Hunter X Hunter - Roar of Awakening

1 Capítulo 1 - Tédio x E x Exame


Notas iniciais
Este é o primeiro capítulo dessa nova empreitada que venho tentando. Comecei essa história com o meu coração, e espero que gostem de cada parte dela.

Ser um Hunter é o desejo de várias pessoas por todo o mundo. O porquê? Esta reposta é óbvia. Com uma licença Hunter, e toda a publicidade feita em cima dela, é do cotidiano ouvir algum deles que conseguiu uma fortuna, algum cargo de sucesso, ou atingiu o objetivo de sua vida. É como uma trilha, que segue direto para o sucesso. É claro, toda trilha possui seus buracos, e a jornada para se chegar lá, com certeza é pra poucos. Este é um mundo no qual os fracos não têm vez, apenas aqueles capazes de enfrentar as piores dores físicas e psicológicas são aptos a ter essa chance de um sucesso eterno. Mas é claro, os Hunters mais interessantes não se prendem a motivos banais como enriquecerem. Isto é, a maioria deles.

Phoenix Cliff

Red Lion Canyon — 10:35 A.M.

Um dos pontos do mapa menos explorados do continente de Crimsonland, Red Lion Canyon é conhecido pelo seu clima inconstante. No verão, um calor escaldante, e no inverno, um frio congelante. Aqui, vivem as mais diversas aves, graças às correntes de vento que sobem nos enormes desfiladeiros presentes. Costumam construir seus ninhos em várias pedras, no mínimo, peculiares. Pode-se acreditar que cairiam a qualquer momento. Mas mesmo assim, aves como os Urubus Penas-de-Brasa o escolhem como local mais seguro para alimentar suas crias. A vegetação rasteira e quase inexistente, com um terreno rachado e envelhecido demonstram a idade do local. É possível encontrar alguns roedores e lagartos andando em pequenos arbustos, buracos e pequenas cavernas nos diversos cantos do cânion. Já é um desafio conseguir chegar lá, e é um dos principais motivos de ser tão inexplorado e desconhecido. Apenas os viajantes e exploradores mais intrépidos conseguem escalar pelas suas paredes inconsistentes e desfiladeiros extremamente perigosos. E por que se chama Red Lion Canyon? Bem, este nome foi dado pois, quando visto de longe, o formato do cânion lembra o de um leão boquiaberto, mostrando seus dentes. Novamente, é improvável que qualquer vida humana se encontre aqui, pelo menos em um dia comum. Mas hoje não é um desses, pelo que parece.

As fortes ventanias batiam nas vestimentas de um garoto. Aparentava ter no máximo dezesseis anos. Seus cabelos se moviam com os ventos, parecendo um jardim de fios. Isso não incomodava seus olhos, no entanto. Usava óculos bastante avantajados. Pareciam ter algum efeito especial, porque o garoto não parecia com problemas para ver por onde se locomovia. De fato, parecia estar até preciso de mais. O ritmo de seus passos também era curioso. Apesar de sentir o efeito do território rigoroso, conseguia se movimentar relativamente bem. Seus passos eram consistentes, e não era necessário muito esforço para se locomover. Certamente, um caso raro por aqui.

— Bem… o que era mesmo? Ah, sim. O ovo.

O garoto murmurava para si, e continuava andando. Era possível ver um aumento gradual na velocidade de seus passos à medida que ele se aproximava de um desfiladeiro. Chegando bem próximo da ponta do mesmo, ele mexia no seu bolso direito. Procurava por alguns segundos, mas de lá tirava um papel amassado. Abria, com cuidado para que não o deteriorasse ainda mais. Lia, então, e voz alta:

— Ovo de Urubu Pena-de-Brasa… não deve ser tão difícil.

Com um ar de despreocupação, solta o pedaço de papel, que é levado pelas constantes ventanias. E então, é possível ver a sua mão indo em direção à sua cintura, onde havia uma espécie de cinto. Pegava um objeto curvo, que parecia ter uma lâmina em uma das pontas. Duas listras e uma marca específica, que parecia ter algum significado especial. Segurava com firmeza, na altura de seus ombros. Observava cautelosamente um determinado ponto abaixo, no desfiladeiro. Seu alvo era um ovo que estava num ninho de localidade diferenciada. Um galho, aparentemente frágil, que saía de uma fenda na parede. Na verdade, parecia mais uma raiz. E lá, mesmo com a aparente inconsistência do mesmo, um Urubu havia decidido criar seu ninho. O garoto suspirava, se concentrava, e com bastante firmeza e precisão lançava o seu bumerangue na direção do maior dos ovos do ninho. Ele precisamente se prendeu no alvo, o que o fez se movimentar lentamente, até que eventualmente acabou caindo. Entretanto, uma forte corrente de vento puxou o ovo com o bumerangue preso para próximo da ponta do desfiladeiro, facilitando com que o garoto pegasse facilmente ambos.

— Heh… mais uma missão fácil. Isso é tedioso.

Suspirava após dizer isso, guardando seu bumerangue naquela mesma cinta e levando o ovo por debaixo de seu braço direito. Era uma missão cumprida para o garoto, e pelo visto, mundana.

Free Market – Grocery & More

Aqui vemos novamente, o mesmo garoto. Parecia estar procurando algum lugar, em meio à multidão ali presenet. Era um mercado a céu aberto, que vendia de tudo que alguém poderia imaginar. Frutas, animais, armas, informações. Era o Free Market da cidade de Jinsei, onde não havia restrições para o que se vendia. Apesar de curioso, era possível ver cenas desagradáveis por ali. Deslumbrante, porém perigoso. Em meio a tantos diálogos simultâneos, o garoto acaba colocando as mãos acima dos olhos, e parece encontrar seu destino. A placa local no qual ele direcionava a sua visão estava escrito: “Grocery & More”; parecia uma loja de variedades comum, sem nada de especial. Bem, e é pra lá que ele foi. Provavelmente para entregar aquele ovo que carregava há tanto tempo, e que já lhe causava dores braçais.

Dentro do estabelecimento, era possível ver apenas um homem careca, com um enorme bigode e com músculos aparentes atrás de um balcão, com diversas prateleiras oferecendo produtos comuns, desde alimentos, a objetos do dia a dia. Era possível ver algumas placas com ofertas, mas que pareciam não estarem surtindo muito efeito, visto que as prateleiras estavam bem cheias. Talvez estivessem com um estoque extra? Enfim, não vale a pena pensar sobre isso agora. O mesmo garoto se aproximava do homem por trás do balcão, e dizia.

— Olha aqui, esse ovo está me dando uma dor insuportável aqui no braço. Toma logo isto.

O garoto colocava o ovo acima do balcão, e o mesmo balançava um pouco, ameaçando cair.

— Ei, fedelho! Toma cuidado com isso!

O homem colocava as suas mãos para apoiar o ovo, o pegava e rapidamente o colocava nos fundos. Voltando, ele continua.

— E como foi? Aposto que esse com certeza lhe entreteu.

Dizia com um tom otimista.

— Não, não… foi só um pouco complicado descer com esse ovo no braço aquele cânion enorme. Mas acabei dando um jeito. De resto, tudo continua monótono e fácil demais.


Seu tom era de desinteresse e desânimo.

— Heh… você é mesmo moleque orgulhoso. Esse tipo de trabalho que você faz não é pra qualquer um. Na verdade, quase ninguém conseguiu subir lá e voltar vivo.

Tentava valorizar as ações do garoto.

— Ah, tanto faz. A maioria das pessoas não parecem ser interessantes o suficiente, então.

Sua arrogância, mesmo que não intencional, era perceptível.

— Enfim, aqui está a sua recompensa.

O homem retirava um pequeno saco de debaixo do balcão, o mesmo parecia ter algumas moedas dentro.

— Bem, pelo menos com isso eu posso comprar alguns chicletes.

Pegava o saco, o abria, e colocava as moedas em seu bolso esquerdo, jogando o mesmo para trás, sem se interessar em onde o mesmo cairia. O homem não parecia ter notado, também.

— O que seria impagável pra mim é um pouco de emoção… me pareço sem motivação, sem ambição pra fazer algo.

Desabafava lentamente.

— Oras, está me achando com cara de psicólogo, fedelho? Isso não é problema meu, estou feliz que conseguirei finalmente vender os meus omeletes especiais neste fim de semana.

O homem pensava nos grandes lucros que conseguiria.

— Se pelo me--

Sua fala foi interrompida pela súbita abertura das portas do estabelecimento por um homem. Ele possuía preso, como um rabo de cavalo. Seu semblante era estranho. Parecia que tinha algo errado com ele, algum problema sério. Sua expressão de incerteza e confusão só deixava o clima mais pesado e assustador. Era possível ouvir sua voz, mas nada entendível saía de sua garganta. Eram apenas gemidos bizarros.

— Ei, o que você quer? Se não parar de agir como um doente mental, eu mesmo vou ter que te tirar daqui.

O homem que ficava atrás do balcão se aproximava do homem. O garoto permanecia em silêncio, observando a situação. O homem que acabara de entrar ficava com o mesmo comportamento, mas após alguns segundos, era possível ouvir uma única palavra saindo de sua boca, antes que caísse no chão e se contorcesse até a morte.

— FEN...RIR….!

O corpo dele ficava lá. No chão, sem vida. O clima era de confusão e desentendimento, principalmente no dono dali. O garoto decidiu se levantar para verificar mais a situação, mas antes que pudesse dar um passo, outro sujeito adentrava o local. Ele era um pouco mais velho do que o garoto. Provavelmente, tinha por volta de vinte e cinco anos. Possuía cabelos brancos, um enorme casaco de lã, uma roupa branca por baixo, calças e um sapato comum. Seus olhos, no entanto, pareciam diferentes. A forma de sua pupila incomodava… como se fosse algo de outro mundo. Próximo de suas unhas, haviam manoplas com lâminas afiadas, simulando garras. Mas, em um clima relativamente descontraído, se aproximou do corpo do homem, e disse:

— Ah, desculpa aí… eu tava atrás desse cara o dia todo, e agora que eu finalmente consegui pegar ele, não posso deixar essa passar. É só um momentinho.

O garoto sorria, como se a situação fosse normal e, de certa forma, alegre. Então, com suas garras afiadíssimas, cortou a cabeça daquele cadáver. Sem dó nem piedade. Com o sangue proveniente da mesma ainda pingando no chão, ele a pega e, aparentemente envergonhado, se desculpa mais uma vez:

— Droga, parece que sujei seu chão, hein. Da próxima vez que eu vier aqui, é só me lembrar que eu te pago essa. Até!

Após esses comentários de certa forma, ingênuos, simplesmente deixou o local com a cabeça do homem. O garoto e o dono dali apenas esboçaram reações de espanto. A naturalidade com que tudo ocorreu, era bizarra e assustadora. Era como se aquele que acabara de sair não tivesse um pingo de humanidade sobrando. Era sinistro e fascinante. O garoto que se queixava da monotonia sentia uma ansiedade que, se já havia sentido, era há muito tempo. Então, após alguns segundos, o dono se lembrou que o cadáver ainda estava lá, e logo se irritou. A situação de atordoamento dos dois passava, justamente por estarem acostumados com cadáveres e mortes. O que os paralisou, entretanto, foi a forma com que os eventos aconteceram.

— AH! Ele deixou esse homem aqui, o que eu faço agora?! Vou ter que dar um jeito de enterrar o sujeito.

Ele levantou o corpo do chão utilizando seus braços e apoiando-o em seu ombro. Era especialmente perturbador levantar um cadáver decapitado, mas o homem tinha que o fazer. No entanto, enquanto o mesmo arrastava o que havia restado do morto para os fundos, um pequeno bilhete, parecendo um cartão de negócios, cai. Era indubitavelmente brilhante e parecia puxar a sua atenção como se fosse um gancho. O garoto logo se interessou por ele, e rapidamente o pegou.

— Ei! Ao invés de me ajudar a carregar ele pra fora, você vai ficar olhando esse cartãozinho aí?

O homem estava enojado e irritado com toda aquela situação.

— Espera aí, caramba. Estou curioso… esse cara…

O garoto observava o cartão.

O cartão possuía apenas um símbolo que era estranho para o garoto. Mas seria algo que o interessaria bastante. O símbolo do Comitê de Avaliação Hunter. O homem que lá estava havia saído por alguns minutos, enquanto o garoto observava aquele cartão. Ele voltava sem o corpo em mãos, o que fez o garoto se perguntar qual teria sido o paradeiro do mesmo. O homem dono dali também era unicamente sinistro, mas esta história fica pra depois. Vendo a curiosidade expressada pelo garoto, pergunta:

— Oras, Pireo. Se interessou no Exame Hunter?

Perguntou despretenciosamente.

— Hã? Exame Hunter? O que é isso?

Dizia com um tom de curiosidade e leve animação.

— Bem, é um Exame que avalia se você tem condições de se tornar um Hunter. Conseguindo passar, você conseguirá fazer tudo que sempre sonhou, encontrará pessoas incríveis, lugares maravilhosos…

O homem parecia delirar enquanto dizia aquilo.

— Hm… parece interessante, eu acho… talvez seja o que eu tenho buscado ultimamente.

O garoto se via mais animado.

— Já vou lhe avisando, a vida de Hunter é extremamente complicada. E o caminho para se chegar nela é igualmente assim. Posso dizer isso por experiência própria.

O homem dizia isso sorrindo e apontando o polegar pra si mesmo.

— Hã? Hanz Folkklore, o dono de uma lojinha de variedades é um Hunter?

Disse o garoto, com um tom provocativo.

— Exatamente!

Sorria, como se estivesse fazendo uma incrível revelação.

— Então esse Exame Hunter não deve ser difícil coisa nenhuma…

Parecia se desinteressar.

— EI, SEU MOLEQUE! QUEM VOCÊ ACHA QUE É, HEIN!?

Hanz parecia estar irritado por Pireo ter zombado de seu título.

— Alguém que vai passar no Exame Hunter.

Sorria, dando a entender que havia tomado a sua decisão.

— COMO ASS--

Sua fala é interrompida após ouvir Pireo.

— Hm… então vai tentar o Exame, não? Ótimo… mas eu duvido que passe. É muito difícil pra você.

Zombava também.

— Então vamos apostar. Se eu passar no Exame, você me dará aquilo.

Pareciam falar em códigos.

— Hã? Não acha que está pedindo demais, fedelho?

Não estava muito entusiasmado com a troca.

— Oras, é claro que oferecerei algo de igual valor em troca. Sei que você tem negócios no mercado negro, Hanz. Afinal, ninguém se sustentaria com uma lojinha meia boca como a sua.

Dizia com um tom de deboche.

— Então, em troca, se eu não passar no Exame Hunter… eu trarei a cabeça daquele homem que acabou de sair aqui. Darei para você. Provavelmente ele vale muito, e você sabe disso.

Um suor frio escorre do rosto de Hanz.

— B-Bem… parece justo, mas… o que garante que conseguiria?

Pireo olha para Hanz.

— Nós dois não podemos garantir que pagaremos nossas apostas. A questão aqui é confiança. E então, temos uma aposta?

Pireo estendia a sua mão na direção de Hanz, o mesmo pensava um pouco e hesitava, mas no fim estendia sua mão também e apertava a de Pireo.

— Sim, tudo bem. Está feito.

Dizia com certo conformismo.

— Então, ótimo. Tenho que ir, o Exame me aguarda.

Se virava e iria em direção à porta.

— Espere, moleque. Antes, tem algo que você precisa saber.

Pireo se virava, interessado.

— Hã?

Sua curiosidade era extremamente externalizada.

— As correntes pútridas lhe levarão para o cubículo do sucesso.

Dizia, friamente.

— O quê…? Mas isso…

Pireo não entendia o sentido daquela frase.

— Muito bem, vá logo. Está espantando meus clientes.

Hanz empurrava Pireo pra fora da loja rapidamente, em contrasta com a confusão na cabeça do garoto.

— Hã… tudo bem, então.

Ele continuava andando, aparentemente sem rumo e confuso. E quando se distanciou bastante, Hanz disse:

— Espero que me surpreenda, moleque. Garanta o seu talento.

Então, Hanz adentrava a sua loja novamente, e nos fundos, haviam chamas.

— O corpo desse cara realmente deu trabalho pra cremar… maldito Yukimori Fenrir…

Se referia ao garoto que matou o homem mais cedo.

— Pelo jeito, Pireo terá um desafio eminente em seu caminho para se tornar Hunter…

Hanz colocava uma roupa especial, e nela estava um broche, escrito: “Comitê de Seleção de Candidatos para o Exame Hunter – Examinador”

— Bem… veremos, não é?

Continua...

Notas finais
Obrigado por lerem, deixem seus comentários com suas opiniões no que devo melhorar e no capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.