How to be a mother
2 A clínica
Notas iniciais
Zelena Mills.
Boston pode ser um lugar agradável de viver. É a capital mais populosa do Estado de Massachusetts, todos amavam a maior cidade da Nova Inglaterra, mas parecia que minha irmã nem tanto. Eu sabia que ambas se mudariam para Storybrooke, aquilo era regredir toda nossa vida.
Não dava pra regredir, minha cabeça recusava-se a acreditar. Boston tinha as melhores festas, os melhores bares e, meu emprego. Não podia largar tudo isso pra trás, não agora que minha carreira ia bem e as pessoas procuravam cada vez mais pelo meu trabalho.
— Vocês não podem me abandonar grávida em Boston. — Expressei todo meu descontentamento ao olhar de Regina para Emma guardando algumas coisas nas caixas aos poucos.
— Não vamos. — O casal se olhou com uma espécie de sorriso, em seguida Regina voltou-se pra mim. — Você vai para Storybrooke com a gente. A mansão está fechada a anos, vamos todas morar lá.
— Ai Regina, você faz piadas tão divertidas. — Comecei a rir, rir como se as palavras da minha irmã tivessem sido as mais engraçadas que eu escutava a anos.
— Vou deixar vocês sozinhas. — Emma beijou os ombros da esposa e me deu um “tchau” com as mãos, saiu do escritório.
— Você não estava brincando? — O ambiente ao nosso redor parecia ter congelado. A expressão de fria de Regina triplicou-se, sentei-me.
— Alguma vez nas nossas vidas eu fiz piada com coisa séria? — Regina me olhou e eu ponderei. — Não, eu não faço isso. Olha Zelena, você é adulta, você teve essa notícia maravilhosa que Emma e eu não vamos ter, a não ser que algum dia nós duas resolvemos fazer inseminação artificial. Não vou arrastar você pelos cabelos pra voltar a morar em Storybrooke, mas você será mãe. Vai conseguir lidar com uma criança em uma cidade grande?
— Eu não sei, por isso eu esperava você ao meu lado pra isso. — Cruzei os braços certa de que convenceria fazê-la ficar.
— Você é o amor da minha vida, nós sempre seremos irmãs e eu ajudarei você. Mas você não pode jogar sua responsabilidade pra cima de mim. — Tocou meus ombros. — Eu sou casada agora, minha mulher e eu queremos sossego, longe dos grandes problemas em Boston, estamos levando a “Swan-Mills” de volta pra casa.
— Não estou jogando minha responsabilidade pra cima de você. — Respirei fundo, na verdade, estava. Tudo com Regina ao meu lado tornava-se mais fácil, vê-la fugir para o nosso antigo lar me deixava amedrontada.
Não queria deixar Boston, porque o faria? Era só um feto ainda. Afinal, só tenho 7 semanas de gestação, isso é quase um mês e três semanas. Nem nunca quis ficar grávida, poderia simplesmente deixar minha vida como ela estava antes. O que uma estilista faria em uma cidadezinha como Storybrooke? Coleção de outono pra algum brechó? Não, literalmente eu não faria isso.
O ar gelado da clínica começou a me incomodar. Regina marcou uma consulta pra mim, como ela sempre fazia, só que agora, para avaliar o bebê. De uma coisa eu tinha certeza: independente do que o médico me dissesse hoje, marcaria um horário naquela mesma clínica para realizar um aborto. Nada faria com minha opinião mudasse, essa criança não merecia sofrer nas mãos de alguém como eu. Regina tinha razão sobre tudo, eu não tinha juízo, não marcava nem mesmo as minhas consultas médicas e gastava meu dinheiro com farra e roupas caras. Esse bebê não seria feliz comigo.
— Senhorita Mills. — O médico me chamou de sua porta, caminhei para o consultório. — Como está se sentindo hoje?
— Normal como todos os meus dias? Podemos ir logo com isso? Tenho uma agenda cheia no meu trabalho. — Guardei meu celular na bolsa ignorando os e-mails que havia recebido. Queria, um dia, tornar o nome Mills uma marca tão famosa quanto a Channel, literalmente, não havia espaço na minha vida para um bebê.
— Claro, por favor, pode ir até lá e trocar-se. — Ele indicou o banheiro dentro do consultório. Não deveria ter sido tão ácida com o pobre do médico, mas aquele avental amarelo florido era horrendo, então senti-me vingada. Deitei-me na maca como ele havia indicado.
— Isso ainda vai demorar? — Perguntei assim que ele passou o gel bastante gelado sobre minha barriga. O aparelho de ultrassonografia veio logo em seguida.
— Só mais um momento. — Agora ele que havia ficado sem paciência comigo, não parecia me dar ouvidos mais. Ficou olhando para o monitor à sua frente. — Senhorita Zelena Mills, aqui na tela, esse é o seu bebê. Ele tem o tamanho de uma ervilha.
— Nós já acabamos Doutor? Eu realmente não estou interessada em saber, eu nem sei se quero... — Um som ritmado acabou por chamar minha atenção, me fez procurar o lugar de onde ele se originava. Aquele som, batendo rápido, forte inundando toda a sala. — O que é isso? — Perguntei nervosa, com receio de que algo pudesse estar errado. A insegurança me tomou, o medo da resposta à pergunta feita. Tudo está bem, tudo tem que estar bem.
— Isso é o coração do seu bebê. — Ele me olhou com um sorriso no rosto. Aquela simples frase desencadeou, dentro de mim, uma leva de sentimentos desconhecidos. Senti uma felicidade tão contagiante que o sorriso que me ganhou não era o bastante para expressá-la. Minha felicidade se transformou em lágrimas e eu deixei que elas caíssem. Deixei que tomassem o meu rosto e que me transbordassem. Deixei que externassem tudo aquilo que estava, agora, tão vívido em mim.
— Ai meu Deus... É a minha ervilhinha. — Ele imprimiu a minha ultra e me entregou a mesma depois que eu saí completamente vestida do banheiro.
— Está tudo bem com seu bebê, ele cresce bem. — Proferi um “Obrigada” bem mais baixo que deveria, as lágrimas me impediam de dizer qualquer coisa além disso.
Caminhei do consultório para o meu apartamento, a ultrassonografia estava em minha bolsa e toda hora eu espiava para saber se não tinha perdido. Adentrei o prédio com as mãos sobre o meu ventre ciente de que alguém com um coraçãozinho bem forte estava vivendo ali agora. Senti-me estupidamente tola por ter tido vários pensamentos relacionados a dar adeus aquele bebê. Jamais criticaria quem o fizesse, mesmo agora tendo certa noção de que vou ser mãe e que minha ficha “caiu”, cada um tem direito sobre o que fará com o seu corpo e essa foi a minha decisão. Minha ervilhinha nasceria.
— Oi, Gina. — Esperei que ela atendesse, mas já me adiantei. A tanto tempo não a chamava por seu apelido.
— Gina? Aconteceu alguma coisa? — Seu tom de curiosidade me fez querer rir. — Está tudo bem com vocês?
— Estamos sim. Eu só queria lhe dar uma notícia. — Fiz uma pequena pausa e senti que ela estava muda, talvez preocupada ao outro lado da linha.
— Você está me deixando nervosa, Zel.
— Vamos nos mudar para Storybrooke também. — Desliguei o telefone, ainda mantinha um sorriso no rosto. — Vamos ervilhinha, temos muitas coisas para arrumar.
***
O furacão Cora Mills chegou destroçando tudo à sua volta, é claro, literalmente, já que os prédios ao redor do meu apartamento Ainda continuavam intactos, mas chegava a duvidar se o meu ficaria inteiro ao fim de sua "visita".
A dois dias atrás, depois que eu escutei o coração do meu bebê, cai na besteira de ser guiada por meus sentimentos, meus impulsos e liguei para minha mãe que já morava na Inglaterra a anos, decidi por contar a novidade.
Não era segredo para ninguém que, Cora Mills e Eu, nunca nos demos bem. Minha mãe ainda fazia a alusão em sua cabeça de que eu era, de alguma forma, dissimulada — não poderia culpá-la— mas eu já era adulta a um bom tempo para decidir quais caminhos deveria tomar na minha vida, não era? Para Cora, eu nunca seria. Até mesmo Regina, minha irmã mais nova, tinha mais credibilidade com a velha possuída.
— Grávida. Eu não posso acreditar. — Resmungou assim que entrou pelas portas do meu apartamento. Regina estava logo atrás dela, seu descontentamento, causado pela visita inesperada e por ter sido arrancada de seu trabalho para buscá-la, eram palpáveis. — Você não toma seus remédios direito? Quantos anos acha que tem para cometer esse tipo de burrice, Zelena?
— Oi pra você também mãe, vou muito bem, obrigada por perguntar. Seja bem vinda, sua visita é sempre esperada. — Não pude conter meu tom de ironia, Regina segurou a risada e veio até mim, beijou minha bochecha.
— Pega leve. — Ela sussurrou, dei de ombros.
— Sempre tão arrogante. É por isso que está sozinha, até mesmo sua irmã mais nova está casada. — A nada doce senhora vestindo um terno da Channel me olhou com toda sua fúria.
— Ah, então o problema é esse? É porque estou grávida e não tenho um marido? — Revirei os olhos. — Quero deixar bem claro que não preciso de um homem.
— Zelena, você não precisa de nada disso. Não precisa, principalmente, dessa criança. — Cora me olhou séria e depois para Regina que parecia chocada. — Não me olhe assim querida, você sabe muito bem que sua irmã não duraria dois dias sem fazer uma loucura com o bebê. E o que vai ser? Levar ele para um bar e deixar nas mãos de um desconhecido enquanto você apronta uma das suas?
— Eu mal posso acreditar que você vem até a minha casa para falar dessas coisas comigo. — Tentei segurar meu tom de incredulidade, mas fora uma tarefa difícil.
— Pela primeira vez na vida, minha filha, ouça o conselho da sua mãe, não vale a pena você cometer essa loucura. Não vale a pena levar isso adiante. Você nunca quis ser mãe. — Cora segurou minhas mãos, suas mãos eram sempre delicadas, cobertas por jóias caras. Mãos de uma mulher que sempre usou da beleza para benefício próprio. — Eu vou resolver o seu problema, certo? Vou ajudar você. Você não saberia como é ser mãe.
— Sabe o que é engraçado, mãe? — Me direcionei à ela, Regina ainda estava estática com toda nossa conversa.
— O que, querida? — Ela me olhou, após rolar os dedos pela tela do seu celular.
— Você nunca foi uma mãe para a gente, a única vez que fez algo "produtivo" em relação a mim, foi me levar até um ginecologista para que pudesse tomar os contraceptivos de forma correta, não porquê você queria evitar uma gravidez na adolescência, mas sim porque você não precisa de uma Mills manchando sua imagem de mãe maravilhosa. Papai teria vergonha de você.
— Regina, você não pode deixar que ela fale assim comigo. Diga a ela! Diga que estou certa. — Cora olhou para minha irmã que balançou a cabeça de forma triste.
— Eu não posso dizer que você está certa, porque não está. — Regina reuniu toda sua pose de advogada formada com louvores pela Universidade de Harvard e aprumou seus ombros — Zelena não está errada mãe, vivemos mais tempo com babás e empregados do que com você. Se tem alguém aqui que não soube ser mãe, esse alguém foi você. — Regina ficou ao meu lado e segurou minhas mãos. — Eu confio em minha irmã, sei que ela será uma mãe melhor do que qualquer pessoa foi. Melhor do que você já foi. Então não, você não está certa , você não pode prever o futuro e dizer que ela não será capaz, e se eu soubesse que você viria até aqui para importunar a gravidez dela, eu mesma teria te colocado num avião de volta para a Inglaterra.
— Eu não acredito que estou sendo humilhada pelas minhas filhas. É isso que recebo por dar tudo a vocês, ingratidão! — Ela pegou sua bolsa. — Boa sorte tendo que lidar com uma criança que será tão problemática quanto você, não conte comigo quando os problemas começarem! Isso vale para as duas. — Ela nos encarou, com seus olhos semicerrados e os lábios rígidos. O desgosto em seu rosto era palpável, mas isso não me surpreendia. Saiu, batendo a porta atrás de si..
— Obrigada por me defender. — Caminhei até Regina e prendi seu dedo mindinho com o meu, como fazia quando éramos crianças, ela sorriu com esse pequeno gesto.
— Eu fiz o que você fez a vida toda por mim. — Regina sentou-se no sofá, juntei-me a ela. — Você está bem?
— Estou, eu acho. — Fiz uma pequena pausa e a olhei. — Um tanto decepcionada, pensei que a notícia do bebê pudesse mudar um pouco a bruxa que ela é. Como sempre, me enganei e fiz essa besteira.
— Você não fez nenhuma besteira, só foi guiada por seus hormônios, que estão a flor da pele. — Regina riu, eu a acompanhei nas risadas.
— Sempre que eu fizer uma besteira posso culpar os meus hormônios?
— Só enquanto estiver grávida. — Ela apontou para a minha barriga, que ainda não trazia grandes sinais da gestação.
— Droga. — Caímos na gargalhada.
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