Hurting For A Very Hurtful Pain

1 Doushite konna ni itagaritai?


Notas iniciais
Fanfic radicalmente diferente do estilo que normalmente escrevo. Digamos que eu me senti meio desmotivada pelo resumo das minhas outras, totalmente sem criatividade, sem nada que prenda a atenção... Até os comentários pararam. Então eu simplesmente resolvi escrever uma outra diferente. Porque eu queria escrever algo... As frases em itálico são trechos da letra da música.

O que está me machucando? Por que dói tanto?

Por que estou piorando esta dor?

A dor pulsante faz com que meu corpo se contraia, se dobre e caia ajoelhado no tapete macio do meu quarto... Silêncio. Minha respiração está acelerada. Meus olhos se fecham e levo uma de minhas mãos até meu tórax, na direção em que supõe-se que esteja o coração.

Oh, dói, a dor é horrível

Por que é que dói tanto assim?

Deixo-me cair, estico os braços ao lado do corpo e ainda sem abrir os olhos, apenas sinto doer. O que mais poderia fazer? Eram pouco mais de 4h da manhã. Eu constantemente ligava para meu médico esta hora da madrugada. Sempre para obter a mesma resposta inútil. Por que esses exames de merda sempre indicam que está tudo normal? Sinto como se fosse morrer. Sinto como se o sangue que flui em minhas veias fosse nada mais que um veneno.

Oh, é horrível, muito horrível

Por que me sinto tão mal assim?

– Onde está a porcaria do remédio? – Digo enquanto derrubo a prateleira de vidro do banheiro no chão, o que faz com que alguns cacos caiam em mim e eu me corte. Não ligo. Apenas dói mais um pouco – Onde está...?

Sento-me no chão do banheiro e choro, olhando fixamente para a luz que vem da luminária de teto, a única ligada em meio à escuridão da casa inteira. Não quero ver a luz. Eu não quero ver nada! Eu quero que tudo isso suma, que suma! Fecho os olhos novamente. Silêncio.

...

– Yuuma – Meu médico não precisou olhar para mim para saber de quem se tratava – Sente-se.

– Doutor eu... – Mordi o lábio inferior – A dor piorou.

Ele me encarou e suspirou uma vez, como geralmente fazia, mas especialmente dessa vez parecia especialmente chateado. O que? É ele quem ignora todos meus sintomas, não seria eu quem deveria ficar assim? Fecho minhas mãos em punho enquanto o encaro de volta, esperando que diga algo. Isso me incomoda, faz parecer que ele acha que está falando com um louco. Eu não sou um louco.

– Yuuma. Está suando. Posso jurar que está tremendo. E... Deus do céu! Que cortes são esses no seu braço?

– Foi um vidro que caiu.

– Um vidro que caiu? – Fez uma careta – Por acaso está faltando às sessões do psicólogo que eu indiquei?

– Eu não preciso de psicólogo. Eu não estou louco! Já disse que não estou louco! É só uma merda de uma dor! E você fica sentado nessa cadeira aí ao invés de trabalhar pra me ajudar! Não estou pagando bem? – Tirei a carteira do bolso e em um gesto de raiva joguei-a em cima da mesa – Pega o dinheiro que for preciso! Eu só quero que o senhor pare isso!

– E eu só quero que você entenda que é você que está causando isso. Sintomas claros de stress pós-traumático. Eu realmente lamento pelo que aconteceu, mas Yuuma, seu corpo precisa parar de se machucar por isso... É tudo uma questão psicológica. Você só precisa...

A fala dele foi interrompida por um gemido de dor vindo de minha garganta.

– A-A dor... – Falei com a respiração cortada – Está... Doendo...

Ah, quero poder te dizer o quanto isso dói

Quero que você seja a única que saiba

– Acalme-se!

Fechei os olhos ignorando o que ele fala e continuei tentando respirar.

– Eu já disse! Acalme-se! Pare com isso, rapaz!

– Eu não estou...


– A Mizki não iria gostar de te ver assim!

De repente abri meus olhos. Não sentia mais dor. Não sentia nada. Como se o sangue/veneno que antes passava por minhas veias em um ritmo frenético simplesmente tivesse congelado.

Ah, quanto tempo fazia que eu não ouvia... Esse nome... Mi... Miziki?


– M-Me desculpe... Por favor, eu sei que não deveria ter falado dela... Por favor, não consegue o que eu-


– Mizki...

Milhares de imagens vieram à minha cabeça. Mas eu não as quero. Elas machucam. Machucam mais do que aquela dor. Preciso apagar. Preciso apagar completamente... Mizki... Eu não quero seu sorriso. Se eu nunca mais poderei o ver. Eu não quero lembrar do toque da sua mão macia. Eu preferiria que me tivesse xingado ao seu máximo. Onde está a dor? Eu quero dor... Onde está você, dor?

Eu quero você, é você quem eu quero

A dor está bem aqui em meu peito

Um grito se espalhou pela sala. Onde está você, silêncio? Ainda que você não exista mais, Mizki, por que faz o favor de tirar de mim mais uma vez tudo que me restou? Meu silêncio e minha dor... Mais um grito... Quem sabe? Se meus pulmões estourarem...

Parem de voltar, memórias. Por que voltam? Por que? Eu não quero vocês, eu as odeio. Eu realmente as odeio.

Sinto uma mão em minhas costas.

– Pare! Pare com isso!

– Não chegue perto de mim! – Falo em um grito, de olhos fechados novamente.

– Seja forte. Uma recaída só pioraria ainda mais a situação!

– Eu não quero ser forte... – Eu mesmo me afastei, tentando controlar aquelas ridículas lágrimas, que pareciam insistir em cair, ainda que eu não fosse realmente abrir meus olhos.

Não chegue perto, não venha para cá

Quando fecho meus olhos, tudo que sei

São as coisas que não posso ver

...

“Eu estou melhor” parece uma ótima coisa a se dizer, não é? Principalmente como se consegue atuar como tal. Eu não preciso de médicos ou psicólogos, tão pouco de psiquiatras. Eu sou louco. E minha mente pertence apenas a mim, não cabe a ninguém mais tentar desvendá-la... Muitas vezes duvido que eu mesmo consiga.

A dor vem e volta, intercalada com as memórias que eu espero que se apaguem. Silêncio, ao não ser pelo som do vento frio de inverno sacudindo as flores de cerejeira da árvore de minha rua. Mizki as amava quando ainda era mais que apenas uma lembrança... Mizki, sua maldita. Miziki, o que você quer que eu faça agora?

Oh, é horrível, muito horrível

Porque me sinto tão mal assim?

Eu quero você, é você quem eu quero

A dor está bem aqui em meu peito

Um sorriso se forma em meu rosto. Vou parar essa dor. Vou parar essas lembranças. Vou fazer com que meu sangue se agite até que por fim fique gélido, como as suas mãos naquele dia, Mizki. Vou comprar uma corda.

Vá embora, vá embora, sim

Logo irei desaparecer ao vento

...

– Essas flores tem a merda do seu cheiro – Sorrio de olhos fechados enquanto amarro cuidadosamente a corda ao redor de meu pescoço, logo abaixo da cerejeira.

Ela se foi, acabou

Não encontro ela em lugar nenhum

Toda a dor se foi

Sem mais sofrimentos


Você se foi, acabou


Não encontro você em lugar nenhum


Mas a dor deveria ter ido com você

E o sofrimento deveria ter ido embora

Ainda dói, porque voltou a doer?



O que poderá estar me machucando tanto assim?

Era o que eu estava esperando

Então é essa a sensação do vazio?



Sim, é isso, você entendeu

Somente aceite e disfarce

Faça isso, você está certo


Voe para longe, voe para longe, bem...

...



Notas finais
Bem, não vai ter continuação, desculpem~ Mas muito obrigada por lerem! E se você estiver aí, por favor, deixe um comentário, me deixaria bem feliz ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!