Hunters&killers Caçadores Paranormais - Interativa
10 #10 Uma nova vida - Parte 1
Notas iniciais
Por Logan Wild/ Demon of Dark
São passos na neve. Não importa o quão leve você tenta ser; as suas próprias pegadas sempre te seguirão para onde quer que você vá. Assustado, morrendo de medo. Você corre, o manto negro amarrado sobre os teus ombros voam contra o vento. Seu cabelo está cheio do gelo que o céu derruba em você. Ao olhar o redor não é difícil acreditar que você está em uma floresta sem folhas; sozinho. Embora o caminho possa parecer infinito, há algo que te faz continuar correndo, arriscando olhar para trás, na busca desesperada por algo desconhecido.
A neve branca começa a se tingir de vermelho. Dá vontade de gritar, porém o objetivo aqui é se concentrar na corrida. Começa a ficar difícil para se caminhar. O chão parece querer te engolir. E ao fundo você enxerga alguém conhecido. Está de costas e se vira devagar. Você para e encara a figura, esquecendo-se de qualquer outra coisa. O rosto já pode ser visto. Os olhos... Os olhos. Já não é o que eram antes. O brilho se fora. Estão mortos agora. É tarde demais. O tempo acerta seu coração como uma espada e...
— DEEEEEEEEEEEEEEEEEEEMOOOOOOOOOOOONNN!!! — A criaturinha escandalosa pulou em meu pescoço, fazendo-me cair de costas no chão.
— MANSON! — Tento empurrá-lo, porém o moreninho se mantém forte e não desgruda.
— Já tá dormindo de pé sendo que a gente mal entrou na Hunters&killers ainda? — Indagou meu amigo Dark Lord.
Estamos defrontes ao portão do colégio que acabou por se tornar um internato. Combinamos de nos encontrar aqui às seis da tarde, começando a nova vida juntos. Podia parecer idiotice aquela coisa de “vamos entrar juntos com o pé direito”, mas nessa hora parecia que de alguma forma aquilo faria com que nossos futuros dias na Hunters&killers fossem melhores.
Duca se aproxima junto com Ashley Forbes, mais dois amigos meus que toparam aquilo. Outros alunos entram sem mais cerimônias, tornando-se, assim que passam pelo portão, o que realmente são. Perdem suas formas humanas, dando espaço para tomarem suas formas transformadas.
Vampiros, lobisomens, bruxos, feiticeiros, caçadores, exorcistas, fantasmas e tudo qualquer tipo de criatura sobrenatural carregam consigo malas tanto grandes como pequenas. O suficiente para sobreviverem naquele lugar por uma semana, com direito a poder sair do colégio aos sábados e domingos. Olhando por esse lado as coisas não pareciam tão ruins.
Entre tantos rostos, tantos tipos de roupa que poderiam ser usadas em cosplay ‘s, avistei um homem de olhos frios que me fuzilavam. O sempre presente cigarro se encaixava entre seus lábios, deixando a fumaça sair. Enquanto ele andava, parecia que o tempo passava em câmera lenta. Mesmo caído no chão, devolvi o olhar com a mesma frieza. Kill Bleed não estava sozinho, pelo contrário. Seu braço passava em torno dos ombros de Katherine Megias Black, ou simplesmente Magias. A feiticeira, por incrível que pareça também me fuzilava com o olhar. Enquanto caminhava, um dos fones de ouvido pulava em seu peito, sendo que o outro se posicionava em seu ouvido. Como sempre, no último volume.
— Você tá é ferrado Demon of Dark — Ashley brincou.
Levantei-me na oportunidade que tive.
— Um vampiro e uma feiticeira negra... Quem diria que um casal desses apareceria na Hunters&killers, não? — Duca olhava por onde os dois haviam passado e mordeu algo que trazia consigo.
— Você come demais — Murmurei.
— Certo! Quem é que tá preparado para morar nesse colégio anormal? — Dark perguntou passando as mãos no cabelo, fazendo com que os fios fossem jogados para trás; todavia, teimosos, voltavam para o lugar, caindo sobre sua testa.
— Tenho mesmo que largar a minha casa pra morar nisso? — Manson fez uma careta apontando para o gigante e até antigo colégio.
— Ué? Não era você quem quis entrar nisso? — Perguntei irônico.
— Só se você for meu colega de quarto... — Olhou para o Dark — Porque certas pessoas eu prefiro trocar por sangue de tartaruga — Mostrou-lhe a língua. Luke ameaçou dar um soco e o baixinho se escondeu atrás de mim.
— Vamo entrar então pessoas — Ashley concluiu.
E assim, com um pé a frente do outro, entramos de bem na nossa nova vida na Hunters&killers.
[...]
Todos estavam num dos salões do colégio, olhando para o palco posto lá na frente. As luzes amarelas acesas iluminavam bem o local. Grandes janelas parecidas com as de igreja católica tomava conta das paredes com os seus vidros muitos escuros.
Alguns professores, funcionários e a coordenação inteira estavam esperando no palco, aguardando para serem ouvidos. O professor Nancy deu um passo à frente, tomando o microfone nas mãos, uma delas coberta pela luva esportiva e a outra enfaixada por um motivo desconhecido pela minha pessoa.
Pigarreou para chamar a atenção dos alunos inquietos e quando tudo pareceu ter se acalmado um pouco, Nancy abriu seus olhos heterocromáticos vermelhos e verdes fitando a todos com um brilho estranho.
— Boa noite alunos do colégio especial para caçadores, Hunters&killers — Devo admitir que sua voz ficasse sinistra ao ter dito aquilo — Hoje não é só mais um dia de estudos especiais, mas sim um novo começo na vida de vocês — Nancy começara a andar pelo palco. Passou os dedos pelo negro e comprido cabelo jogando-os para trás. E diferente do meu amigo Luke, os dele pararam no lugar, dando um ar meio elegante para o professor — Hoje, meus caros, seus dias ganharão mais responsabilidade. Os estudos deverão ser levados a sério de hoje em diante... Claro que não prenderemos todos aos estudos, mas quero deixar bem explicado que tudo que vocês fazem aqui, é para o bem desse nosso mundo. Esforcem-se aqui ao máximo e mostrem que vocês são capazes de livrar a humanidade dos Effusus. Conto com vocês.
Nancy devolveu o microfone na barra e deixou o palco com os aplausos dos alunos e dos outros membros da Hunters&killers. Não aguentei e acabei deixando um bocejo escapar.
— Deeeeemonn... — Choramingou Manson do meu lado — A gente tem mesmo que ficar ouvindo essas palestras chaaaaatas?
— Sim Manson — Revirei os olhos — Nós temos que ver essas palestras chatas.
— Mas isso é muito, muito, muito chatinho... — Eu não respondi, tentando fingir estar prestando atenção no professor Tyreese lá na frente — Hey... Daqui a pouco vai chover... Não quer ir ver a chuva?
Aquilo conseguira chamar minha atenção de certa forma. Olhei para ele e logo me arrependi ao ter visto seus olhos com aquele maldito brilho de expectativa. Aquilo sempre me fazia ceder.
— Por que eu iria querer ver a chuva? Chove sempre nessa cidade — Respondi por final.
— Eu sei, mas... Mas... — Ele pensou por um instante, até virar a cabeça para o chão e encarar o piso — Aposto que se tivesse sido a Ash você teria aceitado de prontidão.
Naquela hora eu não soube o que responder. Perplexo, abri a boca, mas logo voltei a fechá-la. Penso por alguns segundos para depois suspirar.
— Certo; certo. Vamos “ir ver a chuva” — Quando terminei a fala quase arrepiei. As palavras pareciam menos estranhas na minha mente.
— Sérioooo? — Manson riu infantilmente e colou no meu braço — Hi, hi. Não acredito que eu consegui.
— É... Nem eu.
E então lá se fomos nós, se esquivando da multidão para chegar ao jardim da Hunters&killers. Não fiquei nem um pouco pesaroso por deixar de ouvir as monótonas palestras, mas sim aliviado. Eu poderia ter uma amizade imensa com o diretor Ronald, porém não me mostrava levar a sério os estudos. O que era só pra aliviar a tensão do colégio já que eu deveria ser um dos que mais se esforçava dentro daquele lugar.
O trajeto foi bem simples: Saia do salão pela terceira porta do lado leste; siga em frente até passar pela cozinha; vire o corredor para a esquerda, contorne a fonte de mármore; passe pelos banheiros do primeiro andar; siga reto passando por algumas classes e portas entreabertas; continue reto, atravessando todo o corredor de pilares. Essa parte era aberta, sendo coberta apenas pelo teto. Já se pode sentir o vento úmido e frio passando entre os espaços de um metro e meio dos pilares. Mais um pouco a frente, há uma porta dupla envidraçada entre duas grandes janelas cobertas pelas cortinas vermelhas. As luzes daqui estão apagadas e eu sinceramente não sei onde fica o interruptor.
— Não liga de ficar molhado? Porque eu não tenho guarda-chuva nenhum comigo — Falei para o moreninho, que sorriu com suas presas.
— Eu não caço na chuva com um guarda-chuva.
— Em falar em caçar — Abri a porta e saímos para o jardim. O vento cada vez mais forte denunciava a tempestade que viria — Se você aprontar qualquer coisinha que seja, eu não tardarei em te matar.
— Nossa Demon... Que frieza...
— Você mentiu pra mim — Sentamos num dos bancos de pedra que tinha ali. Manson normalmente enquanto eu em cima do encosto — Disse que não era um Effusus.
— Mas eu não sou...
— Me explica aquela maldição de sangue humano em você.
— Não era um ser humano comum! Era um feiticeiro. Vocês caçam essa espécie também, lembra?
— Nós caçamos — Reforcei — Não tomamos os sangues deles.
— Que mal isso faz?
— Você vicia. Sangue vicia os vampiros. E logo a sede vai crescendo até você não querer mais apenas sangue animal ou das poucas caças que se tem. Logo ficará descontrolado e vai procurar sangue na cidade, matando gente inocente.
Manson ficara sem resposta e o único som que predominou foi o do vento. Após alguns longos segundos, ele se voltou a mim:
— Hey... Você... Fez aquilo de novo depois daquela vez?
Devo admitir que eu houvesse corado um pouco. Sabia exatamente do que aquele vampirinho pervertido estava falando. Tentei manter meus olhos focados em frente, olhando a fonte desligada.
— Aquela foi minha última vez desde então — Fiquei tropeçando nas palavras enquanto falava.
— Porque não achou a pessoa certa ainda ou porque ficou com trauma daquele dia?
Ri um pouco nervoso:
— Não foi ‘tããããão ruim assim pra eu ficar com trauma.
— Então significa que você faria de novo?
O nosso papo estava ficando muito estranho. Eu tinha que mudar o rumo daquela conversa.
— Manson, mudando de assunto...
— Só me responde com sinceridade! — Me cortou, dando-me um susto. Encarei-o com os olhos arregalados, pensando no que responder. Puxa, ele está perto demais como sempre. Mas, mesmo assim, eu nunca havia percebido como Manson é diferente quando está assim.
É uma tremenda tentação...
Balancei a cabeça varrendo aqueles pensamentos. Desviei os olhos e senti meu rosto esquentar mais ainda.
— Só com você.
Pronto. Era agora que aquela criatura iria pular em cima de mim.
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Por Luca Esteno/Duca
Enquanto eu e o Dark assistíamos às palestras dos professores, coordenadores e do diretor, eu me sentia incomodado com o fato de que Kill Bleed ficava “nos” encarando. Certo que não era a mim que aquelas imensidões negras se voltavam, porém como o Luke estava perto de mim, parecia mesmo que eu estava sendo odiado mentalmente por um vampiro.
Demon of Dark e aquele seu amiguinho esquisitinho sumiram da minha vista. Talvez tivessem sidos engolidos pela multidão. Mas isso não importa.
As últimas falas do diretor Ronald fora o alívio dos alunos. Agora era só olhar alguns papéis que se encontravam presos na parede do corredor que nos levava aos quartos; eles indicariam o quarto de cada um. Um sorriso se alastrou pelo meu rosto quando percebi que eu dividiria o meu com Dark. Uma bela coincidência. Bem, a ala masculina ficava do lado direito do prédio. Cada quarto acomodava duas pessoas, tendo um banheiro apertado em todos. Lembrava-me um hotel.
Dark e eu procuramos pela porta número 14, onde passaríamos a praticamente residir. Ao entrar, a primeira coisa que o meu amigo fez fora se jogar em uma das camas do lado oeste do quarto.
— Aaah... Essa é a minha! — Concluiu.
Joguei minhas coisas na única cama que sobrara.
— Que diferença faz? — Eu falo rindo um pouco — Quando você voltar das aulas e das caçadas aposto que nem vai se preocupar em ver qual cama é a sua.
— Ai! Você só com essa fala já está me deixando com preguiça — Bocejou — E sono.
— Para um exorcista você fica com sono rápido.
— Um exorcista é uma pessoa normal, sem poderes okay? Sou um ser totalmente normal que gosta de dormir assim como a maioria dos humanos, mas com a diferença de que enxergo e mato criaturas paranormais.
— Certo, “ser totalmente normal”... Mas aposto que você conseguiria fazer uma poção para aumentar essa sua resistência — Dark Lord tinha um certo dom para fazer poções, o que era impressionante. Talvez se as feiticeiras não detonassem tanto ele, Dark rapidinho estava namorando uma.
— Em falar em poção... A primeira aula de amanhã vai ser isso né?
Assenti em resposta. Ele suspirou longamente.
— Como será a nossa rotina a partir de hoje? — Eu quis saber.
— Acordar, comer, estudar, comer, estudar, ficar de bobeira, caçar, dormir — Resumiu.
— Que maravilha — Revirei os olhos.
— Nem me diga. Mas ainda bem que temos o reto da noite de hoje para nos preparar para essa rotina. Pelo que eu entendi na palestra do Tyreese, eles deram esse tempo para nos acomodarmos.
— Entendo.
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Na verdade não contei cinco quando fui atingido na cabeça por um travesseiro. Olhei para o Dark que tinha no rosto um sorriso jovial. Não adianta. Ele pode falar que estava com sono, porém nunca vai deixar de ser elétrico desse jeito.
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