Huntress

1 noite 18.055


Em dias como esses, sempre demoro um pouco mais para cair no sono.

Se quisesse realmente aproveitar a companhia de minha amada tinha de ninar meu corpo a dormir antes de finalmente tê-la. Depois de ninar o físico, eu tinha de ninar a própria Lucinda. E enquanto meu corpo dorme, eu permaneceria acordada, presa a mim mesma pelos pequenos fios da projeção. Só quando eu finalizasse de me projetar, conseguiria oficialmente descansar. Afinal, a mente ainda estaria ligada, meu espírito ainda estaria agindo e não há descanso real enquanto estes não se apagam, conscientemente.

Ninar a mim mesma sempre foi bastante fácil. Significa basicamente fechar os olhos e relaxar os músculos. Nem precisa passar pelo processo de limpar a mente, pois a mente depois a gente limpa. Ninar à Luci geralmente demandava um pouco mais de esforço.

Não que eu esteja reclamando disso, é claro.

— Hm… — ela solta, quase que em um suspiro, enquanto se ajeita ao meu lado e deita a cabeça em meu ombro, sorrindo feito boba. — Quanto tempo você acha que vai demorar para a gente transar de novo depois que eu for embora?

Sinto-me obrigada a rir, de forma um pouco nervosa. Essa foi a última coisa que passou por minha cabeça durante esses dias.

— Não sei. Depende. — respondo, sorriso satisfeito no rosto, também me arrumando na cama, trazendo-a para mais perto.

— Depende do quê? — ela se vira para me olhar e, mesmo que eu não possa vê-los, sei que seus olhos castanhos agora estão me fitando com uma curiosidade mesclada de inocência e espírito aventureiro.

— Não sei. — são as palavras que mais uso hoje em dia; são as palavras que mais me intrigam. — Se nem você que escolheu ir e fez isso tudo sem nem me dizer sabe do que depende, como eu poderia saber?

Ela dá de ombros e abaixa a cabeça para se aninhar, feito gatinha, em meu pescoço. Seu cabelo crespo está amarrado e a forma com que roça minha pele me faz sorrir mais uma vez — coração quentinho e preenchido, até a respiração mais fácil ao seu lado.

— Ah, vai saber. — hesita um pouco antes de continuar. — Espero que não demore muito. Ficaria com saudade.

Sinto ela se encolhendo ao meu lado, trazendo o braço esquerdo para cima de mim, aninhando meu seio direito em sua mão com um pouco de dificuldade.

— Eu também ficaria com saudade… — sussurro, cobrindo a mão dela com a minha. — Mas não tem outro jeito, né? — digo no tom de voz normal, tentando utilizar de minha abnegação para me sentir melhor com o fato de que provavelmente nem ao menos teria notícias dela por vários meses — ou anos; ou talvez eu nem ao menos voltasse a tê-la.

— Não. Não tem outro jeito. — ela parece estar pensando na mesma coisa que eu, pois seu tom abaixou e seu toque ficou levemente mais frouxo, como se ela estivesse soltando a tensão de todos os músculos.

Ficamos caladas por um tempo.

Não consigo nem ao menos imaginar o que está se passando na cabeça de Luci nesse momento, mas na minha consigo finalmente vê-la — privilégio esse que tenho apenas no corpo – e tocá-la de verdade, não apenas através das minhas demoradas projeções.

Quando volto a falar, sua respiração está mais lenta e sinto que ela está bem mais próxima que eu de cair no sono. Levo a outra mão ao topo de sua cabeça e lhe faço um cafuné, fechando meus olhos também, agora sim na escuridão total.

— De qualquer forma… vai ficar tudo bem, meu amor… — solto, sem saber se digo mais para mim do que para ela, mesmo soando confiante.

Ela solta uma última risadinha cansada e eu novamente sinto meu coração se aquecer, forma violenta de me sentir amando.

— É… vai dar tudo certo. — diz, apagando pouco tempo depois.

Abro um outro sorriso sabendo que ela também sorri durante o seu sono.

Tento não pensar em como eu queria conseguir vê-lo agora. Tento não pensar no fato de que eu talvez nunca o visse. Tento não pensar no fato de que talvez isso nem fosse real. Tento não ficar paranoica no meu estresse e no meu medo de perdê-la.

Respiro fundo, concentrando-me apenas no calor de seu corpo contra o meu, seus cachinhos em seu rosto e em como estávamos exatamente no caminho certo para finalmente podermos nos ter cem por cento do tempo, sem restrições. Em como estávamos perto. Sendo sempre um pouco difícil ver pelo lado positivo, aproveito esse meu momento de paz para ir desligando a mente aos poucos até finalmente cair no sono.

Há muitas formas de se perceber que está sonhando, algumas vezes sendo um pouco complicado entender a linha tênue entre a espiritualidade comum e o Reino do Sonhar. Por essa linha ser tão tênue, às vezes as coisas se misturam.

Para mim, porém, não há muito erro. Para perceber que estou sonhando, é só tentar piscar uma vez. Abrir os olhos e piscar normalmente. Se enxergasse, ou estava totalmente acordada, ou estava sonhando.

Faço exatamente isso, bem devagar. Abro os olhos. A claridade ofusca totalmente a visão, mas pelo menos há claridade. Pisco algumas vezes, entendendo-me nos domínios do sono antes mesmo de ver o que me cerca. Se pensar demais, talvez possa até ouvir a respiração ansiosa e excitada dos Deuses que aqui reinam.

Agora conseguindo ver melhor onde estou, enxergo as paredes aos meus lados, formando um largo corredor. Há alguma coisa errada com as portas dele, porém, sendo algumas dispostas no teto e talvez eu não esteja incorreta em assumir que a pontinha dourada que existe lá longe — se não cega, míope, porque querer ver e saber já é demais – é uma maçaneta em uma porta que abria do chão para o… chão? As portas que estão nas paredes, como deveriam estar, não parecem muito comuns também.

Antes que pudesse aproximar-me para olhar melhor, sinto um baque violento, como se estivessem me dando um soco no estômago, e me curvo para frente, pelo reflexo. Se foi mesmo um soco, foi um dos mais fortes existentes, pois voo pelo corredor, vendo-o ficar muito estreito e muito largo muito rapidamente, percorrendo uma distância considerável.

Quando paro, as portas aos meus lados já se parecem com as portas que estou acostumada a ver na Terra, algumas até mesmo idênticas, como as de madeira cortadas com um pequeno quadrado de vidro no topo que existem na faculdade ou a aço do meu próprio quarto. O corredor aqui é mais estreito do que antes e eu posso facilmente tocar cada uma das maçanetas, se eu quiser, mas não o faço.

Volto-me para trás, para poder ver o que me resta nesse sonho. E aqui entendo que talvez esse sonho seja uma mensagem de Fantasia.

Há uma parede logo atrás de mim e ela é toda coberta por um grande espelho, que reflete todo o corredor a frente e a minha própria imagem. Eu nunca tive muita chance de ver como eu mesma me parecia, então toda vez que tinha algo importante a me comunicar, Fantasia dava um passo mais próximo à Afrodite e utilizava-se de um espelho para me fazer lembrar do que realmente sou feita.

Toco o espelho antes de me olhar verdadeiramente, vendo-o se dobrar ao meu toque, formando pequenos círculos em sua superfície. Parece água ao tocar, mas não demora muito a voltar a ser apenas um espelho.

Dou um passo para trás e tomo um momento para me observar. Um pouco mais branca do que esperava ser, com os cabelos ruivo-acastanhados e os olhos leitosos, eu mesma não vi muito demais naquela figura grande – e voluptuosa, pelo que diz Katerina. Um corpo de mãe, se é que existe um tipo específico para isso. Um corpo que a deusa amiga tomara o cuidado de cobrir antes de mandar a mensagem.

Ela quer que eu veja algo; sinto isso dentro de mim. E quer tanto que fez questão de colocar sua chave em meu pescoço, como se fosse o pingente de um colar exótico. A chave grande, dourada e até mesmo cartunesca parece brilhar um pouco a mais no reflexo do espelho, como se fosse parte principal do que tinha de ser dito.

Levo a mão até a chave, agarrando-a para poder senti-la de verdade. Quase levo um choque ao fazê-lo, mas apenas porque minha energia está condensada demais para um objeto tão sutil quanto essa chave. Ela pulsa em minha mão e eu posso sentir a quantidade imensa de poder que possuía.

A chave da fantasia, a chave dos mundos e das histórias. Onde eu mesma, com a minha imaginação e alguns pontinhos extras de energia mental, poderia criar portas e estórias ao meu bel-prazer, podendo participar ativamente de cada mundo caso fosse minha vontade. A chave que poderia abrir qualquer uma das portas dos pensamentos, a chave que poderia me ajudar a conectar sonhos, à imaginação e à realidade.

Todos os dias me pergunto como eu posso ter sido a escolhida para algo tão grande assim; como eu posso ter sido a escolhida para ser abençoada pela Deusa, dentre todos os demais. Não há nada excepcional em mim, eu diria. Será que mais alguém possui uma chave como essa? Qual a probabilidade de Fantasia mandar a mesma mensagem para várias pessoas ao mesmo tempo? O mesmo presente para várias pessoas?

Suspiro profundamente e afrouxo a chave, voltando-me para fitar o corredor e não apenas o reflexo dele no espelho. Eu possuía a chave e parecia que estava no início do meu próprio corredor. E tinha uma mensagem que Fantasia queria me passar… Mas qual era? Onde eu teria de olhar para conseguir finalmente encontrá-la?

Caminho pelo corredor, crendo que algum tipo de sentimento estranho me virá caso eu esteja próxima à mensagem que ela quer passar.

As primeiras portas são o que podemos chamar de portas normais, que não possuíam cores vivas ou extravagantes e geralmente poderiam ser encontradas nas casas contemporâneas do planeta Terra. Algumas delas em verdade são portas que algum dia eu já vi na minha vida, tendo atrás delas memórias, fantasias e falas nunca ditas para ocasiões que realmente vivenciei.

Estas não causam nenhuma sensação se não aquele sentimento quentinho de amor e gratidão. Quaisquer que fossem os problemas que poderiam existir por trás daquelas portas, nenhum deles poderia ser grande demais a ponto de apagar o meu sorrisinho satisfeito pelas coisas primariamente boas dali. Como não há nada novo nesse sentimento, não pode ser isso.

As portas seguintes são as que me remetem aos quartos de cada um de meus filhos e, embora não saiba ainda o que possa existir por trás daquilo, não me aproximo para observar. Talvez ali estivessem as minhas expectativas ocultas para todos eles; cenas imaginárias em que eu conseguia viver com eles diariamente; segredos sobre suas vidas que me contariam se eu estivesse verdadeiramente em casa. Esse porém é um assunto para outro sonho, problema que também não tem a ver com o verdadeiro propósito deste.

Não me demoro em nenhuma delas. Continuo a caminhar e o corredor parece se esticar cada vez mais, como se não tivesse fim, passando por pelo menos uma centena de portas antes de chegar em algo diferente.

A primeira delas é uma porta de estilo meio cartunesco, grande, alta e com uma estrela no meio, com seis gemas diferentes dentro de si, uma em cada ponta e uma no meio. Me aproximo com curiosidade e vejo a chave brilhar em meu pescoço, enquanto a gema do meio, uma pérola de um tom muito forte de rosa, se acendia junto a ela. Dou um passo para trás antes que aconteça algo mais. Isso é bastante legal, mas não é sobre isso que Fantasia quer falar.

Eu não sei como a minha mente reconhece o que é ou não o desejo da deusa, mas acredito que depois de tantos meses dividindo o mesmo corpo (para “me preparar” para algo que ainda não sei) eu aprendi o que ela quer dizer no Sonhar. E eu vou reconhecer quando for o caso. Não adianta eu ficar passando a mão pelas portas e querendo que elas abram magicamente, como eu comecei a fazer depois de algum tempo, pela impaciência de estar atravessando um corredor tão longo e a ansiedade em entender o que estava acontecendo. Não adianta eu me aproximar ou ter uma falsa curiosidade.

Ando bastante. E depois de algum tempo o corredor começa a dançar aos meus olhos, ficando mais largo ou mais estreito em lugares inesperados, ondulando em si mesmo. As portas começam a aparecer em tamanhos e formatos muito variados, estando no teto, no chão, nas quinas das paredes, em cima uma da outra. São muitas as cores e de repente são todas ao mesmo tempo.

Quando as cores são todas ao mesmo tempo, elas são só a luz branca, sendo a luz branca. Isso me cega por um tempo, mas acostumada com a cegueira, apenas continuo minha caminhada.

Agora o ar parece ter mudado e quando abro os olhos me vejo no meio de um corredor igualmente longo, mas que possuía um estilo arquitetônico diferente do anterior. A atmosfera toda mudou, pelo visto, e respirar se torna um pouco mais difícil quando olho para as paredes de pedra branca e encardida que estão ao meu redor.

Nem imagino o motivo. Mas não me parece coisa boa.

As portas agora são demarcadas por grandes arcos de pedra grossa, igualmente encardida, e todas são de uma madeira muito avermelhada, quase queimada. Seguem um padrão, com uma maçaneta muito dourada e uma abertura grande para a chave, que permitiria olhar lá dentro se não existisse um ar ameaçador naquilo tudo.

Paro em frente de um arco que, ao invés de proteger uma porta, protege uma cortina de flores, que desce pela parede no exato lugar onde a madeira queimada estaria. Passo a mão pela cortina, sentindo as folhas estranhamente macias em minha pele. Poucas são as flores desabrochadas, mas muitas estão em broto, nada do que eu já vi na Terra antes.

O cheiro é bastante familiar, porém, e eu posso senti-lo perfeitamente ao me aproximar mais um pouco. Tento adentrar a cortina, como se enfeitiçada, mas atrás dela sinto apenas uma parede. Talvez, por ser parte do corredor de Fantasia, pudesse ser verdadeiramente aberto apenas com a chave de Fantasia.

Isso logo me parece óbvio, mas antes que eu pegue a chave para abrir o caminho, sinto um arrepio assustador percorrer por mim. E um medo intenso se apossou sobre mim. Tem algo a ver com essa cortina de flores, sim, mas eu não consigo prosseguir. Sinto novamente o arrepio ao pensar em tentar novamente, uma mão passando levemente por minha cintura, e dessa vez não há apenas medo como tristeza.

Medo, tristeza, pânico. Não importa mais o que a Fantasia quer, eu só preciso sair daqui. Outro arrepio e eu me afasto lentamente daquele arco, voltando-me para o corredor. Olho para trás e dessa vez sinto apenas meu estômago revirar – se é que em sonhos a gente realmente tem um estômago para revirar.

Olho para frente e o corredor que antes parecia não ter fim agora tem uma porta ao fundo. Mesmo que pareça longe, talvez ela seja minha salvação. Tento andar devagar, caminhando como uma dama, me curvando para algo que eu não sei se existe. Não olho para trás, mas tenho a sensação de ser seguida. Não demora muito para eu desistir do devagar e começar a correr em direção ao fim.

O ambiente muda conforme meu ânimo, o que gera ainda mais pavor. Está tudo obscuro, agora, e aquele cheiro ainda impregnava minhas narinas, as paredes de pedra cobertas por manchas de sangue e sêmen. Não presto muita atenção a isso na escuridão, mas vejo que no teto existem algumas teias de aranha.

A sensação de que alguém está atrás de mim, me perseguindo, olhos atentos e cruéis em minhas costas permanece. E apenas cresce. Eu preciso fugir e rápido. Não dou conta de correr mais rápido que isso e mesmo assim a porta parece longe, naquele corredor inacabável. E é só um sonho, porque o corredor não acaba? Porque essa merda não acaba? Estou tremendo. A minha cabeça dói um pouco, mas não sei o que me atinge de verdade. Estou sendo seguida, mas além de amedrontada estou confusa, porque...

É só um sonho. É só um sonho. Ele está me perseguindo, mas estou voltando para casa. E eu… Estou quase sem fôlego quando finalmente chego à porta, tendo mais um arrepio ao vê-la. Talvez me consolar tenha me valido de alguma coisa, então.

Não que tenha me tirado o medo, porém. Meu coração ainda bate forte em meu peito e eu posso ouvir cada pulsação em minha cabeça, latejando com o esforço para sair daquele lugar. Ele se aproxima, tão rápido, mas tão devagar ao mesmo tempo, como se estivesse jogando com a minha cabeça. E eu sei o que ele vai fazer comigo quando ele me pegar… Assim… Não sei, mas sei que não será nada bom...

Pego a chave dourada em meu pescoço, no desespero, só agora pensando em realmente abrir uma daquelas portas para fugir daquele intenso desespero. Ele está tão próximo e aquele cheiro fica ainda mais pungente quando misturado com o cheiro do suor e do sangue de batalha, do treino de mais cedo, da tortura realizada. Eu sou a próxima… Eu sou a única… Ele está tão próximo…

Seguro a chave firme em minha mão e tento levá-la à fechadura da porta, mas não consigo. Não consigo, pois se eu abrir a porta ele estará lá e se eu não abrir ele também estará lá. Não consigo, pois independe de mim. Não consigo… Não consigo… Meus movimentos são letárgicos, como se eu estivesse lutando contra o sentimento, nadando contra a correnteza fluida daquela tristeza, daquele medo – com muita dificuldade.

Ele está próximo… Tão próximo…

E eu não aguento mais...

Deixo a chave cair de minhas mãos. E o tempo diminui sua velocidade neste momento. Posso ver o movimento da chave voltando ao meu peito, posicionado como o colar. Sinto a ponta de seus dedos tocarem meu ombro no mesmo instante que o colar toca meu peito.

Quando a chave dourada me toca, ela se fecha em escuridão; mensagem entregue.

Meu coração bate forte contra o meu peito e eu posso sentir a agitação tão forte em mim que até mesmo meu corpo físico se movimenta na busca de calmaria. Não é forte o suficiente para me fazer acordar verdadeiramente, mas forte para que eu abra os olhos e pisque forte e meio inconsciente, apertando a joaninha de pelúcia do maior intensidade.

Acordo ao lado de Luci, porém, coração a mil e mente fervendo demais para lembrar o que havia acontecido para me sentir daquela maneira. Tinha alguém atrás de mim? O que eram todas aquelas portas com arcos de pedra? E aquele perfume…?

Parece que eu me levantei num salto, pois ela acorda assustada, mudando sua expressão rapidamente do “estou-brava-você-não-deveria-ter-me-acordado” para “o que está acontecendo?!” em questão de segundos. Foi só necessário me olhar para que a preocupação roubasse um espaço de seu rosto.

— Ei, ei! — me chama, virando-se totalmente para mim (tira rolado na cama durante seu sono) e se aproximando novamente. Toma meu rosto entre as mãos, limpando algumas lágrimas que eu nem sabia estarem ali. — Eu estou aqui. Estou aqui… — sussurra.

— Eu sei… Eu sei… — sussurro de volta, hesitante, tomando as mãos dela com as minhas, retribuindo em seus punhos o carinho que faz em minhas bochechas.

— Quer falar sobre o que viu? — pergunta, curiosa pela fonte de minha perturbação. Nem eu sei o que vi, ainda. Faço uma careta, incomodada com a situação. Balanço a cabeça negativamente em resposta.

— Okay… Você quer… — ela para por um momento, se ajeitando na cama rapidamente antes de voltar a falar. — Dormir de conchinha? — abre os braços e um sorriso para mim. O sorriso mais lindo do mundo; o sorriso que eu posso sentir mesmo sem vê-lo e a quilômetros de distância. Ah… esse sorriso…

Sinto-me obrigada a soltar uma risadinha. Por que eu estava tão tensa se tudo é assim, tão bom? Qualquer que tenha sido o meu sonho, talvez não seja assim tão importante. E se for, uma hora eu o lembro, com certeza. Balanço a cabeça negativamente de novo, rindo de mim mesma.

— Mas é óbvio que sim! — digo, de forma provocativa, antes de me aproximar dela e roubar-lhe um beijinho. Deito-me ao lado de seu corpo pequenininho, sentindo-me intensamente grata quando ela me envolveu por trás, sendo a concha maior, mais uma vez me protegendo de mim mesma.

Suspiro, aliviada, antes de cair no sono novamente. Um sono sem sonhos.

O que quer que tenha sido esse sonho, ele pode ficar para depois

— só talvez seja melhor ser antes de ela não estar mais aqui para me dar a conchinha.

Notas finais
Caso tenha algo a dizer, diga nos comentários. E qualquer pergunta específica para mim que você tenha vontade de fazer, pergunte para mim no meu curiouscat (fuckjager) que fica mais fácil de eu lhe responder!

Ademais, espero que tenham gostado. E muito obrigada por terem lido até aqui.