Hunter Of Wishes

12 Manifestação


- Aurora está atrasada.

- Notei. Trabalhar para Apolo pode ser um problema. Ele é extremamente genioso.

- Hum...

- O que está te incomodando?

- Alguma coisa nos “ares do Himalaia”.

Afrodite percebeu o súbito desaparecimento do cosmo de seus companheiros e se levantou. Examinava no chão as marcas de uma sandália feminina e pés igualmente femininos, porém descalços. Parecia uma luta.

Mas em certo ponto, os pés descalços desapareciam e os calçados seguiam na direção da casa de Mu.

Isso lhe deixara muito curioso.

- Tudo isso é muito estranho...

Murmurou enquanto buscava o lugar em que sentira o cosmo de Camus pela ultima vez.

Ao chegar, encontrou Camus fisicamente ileso, retirando pedras da encosta.

- O que está havendo aqui?

- Afrodite, o Milo foi atingido e está debaixo dessas pedras!

- Aí?! E por que você não...

- Espere! Não use seu cosmo!

- O que há com você?

- Alguma coisa me atingiu, e veja... –ele tocou os pontos vitais de sua constelação, mas nada aconteceu- Fosse o que fosse, levou meu cosmo.

- Isso... –Afrodite deu alguns passos para trás- Isso é impossível!

- Devia ter percebido que quando se trata de nossos inimigos, nada é impossível. Vamos, me ajude a tirar Milo daqui.

- E o que houve com ele? –o pisciano indagou, enquanto o ajudava.

- Uma armadilha, provavelmente.

Com um pouco de custo, retiraram as pedras.

Milo contava apenas com escoriações e um corte mediano sobre a sobrancelha.

- É, o dano poderia ter sido pior. Sorte do artrópode estar com a armadura hoje, não é?

- Você esta zombando em uma hora perigosa Mascara da Morte. –o recém chegado sorriu- Estamos cercados. Vamos, temos que avisar Mu.

— Estão com medo de uns djins? Vejo que um deles te pegou de jeito, mas não é para tanto Camus.

- Esquece ele. Vamos levar o Milo de volta, Camus. Cinco cavalos são o suficiente.

Mascara da Morte recuperara mais dois cavalos, e estava montado no cinza que pertencera a Túccia.

- O que houve com Milo? –Mu se levantou.

- Precisamos aqui antes...

- Não! Saia daí!

Mas ela estava falando com o cavalo, que trotou para o lado a tempo de evitar um golpe fulminante.

- Abaixem!

Todos saltaram dos cavalos e Camus puxou Milo.

Porem Túccia permaneceu em pé, em frente aos cavalos, como se os protegesse. Como se protegesse os homens no chão.

- Vocês não podem passar! Sou servidora do fogo eterno e por meu caminho não passarão. Voltem para a sombra, de onde não deveriam jamais ter saído!

As vinte e cinco criaturas que os cercavam se mostraram, sorrindo.

Se entreolharam e sumiram.

Os cavaleiros se levantaram, orgulhos feridos, olhos atentos.

- O que terá acontecido?

- Fiquem atentos, não acabou. –Mu sentiu a terra vibrar levemente, e logo todos puderam sentir.

- É um terremoto.

- Não pode ser, aqui em Jamiel não há esse tipo de desastre natural.

- Na verdade me parecem –Camus se levantou- me parecem...

- É um estouro de manada! Uma porção de gnus vem aí. Mu nos tire daqui agora!

- CAVALEIRO!

Túccia jogou o corpo na frente de Mascara da Morte e os dois foram atravessados pela cimitarra do djin.

Eles não morreram, observaram o sincronismo com que acontecia o mesmo com os outros.

Ele se ajoelhou lentamente, ainda sim apoiando a queda dela.

- Por favor, fique bem...

- Senhorita, me desculpe, não pude a defender...

O djin agarrou Túccia pelos cabelos, mas levou uma rasteira de Mascara da Morte. Ela cambaleou e ele levou um golpe na nuca e caiu, para não mais levantar.

Outro djin a pegou pelo braço, e Afrodite e Mu se levantaram, desesperados. Mas ele a soltou.

- Jamais encoste em mim!

As mãos semi-humanas do djin estavam cheias de bolhas e lesões de uma queimadura profunda.

Logo toda a extensão de seu corpo queimava no fogo invisível e eles perceberam a triste situação em que se encontravam.

Mesmo que o ataque tivesse acabado, estavam sem cosmo, em um vale cercado de escarpas, com uma manada descontrolada vinda em sua direção.

- Srita Túccia!

- Devo detê-los senhores. Vocês precisam voltar e avisar Atena do poder aterrador desses djins. Adeus.

Mas Mascara da Morte já havia recuperado a consciência e segurou seu pé, a impedindo de andar.

- Não adianta menina, você também já não tem cosmo.

- Eles estão vindo, me deixe fazer o que é necessário!

- Deitem-se! O mais perto das encostas que puderem! Se passarem por nós as armaduras nos protegerão.

Todos correram para acatar a sensata ordem de Mu, Mascara da Morte e Camus arrastando Milo.

- Sinto muito por isso senhorita.

- O que?!

Mu a derrubou e Vesta viu tudo girar. Ele tinha o corpo protegido por uma armadura, e estava decidido a salva-la. Nem que fosse a protegendo com o próprio corpo.

Se debruçou sobre a vestal, que permaneceu imóvel, estaticamente surpresa, até a manada passar.

Eles se arrastaram até se porem novamente em pé.

Mu se voltou para Túccia, que se levantou ainda com as mãos tremendo.

- Está se sentindo bem? Está tremendo!

- É... É vertigem...

- E como está seu conceito quando a mim, se não é atrevimento lhe perguntar? –ele abaixou a cabeça.

O momento desesperador pedira medidas desesperadas e ele errara.

- Perguntar? Não, isso não é atrevimento. Mas me tocar... Isso sim é atrevimento. Perdi totalmente a confiança que tinha em você.

- A garota está bem?

- Sim, obrigada senhor.

Mascara da Morte fez um gesto de agradecimento e saiu.

- Confia mais no homem sem honra e que te abandonou para salvar a própria vida do que em mim?

Vesta olhou nos olhos do rapaz, que continuavam serenos ao ofender o companheiro...

Com as costas da mão, acertou o rosto do impertinente.

Odiava ousadias.

- Encostou em meu rosto, encostei no seu. Está perdoado. –saiu caminhando.

- Espere senhorita. Tem algo que quero que saiba. –Túccia se voltou- Existe uma regra que está acima das outras ao meu ver. Nenhuma regra é valida quando um amigo está em perigo.

Túccia continuou o encarando até a chegada de Saga chamar a atenção de todos.

- O que está acontecendo? Seus cosmos... Alguém está ferido?

- O Milo.

- Foram atacados?

- Sim, era uma armadilha.

- Então é melhor voltarmos, se voltarem não poderei os enfrentar sozinho. Não se eles derrubaram todos vocês.

- É um golpe muito misterioso.

- Depois me explicam, deixei Shaka sozinho.

- Virgo sabe se cuidar, se preocupa demais Gemini.

Saga se voltou para Vesta e a fitou por alguns instantes.

- Tem uma língua ferina, senhorita. Me lembra um pouco a...

- Espere Saga. Precisamos mesmo voltar.

- Tem razão, em segurança discutiremos isso.

Alguns minutos antes Saga estava sentado, esperando Aurora, quando Shaka o chamou.

- Saga, preste atenção em sua volta!

- O que?

- Os cosmos de todos sumiram. Não estou na totalidade de meu poder, preciso que vá ajudá-los. Eu cuido de Aurora para você.

Saga assentiu e saiu.

Shaka não estava em condições de armazenar cosmo, por isso mantinha os olhos abertos. Mas não notou que os olhos dourados de Aurora estavam âmbar quando ela chegou.

- Olá Shaka.

- Aurora, Saga saiu, estamos tendo pequenos problemas com djins –ela sorriu- mas nada preocupante. Por favor não se afaste muito.

- Eu? Me afastar de você agora? Nunca. Ah, Shaka, nem cheguei a agradecer por tudo que fez por mim quando cheguei ao Santuário...

- Não precisa me agradecer, eu só estava...

No momento em que se voltou para a encarar, viu aqueles olhos perversos e cheios de malicia, soube que não era ela.

Antes que ele reagisse, Aurora colou sua boca a dele em um beijo lascivo.

- Não precisam se preocupar, agora que estamos aqui...

Todos pararam assim que Saga abriu as portas.

Túccia, propositalmente ou não, fraquejou e se deixou cair, sendo segurada pelo gêmeo, que não desviou o olhar.

- Você disse para prestar atenção a minha volta Shaka?

- O que está acontecendo?

Mas o corpo de Aurora caiu, desfalecido, e deu lugar a uma djin de corpo sinuoso com uma longa adaga nas mãos.

- Você beija bem, rapaz. Que desperdício.

- Peguei você.

Quando ela brandiu a adaga em sua direção ele acertou uma rajada de cosmo no meio de seu peito, a derrubando e imobilizando.

- Rendição divina.

Shaka desviou o golpe no ultimo momento. O corpo de Aurora estava próximo demais para ele arriscar feri-la.

- Quando descobriu? –ela indagou com dificuldade.

- Quando olhei em seus olhos desonestos. Não eram os belos olhos de Aurora.

- Pena... –ela se sentou e Shaka armou a guarda- Realmente, Atena preparou bem seus cavaleiros, alem de os escolher a dedo. Belos e poderosos. Tenho que ir agora garotos, e espero pega-los mais desprevenidos da próxima vez.

Mu estendeu o braço a Túccia e Saga deu alguns passos a frente.

Nunca em sua vida Vesta imaginara uma cena como aquela. Um ser feminino semi-nu que invadia corpos e, com toda a sua perfídia, causava conflitos. Nem mesmo Éris chegara a tanto.

Ninguém se moveu ou se quer respirou diante da proximidade de Saga e Shaka, mas o terceiro guardião lhe deu as costas, pegou Aurora no colo e saiu.

Todos se foram, para cuidar dos próprios ferimentos causados pelos gnus e de seus próprios assuntos.

Vesta e Shaka permaneceram.

- Que cena desprezível Virgo.

- Concordo. E acrescentaria também a palavra desnecessária a sua frase. –ele não estava sendo irônico.

- Cale-se! Você se mostra cada vez mais dissimulado e ineficiente!

- Senhora...

- Como pode me enganar tanto? Confiei todo esse tempo em um discípulo de Astréia para me resguardar! Não... Nem Astréia era tão baixa.

- Os djins podem ser perigosos para você...

Mascara da Morte, que passava pelo corredor naquele momento, estacou ao ouvir o tom arrependido e submisso que Shaka dedicava a vestal, coisa rara.

- Eu sei, mas não preciso de sua ajuda. Não aqui, agora, depois disso. Tenho outras pessoas a quem recorrer. Que realmente me respeitam.

- Me perdoe.

Mascara da Morte não acreditava. Estava mesmo vendo o indiano-metido-a-besta se ajoelhar e pedir perdão a alguém que não Atena?

Sorriu. Não seria uma disputa fácil, mas ele estava ganhando pontos em comparação a seu adversário.

Notas finais
indiano-metido-a-beta, hauahuahauah