Notas iniciais
ESTOOOOOOOOOOU DE VOLTA! E estou com medo de postar essa fanfic, por ser um tema diferente, mas vai seguir uma linha parecida com Angels Don't Cry (só que sem o tema sobrenatural). Espero que gostem.

Oh, o Sol irá brilhar

Como nunca brilhou antes

Um dia, estarei

Preparado para ir

Ver o mundo atrás da minha parede

(World Behind My Wall – Tokio Hotel)

19 de Agosto de 2109

World Behind My Wall Corporation, 3º andar

03h02min AM

Berlim não ficava bonita de noite, era assustador. Ainda mais quando eu estava no décimo andar, com aquela janela que ia do chão ao teto. Juro que gostaria de estar fazendo qualquer coisa além de ficar olhando para essa cidade tão fúnebre quanto um esquife, mas meu pai precisava de mim. Não totalmente, mas como as coisas estão acontecendo, ele realmente vai precisar de mim, ou talvez seja o contrário.

Meu estômago roncou de repente, nem lembrava qual foi a última vez que havia comido, talvez fosse ao café-da-manhã. Eu ainda poderia ficar uns três dias sem comer, que não cairia no chão, ouça o que eu digo. Mesmo assim, tenho que respeitar minhas condições humanas, por isso tateei no escuro, em busca de uma máquina de lanches. Quando finalmente a achei, saquei uma moeda do meu bolso e consegui uma lata de batatas.

Voltei para onde eu estava, colocando meus pés em cima da mesa sem dar a mínima que meu pai não gostava desse meu mau hábito. A verdade é que ele estava longe demais e preocupado com outra coisa além de mim, não que eu me importasse, afinal há quatro meses quase fiz meu pai arrancar os cabelos.

Sabe, não sou a melhor filha de todas, mas também não posso classificar meu pai como o melhor de todos. Ele passou a maior parte da vida metido em seu laboratório, tentando inventar algo que ajudasse o mundo e tudo mais. E eu passei a maior parte do tempo me divertindo, já que cada dia é um desafio e você pode a qualquer momento morrer.

Eu não sou a única que faz isso, as pessoas estão caminhando diretamente para a morte. Estamos em 2109, metade da população mundial foi para o brejo, temos problemas climáticos a todo o instante, se não são terremotos são furacões ou maremotos. Ou seja, pode ver como estamos em um paraíso terrestre! Então, simplesmente, as pessoas ou se suicidam ou procuram alguma forma de aproveitar cada segundo das suas miseráveis vidas. Decidi escolher a segunda opção, o que não me fez realmente ficar longe da morte.

Acabei sofrendo um acidente feio, estava em uma festa, bebi demais, entrei no meu carro, dirigi até não poder mais e pronto. O carro colidiu com um ônibus e eu fui prensada no meio de todo aquele metal. Não faço ideia de como conseguiram me tirar das ferragens, só sei que fiquei inconsciente por quase um mês, emagreci mais de dez quilos, eu estava quase com o pé na cova.

É aí que o trabalho do meu pai entra. Ele é um cientista de robótica e está criando o projeto Humanoid. Não estou falando de robôs que vão fazer tudo para você como apenas escravos domésticos. Estou falando de humanos robôs! Isso mesmo, humano com traços robóticos para deixar a vida mais longa. Um coração, outro órgão qualquer – menos o cérebro –, algum membro como braços ou pernas ou até olhos. Assim a vida humana poderia existir por muitos anos.

E eu não era mais a mesma. Segundo meu pai, eu era a primeira Humanoid 483 perfeita, que havia dado totalmente certo e que o corpo não havia rejeitado nada. Agora eu havia duas pernas mecânicas, um braço mecânico, olhos de robô, medula e costelas revestidas de platina e um coração novo. Pode ter certeza que não foi nada fácil no começo, era estranho, como se você estivesse usando uma roupa nada confortável que te incomodasse. Os meus movimentos eram diferentes, doíam no começo e pareciam que iam rasgar minha pele. Eles eram brutos demais para alguém com um corpo tão sensível. Mas era como viver novamente. Principalmente com olhos novos, eu via o mundo de uma maneira incrível! Tudo parecia mais bonito, eu via desde os detalhes mais pequeninos até os mais significativos, as cores eram mais fortes e eu identificava qualquer coisa há distâncias.

O mesmo aconteceu com os movimentos depois. Eu voltei a comer e a engordar, comecei a correr e a treinar meu físico e de repente não era mais tão terrível ter um corpo mecânico. Você se sente mais forte, consegue correr mais, pular mais e não se cansa tão facilmente, era como se você se tornasse algo mais poderoso que um ser humano normal. Por isso às vezes me esqueço de comer ou dormir, é por que não me sinto esgotada, só depois de uma semana mais ou menos.

Mas eu ainda devo fazer coisas normais, por que sou humana apesar de tudo. Só que é complicado viver em sociedade depois disso, tive que abandonar a escola por que logo ficaria óbvio que eu estava diferente – imagine uma garota que fora massacrada voltar igual a uma super heroína? – e também abandonei minha vida antiga. Mudei de Hamburgo para Berlim e todos pensam que sumi por que ainda estou tentando recobrar certos movimentos.

Sinto falta das minhas amigas, mas acho que a maioria das pessoas deu graças aos céus pelo sumiço, afinal eu só trazia encrencas. Eu era um pedaço de mal caminho para qualquer um, me metia em brigas o tempo todo e já cheguei várias vezes em casa com hematomas em todo o corpo. Meu pai quase ficava louco comigo, mas nunca me deixou de castigo ou me deu uns bons tapas para eu aprender a lição. Tenho que dizer que foi o destino e a vida que fizeram isso por ele.

Não sei se me arrependo de tudo que aconteceu, poderia dizer que sinto saudade da minha vida antiga, por mais que fosse terrível em partes, era minha vida! Agora tudo melhorou, mas ainda queria poder voltar no tempo às vezes, quem sabe eu não poderia mudar o meu passado? Mas isso é impossível. Vou ter que me contentar com este presente para mudar o futuro.

Tudo bem, a proposta desse diário não era lamentar sobre minha vida. Decidi escrever essa droga desde aquele acidente, eu não era uma boa pessoa, tenho que concordar. Na verdade era uma garota má, muito má. Mas nada como uma quase morte para de repente você acordar na vida e perceber que tudo não é só diversão. Então como eu usava o meu Idiary mais para responder e-mails e navegar na rede antes do acidente, achei que seria bom guardar um pouco de lembranças nele.

Por isso que a única coisa que tenho a fazer hoje é escrever e escrever. Mas acho que deveria começar com algo mais eficiente do que contar sobre a minha noite tediosa aqui, por exemplo, contar quem eu sou. Mas é só você procurar no ID do meu Idiary que irá descobrir que me chamo Wilhelmine Langebahn, que tenho 17 anos e sete meses, meu sangue é O+, minha altura é 1,72 e peso cerca de 50 quilos não tão redondos – talvez eu esteja arredondando demais – tenho cabelos pretos e olhos azuis, que dependendo do dia podem ficar cinza, às vezes acho que isso acontece quando fico brava.

Isso não são detalhes tão importantes dependendo da situação, mas quem sabe vale a pena saber. Por enquanto isso aqui vai estar devidamente protegido, posso não ser uma pessoa muito boa, mas sou uma hacker realmente ótima, então nem tente procurar informações confidencias nas minhas coisas. Ainda mais quando você é filha de um Langebahn.

Afinal do mesmo jeito que muitas pessoas estão aceitando essa nova ideia, muitas outras desprezam. Quero dizer, aceitar Humanoids na sociedade é algo meio complexo demais se você não entende nada sobre o assunto. Como eu entendo, tenho que dizer que isso vai ajudar muitas pessoas, me ajudou, pode acreditar.

Mas é claro que sempre tem os “do contra”, que acham que qualquer força maior pode acarretar mais problemas. Então esse grupo desprezível vem atacando a World Behind My Wall Corporation – Um mundo atrás de suas paredes, uma nova manhã de glória. Contemplem o novo mundo! – só porque acha que com isso poderemos controlar a sociedade. Como se aquele filme velho “Eu, Robô” fosse algo real!

Esse grupo chama-se Dogs Unleashed – cuidado, cachorros a solta, eles vão morder você! Que ridículo! –, basicamente são uns anarquistas nojentos que usam a força para conseguir o que querem. Todos se vestem de preto e couro, usam motos de ultima geração, tão rápidas a ponto de não se ver nem o vulto e são tão rápidos e bem treinado que posso jurar que isso não se trata de um grupo, mas sim uma organização.

Eles nos mandam avisos a todo o momento, dizendo que vão nos atacar se continuarmos com nossos planos. Não temos tanto medo, eles parecem não ser tão perigosos quanto aparentam – mesmo depois de jogarem aquela bomba no primeiro andar do prédio –, eles só sabem pressionar, nunca partiram para um ataque extremamente violento. Pelo menos eu acho, afinal eles podem se rebelar agora, acho que só pressionar não está adiantando muito.

Mas pouco me importa, vou seguir com minha vida, eles não vão me deixar com medo algum. Não sou a pessoa mais forte, mas com certeza, graças ao meu corpo parcialmente robótico, sou mais forte que um humano normal, não que eu queria me gabar, mas isso é quase digno de orgulho. Antes eu não poderia ser chamada de pessoa com boas condições físicas, afinal sempre sofri na Educação Física, mas agora, aposto que minha professora engoliria as palavras dela se me visse correndo por cem metros.