Humanidade: A Queda

11 (Parte II) Capítulo 2 - Calmaria


Notas iniciais
Tantas teorias surgindo :o O que será verdade o que será que vai acontecer? Personagens novos chegando, o que temos em frente? As coisas estão se complicando, mas nesse capítulo a calmaria tá chegando (ou não) mwahahaha Nos vemos nas notas finais.

Capítulo 2 — Calmaria

"A calmaria que antecede a tempestade é cruel. Ela te dá uma esperança, te faz acreditar que tudo está bem, e de repente leva tudo embora, vem a tempestade e te destrói e você não faz nada pois a calmaria te acomodou. A calmaria." SOARES, Daniel

Luís jurava que era Daniel que estava no quarto, ele sentiu seu corpo ferver de ódio e o ferimento na lateral do corpo latejou, então ele lembrou que estava um tempo sem o soro, talvez aquilo fosse algum tipo de alucinação. Ele apertou os olhos e de repente decidiu agir, correu enquanto o sujeito estava distraído na janela e encaixou um mata leão, apertando e mantendo o aperto, a luz da lua iluminou o rosto do sujeito e a vista de Luís parecia embaçada, o rosto de Daniel se embaralhou e enquanto o cara era sufocado a vista de Luís voltou ao normal e ele se assustou ao ver quem era, viu o rosto conhecido de um velho amigo.

— Ale? — Luís falou assustado enquanto seu amigo desmaiava.

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Thais se afastou, segurou a faca contra seu peito enquanto chorava e soluçava tomando o cuidado para não fazer barulho, seu corpo doía, parecia que ela tinha corrido uma maratona, suava e seus olhos ardiam com o sangue que escorria de um corte no super cílio. Thais se mantinha inerte, embora seu peito se movesse com rapidez e seus olhos derramassem lágrimas que se misturavam ao sangue, tinha um corte na cabeça e um ferimento no joelho, ela torcia pra não ter quebrado nada.

Thais sempre se sentiu corajosa, para ela o instinto iria se sobrepor ao medo em situações de perigo, mas aquilo era um teste terrível para as hipóteses dela. Ali encostada na parede da cozinha, ao lado do corpo inerte de um zumbi que um dia tinha sido sua amiga, ela percebeu que não tinha como estar mais errada, o tempo todo o medo que moveu ela, o medo de morrer, o medo de virar uma criatura daquelas, o medo de perder todos que ama, o medo foi a resposta e o gás que a impulsionou. E agora, sentada ali na calmaria da noite, ela percebeu que o medo a levaria e o medo era a única coisa que ela tinha.

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Dillan caminhava com cuidado, a missão não poderia dar errado, mas algo dizia a ele que iria dar errado. A cidade estava calma, a equipe de 4 homens e 2 mulheres comandada pelo sargento Oliveira, só tinha encontrado um zumbi e eles tinham percorrido pelo menos 3 km, Dillan se mantinha atento a qualquer barulho, ouviu um barulho de lata e se virou a tempo de ver um gato preto o encarando.

Eles desceram num bairro residencial, iriam saquear pequenos comércios e procurar sobreviventes, Dillan segurou o fuzil para se sentir mais seguro, conferiu a missão e foi em direção a uma casa conhecida.

— Esteja viva. Por favor, esteja viva. — ele sussurrava enquanto se distanciava de sua equipe indo em direção a casa. — Por favor, esteja viva.

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Pedro tentava conversar com Clicia, ela estava melhor, a febre tinha passado e ela aparentava estar bem, embora se recusasse a falar qualquer coisa e seu semblante estar distante, quase como se ela fosse alguém diferente e todos fossem desconhecidos.

— Como você está se sentindo? — Pedro tentou mais uma vez.

O silêncio cortante o incomodava, mas assim mesmo ele desistiu e deixou Clicia terminar o café dela em paz. Ele estava com o pensamento cada vez distante, quando algo chamou a atenção dele, foi muito baixo, mas ele percebeu que era um sussurro. Ergueu os olhos e viu que a visão de Clicia parecia desfocada, ela não estava olhando para nenhum lugar específico e Pedro ouviu o som novamente, os lábios de Clicia levemente e ele percebeu algo estranho assim que ouviu o sussurro mais uma vez.

— Dillan. — ela sussurrou mais uma vez e apagou.

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Wanderson já nem sabia quanto tempo tinha corrido, seus pés pareciam anestesiados, sua roupa e suas mãos estavam cheios de sangue, ele tinha derrubado uns 3 zumbis usando as mãos como armas, quase tinha estourado o crânio de dois zumbis e agora caminhava sem direção e sem rumo. Olhou uma van branca passar em alta velocidade e correu para a avenida acenando desesperado, viu a van se afastar ainda mais e quando ia desistir a van fez uma manobra difícil e voltou mais rápida ainda, freou alguns metros a frente e ficou parada. Wanderson andou cuidadosamente, estava um pouco receoso, a voz em sua mente tinha calado e ele não sabia se isso era um bom sinal, agora que a voz tinha silenciado o medo gritava cada vez mais alto até que a porta da van abriu. Uma bela moça toda vestida de branco saiu de lá e caminhou com um belo sorriso sendo exibido no rosto, ela estendeu a mão e Wanderson puxou ela para um abraço, sentiu o calor humano que foi aliviador e ao mesmo tempo sentiu o cheiro esterilizado que trouxe uma sensação esquisita.

A voz na sua cabeça tinha se calado e isso era preocupante, algo estava errado, mas o sorriso daquela mulher passava uma segurança tão boa e ele cedeu e decidiu acompanhar ela, talvez estivesse na hora de encontrar um lugar calmo pra ficar.

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Dillan chegou na casa, arrombou a porta e entrou com o fuzil em punhos, a casa estava completamente bagunçada, havia uma poça de sangue na sala, ele caminhou com cuidado em direção a cozinha e na mesma hora ergueu o fuzil e quase atirou.

— Thais? — a voz dele começou a embargar. — Não. Ela não...

Thais largou a faca, seus soluços se tornaram mais fortes, a única força que ela tinha concentrada no ato de chorar, seu corpo parecia sofrer espasmos, a realidade de ter matado alguém a atingindo em cheio, aquilo não era para ela, sua força não deveria ser testada dessa maneira, ela se sentia destruída por dentro e a sensação piorou ao ver Dillan cair em frente ao cadáver da zumbi.

— Porque ela? Ah meu Deus!

Dillan chorava muito e Thais o abraçou, apertando com força, duas pessoas quebradas e destruídas tentando se consolar, eles nem notaram o tempo passando, mas um tiro solitário os tirou do transe e Dillan se ergueu, limpando os olhos com a costa da mão e segurando o fuzil com a outra.

— Precisamos ir. Estamos em segurança no quartel. Temos suprimentos... — ele soluçou e tentou controlar o choro. — Precisamos voltar.

Thais se levantou calada, discretamente segurava a faca, parecia que aquela arma era parte dela, aquilo tinha salvado sua vida. Thais seguiu Dillan de cabeça baixa, seus olhos doíam e ardiam, sua cabeça latejava junto com os ferimentos, ela estava a beira da exaustão.

Assim que saíram da casa, ela ouviu um barulho vindo do alto e o medo veio como uma sirene em sua mente, ela tentou correr, mas a zumbi, que tinha acabado de pular da janela do quarto, tinha caído em cima dela. Não havia chances, não tinha como lutar, aquilo parecia o fim.

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Ale finalmente acordou e ao abrir os olhos se deparou com os olhos de Luís o encarando caloroso. Luís estava confuso, tinha lembrado de Ale e ele achava que todas as suas memórias do passado tinham sido corrompidas para sempre.

— Tu lembra de mim cara? — Ale perguntou se afastando instintivamente.

— Lembro. Só não sei como. O que você fez comigo?

— Nada. Eu só te tirei da avenida, fiz um curativo e te deixei dormindo.

— O que aconteceu com minhas memórias? — Luís levou as duas mãos a cabeça.

Ale se afastou lentamente, não sabia se devia se aproximar ou se afastar, as coisas tinham mudado, estava bem claro que aquele não era o Luís que ele conhecia, algo estava muito errado e ele tinha medo de descobrir o que era.

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— Toma mais uma. — João falou em um tom desafiador.

O outro homem tomou mais uma dose da bebida forte e já estava alterado. João derrubou a sua dose no chão e começou a sorrir da inútil tentativa do homem de levantar para o atacar.

— Otário. — João começou a rir. — Me chama quando aprender a beber.

João saiu dali sorrindo, mas se arrepiou quando sentiu a leve brisa que vinha do lado de fora, trazendo aquele fedor de coisa podre e de cinzas, notou uma janela aberta e se apressou para fechar. Assim que olhou para o lado de fora teve a impressão de ter visto uma pessoa o observando, trancou a janela rapidamente e foi para o quarto, ele não se reconhecia mais, talvez ele fosse outra pessoa. Mas não era exatamente isso que aquela coisa fazia com todo mundo? Tentou se acalmar e dormir, assim que deitou os pesadelos voltaram: sangue, ossos, pele, morte para todos os lados, exatamente como na vida real.

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A criança tinha caído nas costas de Thais, então era impossível sair dali a tempo, mas Dillan foi mais rápido e segurou a criança zumbi por trás, seus braços seguravam os braços da criança e era tecnicamente impossível sair daquele aperto, restava a Thais dar um golpe de misericórdia na criatura.

Foi quando o impensável aconteceu, foi tão rápido e de repente que eles nem puderam reagir, ouviram o som de ossos e vértebras se partindo e observaram com horror a garota quebrar o próprio pescoço e assim dar uma mordida no braço de Dillan, bem próximo ao ombro.

— Maldita. — Thais gritou e bateu com o fuzil na cabeça da zumbi com tanta força que quebrou o crânio da zumbi. — Não pode ser. — Thais gritou e deu um segundo golpe que espalhou os miolos da zumbi e fez ela soltar Dillan e cair no chão sem reação.

Dillan se afastou da zumbi, olhando em choque para seu braço, a marca da mordida era evidente, mais um pouco e teria arrancado um pedaço da pele dele, mas o pior não era isso, a ferida recente já adquirira uma tonalidade estranha e Dillan já começava a se sentir mal, seus olhos lacrimejavam e a dor começava a confundir tudo, tentou focar no rosto de Thais que estava gritando na sua frente, mas parecia que seus olhos não queriam colaborar.

— Não Dillan. Por favor, você não! — Thais gritava puxando o amigo para um abraço. — Meu Deus, não faz isso comigo. Eu não vou aguentar.

A essa altura os soldados já tinham notado o que havia acontecido e já se aproximavam, alguns com armas em punhos, outros com olhares solidários. Ninguém sabia exatamente o que fazer, aquela era uma nova equipe pois a última tinha sumido. Um dos soldados se aproximou com a arma apontada para Dillan.

— Ele vai virar um deles né? — o soldado tremia, não sabia exatamente o que fazer.

— Sargento Oliveira. — Dillan falou com a voz fraca. — Sou uma ameaça a todos. Me mate, por favor.

— NÃO! — Thais gritou mais alto e segurou Dillan com muita força. — Você não pode me deixar, eu te proíbo.

— Ah Thais. — Dillan sorriu levemente. — Pra mim acabou, você precisa continuar e lutar.

— Eu não consigo sozinha. — Thais soluçava alto.

— Você consegue. Você é forte! E você jamais estará sozinha, eu estarei com você. E sabe de uma coisa? Alguns dos nossos amigos estão vivos, encontre eles por nós.

As duas mulheres se aproximaram e retiraram Thais que se debatia e gritava. Tentava a qualquer custo se soltar.

— Minha família está me esperando. Quando encontrar nossos amigos diga que eu estou com eles, estou com vocês. — Dillan suspirou e fechou os olhos.

Thais gritou com toda sua força e fechou os olhos assim que ouviu um único disparo.

— NÃOOOOOOO!

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É tão ruim ficar aqui dia e noite, me sinto presa, sei que estou segura com meu pai e a pequena tropa dele, mas tenho tanto medo por Dani, ele está lá fora e com todos esses tiros e zumbis, queria ele aqui, queria que ele melhorasse, ele é como meu irmão mais velho, já não basta ter perdido minha mamãe pra essa doença, não quero perder o Dani também. Dani volta pra mim, por favor.

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Me olho no espelho, minha pele parece pálida, eu já nem me reconheço mais, nos poucos momentos que o vírus me deixa voltar sou atacado por fortes dores, minha mente parece uma névoa negra, penso nas pessoas importantes, sinto que nada mais importa, o vírus tá me destruindo e não acho que eu consigo aguentar, sei que não deveria, mas no momento eu só quero desistir, olho frustrado para uma faca ao meu lado e percebo que sou tão inútil que nem consigo dar um fim a isso tudo, percebo que com isso eu estou condenando a humanidade mais uma vez.

— Luís, você bem que poderia me encontrar agora. — sorrio triste. — Eu não tenho mais medo. Mesmo sabendo que tudo não passou de uma grande mentira, eu adoraria ter algum conhecido por perto, principalmente um que soubesse como lidar comigo e um que pudesse dar fim a esse sofrimento. Luís, você precisa me encontrar antes que seja tarde demais... talvez já seja tarde demais.

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— Tudo bem contigo? — Thalisson estava sentado na ponta da cama e tentava conversar com Milena.

— Sim. Obrigada por me salvar, não sei se já agradeci. — Milena falou e bocejou.

— Você está cansada?

— Tudo está sendo muito difícil de aceitar e ultimamente os dias tem sido tão cansativos. Eu não sei se um dia as coisas voltarão ao normal, tudo parece tão incerto. Fico me perguntando o motivo de eu não estar lá fora transformada numa daquelas criaturas.

— Talvez exista um propósito nisso tudo. — Thalisson falou se levantando. — Mas é melhor eu ir, vou deixar você descansar.

Ele levantou e olhou para ela, a tensão no ar era visível, estava na cara que ele esperava um pedido para ficar ali e Milena até tinha pensado em pedir isso, mas lutou contra si mesma e achou que seria melhor que Thalisson fosse, ela precisava ficar sozinha, precisava pensar um pouco.

— Boa noite. — ela falou enfim.

— Boa noite. — ele cedeu e saiu do quarto improvisado.

Milena fechou os olhos, mas dormir parecia impossível, imagens horríveis vinham em sua mente, os horrores estavam bem vivos na memória, conhecidos tentando matá-la, mortos voltando a vida apenas para matar, imagens de pessoas se esticando tentando pegá-la. Pessoas não, eram todos zumbis e teriam devorado ela se não fosse por Thalisson, ela era uma sobrevivente, desde o início dessa praga tinha enfrentado a morte umas 10 vezes e saíra vitoriosa, mas os seus provavelmente estavam mortos e de repente aquilo não fazia sentido.

Ela abriu os olhos e fitou a porta, de repente uma imagem chegou a sua mente, uma imagem que ela tentara apagar várias vezes da memória, mas não conseguia, era a terrível imagem de um amigo matando pessoas. Seria melhor se ele fosse um zumbi, isso explicaria tudo, mas infelizmente ele estava vivo e aparentemente são, o que tornava tudo ainda pior, seu coração estava apertado, sua respiração saia ofegante, ela estava com medo, muito medo dele.

— Eu preciso contar para os outros. Preciso contar que ele é um monstro. — Milena sussurrou e começou a chorar, pois não conseguia acreditar nisso, fechou os olhos e resgatou uma imagem de Luís sorrindo, essa sim era uma boa imagem para ter de um grande amigo.

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Um pequeno grupo de sobreviventes jantavam tranquilos na cantina de uma escola, sorriam apesar de toda aquela loucura, estavam tranquilos e não ouviram quando uma pessoa abriu as portas da escola, não ouviram quando dezenas de passos invadiram a escola, foram pegos de surpresa quando vários zumbis invadiram a cantina, alguns sacaram facas e objetos para atacar, mas estavam em desvantagem.

Uma pessoa caminhava tranquilamente na escola, guiava os zumbis pelos corredores e viu uma sala com duas pessoas. Ele entrou e pegou uma criança nos braços, a criança dormia tranquila, mas o acompanhante acordou.

— O que você está fazendo Dani?

Daniel se virou, fitou os olhos do garoto e falou com crueldade na voz.

— Daniel morreu. — ele jogou a criança para os zumbis. — Matem esse garoto também.

— Que diaxo é isso Dani? Sou teu primo, não faz...

O garoto parou de falar e começou a gritar ao ter seu corpo dilacerado por zumbis, pedaços de pele eram arrancados com violência de seu corpo, mãos invadiam suas entranhas e arrancaram órgãos, uma de suas orelhas foi arrancada, ele virou e sussurrou em um último suspiro, enquanto sangue saia de sua boca e nariz.

— Daniel...

— Daniel está morto. — ele falou novamente e segurou um ursinho de pelúcia cheio de sangue contra si. — Está morto, tem que estar.

Notas finais
Tantos acontecimentos tristes :'( Adeus Dillan, eu estava começando a gostar dele :( A partir daqui tudo é bem incerto, o vírus no cérebro de Daniel está pior (Adeus primo coadjuvante :/ sentiremos sua falta). Ninguém está a salvo em São Luís, ninguém está a salvo em lugar nenhum, pior ainda se outros super imunes forem infectados (vamos torcer para não acontecer). Comente aí, e deixe um RIP para nosso Dillan. Bjs, vejo vcs nos reviews :*