Hurricane
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Notas iniciais
Ele se afastou e encostou a testa na minha, ainda de olhos fechados. Àquela distância, eu conseguia ver cada manchinha em sua pele branca, cada cílio comprido e cheio.
Ele abriu os olhos e me encarou com o olhar plúmbeo. Seus olhos azuis estavam mais escuros do que de costume e eu senti a necessidade de saber o que ele estava pensando.
Sem hesitar, externei minha curiosidade:
— No que está pensando?
— No quanto eu vou me arrepender amanhã. — ele sorriu e sua mão acariciou meus cabelos.
— Não se arrependa. — eu sorri, empurrando-o contra a caminhonete, prendendo-o entre meu corpo e o ferro frio.
O vento gelado soprou em minhas costas cobertas apenas pela camisa fina, me fazendo arrepiar.
— Eu nunca disse... Mas eu amo você. — ele disse com a voz rouca e meu único impulso foi beija-lo com toda a vontade que eu sentia.
Ele nunca havia dito aquilo, embora eu já tivesse me declarado incontáveis vezes.
Naquele momento, nada mais existia, além de Nate, eu e as estrelas que começavam a pintar o céu escuro e eu não tinha mais nada que me prendesse.
Tateei em busca da porta do carro e a abri, empurrando-o para dentro com feracidade.
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