Hurricane
1 Capítulo 1
Sophia estava sentada em uma praça que não tinha nome. Os bancos estavam enferrujados e os brinquedos também. Não havia ninguém com ela, apenas a solidão que havia se tornado a sua melhor amiga e companheira de todos os momentos.
Há pouco tempo tinha se mudado para Marietta no estado da Geórgia. Tinha abandonado tudo que tinha construído em Nova York para poder viver em um lugar tranqüilo e que a possibilitasse escrever seu livro. Para ela, nos seus vinte e sete anos de idade, escrever era a razão de sua existência e o que a motivava a enfrentar tudo o que aparecia na sua frente, menos uma coisa...
Quando tinha dezesseis anos, Sophia sofreu um grave acidente e que quase lhe custou à vida. Nesse terrível acidente de carro, os seus pais, Angela e Michael, e sua irmã, Lily, morreram e ela passou a viver sozinha, apenas recebendo visitas de parentes que realmente pareciam não gostar dela e do incômodo que ela causava. Essa soma de fatores fez com que Sophia crescesse com esse trauma e uma culpa inexplicável que só diminuía quando escrevia. Só diminuía quando ela colocava todos os seus sentimentos em uma folha de papel.
Assim que concluiu a sua faculdade de Letras, Sophia foi à busca da sua estabilidade e independência financeira e assim que esse objetivo foi alcançado ela decidiu partir de Nova York e ir para Marietta onde acreditava encontrar a paz desejada.
Sophia levantou-se do banco no qual estava sentada e andou em direção ao seu novo lar. Era uma casa com aparência antiga e que havia pertencido a varias gerações de uma família que ela desconhecia.
- Um novo lar! – falou Sophia sozinha, sorrindo sentindo-se leve.
Subiu as escadas que dava acesso a casa e, ao chegar à porta, abriu a bolsa em busca da chave.
- Oi! – alguém a estava chamando.
Sophia se virou para olhar quem a chamava.
- Oi! – cumprimentou um belo rapaz que sorria para ela.
- Meu nome é Jared, sou seu vizinho. Sempre gosto de cumprimentar os novos vizinhos. – falou ele sorrindo.
Jared tinha belos cabelos pretos e curtos, espetados para cima. Era um belo rapaz e aparentava ter uns trinta e poucos anos de idade. Para completar a perfeita escultura, tinha um belo par de olhos azuis que hipnotizava qualquer um.
- Meu nome é Sophia! Prazer, Jared. – disse ela, sem parar de sorrir. – Obrigada!
- Por nada. – o retribuiu. – Eu não trouxe uns bolinhos típicos, mas posso te chamar para conhecer a cidade. Ou você já conhece?
- Na verdade não conheço, mas estou muito cansada para conhecer algum lugar hoje.
- Não se preocupe. Não precisa ser hoje.
Sophia abriu a porta de casa e entrou, virando-se para se despedir de Jared.
- Mais uma vez obrigada, Jared. Vou descansar agora.
- Tenha uma boa noite, Sophia.
- Você também!
Sophia fechou a porta, deixando Jared sorrindo que nem bobo do lado de fora. Ele virou as costas e começou a andar em direção a casa da frente.
- Essa vai ser fácil. – falou ele sozinho, rindo.
A casa de Jared era bastante moderna comparada a de Sophia. Tinha vários aparelhos eletrônicos e um volvo na garagem. Era o típico garoto que era sustentado pelos pais e que não trabalhava. Ele morava com seu irmão Shannon e o amigo Tomo que não eram muito diferentes dele.
- Voltei! – falou Jared ao entrar na casa.
Shannon apareceu na porta da cozinha e sorriu para ele.
- Oi de novo, irmão. Onde estava?
- Estava conversando com a nova vizinha.
- Desde quando você cumprimenta os novos vizinhos, Jared?
- Você precisa vê a nova vizinha, isso sim.
- Hum, uma mulher? Isso já é bom. Não tem nenhuma mulher bonita aqui que não tenha dormido com a gente ainda.
- E acontece, irmão, que ela parece ser diferente. Ela tem um ar de cidade grande, sabe? É muito linda.
- A descreva.
- É uma bela morena. Tem olhos castanhos escuros e corpo atlético. Boca carnuda. Cara, ela me deixou louco! Completamente perfeita.
- Eu preciso vê-la.
- Não precisa nada. Ela não é para você, Shannon.
- Quem é você para dizer isso? Ela ainda não me conheceu.
Shannon, rapidamente, andou até a porta e saiu. Jared logo apareceu atrás dele.
- Shannon, volte aqui!
- Não mesmo, irmão. – berrou Shannon, rindo.
Shannon correu até a porta da casa de Sophia e tocou a campainha.
Em poucos segundos, Sophia abriu a porta e se assustou ao vê outra pessoa desconhecida indo falar com ela ainda no seu primeiro dia na cidade.
- Quem é você? – perguntou ela, sem entender.
- Sou Shannon. Meu irmão Jared falou com você há pouco tempo.
- Ah! Sei. O Jared. Parece ser um rapaz legal.
Jared logo estava atrás do irmão. Olhando, curioso, para Sophia.
- Falando de mim? – perguntou ele, com um ar ligeiramente superior.
- Deixa de ser bobo, irmão. – falou Shannon tentando chamar a atenção de volta para ele, mas Sophia ainda estava vidrada em Jared. – Posso saber seu nome, vizinha?
Sophia parecia não ter escutado a voz de Shannon, mas ela não olhava mais para Jared. Olhava para um rapaz que estava do outro lado da rua. Ele tinha cabelos pretos e lisos que batiam nas costas e uma bela barba. De repente, lagrimas começaram a cair dos olhos de Sophia e ela se viu correndo em direção a esse rapaz.
- Tomo? – ela o chamou ao alcançá-lo. – É você mesmo?
Tomo parecia não acreditar no que estava vendo. Realmente era alguém que ele não esperava vê, mas que ainda tinha uma lembrança. Uma lembrança bastante marcante.
- Sophia!
Ele a abraçou.
- Eu não acredito que você está aqui, Tomo. – falou ela, chorando muito. – Você, simplesmente, sumiu.
Jared e Shannon olhavam para os dois, boquiabertos.
- De onde eles se conhecem? – perguntou Jared.
- Não faço idéia, Jared. – respondeu Shannon. – Mas eles se conhecem muito bem. Disso eu tenho certeza absoluta.
Tomo olhou para os dois que se encontravam ainda na porta da casa de Sophia.
- Vejo que você conheceu o Jared e o Shannon.
- Você os conhece?
- Eu moro com eles, Sophia. – respondeu Tomo. – São meus amigos de muito tempo.
- Nunca me falou deles.
- Sophia, quanto mais você me conhecesse, mais você ia se machucar. Eu sabia que ia embora e que não poderia ficar com você em Nova York. Tinha que voltar para casa.
- Eu não sabia nada sobre você, Tomo. Nem sabia aonde você vivia. Nosso relacionamento só durou um verão e depois que você partiu, de qualquer forma, foi difícil para mim.
- Para mim também. Eu senti sua falta.
- Também.
- Posso saber o que você faz aqui, Sophia?
- Eu vim procurar paz. Quero escrever um livro e só podia fazer isso sossegada. Achei aqui maravilhoso.
- Realmente aqui é um lugar bastante calmo e legal.
- Por que mora aqui, Tomo?
- Na verdade, eu não moro aqui. Moro em Chicago, mas estou passando uns meses aqui com os rapazes. Estamos procurando um local para descansar. Cansamos um pouco das badalações.
- Badalações?
- Da vida noturna. – ele riu. – Gostaria de entrar um pouco?
- Não, obrigada. Eu preciso descansar.
Sophia virou as costas para Tomo e foi andando em direção a sua casa. Tomo correu atrás dela, chamando o seu nome.
- Sophia, espere. Posso passar na sua casa mais tarde? Para conversarmos?
Ela sorriu para ele.
- Claro que sim, Tomo. É sempre bom ter alguém para conversar.
- Tudo bem, então.
Tomo lhe deu um beijo na testa e saiu para casa, seguido de Shannon e Jared.
- Você pode começar a contar tudo. – falou Jared, colocando Tomo na parede, assim que chegaram em casa. – De onde você a conhece? Por que nunca contou para a gente?
Tomo empurrou Jared, na brincadeira.
- Eu não vou falar nada, Jared. Não agora. Vou descansar, pois mais tarde vou me encontrar com Sophia.
Tomo subiu as escadas deixando Jared e Shannon sozinhos, sem nada entender. Foi andando para o seu quarto e se deitou na cama.
Não acreditava que estava vendo Sophia novamente. Era uma garota que ele não conhecia tanto, mas que havia marcado a vida dele de uma maneira única.
Levantou-se e abriu o guarda-roupa. Tinha que estar bonito para encontrar Sophia. Agora não ia fugir dela como fazia com todos os seus relacionamentos. Ele tinha medo de iniciar qualquer envolvimento. Temia repetir erros cometidos em um passado muito distante. Pegou uma calça jeans e uma camiseta preta.
- Acho que vou ficar bem. – falou sozinho.
Tomo voltou para a cama e se sentou. Lembrou-se do dia que conheceu Sophia. Chovia bastante na cidade de Nova York...
Tomo estava andando pelas ruas em busca de alguma distração, porém se encontrava sozinho e não conseguia se distrair dessa maneira.
- Como assim, Jenson? – berrava uma mulher logo na sua frente com um rapaz que demonstrava não ter paciência com ela. – Você está falando que acabou tudo? Pensei que tinha me chamado para sair e é isso que você quer me dizer?
- Não imagine coisas, Sophia. Eu disse que queria conversar com você. A culpa é sua se você se iludiu.
De repente, Tomo se viu parado observando a situação. Não era a toa que não queria relacionamentos. Eles sempre acabavam de maneira trágica.
- Me iludir? Você disse que me amava, Jenson. Isso é muito para qualquer pessoa. Dizer que ama alguém é selar um compromisso.
- Sophia, você acredita em tudo que te dizem?
- Sim. Eu não consigo aceitar mentiras. Para mim, mentir é a pior coisa que podem fazer.
- Vá embora! Já disse o que queria, Sophia. Não há mais nada para você aqui, e, por favor, não me procure mais.
O rapaz chamado Jenson entrou em um edifício, fechando a porta. Sophia sentou-se na porta, desabando. Começou a soluçar e afundou o rosto entre as pernas.
- Tudo bem? – Tomo se aproximou dela.
- Eu não quero esmolas.
- Não é nada disso, Sophia.
Ela levantou o rosto, encarando o rapaz que falava com ela.
- Como é que você sabe o meu nome?
- Eu ouvi sua discussão com o seu namorado.
- Ele não é o meu namorado. Não mais.
Ela voltou a afundar o rosto entre as pernas. Parecia não ter coragem para movimentar um músculo.
- Gostaria de sair?
- Eu tenho cara de quem quer sair?
- Você está linda. Acho que está vestida para sair.
- Nessa chuva?
- Você não se molhou. Além do mais, depois do que você passou é preciso se distrair.
Sophia se levantou e observou, curiosa, Tomo.
- Como você se chama?
- Tomo.
- Prazer, Tomo.
Eles seguiram para uma boate e se divertiram durante toda à noite. Quase de manhã, Tomo a levou para casa e eles se beijaram pela primeira vez.
Essa era uma das melhores lembranças que tinha com Sophia. Ela era uma mulher incrível e que ele sentia uma enorme atração.
Uma batida. Jared entrou no seu quarto e sentou-se ao seu lado na cama.
- Sinceramente, Tomo... De onde você a conhece?
- Conheci Sophia na ultima vez que fui à Nova York.
- Há três anos?
- Sim.
- Ela foi tão marcante assim?
- É uma garota maravilhosa.
Jared riu. Não acreditava que seu amigo estava falando sério.
- Lamento, Tomo.
- O que você lamenta?
- Eu vou pegar essa Sophia. Ela é incrivelmente linda e eu a conheci muito bem.
- Conheceu o quê? Eu que tive algo muito mais profundo com ela, não conheci... Imagina você.
- Mesmo assim, eu quero conhecê-la melhor. Espero que não se importe.
- Claro que me importo, Jared. Nem pense em fazer isso. Eu não me importo de você pegar qualquer mulher que apareça na sua frente, mas não a Sophia. O que eu tenho com ela é uma ligação importante. Não vai ser você que vai acabar com isso. Sinto muito.
- Tudo bem! Tudo bem! Eu vou ficar na minha, ok? Não mexo com ela.
- Acho bom mesmo. – finalizou Tomo. – Agora saia do meu quarto, por favor. Quero descansar um pouco antes de me encontrar com Sophia.
- O que pretende fazer hoje?
- Não é de sua importância.
Jared olhou para Tomo pela ultima vez e saiu. Desceu as escadas e foi se encontrar com Shannon na cozinha, que parecia que quase nunca saía de lá.
Seu irmão era bem parecido com ele, só que era mais velho e o cabelo era mais escorrido no rosto. Tinha uma diferença marcante. Os olhos de Shannon eram castanhos, diferentes dos seus azuis.
- Ele logo vai morrer de amores por ela.
- Sério?
- Sério. Precisa vê como ele está nervoso e ansioso para o encontro.
- Dessa vez você perdeu, irmão.
- Sinto muito, Shannon, mas não. Eu não vou desistir dela tão fácil assim.
- Tomo é nosso melhor amigo, Jared. Não podemos fazer isso com ele, principalmente se ele estiver se apaixonando por ela.
- A carne fala mais alto.
- Você devia se sentir envergonhado por isso. Não foi assim que fomos educados. Você é doente, a verdade é essa.
Shannon se levantou da cadeira e andou em direção a saída da cozinha.
- Pense bem no que é mais importante.
Sophia estava empolgada. Tinha reencontrado Tomo, que era um rapaz muito especial e que a fez esquecer Jenson, apesar do pouco tempo que passaram juntos. Três meses foram suficientes para que ele ficasse eternamente marcado na sua vida e fizesse falta. Era uma das poucas pessoas que a tinham entendido e que a distraia e nunca a entediava. Voltar a vê-lo, por acaso, era ainda mais encantador e fazia com que esse retorno fosse mais romântico e esperado.
Sophia não tinha mais família. Tinha sido criada pelo tio que mal a visitava. Apenas ia vê-la para entregar dinheiro. Sempre fora solitária e podia fazer o que bem entendia, pois ninguém parecia se importar com o que acontecia com ela. Logo quando seus pais e sua irmã faleceram, Sophia passou a usar cocaína, perdeu o ano escolar e tinha uma vida sexualmente ativa. Quando seu tio, Kurt, que lhe dava pensão, descobriu, a mandou para uma clinica de reabilitação, onde Sophia pôde ser tratada. Nessa mesma época, ela acordou para a vida e percebeu o tamanho erro que estava cometendo. Depois que saiu da clinica, concluiu os estudos e logo entrou na faculdade de Letras, onde se formou quatro anos depois. Assim que terminou os estudos, conheceu Jenson. Ele foi a primeira pessoa com quem ela interagiu no seu primeiro emprego, em uma escola pública no centro de Nova York, como professora. Em pouco tempo se apaixonaram e começaram a namorar, porém fora um relacionamento rodeado de conflitos, já que Jenson era um verdadeiro “galinha” e não conseguia segurar os seus hormônios. Até que ele resolveu terminar com ela, no mesmo dia em que Sophia conheceu Tomo.
Para ela, lembrar daquilo agora era engraçado. Era um estimulo para seguir em frente. Um estímulo para correr atrás do que desejava.
A campainha tocou.
Sophia olhou para o relógio de pulso e se assustou ao vê que ainda era cedo demais para se encontrar com Tomo.
- Como posso descansar em tão pouco tempo?
Sophia desceu as escadas sem muita pressa. Realmente estava cansada e não tinha muita vontade para fazer nada no momento. Abriu a porta com um pouco de irritação. Tomou um susto ao vê apenas flores e não quem estava atrás delas.
- Tomo, não precisava de tudo isso.
Quando a pessoa abaixou as flores, Sophia quase desmaiou.
- Tomo?
- Jared? Por que me trouxe flores, posso saber?
- Boas vindas.
- Você já veio fazer isso mais cedo. Não precisava mesmo! Obrigada, de qualquer forma. São lindas!
- Para você que é a mais linda de todas as flores.
Sophia achou aquela cantada meio ridícula, mas preferiu ignorar.
- É a terceira vez que vou dizer isso, eu acho, mas eu preciso realmente descansar. Estou um caco.
- Podemos sair mais tarde, Sophia?
Sophia hesitou um pouco. Não entendia tamanha intimidade de Jared.
- Eu não sei se Tomo lhe disse, mas eu já vou sair com ele mais tarde.
- Ah! Eu pensei que você poderia querer sair comigo.
- Jared, eu gosto do Tomo. Tenho certeza de que muitas garotas por aqui querem sair contigo. Você é muito bonito.
- Não importa. – falou ele, cabisbaixo. – Coloque as flores em um jarro com água.
Jared virou as costas e saiu. Sophia se sentia estranha. Não sabia por que Jared queria sair com ela, mas ficou triste por magoar uma pessoa.
- Jared! – ela o gritou.
- Sim? – ele virou, sorrindo.
- Quem sabe amanhã?
- Amanhã é ótimo. Vamos almoçar. Conheço um lugar perfeito!
- Ok. Até amanhã, então.
Sophia entrou em casa, fechando a porta. Ia sair com o Jared apenas na amizade. Tomo não deveria se importar já que ele e Jared eram tão amigos.
Ela subiu as escadas e foi andando em direção ao seu quarto, se deitando na cama. Logo adormeceu, mas não sonhou. Sua mente ficou completamente vazia. Ela não se sentia no direito de sonhar.
Quando Sophia abriu os olhos, nada conseguiu enxergar. Já havia anoitecido e não tinha nenhuma luz acesa na casa. Acendeu o abajur que se encontrava no criado mudo e olhou para o relógio. Eram nove horas da noite.
Mais uma vez a campainha tocou. Sophia se levantou rapidamente e foi correndo até a porta.
Era Tomo.
- Boa noite, Sophia.
- Boa noite, Tomo.
Sophia olhou Tomo de cima para baixo e depois olhou para si. Não tinha se arrumado. Estava com a roupa amassada, pois tinha dormido.
- Desculpe-me, Tomo. Não me arrumei. Estava dormindo.
- Imaginei. Desde as sete horas eu estava pronto, só que não percebi nenhum movimento aqui, aí resolvi esperar. Só que fiquei preocupado de não vê nenhuma luz acesa essa hora, então resolvi vim.
- Não fez mal. Pelo menos me sinto bem melhor agora. Estou disposta. – Sophia não conseguia parar de sorrir. – Por favor, entre.
- Ah, claro. Trouxe vinho. – ele levantou uma garrafa que estava na mão direita. – Acho que você não tem vinho aqui na sua nova casa.
- Não mesmo. Apenas tenho as taças.
- Já é o bastante.
- Mas elas ainda estão na caixa. Não fiz nada. Apenas arrumei o meu quarto e a sala. Nem tenho cozinha pronta, nem nada.
- O que você come?
- Eu tenho pedido comida em restaurantes. Na verdade, eu não comi nada durante a tarde, mas não estou com fome.
Tomo entrou, seguido de Sophia. Eles foram andando até a sala.
- Não olhe a bagunça.
- Besteira. Você nem imagina como está a minha casa.
- Sem dúvida está mais arrumada que a minha. Sente-se no sofá. Vou pegar copo plástico, o que não é nada elegante, mas é o tenho no momento.
- Melhor do que nada. – ele falou rindo. Era engraçada a situação e como ela estava se passando.
Sophia não demorou e logo se sentou ao lado dele no sofá. Ela ficou o encarando, sorrindo, e sem que Tomo pudesse reagir, ela o beijou.
Assim que parou, Tomo percebeu que Sophia estava vermelha.
- Desculpe-me, Tomo.
- Não precisa se desculpar.
Ela ficou calada durante muito tempo, pensando no que poderia dizer para que ele não fizesse um julgamento precipitado dela.
- Eu acho que você deve ir embora. Fiz algo sem pensar. Eu preciso ficar sozinha. Vá embora!
- Sophia, não.
- Por favor, Tomo... Saia daqui!
Tomo levantou-se do sofá e foi andando em direção a porta.
- Tomo, isso não é culpa sua.
- Nem sua, Sophia.
Ele bateu a porta, indo até o meio da rua, parando.
- Eu não vou cometer esse erro.
Tomo voltou correndo para a casa de Sophia, abrindo a porta com o maior barulho possível, encontrando-a sentada no sofá, assustada.
- Eu não quero que seja assim. Eu quero ter você ao meu lado, Sophia.
Tomo se sentou ao lado dela e a beijou. Eles se deitaram no sofá e começaram a trocar carinhos cada vez mais intensos.
- Lembra-se da primeira noite que passamos juntos, Sophia?
- Claro que sim.
- Eu estou me sentindo mais nervoso agora.
- Vamos para o meu quarto, Tomo.
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