How much I love U.
30 Capítulo 29 - Especial - Uchiha Itachi.
Notas iniciais
Oito dias depois, Quarta-feira – 10:45 da manhã.
Itachi olhou pela janela da sala de aula, olhando o pátio apinhado de estudantes. Era hora do intervalo, e só o moreno estava em sua sala de aula.
Queria ficar sozinho. Ultimamente, era só isso que queria.
Vivia tão preocupado, estressado, e com o nervosismo contido, que estava começando a achar difícil ter uma simples conversa com os colegas de classe, por isso evitava estar entre os outros, ou falar perto deles. Não que fosse muito falante em outros casos, mas costumava se integrar nos acontecimentos ao seu redor com um pouco mais de interesse, afim de tentar ser agradável aos outros.
Em todo caso, Itachi sempre teve facilidade em aparentar estar desligado dos outros, mesmo quando não estava de verdade; Fazia isso na tentativa de não ser inconveniente ou pressionar os demais.
Duas batidas na porta da sala de aula, o fez sair de seus devaneios. O moreno virou a cabeça, lentamente e sem interesse para porta, vendo a figura ruiva observa-lo, incerta.
— Oi, Itachi. — Karin falou, tentando um sorriso.
O moreno sentiu seu corpo enrijecer automaticamente em ver a garota entrando na sala, e indo em sua direção. Ele não conseguia ser agradável com a ruiva, desde que ela armou para a Sakura. Seu rancor relacionado a isso, era abrasador, contudo, o Uchiha sabia que precisava aparentar desprendimento; Ele não podia demonstrar todo o sentimento protetor que tinha por Sakura.
— Você ta sabendo do baile de primavera?! — ela começou, encostando-se na carteira que o garoto estava sentado.
Itachi assentiu levemente com a cabeça, com o rosto virado para frente, sem realmente olhar para ela.
— Bom, é que, você sabe, eu to fazendo parte da organização e... Estamos cotando alguns candidatos pra concorrer a votação de rei e rainha do baile. — ela tagarelou, quando viu que ele não falaria nada.
Ela esperou alguns segundos, mas ele novamente não respondeu. Apenas pendeu a cabeça para o lado levemente, olhando-a rapidamente enquanto cruzava os braços em cima da mesa da carteira.
Ela colocou uma mecha do cabelo vermelho atrás da orelha, e sorriu. Karin não costumava se intimidar com rapazes, mas estava ficando chato o monologo com Itachi.
— Queria saber se a gente pode colocar você na lista de candidatos a votação. — ela falou por fim, acenando com a mão displicentemente no ar.
O Uchiha sentiu um sorriso amargo se apoderar de seu rosto. É claro, o mundo dele estava ruindo; A garota que ele gosta estava transando com seu irmão mais novo, seus pais estavam se divorciando tragicamente, seu tio estava lhe soltando ameaças a torto e a direito, ele já fora expulso de casa... Mas, o baile de primavera estava chegando, e Karin achava que alguém votaria nele para alguma coisa.
— Então? Esse sorriso é um sim? — ela perguntou animada — Acho que você é um candidato forte, sabe?! — completou, piscando para ele.
O moreno deu de ombros levemente, e se levantou. Não aguentava mais ouvir a voz dela, no entanto, não queria ser rude.
— Então ta legal, você ta dentro. — Karin falou, passando a frente dele para sair da sala.
Itachi deixou que ela passasse a sua frente, e quando saiu da sala, viu que haviam mais três garotas no corredor, esperando Karin. As garotas se alvoroçaram ao ver que ele estava saindo logo atrás da ruiva, e tentaram disfarçar, que estavam ali paradas só esperando Karin sair com o veredito de Itachi.
O moreno tentou dar um sorriso para as garotas enquanto descia para o pátio. Se era tão importante para elas que ele participasse, então tudo bem. Itachi gostava de ser útil as pessoas, ou de deixa-las satisfeitas, mesmo que fosse com algo tão fútil.
— Ouvi dizer que as garotas tavam’ loucas pra ir falar com você, sobre o baile. — Deidara tagarelou, puxando-o pelo ombro, assim que Itachi apareceu no pátio.
— Essa história de baile, já é idiota o bastante, sem todo esse drama que o Itachi ta passando, não acha?! — Sasori perguntou retoricamente, levantando-se do chão.
Deidara largou Itachi e virou-se para Sasori, com uma expressão de puro estresse.
— Você acha que tudo é chato, independente das circunstancias. — o loiro rebateu fazendo bico — O Itachi precisa relaxar um pouco, né não mano? — perguntou, virando-se para o moreno, e dando um tabefe em suas costas.
Itachi piscou pesadamente com o tabefe amigável do Yamanaka, e logo passou a mão pelos cabelos. Apreciava seus amigos, e levava a opinião deles em consideração; Sabia que eles estavam apenas preocupados.
— Talvez também precise dormir mais que duas horas por dia... — o loiro resmungou a meia boca.
Sasori resmungou, ralhando com Deidara, mas Itachi resolveu intervir antes que a discussão começasse.
— São nos piores momentos, que mais precisamos de distração. — o moreno falou, chamando atenção dos amigos.
Itachi tentava se convencer de suas palavras. Ele tentava ver a melhor parte de estar envolvido no ambiente colegial. Era reconfortante ver que por trás de todo seu drama pessoal, coisas amenas e normais estavam acontecendo ao seu redor.
Deidara assentiu consigo mesmo, em total satisfação por estar “na razão”, e mostrou a língua para Sasori, que o ignorou.
— Você acha que vai ter condição de participar dessa merda de baile? — o ruivo perguntou arqueando as sobrancelhas — Itachi, você sabe que tem mais chances do que eu, ou o Deidara de vencer essa votação idiota. As garotas, são loucas por você. — completou, com total naturalidade.
Itachi quase sorriu novamente. De onde as pessoas tiravam essa ideia de que ele era tão descolado ao ponto de ganhar uma votação dessa magnitude? Ele não se achava tão legal e descolado; Itachi se via como um adolescente magro demais, branco demais, pálido demais, com olheiras demais, e problemas demais, logo pensava ser impossível ganhar essa votação boba. Talvez, ele não se visse com tanta clareza.
— Só não quero decepcionar as pessoas. — ele se limitou a dizer, encostando-se na parede.
— Do que ce’ ta falando cara? — o loiro perguntou, curioso, escorando-se no ombro do moreno.
— Tem umas garotas do segundo ano... — ele começou a falar, de olhos fechados — Elas pareciam se importar com a minha presença. — completou, dando de ombros.
Sasori deu uma risada de escárnio, fazendo Itachi respirar fundo.
— Ah o meu grande amigo Itachi, sempre pensando mais nos outros do que em si mesmo. — o ruivo falou baixo, em um tom debochado.
O sinal tocou, informando os alunos que já estava na hora de subirem paras suas salas. O alvoroço começou a se formar perto do prédio principal, abafando a risada que dera Deidara em resposta ao comentário do Akasuna.
— Não se preocupa cara, quando você morrer, vamos colocar na sua lápide “ O altruísmo desse trouxa, levou ele mais cedo.” — o loiro comentou, rindo consigo mesmo, arrancando uma risada baixa de Sasori.
Itachi abriu os olhos, sentindo a brisa, enquanto fitava o céu. Ele deixou um pequeno sorriso doloroso e ácido formar rapidamente em seu rosto. Já que não podia chorar, então sorria.
— Não sou assim tão bonzinho. — ele afirmou, quase em um sussurro.
— Nisso eu acredito. — a voz feminina sobressaiu-se, ligeiramente aguda e acusatória.
Sasori e Deidara que já estavam entrando no prédio, apenas puderam olhar para trás, e ver dentre várias pessoas, Itachi e Sakura, frente a frente.
O Uchiha ainda estava encostado de costas na parede, de frente para Sakura, que se mantinha de pé, encarando o garoto, com o queixo erguido encarando-o.
Itachi fez um sinal discreto e rápido com a mão, para que seus amigos não voltassem ou esperassem por ele. Podia lidar com Sakura sozinho, não podia?!
— Quero saber o que exatamente você e o Sasuke andam escondendo. — ela foi direta, soando acusatória.
Encararam-se por alguns segundos, o suficiente para que o pátio já estivesse quase completamente vazio.
O Uchiha não demorou muito observando-a, não podia demonstrar interesse... Contudo, não precisava passar muito tempo encarando-a, para saber como ela era incrivelmente adorável, e linda.
A pele macia de porcelana do rosto, pintada com sardas claras e suaves que marcavam o nariz, os cabelos sedosos e autênticos, os olhos verdes e brilhantes sempre tão sinceros e expressivos... Os lábios delicados e convidativos... Lábios estes, que estavam em total posse de seu irmão mais novo! Esse ultimo pensamento jogou um balde de água fria em Itachi, e isso o fez retomar a linha de pensamento racional.
— Paranoia? — o moreno perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Se encararam novamente. Sakura estava desafiadora. Havia algo em seus olhos, que mostrava que ela estava certa que eles estavam escondendo algo, mas Itachi precisava tentar desacredita-la, de seja lá oque ela estava imaginando que estava acontecendo. Ela não podia se envolver ainda mais.
— Vou te esperar no banheiro feminino do terceiro andar. — ela conjecturou, tentando soar firme, com os bracinhos cruzados em frente ao corpo delicado — Vem depois de mim, pra ninguém ver que estamos indo pro mesmo lugar. — ela completou, desviando o olhar dele, corando, ligeiramente constrangida.
Ela estava claramente insegura, se ele iria segui-la, ou a deixaria plantada no banheiro sozinha. Ele percebeu isso, e sentiu suas sobrancelhas se franzirem automaticamente, ao ver que ela estava fazendo um pedido a ele, mascarado de uma ordem. O reflexo do moreno, era de acatar qualquer coisa que ela quisesse ou dissesse, principalmente quando agia de forma tão adorável.
— Seu namorado sabe que você ta chamando um cara mais velho pra um lugar deserto do colégio? — ele perguntou, lançando um sorriso malicioso.
Ele queria deixa-la constrangida o suficiente, para que ela desistisse da ideia de confronta-lo. Esse era o plano.
— Sasuke não é meu dono. — ela rebateu, subitamente mais irritada, com as mãos fechadas em punhos ao redor do corpo.
Itachi ficou realmente surpreso, e piscou duas vezes, recompondo-se rapidamente. Ele queria constrange-la e faze-la recuar, e não deixa-la ainda mais motivada a confronta-lo.
Diabos, ela era imprevisível!
Teve vontade de se inclinar e abraça-la. Oh deuses, se ela soubesse como era absurdamente adorável quando inflava as bochechas irritada!
— Qual a graça? — ela perguntou elevando a voz — Não importa, vamos nos falar na porra do banheiro. — completou, passando por ele para dentro do prédio principal, a passos fundos.
Itachi ficou parado, do lado de fora, no pátio deserto por alguns segundos, realmente perplexo. Ora, havia sido realmente pego de surpresa por Sakura. Deveria mandar mensagem para Sasuke, e mandar ele sair de sua sala de aula, e ir atrás da Haruno no banheiro... Mas, sabia que se mandasse Sasuke ir cuidar dela, seu irmãozinho idiota não conseguiria ludibria-la. Se Sakura chegou a fugir de Sasuke na escola, para falar com ele, era porque seu otouto estava enrolado com a namorada; Pensando nisso, Itachi chegou a conclusão, que cabia a ele ir falar com a rosada no banheiro, e tirar da cabeça dela, toda e qualquer ideia que ela estivesse formando sobre a treta em questão.
Se esgueirou pelos corredores até o banheiro, de forma discreta, afinal não queria ser pego pelo inspetor.
Ele passou pela porta do banheiro, e parou encostado na mesma, passando o trinco discretamente, ainda de costas, enquanto ocupava os olhos com a visão de Sakura, de braços cruzados no meio do banheiro.
— Então, por que estamos matando aula? — Itachi perguntou, se afastando da porta furtivamente.
Ele estava com a chave da porta entre os dedos, e a guardou do bolso de trás da calça, sorrateiramente. Não deixaria Sakura escapulir, antes dele convencê-la de que ela estava apenas sendo criativa, e que nada estava errado com sua família.
— Você se importa em matar aula? Sério? — ela perguntou descrente, se esticando para ele — Estranho, já que você tem faltado bastante. — completou, lançando um olhar acusatório.
Itachi agora andava pelo banheiro vagarosamente, rondando a rosada. Ele esperou os segundos se passarem, desfrutando da satisfação que lhe inundava a alma! Sakura prestava atenção nele. Ela sabia que ele estava faltando a escola com frequência.
— Vamos discutir sobre minha conduta escolar? — ele perguntou, amaciando a voz em uma falsa inocência — Sou um bom aluno, tiro boas notas. — completou com cinismo.
Agir desta forma o deixava arrasado. Ele detestava ser cínico.
A garota se virou para ele, já que ele não parada de andar ao redor dela, deixando-a atordoada.
— Vamos discutir sobre você e o Sasuke estarem me escondendo, no que estão metidos. — ela começou, seguindo a movimentação do garoto com os olhos.
— Sim, vamos falar sobre sua hipótese. — ele falou, cheio de divertimento e sarcasmo, dando um sorriso cheio de descrença.
— Ouvi sua mãe falando no telefone na madrugada de sábado pra domingo. — a rosada começou, cautelosa — Ele parecia assustada. — completou, observando Itachi.
Ele havia parado no canto do banheiro, nas costas dela, e ela novamente precisou se virar para olha-lo. Ele foi até a pia, e se sentou no mármore, de forma desleixada. Estava tentando soar despreocupado com o assunto de Sakura, então jogou o cabelo para trás de forma quase teatral, afim de parecer casual.
Os olhos verdes acompanharam o movimento dele, sem sequer piscar, e pelo canto do olho, ele percebeu, que a garota sufocou um suspiro quando ele jogou o cabelo.
Um sorriso de satisfação cortou o rosto dele.
Mesmo que soubesse, que não podia se permitir tais sentimentos, ele não era capaz de deixar de senti-los, contudo, podia mascara-los, por isso, transformou seu sorriso sincero e satisfeito, em um sorriso de deboche e descrença.
Sakura ficou rígida, esperando a resposta.
— Além de criativa, você é bisbilhoteira. — ele comentou, fingindo estar pensativo e deixou os olhos vagarem — Uma combinação e tanto. — completou, ficando sério.
Sakura arfou, claramente ofendida. Ela se aproximou de onde ele estava, e parou em frente a ele, com as mãos nos quadris.
— Essa sua tentativa ridícula de tentar me desacreditar, só me mostra que realmente existe alguma coisa que vocês tão’ tentando esconder. — ela começou, certeira. Essa garota, realmente conhecida Itachi, de alguma forma, ela conhecia. — O Sasuke anda estranho, falando uma coisa com a boca mas mostrando outra com os olhos. E você... — ela mordeu o lábio e desviou os olhos — Você não é isso. Não é essa pessoa. — falou decidida, levantando os olhos para ele.
Houve uma breve pausa. A vontade que ele teve de abraça-la, implorando por desculpas e confessar sobre tudo, o sufocou. Ele precisou se manter estático, completamente imóvel, para não ceder a mórbida vontade de se entregar, e desabafar sobre como as últimas semanas estavam difíceis, e como ele sentia falta dela.
— Pessoas mudam. — foi oque ele se limitou a dizer, soando frio e distante.
A garota piscou e acenou negativamente com a cabeça, como se oque ele tivesse falado, fosse uma espécie de absurdo. No fundo, ele gostou de saber, que ela ainda acreditava nele, que ela não havia desistido do coração dele.
— Tudo começou sem querer. — ela começou, sem graça olhando para o chão — Eu tava saindo da cozinha de madrugada, e ouvi sua mãe no telefone. Parecia estar muito nervosa, e discutia com alguém, sobre você. — completou, olhando-o pelo canto do olho.
Ele pendeu a cabeça para o lado, em total estresse, receoso com o relato.
— Ela disse que... Disse que achava que você tava’ tentando fazer a coisa certa, e que por isso estava em perigo. — contou, segurando a barra da saia nervosamente — Depois disso, eu passei a prestar atenção nos detalhes. Sempre que você matava aula, o Sasuke parecia estar mais protetor comigo, e parecia mais... Distante. — completou, parecendo perdida em suas palavras — E... Eu fui mexer o celular do Sasuke, e vi algumas mensagens dele com você. Mensagens sobre mim. — sussurrou desconcertada.
— Quando que você ouviu essa conversa da minha mãe? — ele perguntou, estranhamente ríspido.
— Semana passada, de sábado pra domingo. — ela falou de imediato.
O garoto pulou da pia, sentindo as mãos suarem frio. Sasuke era mesmo um idiota por não apagar as conversas do celular. Será que ele não imaginava que Sakura poderia mexer ali? E como ele poderia deixar sua mãe falar coisas do tipo no telefone residencial? Ele sabia que não era seguro! Madara estava vigiando até as linhas telefônicas da casa!
Ele andou até a porta do banheiro em três passadas, deixando Sakura ali, parada no banheiro.
Em um movimento súbito e rápido, ele se virou de volta para a rosada e parou na frente dela. Se inclinou para ela, e segurou seu rosto com as duas mãos.
Ele respirou perto dela três vezes, de olhos fechados, com os rostos próximos. Estava inalando o cheiro dela, tentando decidir oque fazer, e se manter calmo ao mesmo tempo.
Quando abriu os olhos, a garota estava com o olhar perdido, e os lábios entre abertos; Ela parecia grogue com a proximidade dele.
Ele fingiu não notar, reprimindo a felicidade e a satisfação que sentiu, ao perceber isso.
— Preciso que você faça uma coisa por mim. — ele falou, em um sussurro macio — Você pode fazer uma coisa por mim? — completou, soando mais duro, e persuasivo, ainda usando o tom macio.
Ela assentiu lentamente, olhando-o nos olhos, enquanto tentava piscar, claramente buscando por alguma coerência. Ele se identificava com aquele sentimento, era difícil ser coerente perto dela. Sakura abalava suas estruturas.
— Oque... Você, quer? — ela perguntou, em um murmúrio sôfrego.
— Preciso que você volte a falar com a Ino, e que fique na casa dela, até sexta. — ele falou, aproximando-se mais da garota. Sexta seria o baile, pretendia acertar tudo até sexta.
Ele ainda estava com as duas mãos no rosto dela, encarando-a com tanta intensidade e proximidade, que podia ver as várias nuances de verde que pintavam sua íris, de uma forma única e linda.
— Eu... Eu to certa, não to? — ela perguntou, segurando-o pelos colarinhos — Tem alguma coisa, errada. — completou, puxando-o mais para perto de si.
Mas ele sabia que se houvesse mais aproximação, acabariam tocando suas testas. Então, não deixou com que o puxão dela, o fizesse se inclinar ainda mais para baixo.
— Você confia em mim? — ele perguntou, em um sussurro tão baixo e rouco, que se não estivessem tão próximos, ela não ouviria.
— Confio. — ela respondeu tão rapidamente, que ele pensou que talvez ela nem tivesse pensado antes de dar a resposta.
Sem avisos, ele a puxou para seu peito, e a apertou em um abraço aconchegante. Ele abaixou a cabeça e deixou seu rosto vagar pelo topo da cabeça dela, inalando seu cheiro, enquanto a apertava em seus braços.
Ela o envolveu em um abraço pela cintura, e descansou o rosto em seu peito, deixando-se ser abraçada.
Ficaram alguns segundos neste abraço, até que ele se afastou rapidamente, sentindo seus olhos estavam ardendo.
Foi até a porta rapidamente, e a abriu, parando de costas com a mão na maçaneta.
— Não se envolve mais nisso Sakura. — ele falou, com a voz rouca, quase embargada — Não faz isso, por favor. — completou, e saiu pelo corredor a fora, rapidamente.
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– Você é realmente um idiota. – exclamou na linha, a voz baixa e cortante – Você deixou na Sakura pegar seu celular e vasculhar nossas conversas? – completou, descrente.
– Ela deve ter recuperado as conversas pelo back-up. Eu apago tudo. – Sasuke respondeu, claramente confuso. Ele estava chocado demais para ser agressivo.
Itachi respirou fundo no telefone, tentando se manter são.
– Você sabe que telefone residencial tá grampeado, e que o Madara vigia a linha 24h por dia. Como que deixou a mamãe falar com alguém? – perguntou, mudando de assunto.
– Eu não tenho como vigiar a mamãe, a Sakura, e a Akane, em tempo integral e ainda conseguir ir pro colégio e dormir. – ele respondeu ríspido – Se você resolvesse abrir mais o jogo com a mamãe, talvez melhorasse as coisas... – sugeriu, cortante.
– A mamãe já tá’ envolvida o suficiente nisso. Você deveria saber, que quanto menos se souber, melhor. – ele rebateu, a voz arrastada.
– Claro, porque a responsabilidade de ficar de guarda costas pra elas, é minha e não sua. – Sasuke reclamou, aborrecido.
– Se você tiver achando seu fardo pesado, troca de lugar comigo. – Itachi respondeu sibilante — De qualquer forma, eu vou resolver isso até o dia do baile. — assim pretendia, consertar tudo até sexta.
– Isso! Adianta logo seu trabalho, pra ver se essa merda não piora ainda mais. – o mais novo falou, e desligou.
Itachi largou o celular para o lado, e recomeçou a andar pelo seu quartinho improvisado.
Como queria estar no lugar de Sasuke. Em sua casa, vendo sua mãe sua irmã, e a garota que ele gostava com frequência, e ainda poder ficar perto dela.
Sasuke não sabia do que estava falando, quando o acusava de estar se demorando em “fazer sua parte”; Quando Itachi disse que a parte mais difícil do trabalho estava com Sasuke, ele não falava sério, disse aquilo apenas para passar confiança para seu otouto.
Jogou-se no colchão de solteiro que tinha, e ficou deitado por alguns minutos, tentando esvaziar a mente.
Estava morando nos fundos do estúdio de tatuagem de Sasori, em baixo da casa do ruivo. Era um quartinho pequeno, do tamanho do banheiro de seu antigo quarto na mansão Uchiha. Ali, ele tinha uma pequena cômoda de madeira antiga, nela, guardava as roupas que ainda tinha, e em cima dela deixava seus poucos pertences pessoais, como escovas de dentes, creme de cabelo e os livros da escola. A cômoda havia sido feita por ele mesmo, quando se mudou para ali.
No chão, tinha o colchão de solteiro, era novo e macio ( conseguiu comprar com o dinheiro de seu trabalho), mas pelo fato de não ter cama, ele não pode tirar o plástico, afinal o colchão poderia mofar em contato direto com a umidade do chão, então toda a vez que se deitava ali, o barulho do plástico o incomodava.
E como se isso não bastasse, tinha o som agudo da máquina de tatuagem ecoando sempre que surgia algum cliente, e o barulho que Sasori fazia em sua casa no andar de cima.
Ou seja, se Itachi já tinha problemas para dormir na silenciosa mansão Uchiha, onde tinha uma enorme cama confortável, aquecedor e ar condicionado só para si... Dormir naquele quartinho era ainda mais difícil.
Mas Itachi não reclamava, ele não tinha problemas em viver na simplicidade; O moreno nunca fora apegado a dinheiro ou bens materiais... Na verdade, ele agradecia aos deuses por ter um lugar onde ficar depois que fora expulso de casa.
Era verdade que trabalhava. Havia ajudado Sasori a construir o estúdio de tatuagem, e o auxiliou na reforma do ateliê. Itachi não se importava em ter que trabalhar na construção do lugar, mas ficou muito mais confortável quando Sasori começou a ensina-lo a tatuar, e ele começou a pintar as pessoas. Pintar a pele das pessoas era mais fácil, e menos cansativo do que construir um cômodo desde o alicerce.
O dinheiro que ele tirava das tatuagens era pouco, mas o suficiente para comprar cigarros, café e o colchão no qual ele dormia. O moreno queria ajudar nas despesas alimentares na casa de Sasori, já que ele comia da comida do ruivo todos os dias, mas seu amigo se recusou terminantemente em receber qualquer dinheiro do Uchiha só porque ele comia três vezes ao dia em sua casa.
Na verdade, Sasori havia oferecido sua própria casa para Itachi. Ele disse que poderia dividir seu quarto com o moreno sem problemas, mas Itachi não seria capaz de aceitar tanto. Ele já achava que era muito morar no quartinho dos fundos da loja de tatuagem de Sasori.
Por isso, o Uchiha tentava sempre ser o mais prestativo o possível para seu amigo. Auxiliando no ateliê de artes, e no estúdio, sempre que possível. Mesmo que mal tivesse tempo para si mesmo. Precisava manter contato com a policia federal, tentando provar a criminalidade de seu tio, ao mesmo tempo que fugia de Madara, tentando agir da forma mais discreta possível.
Era um inferno de vida.
As vezes, só queria deitar pra dormir, e nunca mais acordar. Mas não podia se dar a este luxo! Não quando existam pessoas que precisavam dele. Sasuke, sua mãe, Akane... Todas aquelas pessoas que Madara estava traficando; Todos precisavam dele! Ele tinha a responsabilidade nas costas, de zelar pela vida daquelas pessoas. Sentia isso, todos os dias, a cada respiração dolorosa, a cada passo que dava.
Esse peso parecia aumentar de tamanho quando pensava em Sakura. Ela também estava em perigo... Mas, ela estava com Sasuke, e... Estavam juntos. Pensar nisso, era como enfiar pequenas agulhas por todo seu corpo, enquanto arrancava o coração com as próprias mãos.
O assunto Sakura e Sasuke, só piorava tudo. Tentava não pensar nisso, tentava o máximo nunca chegar neste assunto, mas sempre que ficava sozinho, no escuro da noite, em seu colchão barulhento, esse assunto vinha lhe assombrar.
E sua reação era basicamente a mesma: Fumar cigarros até o quarto ficar nublado de fumaça, olhar para o teto escuro sem conseguir dormir, e sofrer calado enquanto esperava o dia amanhecer. A única diferença, é que as vezes, ele se permitia chorar; Chorava em silêncio, e sem expressão, até que seu corpo entrava em total estado de cansaço, e ele conseguia dormir por uma ou duas horas.
Estava longe em pensamentos, quase adormecido, quando seu celular vibrou em uma mensagem. Era Deidara. Itachi havia incumbido Deidara de informa-lhe sobre Sakura. O loiro, assim como Sasori, sabia de toda a situação que o Uchiha estava atravessando.
“ A garotinha ta aqui em casa, vai passar os dias aqui até sexta como você disse. Parece que ela voltou a falar com a Ino, mas se elas se estranharem, eu seguro a Sakura aqui, não se preocupa.”
Ele leu a mensagem duas vezes, e respirou de alivio.
“ Valeu cara, te devo essa.” – respondeu de volta.
Ele desligou o celular, e fechou os olhos, esperando por algum sono. Talvez, no mundo dos sonhos, sua realidade fosse menos pior.
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