Suri! Acorda! Suri!

Acordei com o barulho de uma voz impaciente me chamando, soltei um grunido e rolei na cama implorando por mais cinco minutos de sono.

Vamos suri! Levante!

Uhhhh – falei

Se você não levantar em 1 minuto, você vai ter sérios problemas. – reconheci o dono da voz. Era meu pai impaciente em frente a porta do meu quarto.

Levantei cocei a cabeça e me espreguicei.

Você tem aula hoje mocinha! Você se esqueceu?- meu pai falou impaciente.

Olhei no relógio e me assustei com a hora, estava extremamente tarde e hoje eu tinha aula.

vish! – Foi a única coisa que escapou dos meus lábios antes de eu sair correndo para o banheiro me arrumar.

Deixe-me apresentar pra vocês quem sou eu. Meu nome é Suriel anna Martinez eu tenho dezessete anos, possuo cabelos longos um pouco ondulados na cor castanho escuro, não sou muito alta, tenho 1,60 de altura.

Eu e meu pai vivemos em uma pequena vila rodeada de floresta, a única cidade mais próxima é Mitsville, que nem é tao próxima assim pois fica a 10 kilometros de nossa vila.

Mas vocês devem estar se perguntando, porque vivo em um lugar tão distante assim. É que minha família, meu grupo, descende de um povo que foi abençoado com um dom, o dom de compartilhar sua alma com a de um lobo. Sim nos podíamos nos converter em lobos quando fosse necessário, quando nos queríamos e precisássemos.

Eu e meu pai éramos omegas, oque significa que nossa opinião dentro da matilha não é levada tão em conta, e que não somos tão fortes nem tão rápidos como os outros, mas mesmo assim fazemos parte do grupo e auxiliamos eles no que precisarem. Tudo bem eu não me importo muito com posições.

Minha mãe nos abandonou quando eu era apenas um bebezinho, por isso não me lembro muito bem dela e meu pai nem faz questão de me mostrar como ela era.

Mas voltando a minha historia.

Filha você já esta pronta? – Meu pai gritou da sala.

Sim sim pai, já estou indo.

Rapido senão você se atrasa. – ele gritou impaciente.

Sim pai ja estou indo – Falei enquanto me dirigia ate o sofá onde ele estava sentado. Dei um beijo em sua bochecha e um abraço.

Suri, Não se esqueça que hoje é seu dia de limpar as calçadas da vila, portanto não chegue tarde.

Tudo bem pai. – Eu não podia reclamar, afinal era trabalho de ômega, mas a verdade é que eu odiava essas tarefas, meu sonho era lutar, brigar em batalhas com outros lobos, mas eu era pequena e fraca demais.

E Suri.

Oque pai?

Não quero saber de você andando em quatro patas por ai, vá como humana para escola e volte como humana.

Tudo bem pai. – Menti. Correr era oque me satisfazia, era a única hora do dia que eu podia ser eu mesma, e eu fazia isso no trajeto da escola, pois eu não tinha carro e meu pai não podia comprar um.

Sai pela porta e quando percebi que estava afastada o suficiente, corri atrás de duas arvores, me despi e me transformei. Meu lobo era cinza e preto, meus olhos como os de um ômega eram amarelos, comuns.

Corri como se não houvesse amanha, com a mochila entre meus dentes, passando por arvores, arbustos, trocos úmidos e com musgos. Eu podia sentir o cheiro de frutas, de flores e de outros animais. Eu podia ouvir pássaros e insetos. Tudo era verde e bonito, uma festa para os meus sentidos.

Quando cheguei próximo as redondezas da cidadela, me transformei novamente e me vesti. Com um espelhinho ajeitei meu cabelo, coloquei a mochila nas costas e caminhei em direção a única escola de Mistville.

Percebi os carros dos outros colegas de matilha já estacionados.

Quando cheguei na sala a aula já estava prestes a começar, como de costume sentei no meu lugar próximo a janela.

Eu não possuía amigos na matilha, nenhum deles queria ter um amigo ômega. Mas eu não ligava, e fazia de conta que eles também não existiam pra mim.

Durante a classe tudo foi normal, mais um dia estressante com um bando de babacas atirando bolinhas de papel em mim. Detalhe, eles eram humanos, nem sabiam que eu podia arrancar a cabeça deles e brincar de futebol com elas, sem o mínimo esforço. Mas a paciência era um dom que eu adorava cultivar.

Durante o intervalo eu sentava sozinha e tentava não chamar atenção. Com minha bandeja de comida eu procurava um lugar vazio no meio daquela multidão de adolescentes famintos. E ao passar pela mesa de meus colegas de matilha eu tropecei e cai de boca no chão. As gargalhadas foram unanimes.

Olhei para cima para ver o autor da brincadeira, e descobri que não era autor, e sim autora.

A filha do Alpha, a top das tops pelo menos era oque ela pensava dela mesma. Misha, possuía o maior ego que eu já havia visto em toda a minha existência. Ela possuía sangue nobre e aparentemente nenhum cérebro pra administra-lo.

Com aquele sorriso sexy e aquela cara de “badass”, e aquela jaqueta de couro. Ain quem eu estou querendo enganar, eu era louca por ela, mas ela nem sonhava com isso. Toda minha vida, fui saco de pancadas dela, e eu nem me importava.

Ops acho que você teve uma quedinha. – Ela falou em um tom de deboche.

Não falei nada, apenas me levantei, ajuntei minhas coisas e larguei a comida no lixo.

O dia passou bem rápido depois do incidente na cafeteria. Quando o sinal tocou todos os alunos juntaram seus pertences e foram embora.

Eu corri de volta a minha vila pois eu sabia que tinha muitos afazeres, nosso alpha era muito restristo em relação a isso. Ninguém gostava de contraria-lo.

Ao chegar em casa, dei oi para meu pai, fui para o quarto, peguei uma camiseta limpa e corri para o armário de limpeza pra pegar a vassoura e os utensílios de jardinagem.

Minha tarefa do dia era limpar as calçadas, tirar os musgos das pedras e aparar a grama da casa do alpha. Eu odiava essas tarefas, achava um desperdício de tempo, mas eu não podia recusar.

Enquanto eu varria uma das calçadas, eu observava Misha do outro lado do lago, treinando junto com Ben e Trevor, dois garotos filhos do Beta. Esses dois eram muito babacas, e não perdiam tempo quando o assunto era tirar sarro de mim. Eles se achavam a ultima bolacha do pacote, junto com Misha.

Mas no momento não estava me importando muito com eles, pois Misha era a única coisa que estava tomando toda a minha atenção. Ela estava com um shorts curto de lycra, que mostrava suas coxas malhadas e fortes e uma regata cinza solta. Gotas de suor estavam espalhadas pelo seu corpo e seu rosto mostrava concentração e disciplina enquanto ela finalizava Trevor no chão.

Ela era muito mais forte que eles dois, mas os três sempre andavam juntos e lideravam o resto dos adolescentes da nossa matilha.

Suri! – Ouvi meu pai chamar. Saindo do meu tranze percebi que ele estava do meu lado e não parecia muito feliz.

Se o alpha descobrir que você esta babando sobre a filha dele, não vai ficar muito legal para o seu lado mocinha. — Meus olhos arregalaram em surpresa, como ele sabia?

Errr. – Fiquei sem palavras.

Ja terminou tudo? – Ele falou impaciente.

Sim pai terminei. – Eu acho.

Bom, hoje temos reunião com o alpha. Ele quer todos da matilha. Tome banho e vá para o salão.

Sim senhor.

Corri me arrumar, eu não fazia ideia do que o alpha queria. Normalmente essas reuniões só ocorrem quando existe um clan inimigo próximo, ou um assunto muito importante.

Quando cheguei no salão, todos já estavam la. Inclusive o alpha e sua esposa junto com Misha que estava transformada em um grande lobo branco.

Reuni vocês aqui, porque como todos sabem, minha filha ainda não achou seu par. – Ele falou. O par que ele estava falando era a ligação que um lobo possuía com um outro. Todos os lobos encontram seus pares e vivem toda a sua vida com a mesma pessoa. Como um pedaço da sua alma, que vive junto com o outro.

Eu quero que todos os jovens se aproximem e transformem-se. Pois necessitamos encontrar o par de minha filha. Daqui um ano terei que me aposentar e passar o posto para ela, para isso ela necessita de seu par. Para que os dois possam administrar a matilha corretamente.

Todos os jovens se despiram e se transformaram, menos eu. O alpha olhou pra mim como se eu tivesse o desafiando.

Você! – Ele disse apontando em minha direção

Quem ? Eu? – Eu falei olhando para os lados, não sabendo se era comigo que ele estava falando.

É você sim, porque não fez oque eu mandei!

Senhor me desculpe, achei que não fosse necessário, afinal quais são as chances de um ômega fazer par com sua filha.

Eu mandei todos! – Me assustei com o tom dele e comecei a me despir.

Quando me transformei, os adultos riram, pois meu lobo era pequeno e não era tão bonito como os outros.

Silencio! – Ele falou autoritariamente.- Quero todos os lobos em linha agora.

Todos nos organizamos, eu fiquei por ultimo, com a cabeça baixa, ainda embaraçada, por causa das risadas.

Misha era linda transformada, ela possuía um pelo branco e olhos azuis que brilhavam, grandes patas e uma cauda longa e peluda. Ela caminhava entre todos os lobos e olhava nos olhos de cada um.

Quando chegou minha vez, eu ainda estava de cabeça baixa e não percebi.

Voce tem déficit de atenção ou oque! – Ouvi o Alpha gritar.

Levanta essa cabeça imediatamente! – Ele falou impaciente.

Quando levantei, vi aquele par de olhos azuis me olhando e eu sabia oque ia acontecer, senti muita energia percorrer meu corpo, senti Misha, toda sua essência, como se eu soubesse tudo sobre ela, e como se eu pudesse tocar sua alma, como se ela tivesse se misturado a mim. Ela também deve ter sentido algo porque seu olhar rapidamente se desviou e ela deu dois passos para trás.

Todos se transformaram novamente.

Então filha achou seu par? – O alpha perguntou na frente de todo mundo.

Misha caminhou atrás de uma cortina para se transformar e se vestir e logo depois voltou com uma cara de decepção.

Sim pai achei. – Ela falou disfarçando a sua cara de desgosto ela abriu um sorriso.

Oh que ótimo. – Ele falou entusiasmado.

Fiquei feliz porque ela iria falar meu nome, nos duas iriamos viver juntas e todo mundo iria parar de rir de mim.

Meu par é Trevor.

Que ótimo! Trevor Duncan! O filho do beta, eu sabia que vocês faziam um ótimo par.

Nessa hora, foi como se uma facada tivesse perfurado meu peito, meu mundo começou a girar, porque ela não falou que era eu? Porque?

Sai correndo do salão, antes que meu pai pudesse me chamar, rasguei minha roupa e me transformei. Corri pelo que acho ter sido horas, parei somente quando minhas patas não aguentavam mais. Fiquei deitada no chão ate a hora que o sol não era mais visto.

Voltei pra casa com a cabeça baixa, eu queria cair no primeiro buraco que eu encontrasse. Eu queria cair e ficar lá pra sempre.

Meu pai estava na porta de casa, furioso ele gritava e perguntava porque eu havia saído daquele jeito.

Eu ignorei, fui para o meu quarto e me transformei novamente em humana.

No dia seguinte tudo parecia sem sal, minha corrida pra escola estava cansativa, parecia que um peso de cem kilos estava nas minhas costas. Meu lobo estranhamente estava perdendo os pelos, os poucos que possuía. O céu parecia cinza e tudo estava sem graça.

Na escola eu vi Trevor sentado junto com Misha. Ele estava com um braço sobre ela. Isso me fazia irritada em tantas formas que nem era possível descrever todas.

Durante a educação física eu resolvi puxar Misha em um canto e falar com ela.

‘Atrás das arquibancadas’ dizia o bilhete que eu joguei pra ela enquanto passava entre ela e seus amigos. Esperei por dez minutos e quando ia desistir uma voz angelical falou.

Onde você esta indo? Nao queria conversar?

Sim! Ontem... err. – Eu não sabia como falar para ela. Isso estava deixando ela impaciente.

Vamos fala logo, eu não tenho todo o dia.

Você sentiu, me diz que você sentiu aquilo no salão.- eu disse implorando.

Sim eu sei, você é meu par. Mas nem por isso eu preciso aceitar. – Ela falou friamente.

Mas.. porque. – Eu falei com lagrimas nos olhos.

Porque você é medíocre, não vai me levar a lugar nenhum, meus pais não vão aceitar, e por um monte de outras razões.

Dessa vez acho que ela tinha me machucado pra valer. Ela saiu das arquibancadas, sem falar mais nada e eu fiquei lá não acreditando no que ela havia me dito.