Quando chegamos ao porto, era de madrugada e só conseguia sentir o vento soprando gélido no meu rosto. Eu não tinha a que temer porque havia um anjo das sombras ao meu lado, me protegendo dos perigos do mundo e que me dava do bom e do melhor. Era uma caravela imensa, feita de madeira com detalhes em ouro e prata. Kol me guiou até nossa suíte, onde havia dois quartos, ambos grandes, para mim e para ele. As malas chegaram alguns minutos depois de termos entrado; Depois que nos estabelecemos, Kol saiu, e deduzi que poderia ter ido beber algo além de vinho. Ele só retornou quando já estava quase amanhecendo (o que percebi porque quando ele chegou não se incomodou de fazer barulho e eu acabei acordando).

Na manhã seguinte, já aparentava estar sóbrio, o que notei devido ao seu constante bom humor quando ficava perto de mim.

– Bom dia Kol. — Disse eu, me sentando na cama ao mesmo tempo em que me espreguiçava e bocejava.

– Bom dia princesa. — Sorri. É realmente difícil não sorrir de orelha á orelha quando se tem um vampiro MUITO LINDO na sua frente te chamando de "princesa" enquanto te trata como se fosse uma. Acho que era isso que atraía as meninas que gostavam de Kol : Seu charme e seu dom INCOMUM de fazer até a mais forte das apaixonadas desabar no chão com um leve e simples, porém lindo, sorriso. — As empregadas já deixaram seu café-da-manhã pronto, está bem? Agora se quiser sair comigo hoje á noite, acho que deveria trajar seu mais belo vestido para a ocasião.

– Qual ocasião? — Perguntei, meio marota.

– O Baile que faremos em torno da fogueira hoje á noite na baía da primeira ilha cuja qual iremos atracar.

– O vestido vai ficar todo sujo de areia! — Protestei.

– Eu sei querida; Estou apenas brincando, mas haverá uma imensa fogueira para os passageiros se confraternizarem. Haverá ainda porco assado com laranja e creme de limão, seu doce favorito. — Nisso ele estava certo, creme de limão era DEFINITIVAMENTE meu doce favorito. — Você terá de me fazer um favor. — Dessa vez, seu tom de voz era sério para não dizer assustador. — Durante a fogueira, preciso que atraia algum dos passageiros para longe dos outros para que eu cuide do resto.

– Você tem que se alimentar de oito em oito horas,não é isso? — Perguntei, insegura. — Ele se aproximou de mim, pôs o dedo indicador abaixo do meu queixo ao mesmo tempo em que afagava meu cabelo com o dorso da mão direita, fazendo-me olhar diretamente para ele.

– Exatamente, minha querida. — Ele disse no pé do ouvido.

– Mesmo se houvesse apenas nós dois neste barco, você não me morderia não é?

– Sim, meu encanto. E no dia em que estivermos sozinhos, sem ninguém para eu me alimentar, eu prometo que nunca vou te machucar.

– Você consegue mesmo fazer isso, Kol?

– Sim, minha vida. É claro que eu consigo.

– Sei que pode parecer constrangedor, mas se houvesse algo entre nós,você acha que seus irmãos aceitariam? — No mesmo instante em que terminei a frase ele me largou.

– Vou dar uma volta. — Ele disse,áspero, saindo da cabine e batendo a porta com todas as forças. Por um segundo eu quis ir atrás dele, mas quando cheguei até a porta, ela estava trancada. Assustada, gritei por socorro na esperança de que alguém me ouvisse; Então, quando ouvi uma voz jovem e masculina, me senti aliviada.

– O que aconteceu, pobre donzela?

– Me trancaram e não consigo sair! — Solucei, chorando.

– Não se preocupe senhori... — Ele foi interrompido quando algo o atingiu e ele não conseguiu reagir, então eu tive ideia de quem ou o quê havia feito aquilo. E aquilo destrancou a porta. Suas vestes estavam todas sujas de sangue, o que me deixou assustada e perturbada. Recuei quando percebi o quanto ele estava furioso.

– Agora mudou de ideia sobre mim,não foi, querida? — Disse ele, se aproximando de mim de tal forma que pude sentir seu hálito quente batendo contra meu rosto. Eu não podia fazer nada para impedi-lo de me machucar, mas quando perguntei aquilo, era porque pensei que ele gostasse de mim, só que de outra maneira.

– Me perdoa Kol. — Senti as lágrimas quentes brotarem dos meus olhos e escorrerem pelas minhas bochechas. Naquele momento me senti como um rato nas patas de um leão prestes á ser devorado por ele. Meu terror só foi amenizado quando ele soltou uma risada como se acabasse de ouvir a coisa mais engraçada do mundo.

– Acha mesmo que eu te machucaria, princesa? — Agora eu sentia um misto de raiva e medo. Como ele pôde brincar comigo daquela maneira? Afinal, aquele era o garoto que me acolhera e me alimentara nos últimos anos e que sempre foi gentil comigo, sempre me protegendo, porém, agora ele estava realmente me assustando e me atormentando a cada coisa boba que ocorria entre nós dois.

Kol só pareceu perceber o que havia feito no mesmo intante em que viu o quanto eu chorava e meu rosto se avermelhara com aquilo. Isso fez o seu sorriso idiota sair do rosto.

– Ilsa, me desculpe... — Ele pôs as mãos sob minhas bochechas, secando minhas lágrimas com ambos os polegares.

– Você sempre foi como um irmão para mim, Kol! — Berrei! Como pode fazer isso comigo?

– Me perdoe querida.

– E não me chame de "querida"! — Berrei. — Você só me chama assim porque quer que eu crie as porcarias dos seus preciosos objetos negros para que tenha vantagem sob os outros tanto quanto tem sobre mim! — Berrei ainda mais alto do que antes.

– Quer saber?! — Agora ele começou a berrar também. — Sim Ilsa, eu estava te usando desde o dia em que te conheci, mas eu mudei nesses anos que passamos juntos e eu realmente gosto de você.

– É difícil acreditar no que você diz.

– Eu estou contando a verdade, acredite em mim.

– Como posso saber que não é truque seu?

– Quer mesmo saber? — Ele me agarrou e me deu um SUPER beijo. Não vou mentir, foi um beijo nível "Estou nas Nuvens", um beijo daqueles tipo Romeu e Julieta ou um romance proibido entre anjos e demônios e coisas do tipo.