Humanidade - Kol Mikaelson
6 Capítulo 6
A festa durou até altas horas da noite, todos nós acabamos acordando muito tarde, mas ainda sim o bom humor prevaleceu. Kol entrou no meu quarto sorrindo, o que só provava que ele parecia muito feliz.
– Bela performance ontem á noite. — Sussurrou no pé do ouvido,sorriu e então me roubou um beijo na boca. Corei de surpresa. Em seguida, ele fez sinal de silêncio e só então me lembrei de que não estávamos sozinhos, pois os irmãos dele acabaram passando a noite lá.
– Obrigada. — Sussurrei de volta.
– Agora, Ilsa... — Disse ele, já de volta á porta. — Eu vou fazer umas coisas. — Entendi perfeitamente ao que ele se referia. Ele desapareceu e o vi pela janela de meu quarto desaparecendo no enorme bosque atrás da nossa mansão. E em questão de segundos, conseguia ouvir gritos abafados vindos da vila depois do bosque; Desde que me relacionara com Kol, aprendi a não me importar com aquele tipo de comportamento por parte dele, mesmo que fosse o mais assustador ( e perturbador ) possível.
Só o vi novamente quando já era por volta de três da tarde e o sol estava quando que desaparecendo por entre as árvores e Kol ressurgiu por debaixo delas. Dessa vez, não fora como das outras ocasiões nas quais eles estava todo ensanguentado; Desta vez, ele estava quase que, completamente limpo como se nem tivesse ido se alimentar então eu supus que ele havia ido beber vinho. Mas ele parecia de mau humor.
Tentei falar com ele, mas nem isso Kol quis, então acreditei que não deveria tentar falar com ele tão cedo. No fundo, eu senti que havia algo errado porque ele não era daquele jeito comigo nem nunca fora tão ranzinza pelo que eu me lembrava desde o dia em que nos conhecemos. Sua fúria fora tanta que, Kol chegou a expulsar todos os empregados e os irmãos, deixando-me apenas livre de sua raiva e ira; Ele parecia descontrolado e, por alguns momentos me senti como uma espécie de prisioneira,afinal, Kol estava começando á mostrar como poderia ser o monstro que eu nunca conheci mas havia ouvido falar. Á noite, quando o jantar seria servido, eu estava insegura quanto á ele e me deparar com sua ira caso desse um passo para trás.
Quando desci até a sala de jantar, ele já estava sentado na mesa e havia um prato na cadeira ao lado da qual se sentara — Aquela era destinada para mim como eu presumira. Puxei a cadeira para mim e me sentei devagar, Kol estava com a expressão séria enquanto segurava a taça com o vinho que bebemos na noite anterior. Tentei parecer confiante, mas nem isso aparentou convencê-lo de que eu estava assustada e com medo do que poderia vir a acontecer logo em seguida. Quando enfiei uma colherada de sopa na boca, senti os pelos da minha nuca se eriçarem;Aquela noite estava fria e congelante porém, a sopa estava quente e deliciosa.
– Está boa? — Foram as primeiras palavras que o ouvira pronunciar desde que chegara do bosque.
– Sim. — Saiu como um silvo de minha boca. — Ac-Acon-Aconteceu alguma coisa no bosque? — Gaguejei, com medo. Ele bateu com o punho fechado na mesa, causando uma rachadura sob ela.
– Sempre se preocupando comigo não é, querida? — Ele perguntou, áspero. Engoli em seco. Se levantou da mesa grosseiramente e se retirou. — Coma sua sopa;voltarei aqui dentro de quinze minutos e até lá quero que já esteja em seu quarto ou irá sofrer.
– Não acredito que vá me machucar! — Me levantei e gritei. — Você não é um monstro se é o que quer que eu pense, eu não tenho medo de você e faço qualquer coisa por quem me importa e por quem é da minha família. Kol, você pode não ser do mesmo sangue que eu, mas eu te amo como se você fosse o irmão e o pai que eu nunca tive. — Me aproximei dele. — Você zelou por mim desde que eu era pequena, cuidou de mim quando nem mesmo minha mãe quis. Kol, você pode até ser um demônio ou um monstro ou qualquer coisa tosca que pense mas para mim você é um anjo de pessoa, você é um anjo na minha vida e eu te amo e não quero me separar daqueles que sempre não só procuraram para mim o bem como também fizeram o bem na minha vida. Eu te amo, Kol.
Assim que terminei de dizer aquilo, vi pela primeira vez algo que nunca veria em relação a alguém como Kol: Eu o vi chorar !
– Ilsa, eu sei que gosta de mim e de tudo o que ocorreu entre nós dois, mas temos um problema...
– O que houve Kol? — Perguntei, obviamente preocupada.
– Os aldeões que moram depois do bosque estão tomando chá de verbena.
– Isso quer dizer que... — Me afastei quando as veias se materializarem em volta de seus olhos.
– Fuja... — Ele disse. — Tranque-se no quarto e não saia de lá até eu mandar.
– Mas Kol... — Hesitei, ele não tinha ideia do quanto eu queria ajuda-lo.
– Vá Ilsa. — Ele arrancou uma das pernas da cadeira e a enfiou no peito. — Não consigo aguentar.
Saí da mansão e adentrei o bosque, ele estava sendo iluminado pela Lua Cheia, o que me deixou meio apreensiva quanto á existência de lobisomens naquela região. Estava muito gelado bosque adentro e eu mal conseguia respirar de tanto frio que senti. Fiquei imaginando o que Kol poderia estar fazendo em casa á aquela altura, se ele já não teria quebrado mais algo lá dentro e se viria atrás de mim para me matar.
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