Hurts Like Heaven
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Sei que quase matei vocês do coração com o ultimo capítulo , por isso resolvi postar o quanto antes possivel.
queria também agradecer a Rodrigo Salter e a Dríada Dias pelas reviews incriveis.
Amélia não pode evitar um suspiro de admiração ao entrar na torre. Ela era muito maior do que aparentava e estava bem mais conservada por dentro. Havia entalhes dourados por todos os lados, na parede do fundo havia uma pintura um tanto estranha: 7 tronos ocupados por 4 mulheres e 3 homens , também haviam inscrições em alguma língua que ela não conhecia, no teto tinha uma pintura de estrelas mostrando todas as constelações, no centro havia uma parte mais elevada , redonda e dourada , no meio dela havia algo coberto por um lençol. Anne ia em direção aquilo.
- Meu Deus ...- Amélia conseguiu balbuciar – Como eu nunca reparei nesse lugar antes?
- Ele é bem escondido – respondeu Anne
- Então como você sabia onde ficava ?- perguntou Alex
- Meu pai construí esse lugar. – respondeu Anne se virando para ele e parando aos pés da elevação. – Quer dizer ... não meu pai de verdade. O segundo marido da minha mãe , o pai de Jerome.
- Sua mãe era divorciada ?- Perguntou Alex .
- Era . Isso soa estranho, não é mesmo? – perguntou Anne com um sorriso triste no rosto.
- Pelo menos você conheceu sua mãe ... – resmungou Amélia.
Anne não prestou atenção no olhar de Alex que lhe dava uma advertência sobre o assunto , então ela não resistiu e perguntou:
- O que houve com seus pais?
Amélia olhou para seus pés e respondeu em um tom triste :
- Eu nunca cheguei a conhece-los. Eu fui deixada na porta do castelo recém nascida junto com meu irmão, que na época tinha dois anos. Ninguém nunca soube quem foram meus pais. A única coisa que sabiam era meu nome que veio em bilhete e isso – ela disse a ultima frase tirando de debaixo da blusa um colar dourado com o desenho de duas chaves cruzadas.
- Você tem um irmão?- essa foi a única coisa que Anne consegui dizer
- Sim – respondeu Amélia ainda cabisbaixa – Você só não encontrou com ele ainda por que ele faz parte de outra turma de protegidos , porque ele é mais velho. Mas nós conseguimos nos falar bastante. Ele quase sempre fica comigo.
Anne se virou para Alex ainda meio atordoada e perguntou :
- E você ? Como veio parar aqui?
Alex tomou ar e respondeu a mesma coisa dos últimos três anos:
- Meu pai era cavaleiro. Ele morreu em uma luta quando eu tinha dois anos. Minha mãe morreu de melancolia poucas semanas depois, então eu vim pra cá.
- E Beatriz ? Ela também não conheceu os pais?
- Não- respondeu Amélia – Mas sabem que a mãe dela pediu para o barão cuidar dela pois tinha que ir em uma missão arriscada junto do marido. Ela foi e nunca mais voltou.
- Então, nenhum dos protegidos do castelo se lembra dos pais? – perguntou Anne incrédula .
Amélia e Alex fizeram que não com a cabeça. Uma ideia brotou na cabeça de Anne assim como um sorriso no canto dos lábios .
- Então acho que vocês vão gostar do que tem debaixo do lençol – ela disse andando rapidamente até a figura desconhecida e retirando o lençol.
Amélia e Alex levantaram os olhos repentinamente para ver o que havia ali. Na frente deles havia um gerigonça estranha. Era toda feita de metal e estava em um tripé. Na frente havia três lentes: duas pequenas do tamanho de olhos normais e uma mais em cima bem maior. Do lado direito da engenhoca havia uma manivela.
Anne fez sinal para que os amigos se aproximassem. Relutantes, foi isso o que fizeram. Eles deram uma volta completa na invenção em um silêncio mortal, quebrado por Alex:
- O que isso faz exatamente?- ele perguntou dizendo isso como se fosse um grande insulto.
- Bom... – respondeu Anne hesitando – ela , meio que pode .... reviver memórias .
Agora ela tinha dois rostos perplexos na sua frente. Ela respirou fundo e resolveu explicar melhor.
- Ela projeta as imagens da sua cabeça para fora dela.
- Como ? – perguntou Alex
- Eu não sei ! Não fui eu quem fiz!- ela disse como se isso justificasse tudo.
Para pequena mente de Alex , justificou.
- E por que nós gostaríamos disso ? – ele perguntou.
- Ela pode resgatar memorias perdidas, que talvez você não se recorde , mas estão na sua cabeça – ela disse a ultima frase batendo de leve na testa de Alex.
- E por que eu iria ter curiosidade de resgatar memorias perdidas ? – ele perguntou afastando a mão de Anne.
- Por que talvez , você tenha uma memoria de seus pais.
Nesse momento , Amélia antes quieta e desinteressada se aproximou .
- Quer dizer que eu posso lembrar dos meus pais ?- ela perguntou sem acreditar.
- Sim – respondeu Anne – Mas é arriscado e eu ...
- Eu topo. Como funciona? – perguntou Amélia.
Anne soltou um suspiro e a levou até a frente da maquina . Ela pediu para que Amélia ficasse ali e olhasse diretamente para as lentes menores. Então ela seguiu e parou ao lado da manivela, Alex ao seu lado .
- Pronta ? – ela perguntou.
- Pronta – respondeu Amélia com convicção.
Anne começou a girar a manivela a toda velocidade. Amélia viu um flash de luz passar pelas lentes , fazendo seus olhos doerem com a claridade, mas não os fechou. Então , Anne parou de girar a manivela e a luz que cegava Amélia parou. Amélia olhou para os lados , procurando suas memorias.
- Então ?- ela perguntou frustrada – Não funcionou?
Ela viu Alex boquiaberto e Anne apontando para atrás dela então se virou depressa. Na parede onde havia a pintura, agora estava toda iluminada por uma luz que saia da terceira lente da maquina. Da luz , começaram a aparecer imagens. Elas eram pouco claras , mas era tudo que Amélia precisava.
Ela conseguiu se ver: um bebê loirinho que sacudia os braços incansavelmente , tentando alcançar algo. Então ela viu uma mulher de cabelos loiros e cachados , presos em um coque. Havia algo em sua cabeça , mais a luminosidade não permitia ver do que se tratava. Ao lado dela havia um homem também de cabelos loiros curtos e uma barba a fazer. A mulher estendeu os braços e pegou a Amélia bebê no colo. Ela cantava uma canção de ninar , mas Amélia não conseguia ouvir as palavras. Nesse momento uma voz de criança apareceu. A mulher se virou e entregou o bebê para uma garotinha. Ela devia ter uns dez anos e era muito parecida com Amélia e com os dois adultos. Ela pegou o bebê no colo e começou a cantar para ele. Ela tinha a voz perfeita. Ao lado da garotinha tinha um garoto curioso que ela reconheceu como se irmão . Ele pedia para a garota deixar ele pegar, mas ela apenas negava com a cabeça. Nesse momento houve o som abafado de uma porta sendo arrombada.
- O que você faz aqui ?! – perguntou o homem a alguém que Amélia não conseguia ver.
Nesse momento a cena se apagou e Amélia desmaiou.
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