Estive treinando com Evelyn a manhã toda, ela é muito boa no que ela faz. Descobri que ela treinava os lobos mais jovens. Nos corremos um pouco pela mata, pra eu mostrar ate onde nossas terras iam, e para nos aquecermos. Depois ela me ensinou como me esquivar de ataques.

Veja é fácil te derrubar, você coloca muito peso na perna da frente. – Ela disse.

Coloque 30% do seu peso na perna da frente e 70% na de trás assim será mais difícil alguém te derrubar com uma rasteira. – Ela falou demonstrando a posição correta para mim. Dava para ver que ela entendia muito bem do assunto.

Tente descobrir qual é o lado mais fraco do oponente, se for canhoto tente atacar pela direita.

Ok. – Eu respondi, prestando atenção em todas as suas palavras.

Meninas o almoço esta pronto. – Dizia meu pai na porta da minha casa. Nos duas fomos para dentro almoçar, eu estava morrendo de fome, depois de tanta ação estava suando, mas Evelyn não parecia nem um pouco desgastada.

Após o almoço eu fui cumprir meus afazeres de ômega e Evelyn foi junto comigo. Eu estava limpando as folhas ao redor de uma arvore e Evelyn estava sentada em baixo da sombra de outra que estava próxima. Quando vi o meu tormento se aproximando. Misha caminhava em minha direção com Trevor abraçado a ela, logo atrás vinha Ben e layla que era seu par, Layla se dizia amiga de Misha, mais na verdade era apenas um fantoche sem cérebro, ela fazia e dizia tudo oque Misha pedisse.

Olhaaa só quem esta aqui, a omegazinha e aquela esquisita intrusa. – Dizia Trevor em um tom de deboche.

Volta pra sua terra, lá você era beta, aqui você não é nada. – Disse Ben logo em seguida.

Os dois garotos eram enormes, extremamente musculosos e definidos, afinal eram lobisomens, mas não pareciam assustar nada nada Evelyn. Ela apenas olhou para eles e levantou uma de suas sobrancelhas.

Eu só acho que vocês deveriam voltar para baixo da saia da mamãe de vocês, porque oque sobra em tamanho falta em cérebro, não vou nem discutir porque falar com gente imbecil me da náuseas.

Outch! Pensei. Eu já estava me preparando pra sair correndo depois do que Evelyn falou para eles. Os olhos dos garotos começaram a brilhar de raiva, mas ela não moveu um musculo e permaneceu sentada.

Agora você vai apanhar como nunca apanhou. – Ben falou rugindo e mostrando os dentes, agora afiados. Ben e Trevor avançaram para cima dela. Evelyn levantou tranquilamente e quando ia levar um golpe de Ben, ela apenas desviou. Ele perdeu o equilíbrio e caiu de cara no chão.

Viu Suri, 30% na frente 70% atrás senão vai cair igual esse idiota. – Ela falou para mim dando uma piscada e um sorriso.

Trevor avançou logo depois com um chute, ela segurou a perna dele e levantou até ele perder o equilíbrio e cair também.

Que falta de elasticidade você tem. – Ela disse debochando do garoto que agora estava no chão.

Os dois iam contra atacar novamente mas Misha impediu dando voz de comando.

Parem! Já chega, vocês dois se controlem agora! – Ela falou irritada.

Mas você viu oque ela fez. – Trevor disse se levantando e tirando a poeira da jaqueta.

Eu disse ja chega! – Ela falou novamente cruzando os braços.

Os garotos se ajustaram e foram embora junto com Misha. Eu não estava acreditando naquilo, acho que foi o melhor dia da minha vida. Agora eu tinha uma amiga para me defender.

Nossa você foi sensacional! – Eu falei empolgada, um tanto empolgada demais pois eu pulei em seu pescoço, dando-lhe um abraço. Evelyn arregalou os olhos em surpresa, mas depois fechou os braços em volta da minha cintura. Eu resolvi me afastar quando o abraço demorou mais do que deveria e também porque estava ficando muito estranho devido as circunstâncias.

Eu e Evelyn estávamos nos tornando muito próximas, nos continuávamos treinando. Passaram – se duas semanas e ninguém mais havia mexido

com agente. Evy era o apelido que eu havia dado a ela, afinal ela me chamava de Suri.

Nos duas estávamos indo a escola, la tudo se tornou melhor para mim, pois agora eu tinha com quem sentar no intervalo e em algumas classes nos também estávamos juntas.

Evy vamos apostar corrida? – Eu disse quando nos duas voltávamos da escola. Nos estávamos na estrada que ia em direção a matilha.

Olha só! Você tem certeza que quer isso? Esta muito confiante. – Ela disse em tom de deboche.

Pare, claro que dou conta. – Eu disse enquanto dava-lhe um soquinho no ombro.

Então tudo bem. Como lobo? – Ela perguntou.

Sim vamos na mata. – Eu falei apontando para a lateral da via, onde começava a floresta.

Nos duas nos despimos em lugares separados. Claro. O lobo dela era lindo, todo negro. E eu era apenas eu. Pequena, cinza, comum, sem graça.

Nos duas nos preparamos e corremos. Eu conhecia bem os atalhos, ela nem tanto, essa era a minha única vantagem. Logo nos duas nos dispersamos, ela praticamente voou após saltar de uma pedra por cima de mim e desapareceu na minha frente. Eu tomei um atalho pela direita, ao longo do rio, onde a mata era menos densa.

Apos quinze minutos de corrida eu pude avistar as cabanas da matilha, quando cheguei vi Evy toda sorridente sentada em um tronco, já vestida.

E ai bonitona cansou? Porque minha bunda já ficou quadrada de ficar sentada esperando. – Ela disse e logo após deu uma gargalhada.

Ela e suas gracinhas, Evy era muito rápida, era incomparável.

Eu me transformei novamente sem me preocupar com roupas pois a mochila com as vestimentas estava com Evy.

Hey não vale! – Eu falei em protesto, fazendo a maior cara de brava que pude e cruzando os braços.

Ela percebeu que eu estava sem roupas e ficou vermelha.

Primeiro valeu sim, foi justo, partimos do mesmo lugar, segundo bota uma roupa sua pervertida. – Ela falou e jogou uma camiseta na minha cara. Vesti imediatamente, e logo depois um shorts que ela me estendeu sem olhar para mim.

Nisso vimos Misha se aproximar, ela estava sozinha e com cara de poucos amigos.

Evelyn! Meu pai quer falar com você. Algo relacionado a Nathanael e sobre como você vai treinar nossos lobos.

Tudo bem já estou indo. – Ela falou e logo se virou para mim.

Já eu volto. – Evy falou me dando um beijo na bochecha. Não sei de onde aquilo veio, mas provavelmente fiquei vermelha.

Ok. – Falei gaguejando.

Quando ela se foi Misha veio até mim e sentou do meu lado cruzando os braços.

Agora você tem uma amiguinha. – Ela falou olhando para o nada, e mordiscando o lábio inferior. Alguma coisa sobre aquilo estava deixando ela irritada, mas porque? Até onde eu sei, ela não queria nada comigo.

Sim eu tenho. Pela primeira vez. – Eu falei olhando para o chão.

Eh que ótimo, sei que não vai durar muito, não se acostume. Pois meu pai vai tomar todo o tempo dela, ela vai treinar nossos guerreiros, por tanto vá se preparando pra ficar sozinha novamente.

Ela falou, se levantou e foi embora.

Eu não podia acreditar na maldade dessa garota, oque eu havia feito pra ela me tratar assim? Lágrimas estavam saindo do meu rosto. Eu corri para casa, deitei na cama e chorei até pegar no sono e dormir.

No dia seguinte ao acordar senti um peso estranho sobre minha cama, quando me virei vi quem estava lá.

Bom diaaa! – Evy falou empolgada com aquele lindo sorriso.

Bom dia. – Eu respondi assustada.- Até onde eu sei, você tem sua própria cama. – Eu falei novamente me levantando e coçando os olhos.

Mas você estava chorando, achei que estava mal, por isso fiquei junto. – Ela falou.

Humm. Eu falei supresa.

Então? – Ela perguntou com um tom de curiosidade.

Entaaao, então o que? – Eu falei olhando pra ela.

Porque estava chorando?

Porque Misha falou umas coisas que não gostei. – Eu falei olhando para o chão.

Tipo oque? – Ela perguntou curiosa.

Tipo que você não vai mais ficar junto de mim, que não vai mais ter tempo, pois vai treinar os guerreiros.

Só nos sonhos dela, obvio que a garota esta morrendo de ciúmes. – Ela falou rindo. – Eu jamais ia fazer isso, Suri eu tenho respeito pelos outros, ainda mais quem é meu amigo. Fidelidade e honra são coisas que os membros de nossa matilha aprendem ter desde a infância. Eu falei com o pai dela e disse que treinaria os guerreiros com a condição de que você ficaria o tempo todo junto com agente e que treinaria também. O velho babão não gostou muito da ideia mais aceitou. – Evelyn falou e deitou com os braços atrás da nuca. Oque ela disse me fez sorrir. Eu fiquei muito empolgada com a noticia, e novamente abracei ela. Agora definitivamente a posição era estranha, pois ela estava deitada e eu estava por cima.

Meninas! Café – Meu pai entrou no meu quarto justamente naquela hora constrangedora.

Ai meu deus! – Ele falou com os olhos arregalados.

Pai pera não é isso que o senhor tá pensando, eu só estava abraçando ela. – Eu falei me afastando até a outra parede do quarto.

Eu sei eu sei, eu já vou indo tá queimando o bacon lá na cozinha e até mais. – Ele fechou rápido a porta.

Nisso Evelyn estava se matando de tanto rir da situação, eu por outro lado estava em pânico completo. Eu peguei um travesseiro e joguei na cara dela pra fazer ela parar de rir.

Da pra cala a boca! Poxa agora meu pai vai pensar oque de mim. – Eu falei indignada.

Não tenho culpa, você que veio pra cima deste meu corpinho sexy. – Ela falou jogando o travesseiro de volta para mim.- Afinal quem não ia querer uma namorada linda assim como eu.

Com certeza eu não. – Eu falei brava cruzando os braços.

Ah é. – Ela falou chegando mais perto de mim e me prensando na parede com os dois braços em ambos os lados da minha cabeça para que eu não fugisse.

Com certeza, eca. – Eu dizia isso mas meu coração estava batendo muito forte naquele momento, eu sabia que não ia poder disfarçar porque ela iria ouvir.

Eh mais tem outras coisas ai nesse seu corpinho dizendo pra mim o contrario. – Ela falou chegando mais perto e mais perto até que senti sua respiração quente bater em meus lábios.

Não sei do que você esta falando. – Eu falei olhando para o lado pra tentar desviar dela.

Qual é estou brincando sua boba. – Ela falou e se afastou de mim dando risada.

Sem graça, vamos logo senão meu pai definitivamente vai pensar que esta rolando algo aqui.

Vai Suri mais rápido vai!! – Ela começou a gritar e falar isso repetidamente em uma voz sexy.

Cala a boca, cala a boca!! – Eu tentei fazer ela parar de falar essas coisas, pois estava me deixando constrangida. Mas ela era mais forte e segurou minhas duas mãos.

Então tomei uma providência, a única forma de fazer ela ficar quieta já que minhas mãos estavam presas por ela. Encostei meus lábios no dela e ela se calou rapidamente, largando minhas duas mãos e segurando minha cintura. Foi um beijo rápido, apenas para ela ficar quieta, foi muito bom, senti como se meu estômago estivesse dando ‘’backflips”.

Ela se afastou com um sorriso nos lábios, algo me dizia que ela sentiu o mesmo que eu.

- Eh vamos logo. – Eu falei novamente, saindo pela porta do meu quarto, totalmente constrangida, aquilo definitivamente foi estranho.