Hunt at Night

12 A vida volta ao normal...ou quase.


Alguém me puxou e me deixei levar. Parecia que meu corpo não tinha peso, nem força. Quando consegui ver quem me puxava, não me surpreendi. Era Ártemis, com um olhar calmo e cauteloso. Isso a fez parecer tão humana! Eu a abracei. As outras caçadoras se aproximaram devagar, cercando-me. Palavras de consolo eram sussurradas a minha volta.

Soltei de Ártemis, tentando me recompor.

–Eu preciso de um tempo- disse correndo em direção a floresta. A escuridão parecia me engolir. Meu corpo perdia velocidade, sentido e a razão. Caminhei tropeçando em pedras, segurando nas arvores, me batendo em galhos. Eu ainda chorava só que a quantidade era menos. Foi por fim que cai com tudo no chão, a força foi embora de uma vez só. Quando minha cabeça tocou o chão, meus olhos se fecharam com o impacto e não voltaram a abrir.Entreguei-me ao sono sem forças para lutar.

Não me lembro de quando finalmente acordei. Tive vários deslumbres do que me acontecia, mas nada muito concreto. Eu sentia o calor a minha volta, a comida que recebia meus músculos moles feitos gelatina e meu braço cortado ardiam como fogo. Quando finalmente voltei a mim, acordando por fim.

Olhei ao redor. Pelo que aparentava, eu estava em um lugar claro, foi quando percebe que estava em um lugar familiar. Stella estava com uma tigela perto da minha boca e uma colher. Quando me viu acordar, sorriu e enfiou a colher cheia na minha boca. Na hora tinha um gosto azedo e depois amargo. Com o susto do gosto, pulei da cama.

– Mas o que é isso? – falei, limpando um pouco da comida que escorria no canto de minha boca e ficando sentada.

– Sopa! Agora pare de reclamar e coma- disse Stella colocando mais uma colher na minha boca. Engoli aqui com uma cara feia, pois o gosto não ajudava em nada.

Passei a mão no meu braçoo vi enfaixado. Nessa hora Ártemis entra com Beatrice. A deusa se limitou a um sorriso enquanto Beatrice lançava seus braços em mim, num abraço de urso.

− Que bom que acordou! –disse ela, me soltando.

−E por quando tempo fiquei desacordada? Não foi apenas uma noite?- perguntei.

−Não, foi por três noites. – disse Ártemis.

−Mas o que foi que aconteceu comigo?

−Quando você sai correndo pela floresta, achamos que precisaria realmente desse tempo, a sós. Esperamos amanhecer para começar as buscas por você. Você não voltou e começamos a procurar. Mas foram os lobos que te achou. O sangue que escorria do seu braço e da cabeça ajudou a te localiza – passei a mão na cabeça e senti um corte médio, −A recolhemos do chão. Sorte não termos esperado mais. Por causa da alta perda de sangue, seu corpo estava com dificuldades para continuar mantendo a temperatura. –explicou Beatrice.

− O que?− perguntei me sentindo zonza de tanta informação.

−Você estava com começo de hipotermia. Passou esses três dias tendo febre e suando frio.

−Nossa! Pareceu apenas uma noite− afirmei.

−Nós ficamos realmente preocupadas. Nenhumas das caçadoras estão preparadas para perder mais alguém, ainda mais alguém tão importante como você – disse Beatrice.

− Mas eu... Eu sinto muito, não queria dar essa preocupação com vocês – falei pois era verdade.

Ártemis deu passo à frente e disse:

–Mas agora está melhor, então não há risco algum. – disse a deusa.

– Claro. Estou pronta para voltar a caçar.- afirmei.

–Tem certeza? – perguntou Beatrice.

– Sim – respondi.

–Ficou contente em ouvir isso. – disse Ártemis.

Beatrice e Stella me ajudaram a levantar e a me vestir. Ao sair da barraca, todas as caçadoras me olharam, algumas preocupadas, outras felizes. Acenei com a cabeça e me esquivei para o troco mais perto pra me aquecer na fogueira. Eu podia escutar seus murmúrios baixos de pura felicidade, mas o clima ainda estava de luto por Jessye.

Ártemis se colocou de pé e pronunciou:

–Sei que estão tristes pelo acontecimento passado, mas temos que continuar em frente. É a melhor coisa a se fazer –disse a deusa.

Todas as meninas olharam pra suas botas como se agora elas as interessavam. Levantei e disse:

–My lady está certa. Devemos continuar a caçar e defender nossa causa. Eu aposto que a Jessye não ia quer nos ver assim – falei.

– A Ty tem razão – disse a Beatrice.

Assenti pra ela agradecida. Ela apenas se limitou a sorrir. Ártemis se endireitou e continuou:

– Agora... Sem a Jessye, fico sem uma assistente. É claro que antes do incidente, eu e a Jessye havíamos conversado sobre sua saída.- a deusa me dirigiu o olhar, o que me fez afundar mais no meu assento – Receio que terei que decidir isso sozinha, mas até o pôr-do-sol terei decido. Por enquanto ficaremos aqui.

Alguém pareceu inquieta no meio das meninas e reconheci Sophia, uma das garotas que havíamos recrutando a algumas semanas passadas.

– Mas a Jessye não recomendou nenhuma de nós?- Perguntou Sophia.

–Sim, ela me sugeriu. – confirmou a Deusa.

– e quem foi a sugerida?

– Isso não estava a critério dela, mas é claro que não irei ignorar a opinião dela. Apenas irei pensar melhor e decidi. – disse Ártemis. Ela possuía um olhar triste que chegava a partir o coração. Ela virou-se e foi para sua barraca. O clima que ficou foi angustiante. Aquilo me deixou desconfortável.