Hunters

8 Capítulo 8


Fui para meu quarto frustrada como antes, mas minha frustração era por causa das caçadas. Não gostava nem um pouco de ter gente matando por mim, tentando me proteger. – tentei esquecer daquilo por um momento.

Joguei-me na cama, com o controle do lado. Liguei a TV procurando por qualquer coisa interessante ou que me distraísse. No momento estava passando desenho animado em quase todos os canais, parei em um clássico – Tom e Jerry – me aconcheguei na cama satisfeita, ria a cada minuto com o desenho. Mas acabei cochilando no meio dos travesseiros de uma cama de casal.

Acabei indo para o estágio “sonhar” bem rápido, o que me assustou, no sonho eu estava em casa – minha antiga casa, meu antigo lar – estava tudo normal, eu ria com as piadas de meu pai. Eu sabia o que ele era.

- Ana. – Uma voz atrás de mim chamou alto e firme, uma voz já conhecida.

- Castiel. — Disse como que ele não deveria estar ali, fui para mais perto dele tentando esconde-lo. Mas tudo desapareceu.

- O que foi...isso? – Disse tentando completar a frase, agora estávamos em uma espécie de “quadrado” todo branco.

- Aquilo foi uma ilusão de sua mente, você sente saudades desse tempo. – Castiel disse de uma forma que parecia saber tudo aquilo que eu sentia e pensava, me virei rapidamente e confusa.

- Por que fez isso? – Minha voz falhou, as lágrimas queriam sair naquele instante.

- Porque quero que saiba o que esta acontecendo. – Ele andou devagar em minha direção, a poucos centímetros de mim, pegou meu braço e tocou em meus cortes costurados.

- Então me diga. – Disse não querendo esperar mais, engolindo o choro tinha que ser firme.

- Os ataques de demônios estão aumentando, eles vão matar tudo pra te pegar. – Ele olhava atentamente para os cortes em meu braço.

- Mas que droga! – Disse com a raiva subindo minha espinha, soltei meu braço de suas mãos bruscamente e continuei.

- Eu sou tão importante assim? A ponto de pessoas morrerem? Não, não pode ser assim. – Disse de costas para Castiel, a raiva subia rapidamente e entrava em meu corpo, eu podia sentir o sangue subindo minhas veias. Ele pareceu intrigado, bufou e andou até mim.

- Como eu disse antes, você é única....- O interrompi.

- CHEGA, EU JÁ SEI QUE SOU ÚNICA, SEI DISSO PORRA. – Castiel me olhava como estivesse me escutando, mas o meu escândalo não parecia ser nada para ele, que continuou a falar.

-, ser única, em certos pontos pode levar vidas. – Na minha mente, a primeira pessoa que veio foi Júlia, ela queria tanto me ver e para que pudéssemos passar tempos juntas de novo como antigamente. Não queria ela mal, de jeito nenhum.

- Não quero ser única. – Disse derrotada, as lágrimas caíram e minha voz falhava de novo.

- Você não tem escolha. – Ele pegou minhas mãos novamente e seu tom de voz era um pouco mais baixo.

- Mas, eu queria uma coisa. – Castiel soltou minha mão rapidamente o mesmo movimento que fiz quando estava com raiva, mas ele não estava.

- O quê? – Disse limpando meu rosto.

- Tente se proteger o máximo dos demônios, minhas ordens e pra que eu consiga fazer você ir para o lado bom. – Ele olhou para cima, frustrado.

- Você acha que eu posso ir para o lado deles? – Disse com a raiva subindo de novo.

- Não acho, mas tenho que obedecer. – Seu tom de voz nem mudou como o meu humor.

- Se cuide. – Ele virou pra mim, pisquei sem precisar e ele já estava perto de mim de novo, ele tocou minha testa me derrubando pra trás. Acordei assustada, virou rotina minha respiração estar ofegante – levantei da cama para lavar meu rosto, dei uma olhada insignificante para o relógio e era o fim da tarde passando para a noite.

Foi ai que eu tive a idéia, sorri empolgada enquanto corria para fora falar com os meninos, olhei no estacionamento e o carro já estava lá. Bati três vezes na porta repetidamente.

- Calma garota. – Sam abriu a porta um pouco cansado.

- Vamos sair. – Disse dando pequenos pulinhos de empolgação.

- Hã? – Dean apareceu na porta com a aparência confusa e uma cerveja na mão, respirei fundo procurando palavras.

- Olha, eu sei o quanto estão fazendo por mim. Podem dizer que é pelo trabalho, mas sei que no fundo e por mim, então eu quero retribuir. – Meu sorriso dava de uma orelha á outra, os dois ficaram confusos.

- Retribuir?Como? – Dean disse prendendo o riso.

- Vi um lugar bem legal, queria que vocês se divertissem. – Disse sorrindo, tentando controlar a empolgação que de aquilo poderia dar certo.

- Se divertir?Tem strippers? – Dean parecia zombar da minha cara quando ria alto, olhei rápido e corei.

- Dean cala a boca. – Eu e Sam dissemos ao mesmo tempo, Sam se virou logo para o mesmo, que parecia estar entediado. Respirei fundo.

- Olha, não e uma diversão desse jeito. Mas achei que poderia ser legal, mas esquece. Boa noite. – Minha voz era triste e baixa, sem paciência. Acho que era o horário totalmente desregulado de meu sono, sai devagar indo para meu quarto. Pude ver a cara de Dean de que estragou tudo, ele deu um pulo para fora do quarto e pegou meu braço.

- Desculpa, eu estava brincando. Vamos nos divertir? – Sorri empolgada quando ele sorriu também, os nossos olhares se encontraram, acabei lembrando a vez que fiz o curativo dele. Meu coração acelerou da mesma forma humilhante, eu corei por pensar em que ele podia escutar, ele só sorriu torto.

- Só vamos pegar os nossos casacos. – Sam disse puxando Dean, que parecia esconder que também estava desnorteado com aquela troca de olhares. Sorri para o chão e levantei minha cabeça.

- Ok. – Disse sorrindo para Sam, ele entrou rápido e demorou um pouco para sair. Virei-me devagar para a varanda que tinha de frente para os quartos e me encostei lá pensando no nada.

- Vamos? – Os dois saíram no mesmo ritmo, Sam falou comigo em um sorriso sincero, virei rápido e desci as escadas junto com eles. Entramos no carro, Dean entrou no banco do motorista e Sam no banco do carona e eu no banco de trás.

- Aonde vamos? – Dean disse tentando sorrir, ele parecia se empolgar aos poucos.

- Shopping. – Minha empolgação era percebida em minha voz, os dois se olharam confusos e assustados. Eu ri alto.

- Não vamos fazer “ Compras”. – Fiz a questão de fazer as aspas quando falei.

– Disse que vamos nos divertir, não confiam em mim? – Os dois se olharam de novo e eu pude sentir a hesitação.

- Ta bom, vamos fingir que vocês confiar. – Eles riram, pude sentir que escutei pela primeira a verdadeira risada de Dean, não era a irônica, a sem humor ou qualquer outra. Continuei sorrindo, e percebi o orgulho entrando dentro de mim, orgulho dele. De pode ser ele mesmo pelo mesmo uma vez.

- Vamos. – Disse finalmente e Dean ligou o carro, eu fui dizendo aonde o shopping era, eu tentava prender risadas toda vez que olhava para os meninos com medo do que eu estava planejando, era tão legal. Chegamos rápido ao shopping, não era muito longe do hotel então. Não demoramos demais.

Entramos no shopping e os meninos ficaram mais apreensivos, aquele não era o lugar deles, me virei de frente para os dois e sorri.

- Confie em mim garotos. – Disse no meu melhor sorriso.

– Fazer compras, não é o plano. Mas bem que vestir vocês seria uma boa idéia. – Olhei maliciosa para os dois imaginando com roupas típicas das lideres de torcidas em meu colégio. Não agüentei e dei gargalhadas altas. Empurrei-os com a maior força que pude para a loja de jogos, quando chegamos à loja os dois abriram a boca impressionados.

- Tudo bem? – Disse rindo da cara deles e procurando meu dinheiro.

- Claro. – Sam respondeu ainda olhando para os enfeites e os brinquedos. A Loja era assustadoramente grande, pra todo lado você via todos os tipos de brinquedos – vídeo games, os de última geração, entre muitos outros – O que me chamou a atenção era aquele que eu sempre brincava, adorava só que sempre esqueci o nome, eram duas plataformas com símbolos que você tinha que pisar conforme o ritmo da música sorri empolgada com 20 fichinhas na minha mão.

- Vem. – Peguei a mão do primeiro que eu “vi” atrás de mim, acabou sendo o Dean.

- Vai lá Dean. – Sam gritou empolgado ironicamente, tudo que ele queria era atentar Dean, Ele parecia confuso demais para prestar atenção na brincadeira do irmão.

- Olha, não sei jogar isso. – Ele sussurrou em meu ouvido.

- Todos têm sua primeira vez. — Disse rindo maliciosa, ele bufou derrotado. Coloquei a ficha e logo o pessoal que estava fazendo nada na loja se aproximaram curiosos, selecionei a música e o coloquei no “fácil” para ajudar nós dois. Não queria falar para ele que eu não brincava fazia anos e tinha perdido a experiência na coisa, para que ele não começasse a me zoar ou coisa do tipo. Dean parecia se preparar enquanto eu mexia no brinquedo, a música começou.

No início era lento, acertamos todos os comandos e começamos uma coreografia engraçada, Dean ria escondido enquanto fazíamos os movimentos – depois começou a dificultar, dois comandos ao mesmo tempo e a platéia se animava enquanto acertávamos em seqüência, eu ri alto de mim mesma quando acertei o primeiro de um “mais difícil”. Dean parecia já se embaralhar com as pernas estar pronto para um belo tombo, eu ri de novo. Sam atrás da gente tentava acompanhar os nossos pés com os olhos, ainda não erramos nada. A platéia começava a formar suas torcidas, por um segundo olhei para Dean, ele estava feliz e animado, sorri com o que via até começar a corar quando ele virou o rosto para mim. Voltei meus olhos rápidos para a tela com a desculpa que podia perder a partida, a música estava perto de acabar e nós ainda estávamos empatados na pontuação – não era empatados totalmente, somente alguns números de diferença. Olhei direito e eu estava com 1.652.350 e ele com 1.652.347, tentei dançar melhor quando vi que estava ganhando. A música acabou com uma ultima pisada forte que acertei com certeza, todos aplaudiram e Dean saiu rápido, saí também.

- Hey parabéns! – Sam me abraçou rindo de Dean.

- Parabéns. – Dean disse tentando encontrar sua respiração de volta, nós estávamos ofegantes. Ele pegou em minha mão e sorriu tímido, eu sorri torto retribuindo.

- Obrigada, agora é com você. – Apontei para Sam que ficou confuso.

- Eu? Não, eu não sei isso. – Ele falou confuso e rápido demais.

- Dean disse a mesma coisa. – O puxei pra maquina que ainda vazia desde que saí com Dean.

- Vai lá Sam. – Dean gritou provocando Sam do mesmo modo que ele gritou, coloquei a mesma música que dancei com Dean.

- Você vai ganhar. – Sam disse logo no começo que foi fácil.

- Calma, eu to cansada lembra? – Disse rindo, ele me olhou malicioso entrando na brincadeira. Dancei do mesmo modo que antes, podia ver pelo reflexo do espelho debaixo da tela que Dean torcia para eu ganhar de Sam, com Sam parecia que música andava mais rápido do que com Dean. No final da música eu nem vi quem ganhou só me sentei fora dos botões do jogo tentando achar minha respiração.

- Ela ganhou, viu? Ela ganhou de novo. – Escutei Dean zombando da cara de Sam, eu ria devagar enquanto via ele, era bom ter eles felizes quando não caçavam coisas sobrenaturais. Levantei-me indo em direção a eles.

- Vamos crianças, vamos brincar mais. – Puxei os dois e fomos para o próximo brinquedo que eu vi, o carrinho bate-bate.

- Adoro esse. – Dean logo falou quando viu as miniaturas de carrinhos, corremos para a fila e cada um colocou sua fixa. Quase machuquei minha cabeça de tanto chicote de batidas que levei.

Brincamos até dizer chega, quando as fichas que comprei acabaram. Dean foi lá e comprou mais, depois foi Sam. Acho que fizemos um bom lucro para a Loja ganhando dinheiro. Depois fomos a um bar por ali e bebemos algumas cervejas. Voltamos para o hotel rindo e fazendo palhaças um do outro, Sam disse para eu ir no banco da frente — não entendi o porquê — mas fui numa boa.

Chegamos ao hotel ainda rindo e falando coisas bestas um do outro, estava a caminho do meu quarto.

- Fica um pouco com a gente. – Sam falou me puxando pelo braço.

- Cuidar de bêbados? Não brigada. – Disse rindo, os dois riram também.

- Só um pouco. – Sam me olhou fazendo uma careta de cachorro pidão que ninguém resistiria com aquela carinha de anjo dele.

- Vem. – Dean disse em um tom mais baixo e sorrindo da cara de Sam. Sorri torto e entrei no quarto deles, não parecia quarto de homens.

As camas estavam arrumadas com seus lençóis esticados, tudo estava em sua devida ordem, até parecia o meu quarto.

- Nossa, você arrumam o quarto. – Disse em um tom zombeiro para os dois.

- O Sammy arruma. – Dean disse rindo.

- Quem? – Olhei confusa.

- Dean me chama de Sammy, mas eu odeio esse nome. – Sam disse sentado na em uma das cadeiras.

- Eu gostei. – Disse levemente sorrindo torto, Sam deu gargalhadas baixas, me sentei na cama ainda rindo.

- Então, não vão caçar hoje? – Era difícil tocar no assunto em um momento bom como aquele, Dean se levantou indo até o frigobar e pegou duas cervejas, pra ele e para Sam, é claro- mesmo eu bebendo com eles no bar.

- Não, acho que o que tínhamos que pegar já pegamos. – Sorri aliviada ao escutar a resposta.

- O que vamos fazer amanhã? – Sam disse dando grandes goles na cerveja.

- Procurar algum trabalho dããããã. – Eu e Dean rimos e Sam ficou corando se encolhendo na cadeira.

- Ownt, não fala assim com ele. – Disse manhoso chegando perto dele, Sam fingiu estar chorando.

- “Bigado”. – Sam disse também manhoso, eu ri alto com esse “bigado” dele. Dean quase morreu de tanto gargalhar.

- A conversa está ótima, mas eu preciso ir. Meu relógio de sono está meio doido. – Dean olhou confuso, como eu tivesse tido algum palavrão em língua estranha. Sam bufou.

- Depois te explico. – Sam se levantou e me abraçou, era engraçado o quanto nós tínhamos nos aproximado em poucos dias. Dean se levantou e somente pegou na minha mão e me desejou boa noite de um modo estranho, como ele não soubesse o que fazer. Eu tinha também que me aproximar dele.

Sai do quarto desejando boa noite para os dois, andei devagar para o meu. Era tão perto, mas eu não queria ir – o tempo estava ótimo – a noite estava cheia de estrelas que iluminavam uma cidade com poucas luzes. Não tinha vento e não tinha anúncios de noite fria. Eu sorri.

- Você vem comigo. – Senti uma mão me entrelaçando por trás. No meu rosto estava um pano sendo pressionando com um cheiro muito ruim. Tentei reagir pulando e tentando gritar. O homem, no entanto me prendia cada vez mais me fazendo ficar quieta – mas reagir não estava dando certo, a cada segundo que se passava eu estava mais mole,e gritando menos. Até não ver mais nada.

Notas finais
Sei que algumas vão pensar."Caralho, tem acidente demais com essa guria" Concordo, tem. Mas quis passar quando a escrevi que os demonios estão realmente desesperados por ela, entende? Que os três terão que lutar com unhas e dentes para que os dmeonios de alguma forma desistam de procura-la principalmente por causa de Dean e Sam. Espero que gostem e mesma regra dos 5 reviews para os próximo capítulo. Beijos