How to be a mother
1 A descoberta
Notas iniciais
Nos betamos o capítulo e se algum erro passou despercebido, nos perdoe pela inconveniência.
Qualquer coisa estou pelo @morrisswen
E lembrem-se "Wicked always wins"
sz
A menstruação atrasada e o inchaço nos seios, para algumas mulheres que torciam para ter uma gravidez, era um bom sinal. Para alguém como Zelena Mills que nunca planejou ter um bebê, passou despercebido. Não era mais uma adolescente, tinha conhecimento sobre o próprio corpo para saber que não tinha nada de errado ou incomum.
Como sempre, Zelena mostrou-se irresponsável reagendando suas consultas médicas ou até mesmo faltando, não havia tempo no seu vocabulário para perder tempo com algo como “médicos, consultórios e agulhas”, a não ser que estivesse diretamente ligado com algo que a fizesse ficar bela. Esteticistas, botox ou silicone, era uma pena que não tinha coragem suficiente para arriscar-se a uma cirurgia por simples vontade. “Eu seria, ainda mais, a divindade entre as mulheres”, mesmo com um pensamento fútil, decidira que todas tinham direito de ser belas, não quis atrapalhar o páreo de ninguém.
Regina ligou pela 14ª vez aquela “manhã” de segunda feira, tendo certeza de que Zelena nem ao menos tinha acordado. “Meu corpo só está preparado para acordar depois das 8”, resmungava sempre que a irmã mais nova vinha com um sermão. A ruiva rolou na cama e quase caiu no chão vendo as horas “11:25”, sua consulta era para daqui a uma hora, e as ligações de Regina se acumulavam.
— Meu celular estava no silencioso antes que você me mate. — Mentiu descaradamente. Devido a ida ao médico, não trabalharia hoje, mesmo que não devesse satisfação alguma aos “empregadores” — a não ser lhes dar os melhores desenhos de vestidos - não apareceria no ateliê aquela tarde. Correu para o banheiro.
— Eu conheço você desde sempre, então eu sei que você acabou de acordar. — A voz da morena era agressiva. — Você disse que eu podia confiar em você dessa vez!
— E pode, eu ainda tenho uma hora, por favor, não vamos brigar em plena segunda-feira. — Tentou erguer a bandeira branca com a irmã ao telefone. — Por favor?
— Certo. Eu espero de verdade que você vá ver o que há de errado. — Regina Mills tentou reforçar seu pedido. — É só um exame de sangue, um começo.
— Eu sei, eu prometi. Nos falamos depois, ok? — Desligou o telefone, estava atrasada.
Seu banho levou 20 contados minutos, os cabelos ruivos permaneciam esvoaçantes e brilhantes, eram belos de se ver. Não preocupou-se em fazer maquiagem, apenas com a roupa que vestiria, isso levou quase 15 minutos do seu tempo, saiu de casa apressada. Não deveria ter demorado tanto, sair de casa apressada significava correr no trânsito, a essa altura do campeonato tinha certeza de que uma multa ou duas por velocidade foi infringida. “Acontece”, pensou.
— Senhorita, hm... — A mulher parecia atenta em olhar a lista em seu computador. — Zelena Mills?
— Sou eu. — Respondeu, estava afoita, subiu 2 andares da clínica correndo, não tinha mais saúde para isso, constatou.
— Quase perdeu sua vez. — A falta de paciência da atendente era palpável, já devia estar trabalhando a hora, e com a hora do almoço se aproximando, os nervos ficavam ainda mais a flor da pele, era muito difícil que alguém trabalhando até aquele horário tivesse paciência com atrasados quando tinham fome.
— Certo, ok. É só um exame. — Repetiu as palavras para si como um mantra. Ainda não havia superado esse pequeno medo de criança de temer agulhas e consultórios médicos. Os odiava com toda sua força.
A atende seguiu com ela pelo corredor, a ruiva respirava mais aliviada e tranquila. “É só um um pouco de sangue, é por você. E porque sua irmã mais nova não te deixará em paz”, cantarolou enquanto mantinha o seu rebolado caminhando para o consultório. Sentou-se, a enfermeira lhe fez algumas perguntas rotineiras como “Manteve o jejum”, o nome e idade para confirmar o exame. Era tudo protocolado.
Algumas gotículas de sangue lhe foram tirada, não fazia muita diferença, poderia muito bem sobreviver sem alguns ml’s. A enfermeira lhe deu as costas, etiquetando seu sangue agora guardado em um vidrinho e depois a olhou uma vez mais.
— Já pode ir senhorita Mills, seu exame fica pronto em algumas horas, você receberá o resultado por email, a não ser que queira ficar aqui e esperar. — Obviamente Zelena não esperou, a mulher mal havia terminado de falar quando a ruiva cruzou as portas do consultório.
— Exame de sangue é uma ova, eu estou indo fazer compras. Já que estou livre de desenhos hoje, aproveitarei meu tempo livre com algo produtivo... — Balbuciou assim que entrou em seu carro, jogando a bolsa no banco do carona. — Compras. — Olhou-se no retrovisor admirando sua beleza.
Zelena tinha certeza de uma coisa: quando você pensava de mais num determinado assunto, ele se tornava realidade. Por isso, resolveu esquecer que fizera um exame de sangue, resolveu esquecer do constante mal estar que lhe assombrava , assim que entrou na loja em busca de um vestido para uma balada qualquer, ela realmente esqueceu que tudo estava bem com seu pai, até que um mal estar o tomou e Henry Mills viera a falecer. Afinal, aquilo não era nada, não com ela.
***
Três horas fazendo compras, gastando o dinheiro de seu suado trabalho, faziam com que seu humor fosse às alturas. Flertou com alguns atendentes, fingiu interesse quando um ex-qualquer coisa lhe parou no shopping e logo depois perguntou-se qual era o nome dele. Zelena não era o tipo de mulher que guardava nomes de homens que passavam rápido por sua vida.
A dona das orbes azuladas notou que não havia comido nada, passar no escritório onde a irmã mais nova trabalhava, tornou-se uma opção doce e favorável, poderia contar que fez o exame e a paz retornaria entre as irmãs Mills. Ambas entendiam-se muito bem, desde criança. Apesar de ser a mais velha, Regina era que tinha mais juízo entre as duas, e acreditem, elas não foram adolescentes fáceis.
Entrou no prédio, seu humor tinha definitivamente melhorado. Seus planos resumiam-se em convidar a irmã para comer qualquer coisa e bater um papo, no final do encontro ela lhe contaria como o dia de hoje fora divertido, até lá – em sua mente— o resultado já teria chegado e Zelena riria por ter ficado nervosa e ainda falaria com Regina que ela não precisava se preocupar, que ela estava bem e não bateria as botas tão cedo, o mundo precisava de mais pessoas como ela, gritaria isso para a irmã com toda certeza.
Apertou o botão do elevador indicando o 3 andar — não subiria pelas escadas de forma alguma, já tinha ultrapassado sua cota de ser saudável para um dia -, o prédio comercial não era muito grande. Checou rapidamente a aparência e permitiu-se piscar para o seu próprio reflexo, a ruiva sabia muito bem o poder que tinha. No final do corredor, vislumbrou a porta de vidro com o adesivado “Escritório de Advocacia Swan-Mills”. Zelena sempre refutava o quanto achava brega o nome de casada da irmã e da cunhada, mas amava o relacionamento de ambas.
— Oi Kathryn, minha irmã está? — Perguntou a secretária de Regina, sempre pronta e atenta ao seu trabalho.
— Está sim, Emma que já foi, mas você sabe como é a sua irmã. — A loira brincou e Zelena sorriu de volta a ela.
— E como eu sei. Não precisa anunciar pelo telefone, quero fazer surpresa. — Seguiu o caminho até a sala da irmã, seu celular vibrou em seu bolso.
Um toque significava mensagem, dois toques contínuos significava e-mail. Pensou que demoraria mais algumas horas até o resultado do seu exame ficar pronto,” Já poderei acalmar a cabeça especuladora de minha irmã”. Girou a maçaneta e vislumbrou a irmã com alguns papéis nas mãos.
— Oi Zel, tudo bem? — Regina sorriu tranquila para a irmã, apesar do trabalho estar consumindo sua vida agora que pretendia mudar o local do escritório e viver uma vida mais pacífica com sua mulher, ela sempre sorriria de maneira doce para a irmã. Apenas para a irmã e sua esposa, é sempre importante ressaltar.
Já Zelena, correu o olho pela mensagem, que erro terrível a ruiva havia cometido, seus olhos focaram apenas nas últimas linhas negritadas no e-mail.
“Positivo para gravidez”
— Regina, eu estou grávida. — A ruiva repetiu completamente trêmula ao ler novamente as malditas linhas daquele e-mail.
— Muito engraçado, Zelena. — A morena revirou os olhos. Sua irmã mais velha tinha o péssimo hábito de sempre fazer piadas com as coisas, qualquer coisa era motivo de brincadeiras. Regina que sempre estivera preocupada com o bem-estar de todas a sua volta, lhe deu as costas e continuou andando pelo seu escritório com a papelada em mãos.
— REGINA MILLS EU ESTOU GRÁVIDA! — Zelena gritou tentando ter a atenção de sua irmã. Regina notou a seriedade nas palavras, era claro que o grito de sua irmã mais velha quase a deixara surda. Sua visão ficou turva, suas pernas falharam. Regina caiu no chão desmaiada. — Oh céus, Regina…
— O que aconteceu? — Regina perguntou com a voz mais baixa, teve concepção de que estava deitada no chão de seu escritório e que Zelena estava sentada junto com ela.
— Você desmaiou. — A ruiva sussurrou, sua voz ainda estava trêmula.
— Sério, Sherlock? — a morena ironizou. Sentou-se olhando a irmã, esta estava pálida e pelo contato que tiveram, Regina sentiu que a pele da mesma encontrava-se fria. — Devia ter escutado a Emma e saído para comer, além de desmaiar eu ainda alucinei que você me disse que estava grávida.
— Não foi bem uma alucinação. — A ruiva revirou os olhos, queria estar errada. Tinha que estar errada. Suas mãos estavam trêmulas, e tinha certeza que estava pálida. Regina sentiu sua respiração falhar novamente.
— COMO ASSIM GRÁVIDA? — Agora foi a vez da Mills mais nova gritar.
— Eu acredito que a essa altura do campeonato que eu não preciso te dizer como são feito os bebês, certo? Mas já que você insiste... Quando duas pessoas se amam… — Sua irônia era sempre usada em momentos de nervosismo, isso cabia a todas as mulheres na família Mills.
— Se você continuar eu vou socar o seu nariz. — Levantou-se e ajudou Zelena a fazer o mesmo. — Você sempre foi correta com seus remédios, como isso aconteceu?
— Eu não sei, os anticoncepcionais falharam... — Sentou-se no sofá do escritório, Regina juntou-se a ela.
— Você está de quanto tempo? Sabe quem é o pai...? — A morena decidiu fazer as duas perguntas de uma só vez, bombardear Zelena sempre era uma ótima opção.
— Eu não faço a menor ideia. — A ruiva respondeu buscando esquivar-se do assunto.
— “Eu não faço a menor ideia de quanto tempo eu estou grávida” ou “ Eu não faço a menor ideia de quem é o pai?” — A Mills mais nova conseguia ser muito convincente em suas perguntas.
— A resposta é para as duas perguntas. Eu não faço a menor ideia, Regina. — A ruiva olhou séria para a irmã, Regina quase não acreditou que aquilo pudesse ser mesmo verdade.
— Ai meu Deus. Zelena, como assim não sabe? Você não tem juízo? — A voz de Regina subiu alguns oitavos, Zelena deixou-se agir pelos hormônios e levantou-se ficando frente a frente com a irmã.
— Como eu vou saber? Meu tinder vive ligado, eu sou sempre a terceira pessoa de alguns casais e, eu vou quase todos os finais de semana me encontrar com um grupo de orgia. EU NÃO FAÇO IDEIA DE QUEM POSSA SER A PORRA DO PAI! — Zelena ficou exausta em alguns minutos de conversa – gritaria— com Regina a deixava assim, seu corpo escorregou para o sofá.
— Ai Zelena... — Assim que a morena tomou concepção das coisas que havia dito, arrependeu-se. Os papéis que caíram de suas mãos permaneceram no chão, sentou-se ao lado da irmã e a puxou para os seus braços. — Eu me preocupo tanto com você, me desculpa.
— Tá tudo bem, você tem razão, eu não tenho juízo. — Regina mexeu nos cabelos ruivos da irmã enquanto ela falava bem baixo próximo ao seu pescoço. — Eu não vou levar essa gravidez adiante.
— Você sabe que eu vou te apoiar em todas as suas decisões, mas pensa bem, ok? — A morena beijou o topo da cabeça de sua irmã. — Por mais que você seja uma piranha sem vergonha, você tem um bom coração e uma criança é sempre bem vinda.
— Obrigada pela parte que me toca. — Zelena resmungou, mas as palavras de sua irmã não a ofenderam. — Eu não sei ser mãe.
— Ninguém nasce sabendo. — Regina fez com que a irmã olhasse em seus olhos. — Como eu disse, vou apoiar todas as suas decisões.
— Olá mulheres da minha vida. — Emma abriu a porta do escritório de Regina. — Eu esqueci as chaves do apartamento aqui e quando chego me deparo com a minha mulher e minha cunhada num amasso.
— Bem que você queria cunhadinha, nos ver praticando nosso incesto matinal, porém não será hoje. — Zelena brincou com a mesma e ficou de pé, abraçou Emma rapidamente e olhou para Regina. — Eu vou até o banheiro.
— O que aconteceu? — Emma juntou-se a esposa que catava os papéis caídos no chão. — Ela tá bem?
— Zelena está grávida. — Regina mal acreditava nas palavras que estava proferindo. Quando criança, ela sempre imaginou como seria ser mãe, já Zelena, esquivava-se de qualquer conversa que tivesse a ver com crianças, ela era totalmente alheia.
— Então a Zelena está grávida... Uau. Grávida? Grávida de verdade? Com um bebê crescendo dentro dela e tudo mais? — A loira perguntou a sua esposa, completamente incrédula.
— Sim Emma, grávida. Totalmente grávida. Como você acha que a pessoa pode estar grávida de mentira? — Regina ironizou como sempre fazia, mesmo depois de alguns anos de casada, isso não havia mudado. Swan, como sempre, optou por ignorar.
— Tenho que dar os parabéns para ela. — Emma, de maneira inocente de mais, proferiu.
— Parabéns? A ZELENA NÃO TEM JUÍZO! — Regina quase gritou o que fez Emma rir.
— Amor, fica tranquila, viu? — A loira passou as mãos pelos cabelos de sua mulher. — Nós estamos aqui para ajudar a sua irmã, e eu sei que você seria ótima sendo tia.
— Ai, não me fala isso que meu coração amolece. — Regina selou seus lábios no da outra e Zelena deixou o banheiro.
— Bom, eu vou indo, tenho um jantar para fazer e, Zelena porque não janta conosco? — Emma perguntou.
— No fim das contas à gravidez não parece ser tão ruim assim, já comecei a ser paparicada.
Notas finais
Até a próxima ♥
Fale com o autor