Notas iniciais
Esse é tenso.

— Não sei, ela nunca me ligou de volta. — Hiro disse, tomando uma golada de refrigerante.

Todos eles estavam na sala de jogos com garrafas de refrigerante nas mãos.

— Não chora. — Aly sorriu, sem tirar os olhos do livro que lia, desinteressada.

— Eu não ligaria, você deixou ela sozinha no bar depois de ter dado dois bolos nela.. você merecia um chute na canela, não uma ligação. — Marysa sorriu, e Hiro revirou os olhos.

— Concordo. — Steve, riu.

— A pessoa já é doente de sair com ele, agora, aguentar dois bolos? Minha nossa senhora. — Havinah balançou a cabeça, e Mary gargalhou. — Se Charls tivesse feito isso comigo...

— Ahh, Charls isso, Charls aquilo... Conheceu esse cara a algumas horas. — Hiro a olhou de soslaio.

— É amor a primeira vista.

— Você realmente não pegou minha pulseira, Steve? — Britney perguntou, chorosa, se abaixando para procurar em todo ludar.

— Não.

— Que pulseira? — Havinah pergunta.

— Seria essa daqui? — Emily surgiu na porta, com Jason e Andrew do lado.

— Sim. — Ela sorriu, tirando a pulseira das mãos de Emily. — Onde estava?

— Lá em baixo.

Emily solta um sorriso raivoso, pronta para eletrocuta-los.

— Beem lá em baixo. Tipo, lá embaixo mesmo! — Emily gritou, fazendo Britney recuar, e Steve entende o que acinteceu.

— Oh, droga.

— Oh droga mesmo. — Jason coloca as mãos na cintura. — Os três. Agora.

Até Aly pula do sofá sem soltar um pio com seu tom ameaçador. Eles NUNCA tinham falado com os filhos assim.

Os seis sairam da sala, e foram andando. Eles sabiam que os pais estavam furiosos.

Steve engoliu em seco. Para mata-los, seria preciso apenas um empurrão da janela lá de cima.

— Eles sabem. — Steve explicou, num tom que elas quase não ouvem, e Aly morde os labios.

— Jura?

— E é culpa minha. — Britney escondeu os olhos cheios de lágrimas com a mão.

— Sim. Culpa sua. Parabéns, Britney.

— Aly. — Steve a repreende. — Não se preocupe, Brit.

— Eles vão me devolver para o internato?

— O que? Claro que não. Nem pensa nisso. Não é uma opção. Não vou deixar. — Ela assente, e Steve segura sua mão.

— Inscesto ta liberado. — Aly resmunga, e os dois fingem que não ouviram. — Nunca vi o papai tão bravo. A mamãe já, mas ele.. Caramba.

— Nunca ouvi você chama-los de mamãe e papai. Tem uma primeira vez pra tudo... — Steve envole em seco, começando a subir as escadas.

Emily parou, pegando dois enfeites em forma de cisne, e continou o caminho.

— Acha que ela vai jogar aquilo na gente? — Aly arregala os olhos.

— Acho. — Britney mordeu os lábios com força.

Assim que eles pisam na sala, Emily explode, jogando o cisne contra uma parede, estilhaçado o enfeite.

— O QUE DEU EM VOCÊS? — O outro pato vai ao chão com força, espirrando cacos para todo lado. Britney treme, e Aly envolve o corpo com os braços.

— Eu não sei nem por onde começar! — Jason fransiu o cenho, apertando as mãos com força.

— Sinceramente, acho que quem devia começar sou eu. — Steve assumiu a mesma postura dos pais, e Britney arregala os olhos. Decisão errada. — De onde diabos veio aquele tanto de corpos?!

— Não. Não, Steve. QUEM COMEÇA SOU EU, nem ouse! — Emily grita, andando contra eles, o que os faz se pressionarem contra a parede. — Nem ouse começar! Aquela é uma Ala proibida! Sabiam que existe uma lei protegendo-a?! Se nós quisermos podemos prender vocês pro resto de suas vidas!

— Mas não vamos. — Andrew resmunga.

— ANDREW! — Os dois Londres rugem, e Britney olha pro chão.

— Mãe...

— CALA A BOCA! Eu nem sei nem o que fazer com vocês! — Ela gritou, derrubando tudo que estava em cima da mesa num estrondo que os fez pular.

— De onde tiraram que tinham o dierito de invadir nossa privacidade desse jeito?! — Jason franziu o cenho, sem parar de apertar a própria mão. Emily andava de um lado ao outro, com as mãos no cabelo.

— Nós não sabemos nada sobre nós mesmos. Não sabemos sobre nossa família. Não sabemos sobre vocês. — Aly disse, sentindo lágrimas formando. Ela desvia o olhar dos olhos de Jason que os cortavam como uma navalha. A decepção misturada de ódio doía no fundo de suas almas.

— Nunca pensei que pudessem ser tão egoístas! — Emily piscou pra conter as lágrimas de raiva, mas elas rolaram mesmo assim. — Vocês acham que seria fácil contar tudo o que viram lá embaixo!? Vocês acham que aquela história é uma história feliz!? — Ela faz uma pausa para respirar fundo. Seu peito doía, corroendo de raiva que agora virava remorso e dor. — Acham que essas cicatrizes não doeram? — Emily abaixa o tom, e naquele momento, Steve preferia os gritos. — VOCÊS ACHAM, que eu não tenho pesadelos com tudo aquilo que aconteceu? Acham que eu nunca contaria a vocês quando chegasse a hora certa?

A essa altura, as luzes pelo resto do castelo já haviam começado a piscar loucamente. Ela estava perdendo o controle. Jason esquece toda a raiva por um segundo quando ela se apoia no criado, sem forças.

— Sabemos daquele lugar a anos. — A voz de Steve nem saiu. Eles nunca deviam ter achado aquela sala.

Emily ficou impassível, encarando seu rosto com as lágrimas quentes rolando a quilômetros por hora. Seus dentes trincavam. Mas nada comparado a dor de seus dedos fincando a pele.

A luz na sala brilhou. Brilhou tanto que eles tiveram que fechar os olhos. E depois começou a piscar tão rápido quanto suas lágrimas caindo.

— Emily. — Jason segurou seu rosto, e ela olhou para baixo, vendo faíscas brancas e luminosas tomando conta de seu corpo. — Se acalme.

Não adianta. Ela não tinha controle.

— EMILY, se acalme! — Ele grita, e a luz estoura, fazendo Britney gritar de susto.

Lágrimas rolavam no rosto de todos. Não coseguiam se mexer. O silêncio rasgava o peito os três.

Jason a abraça, e Andrew relaxa, feliz por ninguém ter explodido além da lâmpada.

— Saiam. — É só o que o rei conseguiu dizer, e os três não hesitam em sair da sala correndo.

— Steve. — Aly disse, com as mãos tremendo, e ele a abraçou. — O que fizemos?

Britney apenas conseguiu se encolher num canto tremendo e chorando.

— O que aconteceu? — Hlenah apareceu no corredor, alarmada, seguido por guardas, Kiro, Jean, Eron e seus filhos.

Nenhum deles consegue falar.

Andrew apareceu no corredor com os olhos vermelhos, sendo o único vestígio que se abalou.

Ele se agaixou na frente de Britney, que ergue a cabeça pra ele.

— Está tudo bem. Se acalme. — Ele a ajudou a levantar, e limpou suas lágrimas. — Já acabou. — Andrew deu um sorriso gentil, e ela assente, mais controlada.

Steve faz o mesmo com Aly.

— Ahm... Precisamos de uma lâmpada nova. — Andrew sorri para os guardas. — Não sei o que aconteceu com as luzes. Vão descobrir. — seu sorriso não morre mesmo com os guardas atônitos com sua calma no meio de tudo isso. — Vamos, vamos.

Andrew os espantou como um bando de gatinhos.

— Quem quer bolo?

— Andrew.. Você está bem? — Jean disse. — Parece... Em choque.

— Não. Estou bem. Por que não vão se preparar para o jantar? — Maryssa entende pelo olhar de Andrew que deviam sair.

— É. Vamos, Britney. — Ela envolve-a com um braço em suas costas, e vão com os outros adolescentes corredor a fora.

— O que aconteceu? — Kiro sussurra, chegando mais perto.

— Steve, Aly e Britney entraram na Ala Proibida.

— Ah meu Deus. — Jean toca a tempora. — Sabia que um dia aquela sala traria problemas.

— Todos sabíamos. — Eron dá de ombros, mordendo o lábio. — O que aconteceu com a luz?

— Emily perdeu o controle. — Andrew suspira. — Ela estava tão melhor...

Hlenah suspira.

— Que coisa horrível. O que esses garotos tinham pra fazer lá dentro?

— Não deviam ter entrado. — Jean morde o lábio, negando com a cabeça.

— Vamos deixar Jason cuidar dessa. — Eron diz, passando o braço pelas costas de Hlenah, e os acompanhando corredor abaixo.

(...)

Steve revirava de um lado ao outro na cama. A imagem de sua mãe chorando não saia de sua mente. Emily não chorava atoa. Eles tinham feito-a chorar.

Ele suspirou. Não deviam ter invadido a privacidade deles assim. Sua mãe estava certa. Aquilo lá dentro devia ser no mínimo traumatizante.

Mas... Todos aqueles corpos... Ele os encarava como se fossem terroristas... Mas e se fossem amigos, familiares deles? Não gostava nem de pensar.

Wanda, uma das únicas garotas "inteiras". Quem ela era? A curiosidade era enorme. Mas esperaria quando eles estivessem prontos para perguntar.

Steve se levantou, vestiu o roupão, e ignorou o relógio que marcava 4:03 da manhã. Ele seguiu pelos corredores até o quarto de Britney. Talvez ela estava tão abalada quanto ele.

— Steve?

— Te acordei?

— Não. Não consegui dormir.

— Nem eu.

Eles se encaram, engolindo em seco, ambos parados na porta com cara de taxo.

— Posso entrar?

Ela assentiu, e deixou passar, sentando na cama. Steve olhou em volta, surpreso. O quarto era exatamente igual aos outros de hóspedes. Ela devia te-lo decorado como quisesse.

— Por que não decorou?

— Não tenho personalidade suficiente para isso. — Ela sorriu, e Steve riu

— Tem sim.

— Talvez.. Mas não saberia como decorar. Gosto assim.

— Você gosta de flores. — Steve senta a seu lado, e ela assente. — Seria um bom começo.

— Acho que não precisa. — Steve dá de ombros.

— Por que não conseguiu dormir?

— Fiquei assustada, só. E não consigo parar de pensar no que ela disse... eu nem conheço-os direito... e entrei assim...

— Eu entendo como você se sente. Eu também não os conheço direito... Então acho que não podem negar que nos devem alguma explicação. Mas eu devia ter esperado eles estarem prontos.

— Sim. — Ela concordou. — Sua mãe está pior agora.

— Pois é. Mas ela vai voltar pra terapeuta, acho que é um começo. Quero arrumar um jeito de me desculpar com eles.

— Você vai. Não se preocupe. — Ela coloca uma mão em seu ombro, e ele sorri.

— Obrigado.

— Eu que o diga.

Os dois deitam, fitando o teto escuro.

Notas finais
Desculpem a demora! Comentem!