Hurt
1 Shion and Dohko: Hora de Partir.
Notas iniciais
O relógio vermelho na parede marcava oito e vinte e cinco da manhã, quando o trem entrara freando na estação, com suas rodas rangendo em sintonia com a respiração de todas as pessoas ali presentes, formando pequenas nuvens esbranquiçadas.
Naquela manhã absurdamente fria e triste, Shion levava seu melhor amigo á estação de trens, a fim de que ele fosse até o Japão, por ordens de Athena.
Shion, com seus longos cabelos louros e lisos, que caiam cascateando graciosamente sobre seu sobretudo negro, que contrastava levemente com suas calças jeans e os sapatos negros, e também com o cachecol branco que usava em volta do pescoço. As mãos envoltas por luvas negras se remexiam incansavelmente dentro do bolso de seu sobretudo, enquanto seu coração acelerava, e o estômago gelava, causando-lhe até o âmago a dor da despedida.
O libriano sorria fracamente, olhando o loiro por canto de olhos, vendo a frieza habitual de seu companheiro se espatifar aos poucos, com a aproximação da locomotiva. Abaixou seu olhar e fitou seu próprio suéter de lã vermelha, fazendo com que seus cabelos curtos e castanho-avermelhados caíssem sobre seus ombros. Cruzara seus dedos discretamente dentro dos bolsos de suas calças de malha, sorrindo triste e internamente.
Sem nenhuma cerimônia, o ariano pegara as duas malas marrons do libriano, e entrara no vagão numerado em ouro falso. Largara a bagagem do moreno no porta-bagagem e observou que ele o seguia com o olhar, logo atrás de si.
Em seguida, virara-se para Dohko, o abraçando em completo silêncio, e sendo abraçado também, com ternura e carinho. Minutos se passaram, e os dois continuavam na mesma posição, até que as rodas do trem rangessem e começassem a andar, fazendo o ariano soltar o moreno e o fitar levemente, para sair logo depois do vagão andando mansamente, e pular do trem, pousando suavemente na plataforma de embarque, e então observar Dohko acenar-lhe da janela da locomotiva. E era aquela a imagem que ficava do moreno em sua memória. Acenou-lhe de volta e virou-se em direção as ruas, caminhando calmamente, num tempo que para ele, parara.
Misturara-se na multidão, cuja era composta pelos mais diversos tipos de pessoas e belezas, porém a sua beleza andrógena em especial chamava a atenção de alguns homens, e de algumas mulheres. Deixara uma lágrima solitária descer por sua face, para depois seguir seu caminho sozinho. Um caminho bem mais triste de trilhar.
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