Depois que me ajeitei sob o tapete e todas as velas foram apagadas, demorei para adormecer mas quando finalmente consegui, fiquei feliz por entrar num mundo totalmente meu.

Eu andava por um gramado verde com os pés descalços. Eu usava uma camisola branca e meus cabelos negros estava soltos; Haviam várias árvores carregadas com os mais diversos tipos de frutos. Ao me aproximar de uma macieira, fiquei surpresa em ver Kol, ele estava com uma espécie de caderno de desenho; Ao me notar, fechou o caderninho com uma flor de macieira e veio ao meu encontro.

– É lindo, não é? — Ele sussurrou em meu ouvido. O modo como dissera aquilo de forma tão suave e tão boa fez os pelos da nuca se eriçarem.

– Sim. Que lugar é esse? — Perguntei, sorridente.

– Um cantinho só nosso... — Ele sussurrou novamente. Então, num movimento rápido que mal consegui distinguir, ele subiu numa macieira, pegou a maçã mais vermelha que conseguiu achar e entregou-a em minha mão. — Prove. — Pediu delicadamente.

Dei uma dentada na maçã e qual não foi meu deleite ao sentir a doçura da fruta... Aquilo estava sendo tão bom que eu não queria acordar nunca mais. Aquele mundo me deixava feliz por ser do jeito que eu queria, era um verdadeiro paraíso onde eu podia fazer tudo o que eu quisesse ao lado do meu "irmão".

– Ilsa... Tenho algo a lhe propor... — Ele disse. Meu rosto ficou corado e me senti apreensiva quanto ao que ele queria me perguntar.

– Sim... Diga, Kol.

– Você quer...

Nesse momento acordei sobressaltada. Pensei em como um segundo a mais ou a menos faria sim ou não a maior diferença. Um feixe de luz já surgira pela janela e era naquele momento em que eu deveria sair como Rose pedira. Me levantei, ajeitei tudo exatamente como estava na noite anterior e saí da casa dela. Os raios de sol passavam por entre as folhas das árvores o que só me deixou um pouco mais segura quanto aos lobisomens. No entanto, vi um canteiro com verbena florescendo da base de uma das árvores, então eu peguei um punhado, misturei com a água no candeeiro que eu trazia na bolsinha, o que ajudou a fazer uma espécie de chá de verbena. Ao avistar a mansão de Kol, entrei de fininho com medo de acorda-lo. Ao fechar a porta, fiquei meio assustada ao perceber que o fechamento dela causara um ecoamento pela casa inteira.

Subi as escadas e ao chegar no corredor onde ficavam os quartos de Kol, dos hóspedes e de mim, quase gritei de susto e medo ao notar o tapete persa — e caro — todo ensanguentado com vários corpos no decorrer dele. Apesar de já estar acostumada com a ideia de ser a "protegidinha" de um Vampiro Original, aquilo realmente me assustou.

– Olá querida... — Ele disse atrás de mim. Prendi a respiração e fechei os olhos de medo. Ao me virar, estava claro que ele sabia o quanto eu me sentia apavorada.

Suas vestes estavam praticamente banhadas em sangue, o que só me deixou mais assustada ainda. As lágrimas brotaram de meus olhos e só então pensei que aquele era o monstro que eu tanto ouvira falar.

– Kol... — Disse eu, chorando enquanto me afastava de seus braços. Vi uma chance de escapar dele ao me lembrar que meu quarto ficava no fim do corredor, mas eu sabia que não poderia ser tão rápida como ele e isso me deixou com mais medo ainda. — Por favor, não chega perto. — Peguei o candeeiro da bolsa e o abri, então joguei um pouco de água que havia nele em Kol, que só ficou mais irritado mas me dera tempo para escapar em direção ao meu quarto, quando entrei, fechei a porta e a tranquei o mais rápido possível, eu só conseguiria fugir pela janela e fiz a escolha que eu sabia que podia ser minha última: Abri a porta da varanda, pulei a proteção e pulei para a morte.

Minha morte nem foi dolorida, me senti como se tivesse caído nos braços de alguém e qual não foi minha surpresa ao ver Elijah!

– O que aconteceu, Ilsa?

– Kol está descontrolado e quase me matou.

– Venha comigo, eu te levo para a minha casa. — Elijah tirou sua jaqueta de couro e me deu. Aquela manhã estava muito gelada e assim como na noite anterior, mal consegui respirar.

– Obrigada. — Disse eu, quando ele e eu entramos numa carruagem puxada por 4 garanhões bracos como a neve.

– Enquanto estiver comigo, estará segura Ilsa.

– Obrigada por se preocupar comigo Elijah, não sabe o quanto estou agradecida.

Elijah me levou para sua imensa mansão em que morava com Klaus e Rebekah. Por um só instante pensei em o quê poderia estar acontecendo com Kol naquele instante; Será que ele me seguira ou fugira com medo de me machucar de novo? Ao entrar na casa nobre, senti o doce perfume de jasmim no ar e então notei que o aroma se originava de um canteiro de flores que estava sendo regado naquele segundo por uma empregada.

Ao vê-lo aparecer pelos fundos da mansão, Klaus estava estranhamente feliz em me ver, mas foi isso até perceber que suas vestes estavam discretamente sujas de sangue. Isso me incomodou de imediato, porém tentei não parecer surpresa se aquilo fosse sangue humano. Foi só então que imaginei ser de Kol, mas descartei essa hipótese por não tê-lo visto em casa na hora em que Kol me atacara. Mas uma parte de mim só acreditava nela porque eu sabia o quanto Klaus e os irmãos poderiam ser rápidos.

Elijah sempre aparentou gostar de mim,mas não demonstrava isso com clareza, especialmente perto de Klaus. A cena me deixou meio preocupada: Dois irmãos frente a frente, possivelmente inimigos mortais iriam começar uma guerra sangrenta, no entanto pessoal, mas ainda assim não afetaria somente ambos. Temi por Elijah,mas não estava me sentindo segura com o outro ali, aquele que me mataria em questão de milésimos de segundos.

– Ilsa... – Começou Elijah.– Esse é um assunto pessoal entre meu irmão e eu, por favor, peço que se retire.

– Elijah, eu não estou entendendo.

– Por favor... Saia.
O obedeci e então saí pelos fundos, indo em direção ao jardim próximo do estábulo. Quando me aproximei de alguns cavalos, me deparei com uma porta que levava para o subterrâneo da mansão. Fiquei curiosa e entrei pouco depois de olhar em volta para garantir que não estava sendo observada. Era um cômodo escuro e frio, repleto de teias de aranha do teto ao chão de terra. Haviam algumas tochas acesas que, de certa forma davam um ar mais assustador e sufocante ao lugar;

As tochas acesas estavam perto de uns borrões escuros e outro mais acinzentado. Conforme me aproximava, ficava cada vez mais assustada, até que para meu horror, percebi que se tratavam os cinco de caixões. No início, eu não sabia o que fazer, se eu gritava ou se corria e fugia para nunca mais voltar, mas tomei coragem e abri um dos caixões; Quase gritei ao perceber que era Kol, trajando as mesmas roupas que estava usando no momento em que tentou me atacar.Acho que nunca senti tanto medo na vida como naquele momento, meu grande amor falecera e eu nem pudera lhe dar um beijo caloroso de despedida.

Debrucei-me sob seu corpo azul e frio como a neve. Rapidamente, minhas lágrimas quentes e salgadas deixaram suas vestes ensopadas. Nada, a não ser uma milagrosa volta dos mortos me deixaria feliz naquele momento; Foi nesse momento que tomei um susto: Ele afundou as presas na carne do pescoço de súbito, o que me deixou apavorada e assustada ao mesmo tempo. Tentei escapar, mas ele segurou minha cabeça para que eu não saísse do lugar.Sua força monstruosa estava me machucando muito naquela hora, tentei gritar, mas só consegui quando ele me largou e caí de costas no chão.

– Kol? – Chamei, passando a mão em meu pescoço.

– Ills? – Ele chamou de volta, preocupado quanto ao que me fizera.

– Estou aqui. – Rapidamente,Kol se levantou,saiu do caixão, veio até mim e me deu seu sangue.

O que houve em seguida fora muito rápido, mas vou tentar dar os detalhes: Elijah,Klaus e Rebekah apareceram e dois deles imobilizaram Kol. Klaus então me pegou pela barriga, me impedindo de reagir, ele segurava um cutelo com uma das mãos, então ele segurou minha cabeça, depois disso lembro-me de sentir uma dor aguda enquanto ouvia meu amor gritar meu nome até que o inferno passou e senti como se estivesse flutuando enquanto entrava no mais profundo sono.

Se parar para pensar assim, a morte á início pode ser dolorida, mas sentir que está dormindo é o sinal claro de que sua hora chegou e então veio ela: A paz que eu nunca tive.