Hurts Like Heaven
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Anne estava no telhado observando Beatriz olhar para o nada. Estavam ali ao que pareciam 10 minutos e nada disseram. “O que será que ela quer comigo? “ se perguntava.
– Como ela era?- perguntou Beatriz de repente.
– Como?- perguntou Anne assustada com a atitude repentina da amiga.
– Miranda. Como ela era?
– Bem... ela tinha cabelos pretos, mas eram cacheados. Os olhos também eram azuis e ... bem... ela conseguia ser mais pálida que você.
– E , me dia uma coisa. – disse Beatriz timidamente. – ela não tinha uma filha , tinha?
– Tinha. –respondeu Anne – e o nome dela era ...
– Bianca. – completou Bia.
Seguiu-se um silêncio constrangedor em que nenhuma das duas sabia o que dizer.
– Por que ela fez isso? – murmurou Beatriz, finalmente – escolheu uma filha e abandonou a outra?
– Ei! Tenho certeza de que foi duro para ela te deixar aqui! Além do mas, deve haver alguma razão para ela ter feito isso! – disse Anne.
– E ... quando foi a ultima vez que você a viu? – perguntou a garota de olhos azuis mirando o nada.
– Eu tinha três anos quando minha mãe me disse que ela havia desaparecido e que Bianca e o pai dela viriam morar conosco.
– Você conheceu meu pai também?- perguntou Beatriz incrédula – e como ele era?
– Parecia você. Não parava de fazer experiências malucas! Ele e o pai de Jerome!
Beatriz riu por alguns instantes antes de qualquer vestígio de sorriso desaparecer de seu rosto e ela perguntar séria:
– Ele sumiu junto com minha mãe?
– Não. Ele ... bem, depois de algum tempo, menos de um ano, ele resolveu procura-la. Ele saiu mas... nunca mais voltou.
Novamente, seguiu-se um silêncio, dessa vez, quebrado por Beatriz.
– Afinal, você se dava bem com ela? Digo... Miranda? – perguntou a menina evitando usar a palavra “ mãe”.
– Sim. Ela e o Robert eram muito amigos da minha mãe e da família de Jerome. Ela era madrinha dele, sabia?
– Ah , não. Não me diga que tenho algum laço familiar com vocês dois? – brincou a menina.
As duas riram.
– É... acho que somos... quase primas? Ou algo assim? – perguntou Anne.
– Eu não sei... que eu saiba era o Jerome que era afilhado de Miranda , e não você! – retrucou Beatriz. – Mas ... acho que só amigas já o suficiente.
As duas riram mais um pouco.
– Vamos. – disse Anne por fim – Eles devem estar esperando por nós lá em baixo. Acho que Gabe já deve ter voltado...
– É da conversa com a Mary. – disse a menina como se o nome fosse um insulto.
–---xxxxx-----
– Meu Deus- murmurou Beatriz- Como eu nunca vi esse lugar antes?
– Devia estar muito ocupada fazendo suas “ bruxarias” – disse Alex.
Como resposta, Bia deu um soco no ombro do garoto.
– Não faço bruxaria. – retrucou a menina.
– Não conheço nada com outro nome que faça um buraco no chão... – murmurou o garoto longe o suficiente para que Beatriz não o ouvisse.
–Mas esse lugar é realmente impressionante...- disse Gabe.
– Você ainda não viu nada Gabe! – disse Amélia- conte a eles Anne ! Conte!
Anne havia aberto a boca para contar aos amigos sobre a maquina quando foi interrompida por Amélia.
– A maquina pode rever memorias! E tem mais! Eu já usei! Gabe , eu vi os nossos pais... – disse Amélia para o irmão.
– Nunca mais fale neles, entendeu? – falou Gabe com a voz repentinamente fria.
– Mas Gabe! Eu vi eles! Eu vi você ! E também vi uma outra garota! Quem era ela , Gabe? – perguntou Amélia.
– Eu não sei!
– Como não sabe? – perguntou Amélia visivelmente frustrada – Você não se lembra de nada?
– Lembro dos rostos deles e do dessa menina e de seus nomes....- disse Gabe.
Amélia ficou estática.
– Sabia o nome de nossos pais esses anos todos e nunca me contou? – perguntou ela quase para si mesma.
– Amélia... – começou ele.
– Qual eram o nome deles? – interrompeu ela.
– Eu não vou te contar. – disse o irmão firmemente.
– Por favor , Gabe! Pelo menos o nome da minha mãe!
– Amélia, não! Você não entende que eles nos abandonaram?
– Como pode ter certeza disso se você lembra de apenas rostos e nomes? – perguntou a garota com lágrimas começando a rolar pelo rosto.
– É uma relação lógica, Mia! Olha onde viemos parar! E se estiverem mortos? Que diferença faz?
– Faz muita, Gabe! Eu não quero morrer sem ao menos saber o nome dos meus pais! E é muito egoísmo da sua parte guardar isso só para você! – disse a menina que saiu correndo para fora da torre.
–Mia! Amélia! Volte aqui! – berrou Gabe que tentou alcançar a porta mas foi barrado por Beatriz.
– deixe ela. Acredite em mim, é o melhor que você pode fazer agora.
–--xxx----
Amélia correu o mais rápido que pode pelo bosque. Precisava pensar. Precisava arejar a cabeça. Precisava de mais tantas outras coisas....
Seu irmão escondera algo que , para ela , era mais importante que qualquer outra coisa. O nome de sua mãe, de seu pai, daquela garota ... Pode até parecer pouco, mas imagine crescer sem saber nada de onde você veio, do que você era e , de repente , descobrir que seu próprio irmão escondeu que sabia algo? Amélia estava sem chão.
Ela podia tentar ver o ponto de vista dele, ver que era doloroso para ele ficar remoendo o passado... Mas não naquele momento. Naquela hora ,Amélia estava pensando nas noites que passara em claro , chorando no quarto , quando soube da verdade sobre seus pais. Gabe não podia ficar com ela e Katherine nem mesmo chegou a saber disso. Mas a menina chorou todas as noites , durante uma semana. A única que pessoa que podia e fazia algo era Beatriz. A garota se sentava na borda da cama de Amélia e apenas a observava. Um dia, ela chegou á perguntar a amiga se ela não iria dizer nada.
“E isso vai adiantar alguma coisa?” responde-lhe Beatriz.
No começo, Amélia pensou que sim, ajudaria. Mas depois entendeu: realmente não havia nada que ninguém pudesse lhe dizer naquele momento. Não algo que a fizesse parar de chorar.
Mas algo tirou Amélia de seus devaneios: ela colidira com algo. No inicio, pensou que fosse uma árvore, mas ao olhar para cima, percebeu que se tratava de um menino.
– Amélia? – perguntou Harry – O que estava fazendo nesse bosque? E... você está chorando?
A garota olhou em volta, confusa. Havia chegado na borda do bosque e nem percebera. Ela voltou os olhos para o menino a sua frente que continuava esperando uma resposta.
– Me tire daqui, por favor. – pediu a menina vendo que vários curiosos olhavam para os dois.
– Ah, claro. – respondeu ele acompanhado o olhar da loira. – venha.
Harry pegou Amélia pelo pulso e a guiou até a frente da padaria de seu pai. Eles se sentaram na calçada e ele perguntou.
– E então? O que houve?
Amélia suspirou e contou o que aconteceu , gaguejando quando resolvia olhar nos olhos do garoto. Ao final de tudo , Harry deu um suspiro.
– Acho que você está certa de ficar extremamente chateada com seu irmão, afina, ele deveria ter lhe contado sobe seus pais. – disse – Mas não posso deixar de achar que você está sendo um pouco injusta com ele. Deve ser difícil para ele lembrar deles, assim como para você é difícil não saber nada sobre o assunto.
Ele deu uma pausa para que Amélia pudesse refletir sobre suas palavras. Aparentemente , elas tiveram o efeito esperado , pois as próximas palavras da loira foram:
– Você tem razão. Eu fui realmente uma idiota. Eu devia ter pensado mais no jeito como ele se sentia... mas , agora que sei que ele sabe, não posso deixar de saber!
– Por que vocês não fazem assim: — disse Harry, após pensar alguns instantes – Ele te diz os nomes de seus pais e vocês nunca mais voltam a tocar no assunto?
– Acho que é uma ótima ideia! Obrigada, Harry!- disse loira abraçando-o e correndo de volta ao bosque, deixando para trás um Harry sorridente, imaginado o que ela iria fazer ali.
Instantes depois , saiu da padaria uma garotinha muito ruiva que se sentou no lugar onde antes estivera Amélia.
– Eu aprovo ela. – disse Lily.
– O que? – perguntou Harry.
– Sua namorada. Gostei dela.
– Primeiro: ela não é minha namorada. Segundo: quem disse que preciso de sua aprovação? Eu sou o mais velho!
– Um minuto não faz diferença, Harry! Somos gêmeos , se lembra?
– Faz muita diferença se você for o que nasceu primeiro, Lily – riu o garoto, fazendo com que sua irmã risse também.
–--xxxx---
Amélia correu de volta á torre, mas não achou ninguém lá. Voltou ao castelo , mas Gabe também não estava no jantar. Ela acabou se conformando que só conseguiria falar com o irmão na manhã seguinte... Mas quem disse que conseguiu dormir? Ficou se xingando em seus pensamentos por ter sido tão egoísta.
Na manhã seguinte , nem esperou o café. Assim que viu Gabe sair do quarto foi atrás dele.
– Gabe! – chamou – Preciso falar com você...
– Eu também. – respondeu.
– Me desculpe por ontem. Você? Não tem porque se desculpar... – disseram os dois ao mesmo tempo.
– eu fui muito egoísta e injusta com você, afinal, deve ser difícil lembrar de nossos pais....
– Você? Eu fui injusto com você, Amélia. Estes anos todos! Não devia ter escondido isso de você...
– E se fizermos assim : Você me conta sobre nossos pais e eu nunca mais toco no assunto? – perguntou a loira.
– Nunca mais? – perguntou o garoto, meio desconfiado.
– Nunca mais. – confirmou Amélia.
– Tudo bem...
– Quais eram os nomes deles?- perguntou a menina, não se contendo de curiosidade.
– Nossa mãe se chamava Georgia e nosso pai Arthur.
Amélia sorriu para si mesma.
– O nome da garota era Amanda. Acho... que era ... nossa irmã ou... não sei...
– Você se lembra de mais alguém? – perguntou Amélia , esperançosa.
– Sim – confessou o menino – uma tia. O nome dela era Giovanna.
Amélia pensou em fazer mais perguntas sobre a tia e a suposta irmã, mas resolveu parar por ali. Ela conseguia ver que , para Gabe estava sendo duro lembrar disso. Então, ela apenas o abraçou e murmurou “obrigada”. O garoto, aproveitando a oportunidade, pegou a irmã e colocou-a nos ombros.
– Gabe! – berrou a loira – Gabe, me ponha no chão!
– Quem sabe um dia! – respondeu o menino, descendo as escadas em direção ao refeitório.
Fale com o autor