Hunt at Night
4 A Oferta
– Nós deuses podemos mudar de forma. Eu podia aparentar uma senhora de 65 anos ou uma mulher de 22 anos. Mas prefiro essa forma de garota, já que é a idade média de minhas caçadoras.
–Suas caçadoras?
–Sim. De tempos em tempos, recruto garotas que não desejam namorar ou se comprometer com o sexo masculino. Assim que aceitam, lhes ofereço a imortalidade em troca de sua lealdade.
– Imortalidade? Tipo viver para sempre?
– Sim. Minhas caçadoras me seguem aonde eu for, sendo assim precisam ser imortal também. Mas é claro, não podem ser comprometer ou namorar com nenhum homem. Se isso acontecer, se apaixonarem quebraram seu voto e voltaram a viver uma vida normal, vão envelhecer e morrer.
– Voto? Que voto?
– Para ser uma Caçadora de Ártemis, precisa fazer um juramento.
– Qual?
– De não se apaixonar, de ser para sempre uma donzela.
–Ah, sim.
Ate imaginei viver para sempre. Daria para fazer tudo que eu quiser. Visitar o mundo inteiro. Ver tudo evoluindo. Ver as pessoas nascerem, crescerem, casarem e morrer. Seria como dar uma pausa nesse negócio de crescer. Seria demais! Totalmente fantástico e emocionante!
– Caçadoras? E caçam o que?
– Bom... Com os deuses, vinheram tudo da Grécia, as coisas boas e ruins, que chamamos de Civilização Ocidental. Também vinheram os monstros.
–Monstros? Minotauro, hidra, medusa?
– Esses mesmos. Com nessa mala dos deuses, vinheram também seus costumes, como ter filhos com mortais. Esses monstros vivem atrás dessas proles dos deuses, ameaçando matá-las. Nós, caçadoras, temos que matá-los antes que matem esses meios-sangues.
– Ah, sim. Entendi. Deuses gregos vivos, monstros perseguidores, semideuses. Tudo muito normal.- afirmei.
Então foi à primeira fez eu vi a deusa rir e tive certeza. Tudo que havia me contado era verdade. Senti-meuma louca acreditando em tudo aquilo, mas sabia que no fundo era tudo realidade. Os deuses realmente existem.
– Que bom que você entendeu. — disse a ela, como se vesse o que passava em minha cabeça.
–É... – falei.
–Então, já que você sabe a história, não posso deixar de fazer a proposta. Quer se ajuntar a caçada?
– Iguais aquelas arqueiras... Opa... As caçadoras? Eu não teria que sair de casa?
– Sim, você teria.
Respirei fundo. Por mais que fosse difícil abandonar mamãe, a oferta era ótima... Tão tentadora. Viver para sempre, fazer algo para ajudar alguém além de mim, salvar vidas. E ainda, a idéia de ter essa liberdade era simplesmente perfeita e exigia um preço tão pequeno da minha parte. Sempre imaginei morar apenas com amigas, ate mesmo com Ammy. Eu poderia conhecer o mundo.
– Eu quero. O que tenho que fazer?- perguntei.
Um sorriso maior iluminou o rosto de Ártemis mostrando- me sua felicidade. Ela se virou para o acampamento das caçadoras e chamou:
–Jessye, pode vim aqui, por favor?- ela disse num tom baixo. Na hora, achei que nenhuma de suas caçadoras lhe pudessem ouvir, mas uma garota se levantou e veio em nossa direção.
– Sim, my lady?- exclamou a caçadora. Sua pele era pálida como a lua, seus olhos eram tão escuros, quanto carvão. Ela parecia ter acabado de sai de uma revista de moda, seu rosto era tão belo, que quando a vi achei que podia ser uma deusa também.
– Teremos uma nova caçadora!- anunciou a deusa, olhando para mim. – você poderia ajudá-la com o juramento?
– Claro- exclamou Jessye. Ela parecia uma pessoa simpática e legal. Ela se virou para mim e disse: — Tem certeza?
– Tenho. — disse eu. Eu tinha certeza sim, eu queria aquilo.
– Então repita comigo: “Eu me comprometo com a deusa Ártemis...”
– Eu me comprometo com a deusa Ártemis...
– “... Dou as costas para a companhia dos homens, aceito a virgindade eterna e me junto à caçada”
Repeti.
– Só isso?- perguntei. Mas nessa hora senti algo de estranho agindo em mim. Meu cansaço passou. Senti-me fortalecendo, meus sentidos se aguçando. Tudo estava melhorando.
–Só. — disse Jessye. Então, ela se aproximou de mim e me abraçou –Seja bem- vinda.
– Obrigada- falei retribuindo o abraço e sorrindo.
–Venha! Vou lhe apresentar sua nova família. — disse Jessye me puxando. Não a impedia, deixando- me ser puxada floresta a fora.
Logo chegamos ao acampamento. Jessye me apresentou todas as caçadoras, nome por nome. Havia todo tipo de gente, mortais, ninfas e semideusas.Todas formavam uma grande família.
Depois de um tempo, Jessye me chamou para ir numa das cabanas. Lá, ela me deu uma mochila, com roupas prateadas, algumas pretas e azuis do jeito que eu usava no meu dia a dia. Havia também utensílios para higiene, uma garrafa de para água e outra para néctar (uma bebida capaz de curar qualquer machucado), alguns pedaços de Ambrósia (uma comida que tinha a mesma função do néctar), outro celular, equipado com GPS, um aplicativo que nunca tinha visto (mas Jessye avisou que servia para agente se comunicar caso fosse preciso nos separar), também havia musicas das minhas bandas favoritas (Green Day, Matchbox Twenty e 30 seconds to mars) e muitas outras coisas. O incrivelmente, o celular era prateado com o símbolo Ω em ouro e também uma lua. Jessye me falou quecabia muita coisa dentro da mochila, quase tudo que pudesse passar pela abertura. A cabana aonde nos encontrava era minha também,e que todas havia uma cabana particular.
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