Lá estava eu, aos meus oito anos de idade,na minha casa, junto a minha inútil família, aquilo me irritava, todos fingiam me amar, todos fingiam ser legais comigo, mas tudo o que sentiam a respeito de mim era ódio e desprezo. Minha mãe era a unica a gostar de mim, eu via isso em seus olhos, ah sim, seus lindos olhos cinzas, eu a amava, ela era a unica no mundo que tinha o meu amor, e eu era o único no mundo a sentir o amor de uma unica pessoa... Meu irmão, um garoto moreno dos olhos castanhos, tinha uma aparência aprovável, mas seus sorriso quando se tratava de mim, era horrível, ele era extremamente falso, e eu notava... Eu sempre me importei com ele, sempre tentei ama-lo, mas eu sabia que ele me odiava, eu então desisti de tentar ama-lo, desisti do amor, eu só não podia desistir de mim, e de minha mãe.

Aos meus nove anos de idade, eu estava na escola em um dia normal, onde todas aquelas crianças chatas, irritantes e barulhentas estavam, eu não falava com ninguém, e ninguém ousava falar comigo, eu tinha uma fama de um garoto que estava do lado escuro da força... E eu estava? Bem, eu não sei. Eu cheguei em casa de mais um dia entendiante, fui ao quarto da minha mãe — como sempre — eu bati na porta antes.

– Mãe? — perguntei — Estou entrando — mas eu realmente não entraria até ela dizer que eu pudesse

Ela costumava me responder imediatamente, mas ela não respondeu, bati na porta de novo.

– Mãe? Posso entrar? — estava com as mãos suando

Ela não me respondeu, meu coração estava a mil, algo me preocupava eu respirei fundo, e disse para mim mesmo que tudo estava bem, estava tudo normal, nada de ruim havia acontecido. Então eu abri a porta.

– Mã..Mãe?! — eu gritei e comecei a chorar — O que houve com você?! Isso é uma farsa, você ainda está aqui!

Corri até o banheiro e peguei o kit de primeiro socorros, minha mãe estava sangrando, ela estava banhada de seu próprio sangue mas ainda me respondia, ela não parava de dizer que me amava, e eu dizia que tudo ia ficar bem, e ela dizia que me amava, e eu chorava mais e mais junto com ela, que não tirava em nenhum momento o sorriso dos labios.

– Allec, meu amor, meu tudo, minha vida, está tudo bem, não se esforce demais, você agora irá fugir de casa — ela dizia colocando algo em minhas mãos — Eu quero que fique forte, você irá descobrir como, apenas me prometa que eu vai fugir, por favor, pelo seu bem.

– Eu prometo mamãe, fique comigo... Por favor — eu chorava, eu deitei em seu colo me sujei com seu sangue, meus olhos dourados estavam triste, meus cabelos azulados estavam vermelhos — Eu te amo mãe, você é a unica que eu amo

– Eu também lhe amo Allec — ela sorriu e passou a mão em meus cabelos

– Quem fez isso com você? — eu perguntava soluçando

Ela não me respondeu, eu chorei a tarde toda, a qualquer momento meu pai chegaria e me veria daquela forma, eu fui até meu quarto, peguei algumas camisetas, calças e jaquetas e coloquei-as de qualquer jeito em uma mochila, abracei a minha mãe uma ultima vez e beijei seu rosto, sujando a minha boca com seu sangue. Eu segurava o objeto que ela me entregou, era um colar com um anel preso, nele estava escrito "Restore The CoD", eu não entendi e resolvi deixar para descobrir aquilo depois.

– Eu te amo — disse após beija-la e coloquei a mão ao final da camiseta para tira-la e guarda-la comigo sempre, mas algo me interrompeu — Pai? — me coloquei na defensiva

Meu pai olhou para mim com aquele olhar falso e calmo como sempre, olhou para a minha mãe e colocou um sorriso de leve no rosto, aquilo me deixou com uma extrema raiva, eu coloquei o colar ao pescoço, e corri para cima dele.

– VÁ PARA O INFERNO! — eu gritei dando-lhe um soco na cara, fazendo-o sangrar

Ele ergueu o punho e com certeza iria me acertar, mas em um movimento sem comandar eu o derrubei, tão rapidamente que não pude saber o que fiz, eu comecei a esmurra-lo até não ter mais forças, e então percebi que havia matado-o, peguei todo o dinheiro que estava no bolso dele, e dei um ultimo sorriso para a minha mãe, e cortei um pedaço de seu cabelo ruivo, e guardei-os e corri, pulando de telhado em telhado. Cansado, com sede, desci até um rio longe da cidade e bebi a água, estava gelada, e me fez bem, mas eu estava extremamente cansado, meus olhos foram se fechando, eu cai sobre a água e apaguei.

Notas finais
Comentem caso tenham gostado, vai ser algo interessante, então estejam sempre acompanhando.

Obrigada :3 ♥