Hunters

19 Capítulo 1


Notas iniciais
Espero que gostem

- Ana, Vamos! – Sam gritava batendo na porta, rolei na cama pedindo cinco minutos inúteis. Havia somente três horas em que estava dormindo. Outra batida na porta e eu levantei rabugenta.

- Nossa. – Sam se assustou com a minha cara nada feliz, ele já estava arrumado e animado e com um tamanho ‘grande ‘ de café na mão

– É o seu favorito. – Ele disse intimidado, nem parecia que ele foi dormir na mesma hora que eu.

- Precisamos ir. – Ele disse logo depois tentando ser gentil,voltei meus olhos para cama e olhei para ele de novo que oferecia o café. Bufei derrotada e peguei o café.

- Um minuto. – E bati a porta sem nenhuma dó ou piedade, abri a tampa do café o soprando para esfriar um pouco ao caminho do banheiro.

Já faz algum tempo em que eu estava com os Winchesters, lutando contra demônios e anjos que queriam os corpos delese é claro as coisas sobrenaturais para dar um bônus. Muita coisa aconteceu, eu ainda mantinha contato com Júlia, o menor possível mais eu tentava para não decepcioná-la na minha idéia boba de dizer que manteria contato com ela. Que sabia de Dean, e queria conhecê-lo, nós também avançamos com o relacionamento nesse tempo. Não deixamos Sam sobrando e então nossos momentos juntos e amorosos eram poucos. E hoje era um dia que ele não dormiu no meu quarto.

A água gelada descia por meu corpo me fazendo pular, apesar de eu ter colocado no ‘quente’ no chuveiro. Que grande hotel, mas o bom e que em cinco minutos de banho, eu estava completamente acordada. Lavei meu cabelo e corpo e fiz a higiene matinal, vesti uma calça jeans, regata preta e uma blusa xadrez masculina que tinha roubado do guarda-roupa de Dean. Na saída, peguei o café e dei um grande gole, joguei as ultimas coisas na mochila e a coloquei nas costas. Tranquei o quarto jogando a chave varanda a baixo que foi direto na mão de Sam, uma mulher do meu lado me olhava como fosse louca.

- Obrigado. – Disse ele saindo rápido, dei um sorriso parecendo forçado e desci as escadas indo para o carro.

- Bom dia. – Dean disse se aproximando de mim, estávamos sozinhos no carro então eu me deixei dar um selinho nele que também estava puro café, eu ri comigo mesma. E quando eu planejava que aquele momento durasse um pouco mais, lá vinha Sam com cara de nojo.

- Podem esperar eu demorar mais? – Resmungava ele entrando no carro, joguei minha mochila atrás e me aproximei deles.

– Ah porque não pegou a recepcionista, ela se jogava pra você Sam. – Ele me olhou estranho, Dean riu entregando tudo.

- Não acredito! Como não me contou? – Disse depois de um tempo olhando para os dois, eu ria alto enquanto Dean pegava a via central saindo da cidade.

- Bom, eu... – Ele parecia procurar por alguma coisa na mente, eu dei uma gargalhada o interrompendo.

- Tudo bem. – Disse logo, então me joguei no banco me concentrando na música, que era o mesmos cincos CDs de Dean, que também ficou meu, porque pelo incrível coincidência, nós gostávamos das mesmas músicas.

- Aonde vamos? – Perguntei por curiosidade.

- Passar no Bob, ele parece ter novidades. – Ah Bob, era a terceira vez esse mês para descobri mais alguma coisa do Apocalipse, era bom. Ele se sentia mais feliz com a gente – mesmo aprontando e brigando – por perto. Então de repente meu celular vibrou, peguei ele rápido sem olhar o número.

- Alô?

- Oi, Ana?

- Senhora Fontenele? – A mãe de Júlia.

- Sim, oi querida. Está ocupada? – Sua voz estava estranha demais, ela falou rápido tentando procurar as palavras, me arrumei no banco começando a me preocupar.

- Não, pode falar. Aconteceu alguma coisa? – Eu também falei rápido demais, Dean e Sam começaram a perceber o meu jeito. Ela pigarreou fortemente algumas vezes procurando as palavras, o silêncio no outro lado da linha estava me matando aos poucos. Então outro suspiro pesado ela soltou.

- A Júlia morreu. – Não consegui acreditar nas palavras que ouvi, paralisei segurando o telefone. “Não é possível.” “Não é possível.” Eu repetia pra mim mesma algumas vezes, eu podia escutar as vozes ao fundo. Dean freou o carro rapidamente e eu nem percebi.

- Ana, o que aconteceu? – Cada um deles perguntava uma vez me balançando.

- Repete. – Sussurrei tentando não acreditar, Júlia está bem.

– É uma brincadeira, não é mesmo? – Minha voz já estava falhando, minhas bochechas já molhadas com as lágrimas.

- A Júlia morreu. – Ela disse com a sua voz fraca.

– Não brincaria com isso querida. – Ela disse no final, eu queria gritar, pular do carro e sair correndo dali.

- Do que ela morreu? – Ela fungou.

- Está em investigações, mas a sua garganta foi totalmente dilacerada. Estão dizendo que foi suicídio – Ela dizia sussurrando, o telefone já estava de uma maneira em que Dean e Sam podiam ouvir por tanto que eu pressionava ele. Então Sam pegou meu telefone.

- Ligaremos depois, obrigada por nos avisar. – Ele disse rapidamente.

- De nada. – Escutei o sussurro na linha.

Eu coloquei a cabeça em meus joelhos, estava tonta demais, em meus olhos se passavam os últimos momentos com ela. Ela rindo, me fazendo rir. Falando as suas besteiras, os meninos queriam ajudar, mas eu não dava a mínima pra eles.

- Preciso de ar. – Disse para alguém, saindo do carro sem pensar duas vezes. Os dois se olharam e então eu saí. Estávamos no acostamento de uma BR, no outro lado tinha uma lanchonete com banco do lado de fora. O vento às vezes mandava uns lampejos fazendo meus cabelos voarem, olhei para os lados sem necessidade e corri para o outro lado, me sentei no banco abaixando a cabeça e enfim eu desabei.

A única pessoa que sobrou que eu podia considerar família, ela sempre me fazia rir em suas ligações – mesmo sendo poucas – eu não conseguia abandoná-la, mesmo com os milhões de pedidos dos meninos, eu não acreditava. “Ela vai viver melhor assim.” . Dizia um deles, o arrependimento entrou dentro de mim como uma facada, eu já sabia como ela tinha morrido, e eu tinha certeza que não foi suicídio. Ela amava a vida demais para fazer isso.

As lágrimas já caíam no banco quando senti um braço me envolvendo, levantei a cabeça um pouco para ver é era Dean com o rosto triste, abaixei a cabeça de volta.

- Eu sinto muito. – Ele sussurrou esfregando o braço em mim, parecia confuso, sem saber o que fazer, não ligava, eu não queria falar com ninguém.

- Eu sei. – Disse levantando a cabeça, meus rosto já estava todo molhado e meus olhos inchados.

– O que pode ter matado? – Eu disse olhando para ele, que ficou pensativo.

- Sinceramente? – Ele disse lentamente.

– Não sei. – Eu também fiquei pensativa, alguém matando Júlia. Aquilo era inacreditável. A imagem da despedida com ela veio em minha mente e eu já estava chorando de novo. E então Dean me abraçou.

Arrumei-me em seu peito passando o braço entre ele, ele me apertou. Senti um beijo em minha testa e eu sentia que sua camisa também estava ficando molhada. Ficamos um bom tempo ali, conseguir olhar a diante e Sam estava parecendo fazer o mesmo comigo, só que com os olhos. Sai do abraço limpando o rosto.

- Se sente melhor? – Dean perguntou no tom mais gentil que escutei dele na vida.

- Não. – Disse sinceramente. – Preciso ver eles Dean, preciso pelo menos ir ao enterro dela. – Nós estávamos indo para uma cidade por causa de um massacre de demônios. Ele não queria, dava para ver em seus olhos.

- Não vamos ficar muito tempo. – Ele disse tentando me fazer rir,dei somente um sorriso e o beijei agradecendo pelo ‘ombro amigo’. Voltamos para o carro e também agradeci á Sam pela força.

- E...- Dean começou. – Vamos mudar nosso caminho.

- Para onde vamos? – Sam perguntou, Dean respirou fundo.

- Reed City. – Eu sorri para ele e Sam entendeu e assentiu, o caminho seria longo, mas chegaríamos logo.

No caminho foi normal, olhamos alguns jornais. Conversamos um bocado de coisas inúteis e úteis, Sam conseguiu que eu gargalhasse algumas vezes, chegamos em minha cidade em dois dias.

- Você corre demais. – Disse debochando de Dean enquanto saímos do carro.

- É, eu sei. – Ele riu.

Saímos do carro e eu tive que olhar, a minha cidade estava à mesma. O clima desequilibrado, as ruas pouco movimentadas e os vizinhos contando o quão seu dia foi empolgante, tudo estava do mesmo jeito. Até minha casa.

Não, aquela não era más a minha casa. Mas ela já foi, e a ultima imagem que tenho dela era aquela mesma – só que pior – a casa estava mofada, a placa de venda estava quase caindo por ninguém se interessar. As flores no jardim estavam todas caídas no chão, mortas por falta de água e cuidados, dei passos pesados a cada vez que eu revirava a casa com os meus olhos e tudo –infelizmente – passava por minha mente. Quando eu tinha seis anos, me cortando freneticamente por mexer nas rosas e minha mãe cuidando de mim, aos onze quando chutei todas elas por perder no campeonato de futebol, sentada com algum garoto e sendo pega aos beijos aos quinzes e aos dezoito correndo e sendo carregada por Júlia com a perna quebrada, eu não tinha percebido, mas estava aos prantos e os meninos estavam quase berrando tentando falar comigo.

- Eu estou bem. – Passei a mão pelas lágrimas e fui andando determinada.

– Só preciso de um minuto. – Os meninos não entenderam, como sempre, mas assentiram e foram olhar o local. Cheguei à varanda procurando pela chave reserva em algum lugar, mas eu não conseguia lembrar, até que vi o pontinho prata atrás da Samambaia recém-chegada. A porta rangeu, e quase não abriu, tive que fazer um belo esforço para abrir. Mas quando consegui, eu me arrependi, estava tudo do mesmo jeito – mas sem os moveis – o amassado dos corpos dos garotos na parede e a mancha clara do meu sangue perto da porta, as lágrimas caíram sem eu ao menos lutar, não demorei muito e sai.

- Não é tão fácil assim. – Falei para eles que me abraçaram, eu fui esmagada, mas todos acabaram rindo.

- Está pronta? – Sam perguntou sorrindo torto.

Respirei fundo algumas vezes e depois assenti, nós três andamos lentamente até a casa da Júlia que parecia ter o mesmo clima da minha.