Hunt at Night
17 A ave descidiu voar
Colocar-me entre o monstro e a garota não foi fácil. A ave lhe atacava de perto. Virei para as meninas e disse:
– Distraia o bicho. Vou tirar a garota do caminho. Depois ajudo vocês. — orientei.
Elas assentiram. O plano era simples demais para ir tudo por água abaixo, certo? Errado. As garotas gritaram balançando os braços para chamar a atenção da ave. O animal mal lhe dirigiu o olhar. Tentei passar por trás e a ave bateu com a asa em mim. Suas penas pareciam feitas de metal. Um metal preto e bem afiado. Então, fiz uma coisa que muitos julgariam como burrice ou falta de juízo. E eu não lhes tiro a razão. O que fiz foi irracional e impulsivo.
– Ei, sua ave idiota. Vem me pegar. — falei.Com a ave voando baixo, posso dizer que não foi difícil pular no animal. Consegui me segurar entre suas asas. A ave percebeu seu aumento de peso e, com isso começou a subir, cada vez mais alto. Estávamos mais ou menos uns cem metros do chão, quando ela deu um giro, que me deixou em queda livre. Eu gostaria muito de dizer que permaneci calma e bolei um plano rápido pra me salvar. Mas não, usei o desespero que sentia , transformando-o em energia. Bom, se eu fosse morrer, a ave também morreria. Um raio lhe atingiu no meio, fazendo-a gritar e explodir, restando somente suas penas caído ao meu redor.
Agora eu precisar me salvar. Os prédios se aproximavam rápido demais a minha volta, o que me ajudou a agir na mesma velocidade. Como estava perto de um apartamento marrom, puxei um vento a minha direita que foi o suficiente para me jogar em seu terraço. O pouso forçado foi o que mais doeu. Cair com tudo em um lugar de concreto não é uma das minhas habilidades. Levantei com dificuldade e, parecia uma pessoa embriagada.
– Nossa, preciso melhorar muito esse meu pouso. Isso foi horrível – disse a mim mesma, colocando a mão nas minhas costas, sendo o local que bati com mais força. Precisei de uns minutos para me recuperar e me localizar. Achei uma escada do lado do prédio que seguia até o chão, que foi muito útil. Descê-la foi a coisa mais normal daquele dia, como se a palavra normal fizesse parte da minha realidade.
Ao descer, vi Beatrice e Sophia conversando em um lado do beco e, a garota se mantinha do outro lado, estando o mais longe possível. Caminhei até as minhas companheiras e perguntei:
– Por que não foram falar com a garota? – falei olhando-a do canto de olho – Ela parece estar em estado de choque.
– E esta mesmo. Tentamos nos aproximar mas ela nos acha assustadoras .- a cara de indignação de Sophia demonstrava espanta ao falar tais palavras. E o meio sorriso de Beatrice mostrava que ela achava tudo aquilo uma piada.
Fiquei de frente para as duas e avaliei-as, e depois disse:
–É, vocês duas são completamente assustadoras – disse deixando claro meu sarcasmo.
As duas riram e pareceram relaxar.
–Eu falo com ela. Talvez eu não apareça tão assustadora. – falei, rindo.
– Falou a garota que pulou em uma ave gigante e depois usou os próprios ventos para se jogar no terraço de um prédio . Isso é coisa que todo mundo faz. – disse Beatriz brincando.
– Super natural. Se você não fez é porque você é estranho. – afirmei me virando indo falar com a garota.
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