Hunters
3 Capítulo 3. Todo mundo odeia hospitais
Joe e Adam ouviram, com um certo desconforto a história de Kate. A garota havia sido trancada e amarrada em um porão de uma casa abandonada por um homem que ela não conhecia. Então, pela manhã, ela conseguiu se livrar de uma das cordas que prendiam seus pulsos, e com isso, foi desamarrando o resto, porem quando tentava abrir a porta resolveu gritar, e o sequestrador havia aparecido e então começou a “briga” Injusta dos dois. Kate falou que enquanto apanhava sentada no chão, conseguiu chutar nas partes intimas dele e com isso ganhou tempo e pegou um cabo de vassoura, o bateu no joelho e correu... “Que garota corajosa!” Eles pensaram.
—Como conseguiu derrubá-lo, ele é um homem...
—Mas eu não consegui... Ele nem gritou. Apenas se inclinou e passou a mão no joelho, nessa hora que corri, corri o máximo que pude até a estrada, onde vocês me acharam
—Ele nem te seguiu? — Aquela pergunta deixou a menina confusa... Ela não fazia ideia de como ele não foi atrás dela, afinal, seria tão fácil alcançá-la, ela estava ferida, com fome e morrendo de calor, o Sol estava tão quente. Então pensando nisso lembrou de algo que talvez pudesse ajudar.
—Acho que... Ele não gosta de Sol. Sempre aparecia de noite, eu sabia pelo frio e bom... De dia, as únicas duas vezes que apareceu estava de capuz e óculos escuros... Exatamente como na tarde que me pegou — Adam virou o rosto lentamente para o irmão, estavam pensando exatamente a mesma coisa... “Pode ser um caso nosso?”
—E mamãe, está bem? Só fui pra estrada por que tive medo que ele me seguisse até em casa... Ela está bem?
—Sim, ela está na delegacia, acharam melhor... O homem que lhe fez isso podia ir atrás dela. E bom, já devia ter alguém aqui com você — Joe falou pensativo, a ideia daquela garota ter escapado de um ser sobrenatural o deixava nervoso. Já Adam estava orgulhoso e imaginando Kate acabando com os desgraçados que davam trabalho para ele.
—Eu estou com fome... — Adam levantou num pulo, tentando parecer animado, apesar de estar com um pouco de enjoou, só de imaginar que uma garotinha, possivelmente, tivesse tido seu contato com sobrenatural. Mesmo concordando que ela era quase uma heroína por estar viva, era difícil imaginar ela passando por uma coisa como aquela.
—Seu pedido é uma ordem, vai querer o que? Pizza, panquecas, waffles, cachorro quente, salgados, pão com queijo, é só pedir —A garota sorriu tímida e se deitou devagar, se dando conta do quanto estava dolorida.
—Batata frita e qualquer um refrigerante, obrigada — Adam piscou e saiu. Novamente Kate ficou nervosa, as lembranças do cativeiro perturbavam a garota. Ela só queria esquecer de todo o terror que tinha passado nessa última semana e poder ver seus pais e ir para casa.
—Gosta de ler? —Joe perguntou, percebendo pelo olhar vago e triste da garota o tipo de pensamentos, ou melhor, lembranças ela estava tendo. Kate então ao ouvir a pergunta do moreno, voltou a realidade e balançou a cabeça em resposta.
—Hm, eu também, e que tipo de...
—Com licença. Mas o senhor não pode ficar aqui. A garota precisa descansar antes de mais exames e da policia chegar para interroga-la —A enfermeira que havia acabado de entrar falou. Joe prontamente se levantou pedindo desculpas para a morena, que agora passava a palma da mãe pela testa de Kate, com o objetivo de ver se a garota estava com febre.
—Eu estou bem, só com fome... Mas não quero ficar só —A garota falou encarando Joseph, como que pedisse que lhe ajudasse a tirar a ideia daquela mulher. A enfermeira deu um longo suspiro e afagou os cabelos da garota sorrindo.
—Tudo bem querida
—Ah, e eu posso comer?
—Sim, claro, eu posso...
—O irmão dele já foi pegar —Ela sorriu e olhou para Joe, que apenas balançou a cabeça para a enfermeira.
—Belos anjos da guarda você achou, agora tenho que ir, volto depois —Kate agradeceu a moça e sentou-se, um pouco incomodada com as dores no rosto e no abdômen. Joe ficou em silencio até a enfermeira sair.
—Então Kate, de que livros você gosta?
—Romance e coisas sobrenaturais, sabe, do tipo, vampiros, lobisomens, anjos e demônios, esse tipo de coisa —A garota falou inocentemente, sem saber que na realidade nada disso era ficção, a não ser pela parte de romance, afinal monstros não se apaixonam e matam qualquer um que cruze seu caminho. Monstros não se arrependem e é sempre assim, ou eles morrem ou quem está próximo. Joe sorriu sem humor algum, Kate lhe lembrava de quando ele tinha oito anos e achava interessante as histórias sobrenaturais que seu pai contava, ele adorava, até descobri que eram reais.
—Hm, é musica?
—Demi, Taylor, Miley... Você sabe, as novidades teens
—Novidades teens, essa é boa
—Meu pai está demorando — Joe sabia que era verdade, embora tenha fingido que achava o contrário, ergueu os ombros e pegou o celular de bolso do casaco para ver a hora.
—Porque que eu? —Kate falou de repente, tentando segurar o choro. Ela agradecia por ter sido encontrada por dois caras tão legais, mas nada apagaria o que ela tinha vivido, e agora ela só tinha a companhia de dois desconhecidos. Joe respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas, mas a verdade é que ele sabia que nada amenizaria a dor da menina... Talvez se o cara que a pegou não fosse um simples humano, ele e Adam poderiam pelo menos se vingar por Kate.
—Coisas ruins acontecem com gente boa...
—Entrega para a senhorita Kate Olsen! — Adam falou entrando no quarto e erguendo a sacola de uma lanchonete qualquer. Deus as batatas e o refrigerante para Kate e jogou um pacote de biscoitos salgados para o irmão.
—Então, perdi o que? — Ele perguntou ainda mastigando, o que fez Joseph revirar os olhos e Kate sorrir. Mesmo sendo algo impossível, a garota queria que os policiais que fossem interrogá-la, tivessem um pouquinho do jeito engraçado dos homens que estavam sendo tão gentis com ela.
—Adam, ou você come, ou fala... Não perdeu nada, ninguém apareceu —Eles sabiam que havia algo estranho, afinal, uma garota desaparecida que é encontrada uma semana depois, ferida e ainda por cima filha de um policial... No mínimo eles esperavam uns sete policiais e repórteres em cima da garota, e no entanto, nem o pai dela havia aparecido. Os dois já tinham presenciado muitos “acidentes” Para saberem que aquilo estava muito estranho.
Eva acordou assustada. Só sabia que precisava ir... Para o hospital. Olhou o relógio e percebeu, um tanto frustrada, que só havia cochilado cinco minutos. “Hospital nacional de Temperance, mas porque?” Mesmo sem entender essa vontade repentina e sua repetindo sem parar o nome do tal hospital, ela decidiu ir. Seu coração parecia diminuir, ou melhor, se apertar dentro do peito. Lisa viu a amiga sair apressada pela sala, chamou, e Eva nem se virou, não parou, como se não estivesse ciente de nada, e na verdade ela não estava mesmo, só queria chegar ao hospital e nem ouviu a outra caçadora chamar. “O que deu nela?” Lis pensou e seguiu a “sonâmbula” até o quintal dos fundos, onde estacionavam os carros.
—Eva! — Lisa gritou e parou assim que percebeu a outra se virando. Ela sorriu de forma irônica e colocou as mãos na cintura.
—Obrigada por me ouvir... Depois de me fazer te seguir que nem uma louca, o que te deu Eva?
Eva revirou os olhos, achava um exagero de Lisa lhe dar uma bronca por tão pouco.
—Desculpa tá legal? Mas preciso sair agora, o que quer?
—O que quero? Eva você teve um... Surto grande, bateu a cabeça, menos de dez minutos depois sai do quarto como uma sonâmbula sem ouvir nada... Claro que me preocupei
—Ok, mas estou bem, depois conversamos
—Nada disso, eu irei com você... Ou mando Kevin rastrear seu celular —Lis ameaçou erguendo uma das sobrancelhas. Eva odiava aquele ar superior que a outra tinha quando percebia que não seria desobedecida.
—Vamos
—E pra onde? — Lisa perguntou entrando no carro e colocando o cinto.
—Hospital nacional de Temperance —Ela respondeu entediada, afinal não parava de repetir esse nome em sua cabeça, e falar em voz alta era muito cansativo. Lisa franziu as sobrancelhas se perguntando o que tinha dado na amiga, ela mesmo viu Eva sendo costurada por Kevin e rindo, passou três dias com o braço quebrado sem reclamar, Lisa não imaginava o que Eva queria no hospital sem ter nada, ou no mínimo uma dor de cabeça.
—Ok, isso está estranho Eva
—Sim, eu sei. Lisa, eu tenho que ir ao hospital, não sei porque, mas tenho
—Repetindo, isso está estranho Eva
—Olha, se não quiser ir, é só sair do carro, simples —Eva falou sorrindo e batendo os dedos no volante. Lisa apenas respirou fundo e ligou o rádio. O velho Gol seguiu para o destino que “martelava” na cabeça de Eva, como um bip insistente. “Droga, eu já vou!” Brigou mentalmente consigo mesma, para tentar acalmar sua própria voz que gritava em sua mente.
—Você não bebeu hoje, bebeu?
—Não Lisa, não bebi nada
—Mas parece —Eva achou melhor ficar calada e focar na estrada, ela sabia que algo a esperava naquele hospital. Ela nunca agradeceu tanto por morar em uma cidade tão pequena. Poucos minutos depois, ela e Lisa já entravam na recepção do hospital.
—Ok, e agora? — Eva se perguntou em voz alta, olhando cada pessoa do lugar.
—Boa pergunta. Você veio aqui e nem sabe porque —Lisa resmungou e sentou em uma cadeira desconfortável e dura, cruzou os braços e balançou a cabeça, se xingando por ter dado importância ás loucuras da Eva, ela estava bem, só perdendo a consciência, mas não se meteria em problemas. A morena pensou em ir até a recepcionista, mas o que ela perguntaria? Oi, acordei com uma vontade vir pra cá, a senhora sabe o porque, tem alguém me esperando? Eva sentia-se frustrada por não fazer ideia do que, ou quem procurava.
—Eva, isso já aconteceu antes?
—Não, sinta-se honrada... —Ela sentou ao lado da amiga e ficou estalando os dedos, ainda olhando todo o lugar, que não tinha nada de estranho, apenas três enfermeiras fofocando, pacientes reclamando da demora e homens lendo jornal, provavelmente esperando algum parente.
—E pretende ficar aqui até quando?
—Até eu descobrir o que estou esperando... Olha, você insistiu em me acompanhar, então não fica com essa cara de criança emburrada
—Até parece que deixaria você sair sozinha naquele estado —Eva suspirou e voltou a encarar estupidamente o nada. Talvez ela realmente estivesse louca, e talvez Kevin e Lise devessem interná-la num hospício... Então ela teve uma ideia, e se alguém estivesse lhe procurando também? Bom, mesmo sendo uma ideia absurda não custava tentar resolver esse mistério. Foi até a recepcionista dando um belo sorriso.
—Bom dia, por acaso alguém andou procurando por Eva Salvatore?
—Não, e geralmente, em hospitais, as pessoas perguntam pelos pacientes, e não se alguém andou procurando outra pessoa —Eva agradeceu e quando se virou para voltar a sentar, viu o policial Olsen. Isso mesmo, ela reconheceu o Ronald Olsen, o mesmo que quase havia prendido ela e Kevin há umas duas semanas atrás, na loja Candy, em Jefferson City. Ela sorriu ao lembrar do mal entendido, do engano e ingenuidade do policial.
—Oi!
—Hm, oi — Ele falou rapidamente e se escorou no balcão, não dando a mínima para a garota acusada por satanismo que quase foi presa por ele.
—Onde está Kate Olsen?
—Quarto quinze senhor —Ele agradeceu e saiu. Eva sabia que estava acontecendo algo estranho, ela só não imaginava que aquele não era, de fato, o verdadeiro Ronald Olsen. Olhou para o homem que parecia disfarçado, com óculos escuros e um sobretudo preto enorme, que lhe cobria todo o uniforme e a pele queimada do Sol de Kansas. Depois ela encarou Lisa erguendo os ombros, a outra que não tinha percebido nada, apenas sussurrou um “O que?” E se levantou indo em direção á amiga, que ainda olhava Ronald com uma certa desconfiança.
Fale com o autor