Huracán
3 Capítulo 3 - Un Plan
Notas iniciais
No dia seguinte quando cheguei à sala, meus novos amigos estavam empolgados com alguma coisa e o restante dos alunos tinha em mãos um envelope mediano na cor rosa. Aproximei-me de onde deles estavam, e a Barbara me entregou um envelope parecido com o que o restante da turma tinha em mãos. Abri e vi que era um convite para a festa de dezoito anos dela que seria no próximo sábado. Mas a festa não seria na cidade.
— Esse lugar fica perto daqui? – Perguntei.
— Sim, fica há vinte minutos daqui. Você vai, não é?
— Você precisa ir à festa da Barbara, as festas dela são maravilhosas e logo agora que ela completa dezoito anos e pode ter bebidas alcoólicas. – Igor comentou empolgado, dava pra ver em seus olhos a alegria que ele estava sentido.
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Naquela noite eu aproveitei a hora do jantar para pedir permissão para ir à festa da Barbara. Coloquei o convite em cima da mesa e meus pais me olharam sem entender nada. Meu pai pegou o papel e começou abrir.
— Uma festa? – Questionou o obvio e eu apenas afirmei com um gesto com a cabeça. Ele deu um gole em seu vinho enquanto lia o conteúdo do convite. – Você sabe que essas festas sempre acabam em brigas e outras coisas. Melhor você não ir.
— Ah, pai! – Cruzei os braços e juntei as sobrancelhas. Ele nunca me deixava sair e eu já estava cansada. – A família da minha amiga estará lá.
— Qual o nome da família dela? – Perguntou.
— Kneep. – Respondi e o silêncio se instalou, não entendi o motivo. Meu pai encheu a taça mais uma vez e tomou tudo em um único gole.
— Você não vai e ponto! – Gritou e bateu a taça fortemente na mesa. Não entendi o motivo do comportamento dele.
— Por quê? Você conhece a família dela?
— É lógico que ele conhece, muito bem por sinal. – Percebi o embargo na voz da minha mãe e seu olhar de fúria para o meu pai. Eles ficaram se olhando por alguns segundos até que meu pai se levantou bruscamente da mesa.
— Não quero mais falar sobre esse assunto. – Falou raivoso e saiu em passos largos da cozinha. Fiquei sentada tentando digerir tudo o que tinha acontecido. Percebi minha mãe chorando e fiquei com medo de perguntar o motivo.
— Você me ajuda com a lousa? – Perguntou e eu prontamente falei que sim. Recolhemos tudo em absoluto silêncio e levamos os pratos ate a pia.
Enquanto eu ajudava minha mãe com a lousa, fiquei me perguntando o motivo daquele auê todo. Depois de organizar a cozinha eu subi para o meu quarto e fui checar minhas redes sociais. Falei com a Nanda e contei sobre o tinha acontecido.
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— Mas eu irei para a festa de qualquer jeito. – Falei determinada assim que contei detalhadamente sobre o acontecido da noite passada.
— Você tem certeza? – Nanda perguntou e eu confirmei. Ficamos em silêncio apenas tomando nossos refrigerantes e observando o movimento no estacionamento. – Olha a Tânia! – Nanda disse e bateu no meu braço, olhei e a ruiva estava saindo em direção ao carro dela que estava na mesma direção em que estávamos. – Tive uma ideia, na verdade duas, mas vamos focar na primeira.
Nanda sacou o celular do bolso, clicou no aplicativo da câmera e começou a gravação na direção da Tânia. Ela soltou a latinha no estacionamento, o que fez um barulho que era de chamar atenção. Nanda me puxou pelo pescoço colando nossos lábios, fiquei sem entender nada, mas permaneci naquela posição. Afastei-me, e a Nanda sorriu quando ouviu o carro da Tânia sando do estacionamento.
— O que está acontecendo aqui? – Barbara perguntou e nos pegou de surpresa. Olhamos rapidamente para ela e ficamos sem saber o que dizer. – Vocês estão ficando? Esse era o motivo para vocês estarem tão distantes de mim?
— Sim! – Nanda confirmou e eu a olhei com os olhos arregalados. – Mas não é nada sério. Vamos, o intervalo acabou.
Nanda piscou pra mim e me puxou para irmos para a sala. Barbara ainda estava surpresa com o que tinha visto, mas não questionou mais nada e eu agradeci mentalmente.
Na aula de educação física ficamos nas arquibancadas apenas na reserva. Aproveitamos para analisar o vídeo. Tânia estava indo para o carro, distraída, mas quando a latinha fez barulho ela olhou na direção em que eu e a Nanda estávamos, ficou olhando fixamente, mas parece que ela tinha visto a sobrinha e entrou rapidamente no carro.
— Já sabemos que ela viu nosso “beijo”, a próxima ideia é mandar uma carta pra ela falando sobre os teus sentimentos.
— Uma carta?
— É... Eu sei que é meio brega, mas é a forma mais fácil dela saber o que você sente por ela de forma anônima. Vamos colocar algumas indiretas que levam a você e se ela estiver interessada nós iremos saber.
O nosso professor apitou chamando nossa atenção e tivemos que ir jogar. Depois do treino passamos rápido pela biblioteca e digitamos a carta com várias indiretas que davam na cara que tinha sido eu a autora. Nanda aproveitou que a Tania estava no trabalho e passamos pela casa dela para colocar o envelope na caixa de correio. Olhamos ao redor e a rua estava completamente deserta, estávamos rezando para que ninguém tivesse visto nós duas.
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Sexta-feira havia chegado e só faltava um dia para a grande festa da Barbara e eu estava decida a ir escondida. Meus pais dormiam cedo nos finais de semana e seria fácil eu sair escondida. Eu tinha combinado com a Nanda e o Igor de irem me buscar na esquina e não poderia dar errado.
Cheguei ao colégio e a Nanda estava eufórica para saber se nosso plano tinha dado resultado. Quando o celular vibrou indicando oito da manhã nós duas ficamos olhando atentas para o estacionamento e quando vi a ruiva chegando meu coração parecia que iria sair pela boca. Fomos pegas de surpresa quando ela desceu do carro e ficou nos encarando por alguns segundos.
— Puta merda! – Nanda exclamou e chamou atenção da sala toda. – Desculpa professora.
— Vocês duas! – A professora apontou em nossa direção. — Troquem de lugar! – Bufei e revirei os olhos. Mas obedeci e sentei no fundão.
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Sábado era o dia da festa e como planejado eu iria de qualquer jeito. Passei o dia todo dormindo para economizar as energias. Quando acordei era por voltas das três da tarde e decidi dar um volta no shopping para comprar um presente para a bárbara. Acabei comprando uma maleta de maquiagem.
Quando era por volta das vinte e quinze da noite meus pais foram dormir e eu pulei de felicidade, tudo estava saindo conforme o planejado. Eu já estava arrumada e só faltava sair sem fazer barulho. Liguei para a Nanda e a mesma falou que já estava me esperando. Peguei a chave reserva na cozinha e sai sem fazer barulho.
— Vamos aproveitar essa festa! – Gritei assim que avistei o carro deles na esquina. Nanda saiu do carro e correu para me abraçar. Igor resmungou por estarmos fazendo barulho na rua. Entrei no carro e colocamos uma música animada enquanto íamos em direção à festa. Eu não imaginava o que aquela noite me reservava.
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