How much I love U.
34 Capítulo 33 - O final do baile.
Notas iniciais
Sakura votou para rei e rainha do baile em cima da hora. Ela sequer viu a hora passar! Para ela era fácil se distrair, estando bebendo com os amigos, conversando e rindo. Estava tão dispersa, que sequer percebeu quando Sasuke sumiu da festa, pouco antes do anuncio do rei e rainha do baile.
Obviamente ela votou em si mesma, e em Itachi.
— Ino, por que você não tá’ competindo afinal? — foi Tenten quem perguntou.
Ino, Sakura, Sai, Tenten, Neji e Itachi estavam em uma roda de conversa, onde pessoas chegavam e saiam a todo tempo, afinal a maioria dos candidatos estavam juntos em um só circulo de conversa, então chamava atenção.
— Eu achei que não seria saudável. — a loira respondeu, parecendo um pouco desconfortável — To’ fazendo terapia pra superar algumas coisas e... Resolvi não complicar as coisas pra mim. — completou, lançando um olhar rápido e discreto para Sakura.
A Haruno sabia do que se tratava, era aquele problema com insegurança e distúrbios alimentares que Ino tinha, então resolveu apenas dar um sorriso incentivador para a amiga.
— Ah, sinto muito. — a morena falou delicadamente — Espero que tudo de certo pra você. — completou simpática.
Antes que a Yamanaka pudesse responder, Karin falou ao microfone que estava na hora de fazer a contagem dos votos.
Neste exato momento, Sakura olhou para Itachi, ela tinha certeza de que ele ganharia, então apenas o procurou com os olhos, para dividir a expectativa, e...
— Cadê o Itachi? — a rosada perguntou alarmada, falando por cima de Karin, que contava os votos no palco.
— Ele saiu daqui agora mesmo. — Sai foi quem respondeu, esticando o pescoço procurando-o — Ali. — apontou, puxando Sakura para o lado dele, afim de mostra-lo para ela.
O Uchiha fujão estava se esgueirando pelas pessoas discretamente, quase no portão.
— Não acredito! — a Haruno exclamou perplexa, olhando ao redor, afim de encontrar Sasuke, para fazer queixa ao seu namorado, do comportamento de seu cunhado.
Mas, onde estava Sasuke?
— O Sasuke saiu um pouco antes do Itachi... — dessa vez, foi Tenten que falou, parecendo desconcertada — Ele fez sinal pra gente te distrair, desculpa. — confessou, encolhendo os ombros delicadamente.
Sakura bufou perplexa, e olhou para Ino descrente. A loira apenas franziu as sobrancelhas e desviou o olhar.
— Já chega! Eu vou descobrir que merda que esses dois babacas estão escondendo de mim! — sibilou convicta, e saiu batendo o pé abrindo caminho em meio as pessoas.
Não foi difícil chegar no portão, já que todos abriam caminho para ela passar e a olhavam com expectativa, contudo no momento ela não estava prestando atenção nisso. Tentava apenas não perder Itachi de vista.
— Sakura! — a voz conhecida soou em seus calcanhares.
— Naruto agora não! — ela respondeu estressada, sem sequer olhar para o amigo.
— Calma, eu só to procurando o Sasuke. — o loiro respondeu, alcançando-a — Ele prometeu que me ajudaria a enrolar o Neji pra ficar com a Hinata hoje, mas me deu maior vácuo. — completou, seguindo a garota em meio as pessoas.
Sakura parou no portão e olhou para os dois lados, procurando algum sinal dos Uchihas fujões.
E bem ao seu lado, com a maior cara de pau, estava Itachi.
— Você! — ela falou entre dentes, apontando para o moreno com o dedinho ameaçador.
Itachi olhou para ela ligeiramente inquieto, olhou para Naruto, olhou para ela novamente, olhou para o celular e fitou a rosada por alguns segundos sem piscar.
— Seu canalha! — Sakura falou, arremessando sua bolsinha nada perigosa em Itachi — Aonde ta o Sasuke? Aonde você ta indo? — perguntou, quase espumando de raiva.
Itachi segurou a bolsinha de festa da Haruno, e entregou para ela mecanicamente. Ele estava com aquela expressão lívida, e pálido como uma vela.
— Hã, iai cara. — Naruto cumprimentou o moreno, dando um sorriso amarelo de constrangimento.
— Iai. — ele respondeu no automático — Naruto, cuida da Sakura, eu realmente preciso ir. — anunciou tentando dar a volta nos dois.
Contudo Sakura estava cansada de ser enganada, e ludibriada. Iria ter suas respostas, ou ele não iria a lugar nenhum!
— Ah, nada disso! — a garota vociferou decidida — O Sasuke já escapuliu escondido, você também não! — decretou, agarrando no braço do moreno ferozmente.
— Então, quando vocês se verem, você resolve isso com ele. — Itachi rebateu imediatamente, tentando atravessar a rua, e quase arrastando a rosada consigo no processo.
Eles se encararam. Ele quase em desespero, e ela quase rosnando de raiva.
— Você foi indicado pra rei do baile! — ela quase gritou perplexa.
Eles se encararam em silêncio novamente, os dois quase se engalfinhando no calçada em frente a porta do colégio, Itachi querendo ir, Sakura o obrigando a ficar, com Naruto intercalando olhares entre os dois, e entre a festa... Então, a voz de Karin reverberou alta nas caixas de som, anunciando os ganhadores.
— Uchiha Itachi, e Haruno Sakura! — a voz da ruiva era animada — Ganharam a votação de rei e rainha do baile! Podem vir ao palco por favor?! — completou, falando por cima da salva de palmas e assovios.
Naquele instante Sakura congelou agarrada ao braço de moreno, enquanto ele, estava quase atravessando a rua, com ela grudada em si.
— Sakura, e Itachi... Cadê vocês? — Karin perguntou — Alguém viu esses dois por ai? Eles precisam vir até o palco para serem coroados, ou vamos coroar o segundo lugar! — completou.
Começou um falatório dentro do pátio do colégio se perguntando onde estavam ao dois; Sem aguentar todo o suspense, Naruto foi até os dois, e ajudou Sakura a arrastar Itachi para dentro do colégio, com o adicional de estar gritando que havia resgatado o rei e a rainha do baile.
— Hey! Eles estão aqui! — o loiro gritava, rebocando os dois portão a dentro.
Como se sua camiseta social laranja berrante já não chamasse atenção o suficiente, ele ainda entrou gritando e carregando o rei e rainha do baile. E para completar a situação, uma luz de holofote mirabolante, focou nos dois, e Naruto se afastou, fazendo um sinal de “joinha”.
De matar.
Não tinha como fugir dessa agora. Então, os dois apenas deram os braços, e passaram a caminhar lentamente até o palco.
— Quero saber oque vocês tão’ aprontando. — a rosada falou a meia boca, forçando um sorriso enquanto caminhava, sendo observada por todos.
— O Sasuke precisa de mim. — ele cochichou de volta, por cima da falação e as congratulações das pessoas, enquanto os dois, subiam no palco.
Sakura olhou de banda para ele, tão desconfiada e preocupada, que acabou tirando a atenção dos saltos e tropeçou no ultimo degrau do palco improvisado. Itachi precisou segura-la firme de lado, para ela não cair para trás e leva-lo junto com ela.
Uma onda de assovios e gritinhos se passou pelos alunos que observavam a cena.
— Não acredito nisso. — ele murmurou com a voz irritada, o rosto uma mascara de tranquilidade.
— Vou com você ajudar o Sasuke, depois da coroação. — ela falou entre dentes, rapidamente.
— Não! — ele decretou, colocando-a de pé, e oferecendo o braço para finalmente chegarem até o meio do palco.
— Tudo bem ai? — Karin perguntou divertida, referindo-se a escorregada básica de Sakura no degrau.
Céus, que vergonha!
A rosada forçou um sorriso para a ruiva, e Itachi assentiu com sua máscara de tranquilidade. Ela o olhou de banda raivosa, e então segurou no braço dele, cravando as unhas no seu antebraço com tanta força, que sentiu a pele repuxar. Ela iria com ele auxiliar Sasuke em seja la oque for, ele querendo ou não!
Itachi engoliu em seco, e trincou o maxilar de dor, mas não fez nada, apenas começou a andar juntamente com ela até o meio do palco, onde Karin esperava quase quicando de animação.
— Oque seria de uma rainha que não demonstra que é gente como a gente, não é mesmo?! — a ruiva brincou, querendo quebrar o clima tenso do escorregão que a rosada dera.
Os alunos riram descontraídos, e Sakura sorriu de volta. Pobre Karin, mal sabia que o clima estava tenso por vários outros motivos.
— Vocês gostariam de dizer algumas palavras? — ela perguntou, virando-se para os dois, oferecendo o microfone.
O silêncio se fez no baile, todos esperando a resposta.
— Claro, eu quero. — Sakura tomou coragem, forçando um sorriso.
Itachi olhou para ela de banda rapidamente, dizendo com os olhos “ Você vai enrolar ainda mais a coisa toda?” , ela o ignorou por alguns segundos enquanto sorria, e olhou de lado para ele rapidamente, como quem diz “ Sossega ai!”
— Boa noite a todos! — a rosada começou, dando um passo a frente, com as pernas tremendo.
O silêncio era tamanho, que podia ouvir sua própria respiração no microfone.
Karin se aproximou sorrateiramente de Itachi e colocou uma coroa de plástico muito reluzente no cabelo escuro do garoto, ele precisou se abaixar um pouco para ela alcança-lo, oque fez algumas pessoas rirem, mas, Sakura resolveu prosseguir.
— Eu gostaria de dizer, que essa coroa, é de todos vocês. Todos nós somos reis e rainhas em algum lugar, ou fazendo alguma coisa... — falou, com um pequeno sorriso.
Ela olhou para os colegas de escola, vendo-os prestarem atenção nela atentamente. Era um momento especial para ela.
Ao seu lado, Itachi disfarçava bem a agonia, com uma pose educada e elegante.
— Eu queria dedicar esse momento especial, a minha amiga Tenten, por me ensinar sobre maturidade. Ao meu amigo Naruto, por me ensinar sobre lealdade, ao meu amigo Sai, por me ensinar sobre paciência, e a minha amiga Ino, por me ensinar sobre perseverança. — tagarelou, sorridente.
A essa altura, Ino se desmanchava em lágrimas agarrada ao ombro de Sai.
No mesmo segundo, Karin se aproximou dela, e colocou a pequena coroa de plástico com pedras falsas no topo de sua cabeça, e uma salva de palmas e assovios começou.
Era o momento crucial da vida de Sakura. Era tudo que ela queria, sem ao menos saber que queria de verdade aquilo. A satisfação era enorme. Era como se todos estivessem reconhecendo a importância e a relevância de sua presença naquele lugar.
— Esse premio, é pra vocês, e por todos vocês amigos e colegas, que nos permitiram crescer tanto . — a rosada afirmou.
Mais uma rodada de congratulações, e palmas.
Sakura se virou sorridente para o lado, resplandecente de alegria pelo momento, queria dividir aquilo Itachi, afinal ele era o rei do baile, e... Aonde ele estava?
A garota olhou mais para trás, e viu Itachi descendo do palco as pressas; O moreno aproveitou que Sakura se distraiu com os alunos, e os alunos se distraíram com ela, para sair andando entre as pessoas rapidamente.
— Itachi?! — a rosada quase gritou no microfone, a voz tremendo de estresse.
E foi quando os alunos deram por si, que de o rei do baile estava fugindo.
Alguns, óbvio, já haviam reparado ele saindo de fininho, mas o foco de atenção principal era Sakura, então, os segundos que o moreno ficou no segundo plano, ele usou para escapulir.
A rosada estava parada no palco, perplexa, com o microfone na mão. Os alunos começaram a gritar “Uchiha”, em vão, pois ele já estava entrando no carro de Sasori e indo embora, largando Sakura no palco.
Era quase absurdo aquilo. Se lhe contassem, ela não acreditaria. Itachi se esgueirou entre as pessoas com tanta destreza e velocidade... Que isso seria extremamente chocante, se a cara de pau dele, em fugir na frente de todo mundo, não fosse ainda pior.
E então, no meio daquele monte de gente lhe dando atenção, Sakura sentiu-se abandonada! Qual o problema desses irmãos afinal? Primeiro seu namorado foge do baile, tão rápido e sorrateiro quanto um rato, de maneira que ela nem percebe, e depois seu cunhado, o rei do baile, escapole na cara de todo mundo, e sequer da atenção para os alunos o chamando de volta.
Envergonhada, irritada, e furiosa, a garota entregou o microfone para Karin, acenou para os alunos com o melhor sorriso que pode, e foi marchando direção da saída.
Ela segurou a barra do vestido, e foi descendo a rua, decidida a ir andando de salto alto nos pés, e coroa de plastico na cabeça, para a casa dos Uchihas.
— Amiga, ei, Sakura?! — era a voz de Ino, vindo de suas costas.
— Agora não Porca, eu to indo resolver essa caralha, de uma vez! — a rosada gritou, olhando para trás brevemente.
Ino, Sai, e Naruto, estavam descendo a rua atrás dela, cada um com uma expressão mais perplexa que o outro. Mas ela não deu atenção, havia bebido o suficiente para ir andando até a mansão dos Uchihas, e o suficiente para continuar consciente. Estava tão irritada, que não precisava de mais nada naquela noite, apenas encarar aqueles dois irmãos cretinos, e colocar tudo em pratos limpos.
— Você vai andando pra onde a essa hora? — fora Naruto quem perguntou.
— Sakura, sei que oque eu vou falar é batido mas, isso é loucura. — Sai se manifestou.
Antes que pudesse perceber, os três já haviam a alcançado, e estavam tentando faze-la voltar para o baile. Isso só a irritou ainda mais. Sakura se viu esperneando com os três na calçada escura no final da rua, pronta para espanca-los se fosse necessário.
— Eu preciso saber porque os dois idiotas me largaram no baile, e foram correndo pra casa! — Sakura falou por fim, em um grito histérico — Sasuke não me deixaria sozinha no baile, e o Itachi não entra mais na mansão, se eles foram pra lá correndo alguma coisa aconteceu. — completou, com a voz mais calma.
Ino Sai e Naruto se entreolharam, e olharam para Sakura, esperando alguma espécie de explicação maior. Ela apenas balançou a cabeça.
— Eu não posso falar oque ta acontecendo, porque também não sei, mas tem alguma coisa errada... E eu preciso saber oque é. Só pode ser algo muito sério. — ela falou pensativa, apertando a bolsinha de festa entre os dedos — Precisa ser algo muito sério... Eles não me largariam assim, do nada. — completou, mais para si mesma, como se quisesse se convencer do que estava dizendo.
Ino abriu a boca para responder, mas Sakura a surpreendeu, tirando sua coroa de rainha, e ajeitando em cima da cabeça loura de Ino. Sai iria fazer um comentário espirituoso sobre isso, mas Naruto já estava gesticulando na beira da pista, chamando um táxi.
A loira e Sai olharam para o Uzumaki, como se ele fosse louco.
— Você tem razão Sakura, o Teme tem agido estranho. Ele esqueceu de fazer uma coisa que me prometeu hoje. — falou rápido e sério.
O taxi parou, e Naruto abriu a porta, acenando para a rosada entrar.
— Espera, oque vocês... ? — Ino balbuciou, descrente.
Sakura ainda teve tempo de pensar que sua amiga ficara bem com aquela coroa.
— Vamos pra mansão Uchiha! — o loiro falou, se jogando pra dentro do taxi, logo atrás de Sakura — Ino, Sai, vocês podem ficar de olho na Hinata por mim?! Eu volto logo. — anunciou rapidamente, e bateu a porta do carro.
Sakura já havia dado o endereço para o taxista, então, apenas deu tempo de Sai acenar positivamente para Naruto, enquanto o taxi virava a rua, deixando uma Ino atordoada para trás.
A corrida foi silenciosa e rapida, levando em consideração que o caminho para a mansão Uchiha não era realmente longo, entretanto a pé sozinha de salto, seria tortuoso e nada seguro.
Desceram do taxi, e ficaram os dois, parados em frente ao enorme portão de estacas de aço por alguns segundos. Estava tudo trancado, e silêncioso. A piscina da frente e as árvores, não estavam iluminadas, oque fazia a mansão parecer ainda mais intimidante aquela hora da noite.
— A gente chega até aqui, e empaca. — Sakura retrucou, aborrecida consigo mesma.
— Claro que não. — Naruto respondeu de imediato, em um tom sério — Vem comigo. — completou marotamente, andando rapidamente pela calçada da murada da mansão.
A rosada seguiu o loiro, eles deram a volta em todo o quarteirão da mansão, até chegarem nos fundos; Então Naruto parou, encarou o paredão do muro cheio de trepadeiras que vinha das enormes árvores que faziam a harmonia com o jardim do fundo do enorme quintal; A Haruno apenas se abaixou e tirou os saltos, estava cansada de sentir os dedos esmagados.
— E agora, nós escalamos esse muro enorme, no estilo homem aranha?! — ela retrucou, amarga.
— Sasuke e eu... A gente tinha essa entrada secreta, pra quando precisasse entrar escondido vindo de alguma festa na madrugada. — explicou nostálgico, tateando a parede em meio as trepadeiras.
Sakura encarou o loiro embolar os dedos no musgo do muro, e na trepadeira, em silêncio.
— Achei! — ele exclamou exultante — Vem, passa. — chamou, puxando a rosada pelo braço, ansioso.
Sakura não estava entendendo muito bem como ele planejava que ela fosse passar pelo muro, mas quando ele a empurrou, ela viu que não havia muro naquela parte. Era um buraco baixo e pequeno no paredão, e as trepadeiras haviam coberto aquele buraco, de forma que, não tinha como notar a pequena passagem.
A garota se agachou o máximo que pode, e passou por entre as trepadeiras, sentindo os pequenos galhos arranhar, e o musgo agarrar em seus braços.
Naruto veio logo atrás dela, fazendo um pequeno estardalhaço, que resultou em um tênis cheio de lama.
A rosada olhou para os braços arranhados e sujos de musgo, os pés descalços cheios de terra e o vestido amarrotado e com pequenas manchas de mato, terra e outras coisas que nem queria saber oque era.
Pensou em reclamar, mas não importava. Não teria mais como voltar para o baile, mesmo que não estivesse acontecendo nada de alarmante na mansão Uchiha, como iria explicar para Sasuke que havia invadido sua casa com Naruto, e ainda ter clima de festejar?
Naruto passou batido pela rosada, sem fazer a menor questão de desviar das flores e dos arbustos pelo enorme jardim. Ele acenava para a Haruno apertar o passo e segui-lo naquela escuridão. Certamente já havia precisado usar aquela “entrada secreta” várias vezes, pois era óbvio que conhecia bem o lugar, mesmo no escuro.
Quando chegaram perto da porta dos fundos, o loiro parou e observou atentamente. Ele tinha algumas folhas agarradas no cabelo, e uma enorme mancha de musgo gosmento no pescoço. Sakura nem quis saber como estava seu próprio cabelo.
— Eu não acredito que vocês tinham uma passagem secreta e não me contaram! — ela murmurou contrariada, nas costas de Naruto — Traidores. — completou, e deu um tapa estalado na nuca do garoto.
Ele abriu a boca, e fez uma careta, gemendo de dor silenciosamente.
— Era um segredo sórdido, você não precisava saber. — ele se explicou, fazendo bico, olhando-a de lado.
A garota saiu de trás dele, e parou em sua frente. Eles tentaram se encarar naquele escuro que estava a varanda dos fundos.
— E como que aquele buraco foi parar ali? — ela perguntou sussurrante, mas o tom, era acusatório.
— Hmm... Essa é outra coisa que você não precisa saber. — ele falou, levantando o dedo pensativo.
Sakura pensou em espanca-lo, mas um estranho vento quente e agourento, farfalhou pelo jardim, chamando a atenção dos amigos invasores.
— Isso não é um bom sinal... — Naruto murmurou temeroso, os olhos tão arregalados que pareciam faróis azuis no escuro.
— Para de ser medroso, vamos logo. — Sakura falou, tentando ser a “voz da razão”, mas a verdade é que também havia se amedrontado com aquele vento.
Apesar de não aparentar, Sakura era ligada a muitos misticismos, típicos dos japoneses mais tradicionais.
Naruto tentou abrir a porta dos fundos, mas estava trancada. O loiro bufou, e foi dando a volta pela mansão, com Sakura em seus calcanhares.
Ele com o tênis esquerdo pesando de tanta terra preta úmida, e ela com a bolsa no ombro, descalça e com as sandálias nas mãos.
— Ainda não acredito que eu to mesmo invadindo a mansão Uchiha! — ela sussurrou nas costas do amigo — Se não tiver nada de errado acontecendo aqui, vou ficar arrasada! Morta com farofa, nunca mais vou ter coragem de olhar na cara do Fugaku-sama, ou da Mikoto-san. — completou, se apavorando apenas com a ideia.
— Sakura, não surta agora. — Naruto respondeu de volta, em um sussurro arranhado.
— Naruto seu idiota, invasão domiciliar é crime! — ela rebateu de imediato, em um sibilar cortante .
O loiro parou atrás de uma pilastra, e se virou para a amiga. Naquela área era um pouco mais claro, pois a já estavam quase na varanda da frente, e uma das luzes dali, estava acesa.
— Não é invasão se conhecemos os donos da casa. — ele sussurrou de volta, especulativo — E olha só, quem ta com medo agora? Tremendo as canelinhas! — completou, prendendo o riso.
Sakura quase se desfez em vergonha e choque. Vergonha porque ela sabia que oque ele havia falado era verdade, choque porque, não achava que era possível alguém invadir a casa dos outros com tamanha naturalidade. Seja lá oque fosse que estivesse acontecendo, ou não estivesse acontecendo, eles não teriam como se justificar em aparecer todos sujos de terra e mato, sem serem convidados.
Era loucura, mas estava muito irritada estressada e seu humor oscilava como nunca. Talvez, fosse a adrenalina que fez tomar aquele impulso maluco, ou talvez fosse só sua natural impulsividade, mas Sakura apenas saiu correndo na frente de Naruto e e parou em frente a porta de entrada da mansão, sem se importar com algum dos típicos seguranças que guardavam o local.
Naruto olhou a garota como se ela fosse louca, e então levantou o polegar afirmativamente para ela, antes de sair correndo também, fazendo o mesmo que ela.
Antes que pudesse fazer algum comentário, Sakura ficou séria. A porta de entrada estava entreaberta. Oque era estranho, já que obviamente nunca deixavam a porta de uma casa tão cheia de bens valiosos aberta.
E novamente, sem pensar duas vezes, Sakura saiu entrando porta a dentro, vendo como o lugar estava escuro e silencioso. Uma voz baixa e suave ecoou pelo corredor a direita, fazendo-a parar no meio da enorme sala. Conhecia aquela voz...
Naruto entrou logo atrás, e não mostrou sinal algum de que havia ouvido algo por ali.
— Vamos ficar na maciota. — o loiro falou baixinho.
Ela assentiu.
— Eu procuro aqui, e você la em cima?! — ela sugeriu
Ela sabia que talvez fosse melhor que ficassem juntos, já que Itachi havia dito que Madara estava na mansão, mas não queria que os dois dessem de cara com Madara. Ela sabia que seja la oque estivesse acontecendo com os Uchihas, Madara estava envolvido nisso, Itachi havia deixando isso claro. Então, a garota resolveu seguir o som da voz que ouviu, e mandar Naruto para o andar de cima.
Ela esperou ele subir as escadas silenciosamente, e então seguiu para a direita, onde havia o escritório de Fugaku. Largou as sandálias no canto, e foi seguindo pelo corredor, com o sangue martelando em seus ouvidos.
Novamente, o tom brando e baixo ecoou pelo corredor, agora um pouco mais alto, devido a proximidade. Definitivamente, ela conhecia aquela voz. Havia ouvido poucas vezes, mas com certeza era a voz de Madara. Não poderia se esquecer a figura cínica e perversa do irmão de Fugaku.
Assim que chegou no escritório precisou parar. A porta estava escancarada.
— Você precisa fazer sua escolha agora Sasuke... — Madara falava, com sua voz macia e venenosa — Precisa me provar sua lealdade. — falou, parecendo estar repetindo um mantra.
— Eu já disse que não sei de nada. — Sasuke respondeu, com a voz tão fria e distante, que Sakura quase espiou para ver se havia sido ele mesmo a falar.
— Eu não quero perder mais membro da família Sasuke, não me obrigue a tomar atitudes extremas. — retrucou, surpreendentemente calmo.
— Ele não sabe de nada Madara. — era a voz de Itachi — Eu não seria idiota de contar nada pra ele. — completou, em um tom de humor ácido extremamente chocante.
Sakura nunca havia ouvido Itachi falar daquela forma. Oque estava acontecendo, do que estava falando?
— E se eu arrastar a irmãzinha de vocês lá do quarto dela até aqui, refresco suas memórias? — perguntou, cinicamente.
Sakura pode ouvir Sasuke arfando em choque. Aquela havia sido uma ameaça bem explicita há Akane. Ele estava disposto a usar a própria sobrinha para chantagear os sobrinhos em sabe-se la oque. A coisa deveria ser mais séria do que imaginava.
Sakura ouviu os passos de Madara pelo escritório, e antes que pudesse correr pelo corredor para se esconder, ele já estava ao lado dela.
Os olhos escuros e maldosos do homem miraram a garota, e ela tentou se esquivar, mas em um movimento rápido do braço ele a puxou pelos cabelos e a jogou no chão do escritório, batendo a porta atrás de si.
— Olha só, quem resolveu se juntar a nossa reunião de família. A senhorita Haruno! — exclamou em júbilo, e bateu duas palmas, debochado.
A garota olhou para cima, e viu que ele estava escorado na única porta porta, a mão esquerda no queixo teatralmente, e uma reluzente arma prateada na mão direita.
Ela levantou em um pulo, assustada, e olhou para os irmãos Uchiha, enquanto Madara ria se deliciando com a situação.
Itachi estava tão pálido e apático, que parecia um cadáver de pé, e Sasuke estava tão perplexo e irritado, que seus dedos estalaram quando ele fechou a mão em punho.
— Sakura, posso te chamar de Sakura, não posso? — ele perguntou com um sorriso debochado, e não esperou ela responder para continuar — Olha como a vida é irônica, vocês dois se revezam pra montar guarda ao redor da bonequinha de porcelana de vocês. Brigam, se esgotam, envolvem até terceiros para tentar manter a vadiazinha longe de mim, e ela vem de boa vontade, participar da nossa festinha! — debochou, observando a arma pacificamente.
Houve uma pausa de alguns segundos, e Sakura se pegou rezando para todos os santos, para que Naruto fizesse alguma coisa, qualquer coisa!
— Não sei do que você ta falando. — foi Itachi quem falou — Ela não é importante pra mim, é só uma garotinha bisbilhoteira que não sabe o lugar dela. — completou com total convicção.
— Ah, então se esse é o caso, você não vai se importar se eu colocar a garotinha bisbilhoteira pra chupar meu pau, aqui e agora, não é? — perguntou cínico.
Sakura escancarou a boca arrasada, e quase se engasgou com o ar. Estava tão assustada que o panico lhe causava náuseas e entorpecimento.
— Não me importo. — Itachi respondeu, e deu de ombros, fazendo Sakura morder o lábio para não chorar.
Ele falava de uma forma tão tranquila, e convincente...
— Ele não se importa, mas ela é minha namorada. — foi Sasuke quem falou, puxando Sakura protetoramente pela mão — E nós, titio, temos um acordo, não temos? — completou, rangendo os dentes.
— Temos? — Madara perguntou, encostando o cano da arma no próprio queixo, como se o objeto fosse uma caneta — Eu disse, que se você colaborasse comigo, nenhuma das pessoas importantes pra você se machucariam... Mas, você não está colaborando comigo Sasuke. — falou, usando um tom quase paternal.
Houve mais uma pausa. Sakura sentia suas pernas tremerem. A mão de Sasuke estava tão gelada e apertando tão forte, que os ossos de seus dedos começaram a latejar, mas aquela dor, não era relevante.
Itachi deu dois passos para frente, e Madara levantou a arma na altura da cabeça dele. Sakura ofegou.
Itachi levantou as duas mãos para cima, em sinal de rendição, mas Madara não abaixou a arma. Sakura percebeu, que Madara, olhava Itachi de forma quase desesperada... Seu olhar era quase insano.
— Vamos conversar Madara. — começou, com a voz firme e calma — Se você matar ou ferir, qualquer um de nós, vai piorar ainda mais as coisas pra você... E a polícia federal já está com todas as provas contra você. É mais sensato que você se entregue, ou até mesmo que fuja do País. — completou.
Madara estreitou os olhos, e deu três passos na direção de Itachi. Naquela proximidade, a arma quase encostava na testa do moreno.
Sakura arquejou, tão entorpecida que mal sentia a mão de Sasuke apertando seus dedos, e o gosto de sangue na boca devido a mordida que ela dava no próprio lábio.
— Você está blefando... Se eles já estivessem com todas as provas contra mim, já teriam vindo me prender. — Madara respondeu de imediato, com aquele olhar insano.
— Não se eles estivessem resgatando as últimas pessoas que você contrabandeou para fora do País. — Itachi rebateu.
— MENTIRA! NÃO TEM COMO VOCÊ SABER PRA ONDE EU MANDEI ESSA REMESSA! — gritou, e balançou o braço.
O cano da arma raspou na testa de Itachi, fazendo seus fios farfalharem. Era muita tensão para suportar, Sakura sentia que iria desmaiar.
— A última prova que precisavam, era conseguir interceptar seu " contrabando humano". Nessa exato momento, devem estar interrogando as vitimas que você tentou mandar pra Taiwan. — Itachi falava mecanicamente — Uma jogada inteligente. Quem iria suspeitar que você enviaria pessoas para um lugar com a economia tão pobre como Taiwan? Seria um bom plano, já não o tivessem descoberto.
Madara deu dois passos para trás, e abaixou o braço. Ele segurava a arma com força, mas seu olhar estava um pouco disperso agora.
— Você não poderia saber disso. Não tem como... — Madara murmurou com um sorriso estranho.
Itachi ficou calado. Ele sabia que já havia pressionado Madara o suficiente.
O moreno olhou para Sasuke rapidamente, e Sakura viu a tensão que ele escondia no seu olhar, naquele momento.
— Shisui... Foi ele não foi?! — Madara perguntou, aproximando-se novamente de Itachi — O desgraçado deixou uma pista pra você, porque sabia que ia morrer! — concluiu.
Itachi não respondeu, apenas continuou imóvel. Não precisava confirmar oque era óbvio.
— Eu matei ele, oque te faz pensar que eu não mataria de novo? — Madara ameaçou.
— Um rastro de morte na família Uchiha... — foi Sasuke quem falou — É disso mesmo que você precisa? Matar mais um parente Madara? — completou, ultrajado.
— Não, eu não seria idiota de matar um de vocês... Mas eu posso ferir alguém que vocês amam, pra conseguir um escape. — sorriu diabolicamente.
Antes que Sakura pudesse pensar, Madara levantou o braço e apontou a arma para ela, na direção de seu joelho.
— Um tiro no joelho... Pode aleijar, sabia Sakura? — ele perguntou, parecendo alucinado — E garanto que dói muito. — completou, parecendo satisfeito.
— Você ta perdendo a lucidez? — Sasuke perguntou perplexo.
— Por que você faria isso comigo? — Sakura perguntou, em um misto de raiva e perplexidade.
— Eu não espero que uma vadiazinha burra como você entenda, mas Itachi tem sido um espião da polícia federal, acho que ele fez isso como trabalho voluntário, já que não tinha mais nada pra fazer. — comentou debochado, olhando de banda para Itachi.
Era óbvio que ele falava tudo aquilo para provocar Itachi, e não para explicar alguma coisa a garota.
— E agora, que ele tem essa ligação com a policia, ele pode me ajudar a a ter acesso há uma parte da herança, depois que eu fugir do País. Eu só preciso saber persuadi-lo... — completou, e puxou o gatilho da arma.
— Se você atirar nela, a única coisa que vai conseguir, é se enrolar ainda mais com a justiça. — Sasuke falou rapidamente.
— Eu não cheguei até aqui, perdi minha casa, a confiança do Fugaku, a vida do Shisui, pra você conseguir se livrar só por causa de uma chantagem desesperada. — Itachi falou cortante, e passou a mão pelo cabelo brevemente.
Madara virou a arma para Itachi, só porque ele moveu o braço para mexer no cabelo. Naquele segundo, Sakura pode notar, que a loucura nos olhos de Madara, era medo.
Ele tinha medo de Itachi.
Itachi ameaçava Madara. Sakura olhou para Itachi com novos olhos... O gentil e prestativo Itachi que ela conhecia, tinha um lado escuro, um lado que assustava até mesmo alguém como Madara.
— Se quiser atirar nela, atira. — Itachi incentivou, fazendo pouco caso — Ela não é de família nobre, e nem importante, não vai ser grande coisa em meio as centenas de famílias que você arruinou, os sonhos que você roubou, as mentiras que você contou, as pessoas que você traumatizou e matou, com seu tráfico humano. — concluiu.
Uma onda de dor e pavor tomou o coração da garota, mas o cérebro dela estava entendendo... Sakura podia entender oque Itachi dizia. Fazia sentido... Uma garota colegial, de classe media alta, ferida ou morta, em comparação as centenas de pessoas que foram sequestradas, enganadas e traficadas para outros Países, não era nada comparado a ela. O sofrimento das famílias dessas pessoas, não era nada comparado a ela.
Sakura era um grãozinho de areia, no deserto, uma gota de água no mar... Ela não significava nada, nem para Itachi, ou para todas as pessoas que sofreram devido a ganancia de Madara.
Madara pareceu titubear, como se estivesse ponderando oque fazer. Então, ele começou a andar vagarosamente de costas até a porta, mudando a mira da arma de Sakura, Itachi e Sasuke.
— Talvez eu leve a garota comigo, só pelo prazer de te machucar Itachi. — ele ponderou, com o olhar frenético que passava de Itachi para Sakura.
— Você tem demência ? — Sakura perguntou, sentindo sua voz arranhar na garganta, devido as lágrimas que se forçava a manter presas nos olhos — Ele não se importa comigo, você vai me levar pra que, só pra se atrasar? — completou, com a voz falhando.
Madara pareceu surpreendido ao ver que Sakura o respondeu. Ele soltou uma risada muito verdadeira, antes de deixar o sorrisinho cínico e doentio em seu rosto.
— Ou você é muito burra, por acreditar nisso, ou muito esperta, em entrar no jogo de tentar me fazer acreditar que ele não se importa com você. — Madara respondeu, quase casualmente.
Ele mirou a arma em Sakura, na direção da cabeça dela, e abriu a boca para falar, mas não conseguiu. Haviam passos pesados no corredor.
Madara abriu a porta rapidamente e olhou para fora; No mesmo segundo que ele colocou a cabeça pra fora do escritório, ele voltou, e fechou a porta, passando a chave.
Sua expressão agora, era de puro pavor.
— Uzumaki's sempre no meu caminho! — ele balbuciou para si mesmo.
Todos ficaram imóveis dentro da sala, enquanto Madara parecia ponderar novamente... No segundo seguinte, a maçaneta da porta mexeu. Tentaram abrir a porta.
— PESSOAL, ELES TÃO AQUI. — era a voz de Naruto, gritando por trás da porta.
Sakura suspirou de alivio. Naruto havia chamado ajuda, e eles já estavam ali... Estavam todos a salvo.
O som de vários pés pisando fundo no assoalho ecoou dentro da cabeça de Sakura. Ela respirou fundo, aliviada.
— Não. Isso não vai ficar assim, você vem comigo! — Madara falou, apontando a arma para Sakura — Ou você vem boazinha comigo, de refém, pra conseguir um acordo judicial, ou eu puxo o gatilho e espalho seu lindo cabelo cor de rosa junto com seus miolos na mobilha. — decretou.
— Uchiha Madara, aqui é o oficial Mitsuri! Sabemos que você está ai dentro! Você é acusado de tráfico humano, lavagem de dinheiro, assassinato de Uchiha Shisui, coação de menor, agressão contra Uchiha Mikoto e Uchiha Akane! O senhor tem dez segundo para sair com as mãos para alto. — a voz de um homem falou por trás da porta — Não tente nada, a mansão está cercada, e sabemos que o senhor está acompanhado de três adolescentes. Podemos resolver isso pacificamente, apenas se entregue. — completou, autoritário.
Mais alguns segundos se passaram. Sakura não teve tempo de pensar, ou de se mover, foi rápido demais. A porta do escritório recebeu um baque e tremeu, a policia estava forçando a entrada.
Sasuke soltou sua mão; Madara firmou o braço e apontou a arma para cabeça dela, a garota fechou os olhos e abaixou a cabeça, não tinha mais oque fazer, iria morrer porque se meteu em assuntos que não eram de sua conta.
O estalo seco do tiro ecoou em seus ouvidos, e ela abriu os olhos atordoada.
Estava intacta! Estava bem.
A porta tremeu novamente, mas desta vez, fora Sasuke que jogou Madara contra a madeira maciça; Ele segurava o braço do tio para cima, em uma luta confusa e perigosa, tentando evitar que o louco disparasse outro tiro.
Sakura não teve tempo de ficar apavorada por Sasuke estar lutando contra um homem armado, ela virou-se para o lado afim de saber porque Itachi não estava ajudando o irmão na luta contra o lunático Madara...
— Sakura... — a voz de Itachi foi a única coisa que ela ouviu naquele momento.
A polícia arrombando a porta, o outro tiro disparado... Aquilo não existia para ela. Só existia ela, e Itachi ferido.
Sakura se jogou de joelhos no chão, e delicadamente apoiou a cabeça de Itachi em seu colo. O cabelo lindo e sedoso dele, estava pegajoso e brilhando de vermelho escuro. Sangue.
Sangue, tanto sangue... Em tão poucos minutos!
— Você vai ficar bem, você vai ficar bem! — ela murmurou, com os olhos cheios de lágrimas.
Se antes estava entorpecida, agora parecia que estava presa em um pesadelo pra lá de irreal.
— Sakura... — ele tentou falar, mas tossiu, e puxou o ar pesadamente.
A garota tateou o peito dele, e achou o ferimento da bala. A baixo do ombro direito.
— Você se jogou na frente da bala! — ela falou com a voz quebradiça, o olhos embaçados — Ele atirou em mim, e você se jogou! Por que você fez isso?! — perguntou aos prantos, se debruçando delicadamente por cima dele para abraça-lo — Você não pode morrer Itachi, não pode! O disparo era pra mim, não pra você! — ela balbuciou, com a voz tremula e quase ininteligível.
A garota teve uma leve noção, de uma policial ao seu lado, tentando falar com ela, enquanto chamava a ambulância pelo radio.
“ Dois adolescentes feridos... Um ferimento a bala, parece ser grave... Uma adolescente em choque. ”
— Não, a culpa não é sua, voc- — ele tentou falar, e Sakura se afastou para olhar seu rosto.
Foi uma má ideia. Agora seu vestido prateado estava cheio de sangue, seu queixo tinha sangue, e o cheiro a deixava desnorteada. Itachi parecia ainda mais pálido que o normal, parecia estar ficando cinza; Ele tentou falar novamente, mas tudo que conseguiu foi tossir sangue.
Sakura soltou um grito agudo e desesperado de dor. Ela arregalou os olhos tentando enxergar em meio as lágrimas... Um filete de sangue escorreu pelo nariz dele.
— O pulmão! — ela gritou desesperada — O tiro atravessou o pulmão! Alguém me ajuda! — sua voz era quebrada — Eu não posso perder você!
— Já chamamos a ambulância menina, só podemos esperar. — a policial falou, mas Sakura não ouviu de verdade.
Ela estava dispersa, emocionalmente desconectada da realidade.
Era uma cena impactante, e dolorosa apenas de se ver, pior ainda, de estar nela.
Sasuke parado de pé, catatônico observando o irmão ferido no chão, inconsciente do seu próprio ferimento, a policial ao lado de Sakura, tentando ampara-la, Itachi caído no chão, com a cabeça apoiada no colo da garota, enquanto se afogava no próprio sangue que enchia o pulmão baleado.
Os policiais andavam de um lado para o outro, checando evidencias, verificando todo tipo de coisas, aguardando a chegada da ambulância. Não havia nada a ser feito, apenas esperar.
Sakura passou a mão pelas costas de Itachi, procurando o ferimento de forma mais delicada possível. Ela achou, o buraco de saída nas costas era maior do que de entrada... Era do tamanho da palma da sua mão, e o fluxo de sangue era quente grosso e pegajoso. Ela não afastou a mão; Não sentia nervoso, ou agonia pelo ferimento, e sim por não poder fazer nada. Ela queria ajudar, precisava ajuda-lo!
— Você não merecia isso. — ele conseguiu falar, mas um som estranho saiu de sua boca.
Era como se estivesse se afogando, mas não existia água, apenas sangue.
— Não fala, não se esforça! — ela balbuciou, atônita.
— Você precisa ouvir... — mais sangue pela boca — Garo-ta teimosa. — ele sorriu dolorosamente.
A Haruno sorriu também, um sorriso tão triste e desesperado, que era pecado de se ver.
— Você vale... Ma-mais, que — tosse — Todas as pessoas do mundo. — ele arfou, arfou e piscou pesadamente.
Sakura passou a mão ensanguentada pelo rosto dele, para afastar o cabelo pegajoso de sangue de seus olhos.
— Você é mais importante... Que todas... Todas as pessoas, desculpa por te-r falado, que não era... Eu só que-ria. Te proteger. — ele sussurrou, entre cortado.
— Tudo bem, eu sei, eu sei, eu sei... — ela repetiu.
— Ta' frio... — ele gemeu, e levantou a mão para puxa-la para um abraço — Me a-bra-ça. — pediu.
Mas seus braços estavam fracos, e gelados. Ele estava gelado. Pálido.
De que adiantava agora seu vestido caro, seus cabelos e unhas novas? De que adiantava tudo aquilo? Nada tinha importância...
Sakura soltou um gemido de desespero, e tentou o abraçar da melhor forma possível. Ela sabia que o frio, era o pressagio da morte. Quando o sangue esta deixando o corpo, ele esfria, e morre.
Ele ficou muito parado, e ela se afastou para olha-lo. Seus olhos tão intensos, cheios de mistério e vida, estavam opacos, e ele piscava pesadamente, parecendo estar com sono. O som de sua respiração, era apavorante.
— Ita-chi... — ela ofegou no choro — Não fecha os olhos, fica comigo! — ela soluçou.
Estavam muito próximos, quase com as testas coladas. Muito deliberadamente, ele tocou os lábios ensanguentados nos dela, rápido e superficialmente. Ela sentiu o gosto de ferrugem na boca.
Se olharam por alguns segundos, Itachi tossiu, e respirou fundo. Aquele barulho pavoroso novamente.
— Otou-to... — ele chamou, piscando fortemente — Beijei sua namora-da. — completou, tentando sorrir.
Mas tudo que saiu, foi uma careta alucinante de dor.
Sasuke se abaixou ao lado dele mecanicamente, tão rígido que parecia de metal.
— Nada de gracinhas seu idiota, você vai ficar bem vivo pra eu socar sua cara por você ter feito isso. — Sasuke decretou, apertando a mão livre do irmão.
Com a outra mão, Itachi tentava acariciar o braço de Sakura. Ele estava tentando acalenta-la. Itachi estava tentando consolar Sakura e fazer gracinha para seu otouto. Ele estava ferido, quase morrendo, e tentava confortar os outros... Típico dele.
Os paramédicos entraram rapidamente na sala e começaram a trabalhar com eficácia, e desta vez os policiais tiraram Sakura de cima de Itachi.
A garota não ouvia nada direito, eram apenas sons desconexos ao seu redor.
Colocaram ele em cima da maca, enquanto um efermeiro falava pelo rádio. Sem saber oque estava fazendo, Sakura foi seguindo os paramédicos, que transportavam o corpo semi-inconciente de Itachi.
“ Adolescente com ferimento de arma de fogo. O projétil atravessou a escápula, e vazou pelo pulmão direito. Cianose devido a perda de sangue... Precisamos de no mínimo duas unidades de sangue. Estamos improvisando um dreno para evitar colabamento de pulmão...”
A ambulância estava na porta da frente da mansão, com as portas abertas e uma enfermeira esperando lá dentro.
Sakura se pendurou na porta da ambulância querendo entrar, mas os paramédicos chamaram Sasuke, afinal ele era o irmão, e estava com um ferimento no abdome, mas ele estava muito melhor que Itachi. Na verdade, Sasuke ainda não havia se tocado de que estava ferido.
A garota se debruçou sob a maca, tentando entrar na ambulância a todo custo. Não sabia oque estava fazendo, se estava acordada, se estava dormindo, se estava chorando, ou rindo... Mas teve certeza, de que quando a policial a arrastou para fora da ambulância, viu os lábios de Itachi se moverem em um silencioso “ Eu te amo.”
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