo bem preocupante , se quer saber. Precisamos falar com os outros.
– como? Eles ainda não voltaram...
– isso é um pouco preocupante, não? – respondeu Beatriz. – já faz um bom tempo que eles saíram...
– por favor, Beatriz. Não me deixe mais nervosa- disse Amélia. – acho que pelo menos deveríamos avisar Lily. Afinal , o livro é dela...
– vai devolver o livro á ela?- perguntou Gabe.
Ela negou com a cabeça.
– acho melhor nos livrarmos dele o mais rápido possível. – disse.
– então, acho melhor irmos pela nossa passagem secreta não? – perguntou ele.
Beatriz ficou repentinamente tensa.
– acho que é o caminho mais rápido. – disse Amélia. – afinal , ainda temos de voltar e nos arrumar para festa. E dessa vez, Beatriz, eu vou te ajudar.
Dizendo isso, começou a andar pelo corredor, em direção a entrada do esconderijo. Beatriz e Gabe ficaram para trás.
– Gabe- disse ela – se você quiser continuar tendo uma irmã, é melhor faze-la desistir dessa ideia.
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Anne se xingou mentalmente de coisas que fariam tanto Katherine quanto sua mãe lavarem sua boca com sabão, mas não pode evitar de pensar em sua própria estupidez. Por que tinha que gritar, por que??? Agora estava caída em uma corredor , sem lugar algum para se esconder , quase sendo pega por pessoas que planejavam mata-la futuramente.
Ela ouviu passos atrás da porta. Se levantou e , sem pensar, tentou abrir a porta ao seu lado enquanto maçaneta girava atrás da porta em que o homem e lady Melaine conversavam.
Para sua sorte, a porta estava destrancada. Ela simplesmente pegou o primeiro móvel que viu pela frente, uma cadeira, e colocou-a na frente da porta afim de bloqueá-la. Olhou em volta do quarto, aquilo não ia aguentar para sempre. Seus olhos caíram sobre a janela do outro lado do quarto no mesmo instante em que alguém tentava forçar a porta.
As tentativas de forçar a porta cessaram e ela teve a certeza de que alguém ia tentar arrombar a porta. Ela derrubou a cadeira e correu em direção á janela. Quando estava na metade do caminho ouviu o estrondo da porta sendo arrombada , um sonoro “ai” da voz de homem e o barulho de ele tropeçando na cadeira e caindo no chão. O tempo que ele usou para se levantar foi suficiente para Anne simplesmente se jogar pela janela, caindo de barriga no chão.
Se levantou a tempo de ver uma adaga passar á centímetros de sua cabeça e parar em uma árvore próxima.
– é, as vezes é bom ser baixinha- murmurou começando á correr novamente.
Ela correu sem direção por um tempo. Simplesmente não podia voltar a casa de lily, muito menos ao castelo. Acabou por voltar á floresta e começar a ziguezaguear entre as árvores. A cena lhe lembrou muito quando estava tentando chegar a Redmond , fugindo do cavaleiro. A diferença era que agora Anne estava descansada, seu perseguidor não estava a cavalo e com certeza não era tão rápido quanto ela.
Quando chegou á uma pequena clareira, subiu o mais rápido que pode em uma árvore qualquer. Ficou imóvel em cima de um galho , apenas escutando o sangue latejando em seus ouvidos. Poucos segundos depois, o homem apareceu. Ele não parecia ser mais velho do que Lady Melaine e , a julgar pela malha de ferro e a espada no cinto, era um guerreiro. Os cabelos eram escuros, mas Anne não conseguiu ver o rosto já que ele estava de costas para ela.
Ele olhou em volta procurando por ela por alguns segundos, mas logo desistiu voltando pelo mesmo caminho que veio. Anne se sentou mais confortavelmente no galho, agradecendo mentalmente por as pessoas raramente olharam para cima. Encostou a cabeça no tronco da árvore, exausta. Não corria desse jeito desde que fugira de casa.
Ela fechou os olhos, assimilando tudo o que tinha ouvido. Melaine era a culpada. Ela havia envenenado Katherine e agora o rei também. Qualquer um que a atrapalhasse ela envenenaria.
Ela olhou para frente. Ao longe , conseguia ver o castelo emoldurado pelos raios de fim de tarde. Deveriam ser mais ou menos umas cincos horas. Anne sabia que deveria voltar ao castelo e se arrumar, mas não estava com ânimo para festa, então, apenas ficou sentada fitando a enorme sombra do castelo e brincando com as folhas de tom avermelhado nas árvores. Estavam nas ultimas semanas de outono e logo começaria a nevar. Ela odiava neve pelo fato de ficar trancada dentro castelo sem ao menos sair para caçar. Ela poderia ter ficado ali até anoitecer, mas seu descanso acabou poucos minutos depois, quando uma voz a chamou:
– o que você está fazendo ai?
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