Humanidade: A Queda
7 Capítulo 7 - Infectados
Notas iniciais
Capítulo 7 — Infectados
"Existem milhares de microorganismos para cada ser vivo, no fundo somos uma colônia, no fundo somos todos infectados" SOARES, Daniel
Olhei bem para aquele cara, mantive a arma levantada e segurei firme o gatilho.
— Abaixa essa arma Dani. Somos amigos, não precisamos disso. — ele deu um sorriso estranho.
— Amigos? — senti uma pontada na mente e todas as sensações e lembranças foram arrastadas para um lugar obscuro. — O que você quer de mim?
— Eu só quero te proteger mano. Vem comigo, você está confuso.
Olhei bem para ele, o cara dentro da sala, escondido atrás da porta fazia alguns sinais para mim, algo no fundo da minha mente dizia que eu conhecia bem os dois, mas minhas memórias pareciam estar sendo ligadas e desligadas o tempo todo, eu me sentia vazio, não sentia medo embora quase tivesse levado um tiro e não me sentia ameaçado pelo cara que trouxe uma sensação ruim a minha memória assim que chegou. Ele deu dois passos e mandei ele parar.
— Tu não tem coragem para atirar.
Ele deu dois passos e um tiro passou raspando na perna dele, parou parecendo ligeiramente surpreso.
— Eu disse...para não dar mais nenhum passo. — falei calmo e sustentando o olhar.
— Tu precisa de mim para ajudar a Rebeca brother.
Rebeca? O nome ecoou nas paredes da minha mente, como uma bolinha de ping-pong e eu sabia que precisava ajudar ela, meu coração bateu um pouco mais forte, abaixei a arma instintivamente e o Luís andou um pouco.
— Eu sei quem está aí atrás da porta.
O cara me olhou assustado e trancou a porta correndo logo em seguida quando tiros a atravessaram. O homem se jogou por cima de mim trazendo a bolsa. Olhei para cima e me assustei.
— Quem é você? — peguei o urso e me afastei dele enquanto tiros ricocheteavam.
— Por favor Daniel. Não é hora para isso. — o homem parecia que iria chorar, sem nenhum motivo aparente. — Vai e encontre a Rebeca. Ative o sensor de localização e o doutor vai encontrar vocês dois. Eu vou parar o Luís. CORRE!
O homem gritou e foi como se um interruptor ligasse na minha mente, o instinto de sobrevivência falou mais alto e eu comecei a correr em direção a porta que a gente tinha entrado. Dei a volta e fui por trás do shopping, ali no estacionamento tinha vários carros, entrei em um deles e sai dali, pois o que importava no momento era sobreviver.
°°°°
ANTES
Eles querem usar os imunes para curar as doenças, querem ajudar as pessoas e essas baboseiras todas, mas a gente sabe que são as guerras que movem o mundo. Sempre soubemos disso.
— Doutor! O vírus continua mudando. Foi uma boa idéia utilizar a capacidade de mutação do vírus da gripe no nosso vírus para os soldados? — minha assistente perguntou.
— Lógico que foi. Isso vai fazer com que o vírus se adapte e assim as taxas de sucesso são maiores. O vírus tem matado os hospedeiros, ainda não chegamos a um resultado satisfatório do experimento.
Combinar a capacidade de mutação do vírus da gripe com a adaptação dos vírus que tem a capacidade de modificar e controlar o comportamento do hospedeiro foi uma idéia genial. Uma vez que evoluem para proliferar, os vírus sabem como funciona o corpo do hospedeiro e sabem onde atacar para se beneficiar. Basta induzir o vírus a agir nas partes certas e criaremos soldados perfeitos, que não se importam com a dor, sem sentimentos e sem memórias. Eles serão máquinas mortíferas e no fim só precisaremos aplicar a cura neles para que voltem novamente a vida normal, não é genioso?
É claro que um processo desses é extremamente complexo, demoraria anos, talvez décadas, mas a própria natureza se encarrega das coisas, só precisamos do ambiente ideal para que o vírus evolua ao máximo, precisamos somente de um super imune.
Anônimo 2 (Cientista)
°°°°
HOJE
Luís estava furioso, já era a segunda vez que Daniel escapava e dessa vez alguém morreria por isso e com certeza seria aquele maluco intrometido. Luís baixou a arma levemente e quando levantou chutou a arma que foi direto na testa do cara. Correu e derrubou ele, desarmando o seu adversário e deu um soco.
— Quanto tempo Fernando meu camarada? — Luís sorriu cruel.
°°°°
Minha mente dava voltas e parei em uma avenida. O que estou fazendo mesmo? Saí do carro confuso, guardei o urso dentro da mochila nas minhas costas e senti um cheiro diferente vindo de mim, não era um cheiro ruim, meu suor parecia diferente, mas isso não me incomodou. Olhei para trás e vi 2 zumbis caminhando em minha direção, logo mais 3 se juntaram, eu estava muito calmo, não sentia nada diante daquela procissão lenta que vinha atrás de mim.
Olhei para a frente, o sol não estava tão alto no céu, era uma típica manhã quente de São Luís, uma leve brisa passava arrastando o que meu corpo estava produzindo, seja lá o que isso fosse. Olhei novamente para trás e avistei pelo menos 2 dúzias de olhos brancos fixados em mim, pareciam estranhamente curiosos e não resmungavam nada, entre eles uma pequena garotinha loirinha com um vestido rosa arrastava seu pequeno pé que tinha os ossos expostos. Todos se aproximaram de mim e eu me senti mais vazio ainda, um cheiro pútrido veio de algum lugar atrás de mim e ao me virar um zumbi surgiu furioso no meu campo de visão, todos os que estavam atrás de mim gemeram em uníssono e ele de repente parou e se aproximou me cheirando com seu nariz destruído, enquanto a pele da bochecha pendia do lado esquerdo do rosto. Virei a cabeça curioso e estendi a mão, no mesmo momento ele se afastou assustado com a cabeça baixa e ficou ali. O que eu sou? Daniel? Quem é Daniel?
°°°°
Luís recuou sorrindo, jogou o óculos quebrado fora, cuspiu sangue e limpou o restante do sangue que escorria. Um filete de sangue se projetava acima da sobrancelha esquerda e um hematoma roxo se sobressaia em seu rosto. Seu adversário não estava em estado melhor, uma marca roxa marcava o olho direito, ele tinha perdido um dente e mancava com a perna direita que tinha sido atingida pelo chute de Luís com aquele maldito sapato reforçado. Luís pulou se aquecendo como se estivesse em um ringue. Ele sorria, estava feliz, se sentia vivo, por um momento esqueceu da sua missão e de suas preocupações e voltou a ser o soldado de antes, voltou a ser o melhor amigo e maior adversário de Fernando, os melhores soldados da organização. Fernando por outro lado parecia furioso e determinado a terminar com aquilo.
— O que foi mano? Tá tenso? — Luís debochou. — 4 a 4, que tal a gente desempatar essa competição?
Fernando correu desajeitado e pulou girando sua perna boa, mas Luís se esquivou no último momento e deu um chute na perna machucada do outro. Fernando tentou se equilibrar usando o braço, mas a dor o deixou atordoado e ele caiu. Luís se aproximou sorrindo e levou uma rasteira, Fernando se moveu muito rápido e encaixou uma chave de perna em Luís.
— Você nunca vai me ganhar! Sabe porque? — Fernando apertou mais. — Eu ainda sou um ser humano, ainda tenho sentimentos e memória. Não me deixei levar por palavras e pelo momento como você.
— Pelo contrário meu amigo. — Luís falou ofegante. — O sentimento nos torna fracos. Enquanto tu bate papo comigo Daniel tá morrendo lá fora. — Luís sorriu.
Em um momento de fraqueza Fernando afrouxou o aperto e Luís se ergueu, o seu adversário girou e usou o braço para dar um impulso para se levantar. Levou um soco de Luís e cambaleou para trás, tentou se defender, mas outro soco o atingiu na barriga.
— A diferença entre nós dois. — Luís falou e deu mais um soco no rosto. — É que você não está disposto a matar, mas eu sim. — Luís sorriu e deu mais um soco retirando sangue do nariz de seu adversário.
°°°°
O que aconteceu? Ah droga! Minha cabeça, eu estou meio confusa e tudo está tão escuro. Será que virei uma zumbi? Será que é assim que eles se sentem? Mas eu posso sentir e escutar as batidas do meu coração, estão se acalmando aos poucos, meu corpo está quente e minha cabeça gira um pouco, como se eu...se eu tivesse tido um...como meu pai chamava? Surto de adrenalina eu acho. Eu estava no alto da prateleira e caí, devo ter batido a cabeça, lembro de ter pensado em fugir quando tudo começou a girar, meu coração acelerou com o medo e a morte iminente e então o instinto falou mais alto.
Sinto um líquido escorrer em meu braço e torço para que não seja sangue. Torço para que eu não tenha sido mordida e torço para que alguém me ajude antes que eu surte.
°°°°
Ao meu comando alguns zumbis invadem uma casa e saem somente com um pacote de biscoito, como ligeiramente irritado e sinto um vazio cada vez maior em mim, suponho que seja fome. Olho para trás e vejo que a horda de zumbis que me segue é cada vez maior, o cheiro horrível vindo deles não me incomoda, parece até familiar e é bem fraco se comparado ao estranho cheiro que emana de meus poros, eu me sinto calmo, sinto que tem algo faltando e que estou esquecendo de algo. Mas de repente essa sensação vai embora assim que meu estômago ronca e sinto uma necessidade enorme de me alimentar, uma necessidade enorme de me proteger, de repente eu me sinto extremamente importante e não posso me dar ao luxo de morrer de fome.
Em todas as casas que os zumbis invadem encontram apenas um pouco de suprimento de água e um pouco de alimento, além de uma ou duas pessoas que eles devoram rapidamente com minha permissão. Olho para eles e sou tomado por uma estranha sensação, parece algo maternal... paternal... eles precisam se alimentar. Ofereço um biscoito a garota zumbi e ela não aceita, eles parecem comer apenas carne fresca.
Passamos em frente a um grande supermercado e mando 10 zumbis entrarem por trás e ver se tinha suprimentos e se era seguro, pouco tempo depois ouço tiros e sei que eles morreram. Sem pensar duas vezes mando um grupo maior, quase 200 zumbis, eles arrebentam a porta da frente e entram. Ouço tiros, gritos desesperados e a morte é quase palpável. Alguns minutos depois dois zumbis surgem na entrada e este é o sinal para que eu entre e eu faço prontamente.
Cerca de 6 sobreviventes estão cercados e aparentemente machucados, um homem está sendo devorado em outro lado. Me aproximo dos sobreviventes, são 3 homens, uma mulher e 2 crianças, uma delas está muito machucada. Analiso bem e decido que a criança menor e o homem mais alto serão ótimos, aponto para os outros e os zumbis os devoram, o homem me encara cético enquanto eu encosto nele e sinto um calor, o vírus dentro de mim saía de seu esconderijo e era atacado por meu sistema imunológico, ele chegou ao homem e em poucos segundos ele tinha virado zumbi, fiz o mesmo com a criança.
Vejo que um zumbi arranha uma porta e vou em direção a ela, o zumbi sai da frente e abro a porta. Uma mulher me encara, uma arma apontada para mim e vejo sua barriga saliente indicando a presença de algo, não consigo associar isso a nada.
— Ainda bem que você apareceu. — ela fala em desespero e abaixa a arma. — Achei que eles iam matar eu e minha filha. Quem é você?
— Quem sou eu? — falo com uma voz quase robótica. — Quem é você?
— Meu nome é Renata. — ela se levanta e coloca a arma na cintura se sentindo segura comigo.
— Renata. — repito. — Re...
De repente minha cabeça dói, eu pressiono as têmporas como se isso fosse conter a dor, lampejos invadem minha mente, a memória parece voltar desorganizada e eu sinto tanta dor, dói tanto. De repente sinto nojo de mim, meu corpo está grudento. Onde estou? Ah! A dor não para, sinto medo, dor, raiva e grito furioso apontando a mulher e o que acontece a seguir me assusta. Um zumbi que eu não percebi que estava ali pula em cima da mulher retirando um pedaço de pele do pescoço dela. Em seguida mais zumbis se juntam em cima dela e não consigo ouvir os gritos dela acima dos meus, me afasto gritando até encostar em uma parede e vejo a mulher estender a mão para mim e a última coisa que vejo são os olhos dela, mostrando o terror e o medo, não direcionado aos zumbis. Medo de uma coisa pior — sinto lágrimas escorrerem por meu rosto — ela estava com medo de mim.
°°°°
Fernando corria ou pelo menos tentava correr, não acreditava no que tinha feito, olhou para suas mãos e viu sangue, limpou na camisa e colocou novamente a mão no nariz para tentar conter o sangramento. Lembrou das últimas palavras de Luís.
— Eu vou matar Rebeca e Daniel na tua frente e quando ele virarem zumbis deixarei os dois te devorarem, para ver se a gente finalmente fecha esse placar.
Naquele momento Fernando foi tomado por uma fúria descomunal, seu corpo agia por conta própria conforme todo o treinamento que ele tinha recebido. Cada golpe era por um amigo da organização, morto pelas mãos de Luís, e os últimos foram por Rebeca e Daniel. Luís ria, mesmo cuspindo sangue e com uma arma apontada para sua cabeça, e mesmo com todo ódio acumulado Fernando não pode deixar de sentir compaixão e teve que concordar com a afirmativa de seu adversário sobre ele não estar disposto a matar. Deixou Luís em um estado semi consciente, mas sabia que rapidamente ele iria se recuperar, então precisava ganhar espaço e precisava encontrar Daniel e Rebeca com urgência.
Agora que a fúria tinha passado sentia dor em todo seu corpo, parecia que tinha sido atropelado por um caminhão, lutar com Luís sempre o deixou assim. Encontrou um carro bom e enfim se permitiu relaxar um pouco, girou a chave e pisou no acelerador decidido, ele chegaria no São Luís Shopping antes de seu adversário.
°°°°
Luís se limpou e aproveitou que estava no Shopping para trocar de roupa e pegar um óculos novo. Tomou alguns remédios para inflamação e procurou se nenhum osso seu tinha quebrado. Encontrou apenas dois levemente deslocados que ele colocou de volta ao lugar. Nesses momentos, o vírus em sua cabeça quase parecia uma coisa boa, o impedindo de sentir dor e fazendo com que ele continuasse a lutar sem parar. Mas tinha o lado negativo, a dor era um indicativo que algo estava errado, que nos indicava exatamente o que precisava receber atenção e o que iria passar rapidamente. Sem isso ele tinha que se auto-examinar periodicamente, ele também não podia arriscar ficar sem tomar o soro para poder sentir a dor, pois já tinha feito isso antes e a infecção tinha se espalhado e levado parte da memória dele.
Saiu caminhando tranquilo pelo estacionamento, derrubou um zumbi que apareceu e pegou uma motocicleta estacionada em um lugar estratégico, ele cantarolou uma música e ligou a moto, sabia exatamente onde deveria ir.
°°°°
ANTES
Vírus são criaturas curiosas, eles conhecem o funcionamento da área onde eles atacam, sabem o que é responsável por cada função e sabem como interromper elas, são criaturas evolutivas e por vezes, perigosas. Combinar a capacidade de mutação do vírus com o controle do corpo foi a princípio uma idéia genial, mas não contávamos com o fator natureza. A própria natureza do vírus o impulsionou a se modificar cada vez mais e procurar uma forma ideal de infectar seu hospedeiro. Alguns ratos infectados começaram a apresentar comportamentos estranhos antes de morrer e um dia durante o descarte do rato no incinerador o animal se moveu e mordeu o pesquisador que o segurava. A mordida foi forte o suficiente para atravessar a luva e penetrar na carne, foi uma mordida dolorida e por instinto o cientista jogou o rato no incinerador. Aquele pesquisador se tornou nossa primeira cobaia humana, não sabíamos, mas aquele tinha sido o primeiro indício de que o vírus estava evoluindo cada vez mais rápido.
Com as nossas descobertas com nossa cobaia humana, pudemos dar início ao projeto VIRUS que visava criar os melhores soldados do mundo, precisávamos desenvolver um soro para evitar que a infecção matasse os soldados e assim que tudo começou dentro daquela organização sem propósitos que queria proteger imunes.
No fim o vírus evoluiu cada vez mais, mesmo com o soro alguns soldados não resistiram a infecção e morreram, o vírus começou a se espalhar, acredito que ele estava no sistema do mosquito aedes aegipt e quando a nuvem negra se espalhou pelo mundo eu soube que minha maior criação estava pronta, minha obra-prima, o vírus que mudaria a vida humana e mostraria quem realmente estava no topo. Meu vírus, o vírus que eu criei, só espero poder ver quando um super imune for infectado, daria tudo para ver no que o vírus se transformaria.
°°°°
HOJE
Após ver aquela horrível cena eu corri para o fundo do supermercado, alguns zumbis me olharam e não fizeram nada, aquilo me assustou ainda mais, corri em direção a um carro na rua e me olhei no retrovisor, eu estava normal, meu rosto estava normal, meu corpo estava normal, meus olhos estão...espera, meus olhos estão normais? Eu estou sem óculos? Sim, eu deveria estar enxergando tudo embaçado, mas minha vista está boa. Não está 100%, percebo ao tentar enxergar as coisas que estão muito longe, mas minha vista está bem melhor.
Ouço um barulho e vejo que os zumbis estão saindo do supermercado, todos andam calmos em minha direção, parecem ser muitos, 500 talvez. Meu coração acelera e penso em correr, mas ao me virar vejo mais zumbis, eu tenho que correr, preciso correr antes de ser cercado. Eu preciso salvar a Rebeca. Eu preciso...droga, não posso esquecer, não posso. AAAAH!
°°°°
Luís acelerava a moto, seu rosto já não doía mais e o inchaço já estava diminuindo, apesar de todo o mal causado, era incrível o poder daquele vírus. As células eram impulsionadas a se regenerar com mais rapidez, para poder manter o soldado vivo, o vírus fazia de tudo para manter seu hospedeiro vivo e assim poder proliferar.
Luís acelerou, tinha ouvido Daniel falar sobre Shopping, iria dar uma passada no Shopping São Luís e depois iria no Rio Anil, caso não encontrasse nada em nenhum deles iria investigar os outros. Ninguém escapava dele, Fernando iria se ferrar e Daniel teria uma ótima surpresa.
°°°°
Fernando estava perto do Shopping quando avistou aquela cena estranha, uma horda imensa de zumbis seguiam calmamente um garoto que corria em direção ao Shopping, ele estreitou bem os olhos e reconheceu imediatamente aquela roupa, concluiu com terror genuíno que aquele era Daniel.
°°°°
Corri para o Shopping e entrei correndo pelas portas quebradas, corri e olhei uma zumbi morta na Cacau Show, vi marcas ensanguentadas de chinelos pequenos e segui até um dos corredores, de longe avistei um pano rosa pendurado nas Lojas Americanas. Essa é a minha garota, muito esperta. Entrei dentro da loja e me deparei com um zumbi imenso, o maldito me olhou sem reação e juntei um taco no chão e dei vários golpes na cabeça dele.
Corri pela loja e vi sangue indo em direção aos eletrodomésticos. Parei ao ver uma grande marca de sangue perto da geladeira, a bolsa de Rebeca estava ali, um cheiro de podridão exalava, me aproximei e olhei aquela cena horrível. Uma mulher sem a barriga, sem as entranhas e sem grande parte do rosto estava ali morta, junto de um bebê que estava ali perto, morto com olhos brancos e expressão de fúria me olhando. Escutei um barulho vindo de uma geladeira atrás de mim e antes que eu pudesse me virar, algo pulou em meu pescoço.
Fale com o autor