How much I love U.
20 Capítulo 19 - Valores.
Notas iniciais
Sexta-feira / 16:17 – Mansão Uchiha.
Sasuke chegou em casa, e no mesmo pé que entrou saiu. Tomou um banho rápido, colocou as roupas mais formais que tinha, e foi para a rodoviária de sua cidade.
Havia descoberto por sua mãe, que Itachi iria para uma audiência semi-formal, no fórum da cidade vizinha. Seu irmão mais velho estava sendo acusado por Fugaku, de calúnia e fraude nas empresas Uchiha, e com isso tinha a intenção tirar todas e quaisquer chances, de Itachi ter acesso a algum bem da família.
Sasuke a princípio não entendeu o porquê de sua mãe revelar essa informação a ele, mas depois de alguns minutos de conversa com ela, descobriu que ela queria que ele fosse até a audiência, representando-a. E esse que foi o verdadeiro mistério. Por que Mikoto não ia ela mesma para a audiência?
Sasuke se deixou levar pelas inúmeras hipóteses que se formavam em sua mente, enquanto embarcava no ônibus para a cidade vizinha. Demoraria cerca de uma hora, e a audiência estava marcada para as 18:40. Preocupado demais com um possível atraso, Sasuke foi olhar em seu celular, para tentar se distrair e acabou esquentando a cabeça duplamente com os twetts do pessoal da escola, falando sobre a social a noite.
Claro, a maldita social. Sua cabeça estava tão cheia de coisas esta semana que nem estava prestando atenção nessa besteira de social na casa dos Yamanaka. Pensou em pedir para o Naruto ir e ficar de olho em Sakura, mas sabia que o seu rival , Itachi, não estaria lá, logo chegou a conclusão que tudo estava sob controle.
Desceu do ônibus quase correndo, não sabia ao certo onde ficavam as coisas naquele local, mas havia se informado o suficiente para saber que o fórum de audiência não era longe do centro, e não tardou a acha-lo.
Passou pela porta principal sem que os seguranças o perturbasse, e logo no final do principal corredor lustroso, estava Itachi. Usava uma camisa branca de botões e calças sociais um pouco amarrotadas, estava em pé olhando pelo vidro da janela com a mão direita escorando o cotovelo esquerdo.
Sasuke foi se aproximando o mais silenciosamente possível, mas Itachi o viu pelo reflexo do vidro, e virou-se para o irmão mais novo com uma expressão, no mínimo curiosa.
— Surpreso em me ver? — Sasuke perguntou, um tanto arrogante erguendo uma sobrancelha.
— Mais surpreso ainda em ver que você penteou os cabelos. — o mais velho debochou, colocando as mãos nos bolsos da calça.
Sasuke fez uma espécie de carranca e cruzou os braços.
— Você não ta em condições de fazer piadinha. — o mais novo rebateu, cheio de azedume.
— Acho que quanto pior a situação, mais necessária a descontração se torna. — Itachi respondeu, olhando vagamente para o chão.
Sasuke se sentiu ligeiramente cruel com oque havia dito. Agora Itachi parecia tão frágil...
— Em que tipo de merda você se enfiou? — Sasuke perguntou, tentando soar o menos acusatório possível.
— A mamãe mandou você no lugar dela né? — o outro perguntou, quase que retoricamente.
Sasuke assentiu, seriamente.
— Então, quando a gente entrar, você vai ver em que tipo de merda me enfiei. — respondeu, com um tipo de humor negro escondido nas palavras, dando de ombros levemente.
Ficaram em silêncio por alguns segundos, ambos olhando em pontos distintos, até que o guarda abriu a pesada porta de madeira no corredor a direita, e os convidou a entrar na sala da audiência.
A grande mesa comprida de madeira clara, estava no meio da sala, e na extremidade da mesma, uma grande poltrona estava vazia, aguardando o juiz.
Sasuke entrou, e sentou-se em uma das cadeiras, vendo seu pai e o advogado da família entrar logo em seguida.
–--
Três horas depois, Sasuke saiu de dentro daquela maldita sala completamente estressado. O tanto de burocracias e balelas eram sem igual, nada fora realmente resolvido e no final Fugaku pediu para ter uma conversa privada com seu advogado, e outra audiência foi marcada.
Tenha dó.
— Por que diabos essa enrolação toda? — Sasuke perguntou impaciente, seguindo Itachi porta a fora.
— Parece que o Fugaku foi pego de surpresa com os números de finanças da empresa. — Itachi respondeu de forma misteriosa, quase sombria.
Sasuke sentiu-se ligeiramente ansioso. Queria saber do que se tratava. Queria saber oque estava acontecendo.
— Sasuke, vamos embora! — Fugaku chamou, autoritário.
Sasuke virou-se para trás, dando de cara com seu pai.
— Vou ficar e conversar um pouco com o Itachi. — Sasuke respondeu, seriamente, olhando nos olhos de seu pai.
— Vai ficar aqui no meio da rua, trocando figurinhas com esse marginal, a troco de que, posso saber? — Fugaku perguntou, cheio de ironia.
— Tem um restaurante por aqui. — Itachi falou, para Sasuke, dando a entender que ele não pretendia ficar no meio da rua coisa nenhuma.
Antes que Fugaku pudesse protestar, Madara estacionou seu carro prateado, chamando atenção de todos. Ele e o pai dos adolescentes trocaram um olhar significativo, e Fugaku resolveu que tinha assuntos mais sérios a tratar no momento.
— Sasuke, eu vou tratar de alguns assuntos com seu tio Madara, e deixar o nosso carro e o motorista a sua disposição, para te levar direto para casa, depois da sua... Conversa. — falou, cheio de arrogância — Espero que você, faça a escolha certa meu filho, afinal é o único herdeiro da família Uchiha. — completou, afastando-se a passos largos para o carro de Madara.
Quando Fugaku entrou no carro de Madara, Itachi estava com um sorriso divertido em seu rosto.
— Parece que todo mundo esquece que a Akane existe, não é? — o mais velho falou, como se fosse algo muito engraçado.
(...)
Andaram duas quadras até o tal restaurante, porque Itachi se recusava a entrar no carro de Fugaku, então foram os dois irmãos andando com o carro atrás deles. E ao chegar no estabelecimento, Sasuke descobriu que não era nada de um restaurante, e sim um bar. Sasuke não reclamou, e seguiu Itachi para a mesa mais afastada.
— Você percebeu que aquele papo do Fugaku pra você, de fazer a escolha certa, era uma ameaça... — Itachi começou, cruzando as mãos em cima da mesa de forma displicente.
— Se eu escolher algo que ele não concorde, corro o risco de ser deserdado também. — Sasuke falou sem rodeios — Percebi isso sim, só não sei o porquê disso tudo. Não sei porque nosso pai foi tentar te acusar de calúnia e fraude, quando as economias da empresa estão muito mais a cima do esperado. — falou por fim.
— Ele nem sabia que as finanças da empresa haviam sofrido aquela queda, e depois aquela alta inexplicável. Ele só acreditou no que o Madara falou. Mas ele não quis ouvir o Madara, quando ele falou pra não levar o caso ao juiz. — explicou.
— Ué, mas por quê o Madara iria querer deixar você sair numa boa, de algo que ele mesmo te acusou? Ele não é santo a esse ponto. — falou pensativo — A menos que, o motivo das finanças terem sofrido tantas mudanças, seja dele. — completou o pensamento, rapidamente.
Itachi apenas assentiu, pedindo uma dose de uísque para o garçom que se aproximava.
— Sasuke, oque eu vou te falar agora é algo que eu descobri com ajuda do Shisui, e pela sua própria segurança, você vai precisar agir como se não soubesse de nada, e deixar tudo por minha conta. — Itachi falou, inclinando-se na mesa para encarar seu irmão mais novo.
— Itachi, eu não sei que caralho que você vai falar, mas... — tentou retrucar.
— Promete, ou você não vai ficar sabendo de nada. — Itachi o pressionou, falando quase entre dentes.
Sasuke ficou com a postura rígida, sentiu seu maxilar trincar. Itachi nunca falara de uma forma dessas com ele antes.
— E acima de tudo, promete que você vai manter a Sakura segura. — falou, sem ao menos piscar.
Os dois pares de olhos escuros se encararam. Ambos intensos e ansiosos.
— Tudo bem, eu prometo. — Sasuke assentiu, soltando o ar.
— Venho desconfiando disso, há dois anos, mas só alguns meses com a ajuda de Shisui, que eu pude ter certeza... Madara deu um desfalque na empresa, há exatamente dois anos, ele disse que foi para fazer um investimento, mas esse investimento nada mais foi do que entrar no ramo de tráfico de pessoas. Ele usa o nome da empresa da nossa família, para fazer lavagem de dinheiro, enquanto prostitui mulheres e vende órgãos. — contou, quase em um sussurro.
(...)
Se Sasuke havia achado a audiência uma grande merda, a conversa com Itachi no bar, foi totalmente o contrário. Passaram-se duas horas, sem que ele nem sequer percebesse, perguntando coisas e ouvindo todo tipo de coisa de Itachi. Cada parte da situação econômica da empresa, nos últimos dois anos, Itachi tinha guardada na memória; Ele sabia responder, cada pergunta minuciosa que Sasuke fazia, ele sabia mesmo de cada detalhe. Ele tinha certeza do que estava falando, mas acabou sendo encurralado por Madara, afinal ele também não era nada bobo e já havia notado toda a cautela e observância de Itachi na empresa. Ele tentou subornar Itachi, mas não dera certo, afinal ele já era o herdeiro por direito, então Itachi resolveu tentar denunciar Madara para as autoridades, mas seu tio fora mais esperto desta vez, e encurralou o sobrinho, quando subornou o agente policial que fora apurar o caso da denuncia.
Em resumo, Madara armou para Itachi, e conseguiu colocar ele contra parede quando disse para Fugaku que ele estava tentando contra a empresa, e Fugaku tomado de ira, não deixou o filho se explicar, e o deserdou, deixando Itachi vulnerável. Mas não contavam que Itachi já teria seu próprio dinheiro, um lugar para morar, por mais simples que fosse... Afinal Itachi era uma pessoa simples, e não se apegava a bens materiais.
Sasuke saiu do bar, já se passavam as 23h. Sasori havia ido buscar Itachi de carro, eles iriam correndo para a social na casa dos Yamanaka. Sasuke tentou ir junto com eles, mas o motorista insistiu que Sasuke fosse com ele, para que Fugaku não o demitisse, afinal ele havia recebido ordens terminantes de levar Sasuke direto para casa depois que ele terminasse a conversa com Itachi.
Sem querer foder com a vida do pobre chofer, Sasuke foi para casa com ele, aflito.
Pegou o celular, que já havia esquecido desligado no bolso do paletó, e ligou o aparelho.
Várias mensagens no whatsapp! Várias mensagens de Ino, o convidando novamente para social em sua casa, perguntando aonde ele estava, e se não iria.
Algumas de alguns garotos, dizendo que a social estava demais e que ele estava perdendo, e várias de Naruto, surtando querendo saber aonde ele estava, e porque ainda não havia chegado.
Ele foi até o whasapp, se informar com Naruto:
– Dobe, que porra que vc quer?
– KD voceeee, teme, teme! Ce nao vai acreditar! Ta uma loucura isso aquuu, ce ta perdenooow.
– Dobe vc ta bebado?
– Neeeem tanto, a Sakura ta mais kkk
– OQUE? NARUTO, NÃO DEIXA A SAKURA FAZER NENHUMA BESTEIRA.
– Ih temeee, naau posso gaarantr nad vc sabi como ela éee
Ok, ok. Não poderia surtar agora, se o motorista acelerasse, chegaria em casa em vinte minutos, e poderia escapulir para a social.
–--
Chegou em casa e foi trocando de roupa, iria ser difícil de explicar aonde estava se aparecesse com roupas sociais. Estava se enfiando na primeira regata que encontrou, quando ouviu batidas na porta.
Ah merda. Ótimo. Mais alguma coisa pra atrasa-lo.
— Akane, agora não. — resmungou, se enfiando nas calças jeans.
— É seu pai Sasuke, abre a porta. — Fugaku falou .
Ah merda, merda, merda merda. Droga. Puta que pariu, e agora?
Ok, nada de surto. Respirou fundo, e abriu a porta do quarto aparentando toda calma que ele não sentia no momento.
— Posso ajudar em alguma coisa, pai? — Sasuke perguntou com a voz pausada e calma, parando em frente ao espelho.
Lembrou-se que havia passado gel no cabelo para a audiência, e já que iria ficar ali por mais algum tempo, resolveu voltar ao seu penteado normal, ou seja, despenteado.
— Tinha a intenção de conversar com você agora, filho. — ele falou, paternalmente.
Sasuke estranhou, Fugaku raramente o chamava de filho, ou ia em seu quarto.
— Tudo bem pai, to ouvindo o senhor. — Sasuke respondeu, tentando soar o mais casual possível.
— Você parece que ta de saída... — Fugaku falou, encostando na soleira da porta de braços cruzados.
— É, tava querendo ir em uma social na casa dos Yamanaka... — falou, olhando para o pai pelo espelho.
— Os Yamanaka... — Fugaku assentiu parecendo satisfeito — É uma família rica e de prestígio, é bom que saia com a filha deles. — assentiu novamente, como se estivesse orgulhoso agora.
Sasuke tirou de seu guarda roupas um dos seus vários pares de tênis importados, para calça-lo; Seu pai não parecia que iria impedi-lo de sair, então não iria fazer cerimônia agora.
— Não estou saindo com a filha deles. — Sasuke falou, colocando os tênis enquanto olhava para seu pai de lado. — To interessado em outra garota. — falou simplesmente.
Sentia-se estranho em ter esse tipo de conversa com ele. Fugaku nunca fora um pai de ter esse tipo de conversa com os filhos, na verdade Fugaku nunca fora de ter quase nenhum tipo de conversa com os filhos. Era o tipo de pai que não deixava nada material faltar, e pessoalmente era um pouco distante. Repreendia severamente, e que parabenizava fria e rapidamente qualquer conquista dos filhos. Era estranho para Sasuke conversar com ele sobre garotas.
Sasuke terminou de colocar o tênis, e olhou para o pai. Ele o encarava seriamente, como se esperasse uma explicação.
— Quem seria ela? — Fugaku perguntou, erguendo uma sobrancelha, ainda parado na soleira da porta.
Sasuke sentiu-se ligeiramente constrangido. Queria sair correndo dali. De repente, sentiu o peso da opinião de seu pai. Sasuke não era como Itachi, que não se importava com a opinião de seu pai, ou de seus familiares, Sasuke era tradicional neste aspecto e se importava com a aprovação de seu pai, queria que ele o aprovasse, independente dele ser uma pessoa desequilibrada, era seu pai e o respeitava, queria orgulha-lo. O mais novo tinha um grande senso de família, que até então vivia escondido dentro de si.
— É... A Sakura. — ele falou, indo vasculhar alguns de seus perfumes no guarda roupa.
— Ah, a jovenzinha dos Haruno. — ele assentiu, pensativo — Não é uma família que pode-se chamar de rica, mas tem uma posição social considerável. E vocês se conhecem desde muito pequenos. — comentou, casualmente.
Sasuke pegou um de seus perfumes, todos presentes de familiares ou garotas, e borrifou em si mesmo sem prestar muita atenção. Estava prestando atenção nas palavras de seu pai.
— Tudo bem, vai nessa social encontrar com a Haruno, amanhã nós conversamos. — falou por fim, de forma um pouco formal.
Sasuke quase deixou o cinto que agora estava em seus mãos, cair no chão, de choque.
— Já ta tarde, vai com o meu motorista. — Fugaku falou virando-se para sair do quarto
— Na verdade pai, eu falei que ele podia ir pra casa. Vou chamar um táxi, não tem problema. — Sasuke falou, terminando de colocar o cinto.
— De jeito nenhum, meu herdeiro não anda de transporte público. — falou arrogante — Itachi te ensinou a pilotar moto não? Pega a moto que ta na garagem e vai. — falou, despretensiosamente.
Sasuke quase teve um derrame. Como assim? Ele nem sequer tinha habilitação.
— Pai, eu não tenho as chaves, e nem... Habilitação. — falou, seguindo o pai pelo corredor.
— As chaves estão comigo, no meu quarto, e quanto a habilitação... É só um detalhe. — falou, olhando para Sasuke de lado .
(...)
Para não perder tempo, Sasuke aceitou as chaves da moto, colocou uma jaqueta e partiu para a social, quando ja se passavam da uma da manhã. Estava se desesperando em pensar em Sakura, então acelerou, conseguindo chegar no apartamento de Ino, em oito minutos.
Apresentou o convite ao porteiro, e subiu até o andar do apartamento dos Yamanaka. Não eram vários apartamentos no mesmo andar, cada andar era um apartamento, por isso quando o elevador chegou ao andar dos Yamanaka ficou parado, esperando a liberação interna de dentro da casa, já podia ouvir o som abafado de vozes e de musica, mas a estrutura chique abafava bastante o som e não deixava quase nada escapar.
Sasuke apertou o botão de campanhinha loucamente, até ser atendido por alguém com uma voz bem grogue que nem sequer quis saber quem era, e ja saiu destrancando a porta do elevador e da casa.
Quando passou pela porta da casa, o som da musica alta e do pessoal falando, rindo, e alguns até gritando, o assaltou os ouvidos.
A casa estava aquela confusão. O home theater estava nas alturas, com as caixinhas espalhadas em cantos estratégicos da casa. As luzes tradicionais foram substituídas por flashs neons coloridos, dignos de uma boate, e haviam papeis coloridos decorativos espalhados pelas paredes, não que desse para ver alguma coisa direito com aquela quantidade de fumaça e luzes neon.
Os sofás haviam sido afastados para a parede onde havia a janela, e tinha gente se agarrando neles. O tapete da sala estava servindo de coberta para alguma pobre alma derrotada pela bebida, no canto da sala.
Tinha gente conversando, rindo , dançando, e se agarrando por todo lado, deveriam ter cerca de vinte e cinco de pessoas, só naquela sala!
Sasuke olhou para aquela confusão da sala, e viu que Sakura e nem Naruto estavam ali.
Foi até a cozinha.
A situação naquele cômodo era ainda pior, a cozinha, que era um pouco menor que a sala, estava com ainda mais pessoas! As bancadas haviam sido arrastadas para frente da geladeira, de modo que formava uma espécie de bancada para um bar improvisado, e Deidara tinha o total acesso dali, fazendo drinks e rindo alto, oferecendo bebidas e fumando charuto, junto com Sasori.
Procurou por Sakura ou Naruto, mas apenas encontrou Ino. Na verdade, a loira que o encontrou. Ela foi para cima do Uchiha, abraçando-o como se fossem amigos íntimos; Sasuke ficou sem graça de empurra-la, afinal estava na casa dela.
Ino o beijou o rosto, bem no canto da boca. Ela estava com um vestido azul justíssimo, que mais parecia um tubinho, e seus cabelos estavam soltos em ondas brilhantes e cheirosas. Sasuke deu um breve sorriso para a anfitriã, tentando não torcer a cara para o hálito violento de tequila que ela exalava.
A garota o pegou pela mão, e o levou até onde Deidara estava, no bar improvisado, e colocou Sasuke na frente das pessoas, que estavam formando uma espécie de fila confusa para provas dos drinks neuróticos do loiro.
Sasuke apertou a mão de Deidara firmemente, e Naruto apareceu ao seu lado, empurrando as pessoas que se aglomeravam naquele espaço.
— TEMEEEE! — Naruto gritou em seus ouvidos — Finalmente chegou! — falou dando uma espécie de abraço rápido no Uchiha — Aonti tava? — completou enrolando a língua.
Sasuke ia dar alguma desculpa, mas Deidara o puxou pela jaqueta, obrigando-o a olhar para ele.
— Quero ver se você encara esse aqui, Uchiha! — Deidara falou, oferecendo um copo de plástico com uma bebida esverdeada.
Sasuke tentou recusar com um aceno de mão, e para sua surpresa, todos vaiaram, e começaram a gritar com ele. Como assim? Estavam todos prestando atenção nele? Por que diabos?
— Aaaah, vai fugir? Vai correr Uchiha? — Deidara provocou, soltando a fumaça do charuto na cara do moreno.
Ino, que agora estava sentada de pernas cruzadas na bancada, de frente para Sasuke, tomou a bebida da mão de Deidara, e deu um pequeno gole.
O pessoal da cozinha, que em sua grande maioria Sasuke não conhecia, mas sabia que eram em sua grande parte menores de idade da escola, deram um grito de incentivo.
Sasuke tentou sair fora novamente, mas Naruto o segurou pelos ombros ali. E a galera começou a gritar “ Vira, vira vira.” Sasuke estava ficando desesperado. Queria encontrar Sakura, onde diabos ela estava? E Itachi? Será que estavam juntos? Precisava sair dali.
— Larga de ser covarde Uchiha, porra. — Deidara provocou novamente.
— Ele é só uma criança Deidara, para com isso. — Sasori falou, lançando um olhar afiado para o moreno.
Sasuke se aborreceu profundamente, e afim de terminar logo com aquela perturbação , resolveu beber.
Ele tentou pegar o copo da mão de Ino, mas a loira acenou negativamente, e se inclinou para frente, demonstrando que iria dar a bebida na boca dele. Sasuke olhou para os lados, todos esperavam que ele bebesse logo. Estava realmente chocado em constatar o quão popular era.
Bom... então, que seja.
Assim que a garota aproximou o copo de seu rosto ele sentiu o cheiro forte de álcool arder seus olhos, então os fechou... E, Ino não teve dó, jogou todo o líquido goela a baixo do Uchiha.
Ardeu tudo, até os ouvidos.
Ele prendeu a respiração para não sentir o gosto e vomitar, e conseguiu beber tudo.
Esquentou sua língua, sua garganta, seu estomago... E o calor subiu pra cabeça, e de repente, aquela jaqueta estava quente demais.
Ele balançou a cabeça e tentou não fazer careta, então o pessoal começou a gritar em incentivo, e Deidara apertou sua mão, dizendo que ele realmente era “macho”.
As pessoas começaram a empurra-lo para trás, e quando percebeu, estava no canto da cozinha com Naruto em seus calcanhares, e Ino tirando seu casaco.
— Eu vou guardar no meu quarto, me espera aqui. — ela falou no ouvido dele, soprando um beijo, que desta vez, não estava com cheio de álcool.
Talvez fosse pelo fato do próprio hálito dele estar, como ele dizia, de matar.
— Temeeeeee! — Naruto falou novamente, colocando uma das mãos no ombro do amigo. — Agora que você chegou, a fexxta começou de verdadi! — completou, enrolando a língua levemente.
Sasuke não estava realmente bêbado, havia sido apenas um copo de sabe-sela-oque... Realmente forte.
— Eu preciso saber, aonde que ta a Sakura. — Sasuke falou, sentindo sua voz sair bem mais macia que o normal.
Estranho.
— A Sakura? Hmm, ela dixe que ia no banheiro e... — falou pensativo, com a mão no queixo.
Alguém passou ao lado de Sasuke esbarrando nele, e sua cabeça girou. Puta merda, que diabos Deidara deu pra ele beber?
Ok, ok, precisava se concentrar, a bebida estava começando a surtir efeito... Sasuke não se sentira descontrolado ou inconsciente das outras vezes que bebeu, por mais tonto ou enjoado que estivesse, nunca se sentiu perdendo o controle, ficava bem mais suscetível a ser amigável e a se estressar, mas fora isso, não mudava muita coisa.
— Naruto, vou procurar a Sakura beleza? Fica na boa ai, que já volto. — o moreno falou, espremendo os olhos ao redor vendo se achava a rosada por ali.
— Nãaao, não. Vou contigo mano, ela fooi com a Hinata eee, a Hinata é mow gata! — falou risonho, de uma forma um pouco pervertida.
Sasuke olhou de lado para Naruto, com uma expressão levemente maliciosa, e um flash o cegou repentinamente. Se situou novamente, procurando de onde aquela luz havia vindo... Ino estava na sua frente, com uma câmera digital, e um sorriso de orelha a orelha.
— Ta de sacanagem! — Sasuke resmungou.
— Vocês saíram lindos. — a loira rebateu fazendo biquinho.
Naruto ficou todo empertigado. Sasuke rolou os olhos impaciente.
— Principalmente você Sasuke. — a loira completou, se colocando do lado do moreno.
Sasuke se sentiu ligeiramente satisfeito, tendo seu ego massageado de tal forma, talvez fosse por causa da bebida, de qualquer forma ele ficou parado para tirar a selfie com a garota. Que diga-se de passagem, quase o derrubou de tanto que se agarrou nele.
— Também quero sair na foto. — Uzumaki resmungou.
— Entra aqui, vem. — Ino falou simpática, puxando o Uzumaki para o outro lado, ficando assim no meio dos dois garotos.
Outro flash que cegou Sasuke momentaneamente. Agora várias pessoas estavam ao redor querendo tirar foto também. Ino prometeu que tiraria foto com todos, e de todos, e então Sasuke viu oportunidade de sair dali para poder procurar Sakura.
Subiu as escadas junto com Naruto, e quando virou o corredor a direita, Sakura estava saindo de uma das portas, batendo pés. Logo atrás dela, vinha Hinata, com... Neji?
Sasuke tentou fazer a associação mental onde aquele trio faria algum sentido, e não encontrou nenhuma. Logo ficou com raiva.
O moreno abordou a rosada no meio do corredor, segurando-a pelos ombros. Ela estava realmente enfurecida. Os cabelos estavam desgrenhados, e a maquiagem de seus olhos já estava ficando borrada, os lábios estavam vermelhos e inchados. Sasuke não gostou disso. E gostou menos ainda de ver que a fina alça de seu top estava esticada, como se tivessem puxado, deixando a mostra boa parte de seu sutiã. O shorts jeans de cintura alta estava completamente amarrotado, e um dos três botões, estava aberto.
— Sakura, tudo bem? — Sasuke perguntou, levemente estressado.
Naruto abordava Hinata logo atrás de Sakura, e Neji parou junto deles para atrapalhar.
— Aonde você tava? — ela perguntou autoritária, com a voz histérica — Quer sssaber? Não importa! — completou, bufando.
Sasuke se alarmou. Opa, ela estava puxando demais do “s”, será que estava bêbada?
Preocupado e ficando nervoso, Sasuke segurou o rosto dela delicadamente com a mão e cheirou seu hálito.
Ah, caralhos voadores, hálito ácido de tequila. Parece que Ino não fora a única a beber isso por ali.
— Que porra Sassske! — ela reclamou, empurrando-o bruscamente. — Todo mundo resssolveu vir querer mandar em mim agora? — completou esbaforida.
— Sakura, mas de que merda você ta falando? — ele perguntou, segurando-a pelo braço, para que não saísse andando.
Ele olhou para ela, começando a se apavorar. Sakura o encarou de volta, ônix e esmeraldas, observando o brilho um do outro, tentando entender as intenções de cada um.
— Sabe de uma coisa? A Ino tem razão... Você tem a boca muito bonita. — ela quase sussurrou, como se tivesse falando consigo mesma.
— Oque? — ele perguntou arqueando a sobrancelha, completamente confuso, e convicto de que não havia ouvido aquilo.
Então, sem dizer mais nada, a rosada se pendurou no pescoço de Sasuke e selou seus lábios, passando as pernas em volta dos quadris do Uchiha, fazendo-o bater de costas na parede, para poder firma-los, no susto do movimento dela.
Ele rapidamente segurou-a pelas nádegas, e abriu a boca, dando espaço para o beijo, sentindo toda a delicadeza dos lábios e da língua de Sakura.
— EEEEITA CARALHO! — a voz de Naruto tirou Sasuke de seu momento particular .
— Incansável ela. — Neji falou, levemente admirado, com um sorriso malicioso.
Sasuke se sobressaltou e afastou de Sakura, de seus lábios, se perguntando porque diabos Neji havia falado aquilo.
E então, como que para completar o ensejo, Itachi sai de dentro do quarto onde Sakura Hinata e Neji haviam saído previamente, por óbvio o irmão mais velho de Sasuke resolveu sair para ver o motivo do grito, vendo Sakura, agarrada no colo de Sasuke.
Houve uma pausa dramática, onde todos se encararam.
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