Notas iniciais
Finalmente, o capítulo que mais esperado por vocês e que viviam me pedindo :B Espero que esteja bom o suficiente. Indico ler ouvindo Snuff do Slipknot (foi uma das músicas que mais me inspirou a escrever a fanfic, a música é linda, a letra é linda, a melodia é perfeita!). Também indico Given to me do Michael Jackson, em minha opinião, uma das melhores músicas dele. Ou, simplesmente, escolham a música que quiser.

Salve-me com seu amor esta noite

Venha e me traga de volta a vida

Salve-me com sua luz esta noite

Você pode fazer a escuridão brilhar

(Alien – Tokio Hotel)

02 de Setembro de 2109

...

09h31min AM

Consegui! Os olhos castanhos deles ficaram arregalados ao ouvir aquilo e seu corpo de repente tornou-se hirto abaixo do meu. Quando percebi que seus dedos se afrouxaram ao redor do meu Idiary, eu retirei-o das mãos de Bill e saí o mais rápido possível de cima dele. Em segundos eu havia saído da página de diário e agora Bill poderia mexer o quanto quisesse, mas não conseguira ter acesso aos meus textos confidenciais.

– Eu estava brincando – eu disse, virando-me e percebendo que ele continuava na mesma posição de antes. Mas Bill nem se mexeu, nem falou nada, apenas continuava a olhar para o teto em um estado quase catatônico – Ouviu o que eu disse? Eu estava brincando, era a única forma de arrancar o Idiary das suas patas, cachorrinho.

– Eu li o último parágrafo até o final – ele disse finalmente, sentando-se no chão e fitando os meus olhos espantados – E concordo com ele.

Não estava mais entendendo nada. O que diabos eu havia escrito mesmo? Digitei minha senha na tela e logo pude constar o que eu dissera: Tom estava certo, eu estava apaixonada. Infelizmente, pelo gêmeo mais errado que eu poderia me apaixonar. E eu não conseguia ver futuro nisso como não via em outras coisas sobre mim. Malditos caminhos que insisto em seguir.

– Ah... eu... eu não estou apaixonada por você – eu disse tentando pensar em algo bom a dizer – Só foi uma besteirinha que acabei escrevendo ontem por causa das cervejas e daqueles beijos. Não leve isso a sério.

– Mine, estamos no meio de uma guerra e nem sei se vou sobreviver hoje à noite. A World Behind My Wall Corporation tem motivos o suficiente para me aniquilar, independente de eu ser o Humanoid 482. Mesmo se der tudo certo, eu não sei como vai ser o nosso futuro daqui para frente, ainda há muita coisa a planejar e não há futuro para nós dois da forma que você pensa.

– Pare de falar comigo como se eu fosse uma pupila recebendo lições de história do seu professor! – eu falei com raiva, não por ele estar realmente falando dessa maneira comigo, mas porque ele estar me dando um fora – Eu não estou apaixonada por você, Kaulitz! Quando eu estiver em Hamburgo, vou viver a minha vida e você que viva a sua, nunca pensei em viver com você.

– Ótimo – ele se levantou do chão e respondeu calmamente, não de forma arrogante como realmente soou aos meus ouvidos – É melhor assim.

A fúria tomou conta de mim. Sentia o sangue pulsando quente nas minhas veias ainda humanas e mesmo meus membros robóticos pareciam se aquecer rapidamente. Realmente não pensava em viver uma vida com ele, concordo plenamente com o que disse em meu Idiary. Mas aos olhos dele, eu era a criança tendo uma paixonite passageira, que não devia ser levada adiante e precisava ser cortada pela raiz. Eu não era mais criança e sabia o suficiente sobre meus sentimentos.

Por isso, não pude segurar o meu braço robótico que se deslocou o mais rápido possível para o rosto dele. Eu queria acabar com aqueles traços delicados, queria destruir o seu nariz perfeito e principalmente, vedar aqueles malditos olhos castanhos. Mas não consegui concluir meu objetivo, porque a mão dele segurou o meu punho, mesmo que eu colocasse força, não conseguia avançar muito.

– Eu não sou uma criança – eu disse entre os dentes – Não me trate como se eu fosse, como se eu não entendesse a situação e como se eu não entendesse meus sentimentos. Sabe como quem você está falando? Como Petrova! Lembra da primeira vez que você fez a idiotice de se declarar a ela? Ela falou praticamente a mesma coisa que você está falando agora. E o que você respondeu, se lembra? “Não diga que não me olha de forma diferente do jeito que olha os demais. Você me quer tanto quanto eu a quero. Não vejo nada de errado em um amor em meio à guerra, é disso que todos precisam, é isso que acabaria com essa droga que estamos vivendo. Se todos tivessem amor, ninguém estaria matando como está agora”. Eu gravei essa frase no meu Idiary e a leio sempre para me assegurar que você não é um idiota, que há algo de bom em você. Eu que não confio no que você se tornou agora, acho que prefiro o adolescente apaixonado e bobo.

Ele não disse nada, apenas me encarava com seu olhar duro e incisivo. Puxei meu braço do aperto dele e Bill teve que acompanhar o movimento para não soltar, fazendo seu rosto ficar a alguns centímetros do meu.

– Você tem medo – eu falei em escárnio – O tão cruel e insensível Bill Kaulitz tem medo de viver novamente, tem medo de se apaixonar e gostar das pessoas, porque acha que vai perdê-las. A morte é a única certeza que temos e a acho muito mais misericordiosa que a vida, afinal a vida vai arrancando nossa alma aos poucos. Você está se escondendo da vida e é pior, pois quando chegar a sua vez, não vai ter ninguém para chorar por sua morte, não vai ter nada para levar com você além da mágoa que criou. Petrova está morta, sua mãe está morta, Eikens está morto, mas Tom, Gustav, Georg, Natalie e eu ainda estamos vivos. A situação que estamos agora não justifica em nada suas ações!

– Wilhelmine – ele disse com raiva por causa do meu sermão – Você não sabe de nada!

– Não sei de nada? Eu sei que você não quer isso! Eu sei que você quer viver! Eu sei que não quer ficar para sempre no meio de guerras e mortes. E eu sei que você tem medo de seguir em frente, prefere ficar com essa dor em que se acomodou – comecei a sentir lágrimas quentes descerem pelos meus olhos e olhar dele ficou menos duro ao perceber isso – Sabe qual é a maior certeza que eu tenho? Que eu poderia ter me apaixonado pelo divertido Tom, que eu poderia ter me apaixonado pelo engraçado Georg ou pelo inteligente Gustav, mas acabei me apaixonando por você. E não vejo mesmo futuro nisso não da minha parte e sim da sua.

Então ele soltou meu braço, quando fui me afastar dele, Bill puxou-me para perto e beijou-me. Seu corpo quente encostou-se ao meu e dessa vez o beijo foi intenso e desesperado, como se realmente ele pensasse que fosse me perder a qualquer instante. Por mais que eu estivesse com raiva, foi impossível não corresponder, quando realmente cada partícula do meu corpo o desejava de verdade. Nós mantínhamos nossos corpos colados, em uma forma de prolongar as sensações e memórias, já que era o que ele mais prezava.

Bill derrubou-me em minha cama, apoiando seu peso em seus cotovelos em quanto fitava meu rosto vermelho e ofegante. Eu passei meus braços em volta dele, sentindo a brandura por baixo da sua regata preta e fina. Pela primeira vez, ele olhava-me de forma diferente, não com raiva ou tristeza, era um olhar terno que atravessava minha alma e queimava-me por dentro.

– Deixe-me curá-lo – eu disse, acariciando seu rosto – Deixe-me curar sua alma aos pedaços.

Ele não disse nada, apenas fechou seus olhos com longos cílios e suspirou, aproximando novamente seus lábios dos meus. Cada toque dele queimava minha pele como se novamente ele estivesse febril. Estávamos de volta na noite de 31 de Agosto, indo em frente aonde havíamos parado, dessa vez, sem nada que atrapalhasse. Só que dessa vez era eu que ele estava vendo e não Petrova. Dessa vez era eu que estava sendo beijada verdadeiramente e não o resquício de um fantasma do passado. Era minha alma que ele tinha em suas mãos, e eu tinha a dele nas minhas.

Suas mãos percorreram minhas coxas lentamente, deixando rastros de arrepios, subindo até a minha cintura e puxando minha camiseta preta, até meu corpo se ver livre dela. Logo todas as nossas peças de roupa estavam no chão, nada impedia que sentíssemos um ao outro, pele sobre pele, não importando se ela fosse real ou sintética. Meus lábios procuraram a pele dele, querendo saber que gosto teria um Humanoid e tenho que dizer, que meu pai fez um bom trabalho em nós.

Eu não conseguia mais pensar, minha mente estava paradoxalmente concentrada no que estava acontecendo e também tão deslumbrada, como se eu estivesse drogada e as imagens passassem apenas como vultos. Minhas unhas se cravavam em suas costas enquanto ele explorava meu corpo, enquanto adentrava-me, no começo, dolorosamente, mas depois em uma onda de prazer que se espalhou.

Tudo bem, eu não quero transformar esse diário em um livro erótico nem nada desse tipo, mas é que aquele momento foi tão importante e surreal, que preciso descrever detalhes o suficiente para mantê-lo vivo em minha mente. Nossa atração era tão grande que aqueles minutos parecerem horas, pensei que duraria para sempre e era o que eu mais queria. Cada beijo, cada toque, cada movimento pareciam me levar a um êxtase que nunca consegui chegar não importando que droga eu tomasse. Nunca quis tanto alguém como o quis naquele momento.

Quando finalmente acabou, Bill tombou ao meu lado, seu corpo, comparado ao meu quase não suou, mesmo assim, ele estava mais vivo do que qualquer pessoa, com seu coração batendo desesperadamente igual ao meu. Ele virou seu rosto para me olhar e sorriu, sorriu como nunca havia visto antes e isso encobriu todos os sentimentos ruins que ele sentia há um bom tempo.

– Obrigado por lembrar-me que sou humano, às vezes esqueço-me – ele disse, acariciando meu rosto e tirando as mexas que estavam grudadas em minha testa – Hoje, quando tudo terminar, estaremos indo para Hamburgo juntos. Vamos recomeçar nossas vidas e nada mais irá nos impedir.

Um sorriso se espalhou pelo meu rosto. Ainda havia aquele medo do recomeço em mim, mas agora eu tinha companhia. Eu não estava torcendo pela morte do meu pai, só queria que tudo acabasse da melhor forma possível para que eu conseguisse viver minha própria vida, sem nenhuma conspiração. Mas eu ainda queria falar com ele, ver o ponto de vista do meu pai nisso tudo e se ele realmente estava me usando. No fundo, eu queria acreditar que ainda tínhamos laços familiares e que eles eram mais forte que tudo isso. Um dos meus sonhos era trabalhar com meu pai e também ser reconhecida como uma cientista Langebahn. Agora, nem sei mais qual é meu sobrenome, talvez, eu seja apenas Wilhelmine.

Notas finais
Olha, não sou grande coisa com cenas hots, geralmente prefiro não escrevê-las, mas às vezes é bom lê-las, não é mesmo? Então sempre tento escrever de uma forma não tão vulgar. Nunca acho que elas saem grande coisa, mas espero que tenham gostado, é.