How many secrets can you keep?
11 Capítulo 11 - Escolhas.
Narração por Mille.
O clima ficou estranho após o sequestro e a viagem de Jhon e os outros. Mas todos continuaram suas vidas normalmente. Apenas uns choros aqui e umas fofoquinhas ali, e pessoas sem um pingo de esperança. Isso me dá um pouco de raiva dos demais. Conheço o Jhon á anos, sei que ele vai conseguir achá-la e voltar em segurança. Os dias estavam ficando mais tensos, até mesmo com eles ligando para Yash e dando notícias, porém todos sabíamos que as coisas não estavam nada bem, até recebemos outra ligação e foi quando eu atendi.
Jhon explicara que nada estava saindo nos conformes e que quase morreram, mas ainda sim, estavam bem. E no meio daquela ligação, aconteceu algo inesperado. Ouvi um grito. Era Marti. Desliguei o telefone e logo soou o alarme de defesa da casa.
Da janela da cozinha só consegui ver um monte de homens com armas e alguns helicópteros e carros na entrada. Todos estavam descendo as escadas e parando em frente a porta que estava fechada. As defesas do jardim já haviam sido armadas e caso ultrapassassem os portões, seriam bombardeados.
Na hora eu gelei, pensei que todos morreríamos ali. Mas a casa tem toda a proteção possível, fiquei assustada com os bombardeios do jardim contra eles.
Sai da cozinha e corri para a sala onde Yash estava reunindo todos em fileiras, como uma formação pro caça-a-bandeira. Os que podem acertar os outros com poderes á longa distância ficaram á frente, e os demais no meio, e alguns poucos atrás, para proteger em volta. Realmente parecia que começaria uma guerra enorme ali. Até que levei um puta susto! A casa estava sendo fechada. Pelas janelas e portas davam pra ver enormes placas de titânio se fechando, logo percebemos que a casa estava virando uma cúpula e alguns telões apareceram nas paredes para mostrar a visão das câmeras que estavam lá fora.
–''Eu disse que foi uma ótima ideia ter feito isso.'' — Comentou Paula.
–''Olha, se eu não fosse tão orgulhoso, diria que sua ideia foi magnifica. '' Respondeu Yash, em tom sarcástico.
–''E agora, o que vamos fazer? Não tô afim de ficar aqui sentada sem fazer nada. Bora ir lá fora dar uns murros desses filhos da puta?!- Perguntou Isinha, que estava sentada na escada.
–''Ficaremos aqui dentro até que tudo se acalme lá fora. Se eles não forem embora, a casa continuará assim até que não haja mais ameaças. Podem ficar calmos que não há nada de fora que possa nos atingir aqui dentro. Mas fiquem alertas.'' — Respondeu Paula.
Gui pediu para que Thay atravessasse a parede de titânio para ver o que havia lá fora. Pois de dentro da casa não se via nem ouvia nada. E com todo o cuidado ela atravessou, mas ainda sim, segurando a mão de Gui por dentro, pois se acontecesse algo, ela poderia voltar rapidamente para dentro.
–''Se eu apertar sua mão três vezes, você me puxa pra dentro, ok?''- Disse ela pra Gui.
–''Ok, três vezes.''- Respondeu ele.
Thay colocou-se para fora da cúpula e ficou alguns minutos observando o jardim. Logo voltou para dentro com um semblante meio assustado.
–''Eles atravessaram os portões. Estão no jardim lutando contra as proteções. Bom, acho que nem todos ali são humanos.. Temos que fazer alguma coisa. Vamos reagir!''- Disse ela.
Yash e Coru fizeram um esquema super rápido e passaram para nós. Thay seria nosso ''teleporte'' para fora. E foi assim que eu, Thay, Yash, Leo, Malutella, Víria e Isadora saímos ao mesmo tempo por aquela enorme barreira de titânio.
Isadora estava fazendo um campo de proteção em todos para que não fossemos atingidos no momento em que chegássemos ao lado de fora.
Leo e Malutella correram. Cada um para um lado, se esconderam e atacavam os inimigos de longe.
Yash, Víria e Eu corremos para o meio, desviando de ataques e tiros. Fiquei invisível e enforquei alguns homens e voltei a me esconder.
De longe apenas pude ver a luta e alguns de meus amigos sendo atingidos.
Malutella estava lutando bem, contra dois homens até que foi atingida por um tiro na testa, e caiu imóvel no lugar onde estava.
Víria estava dentro da fonte, usufruindo de seus poderes aquáticos, mas não teve muita sorte. Foi puxada por quatro homens para fora do tal e teve seu pescoço e braços quebrados. E assim então, jogaram novamente o corpo dela dentro da fonte. A má sorte deles é que Víria havia soltado uma espécie de veneno contra eles antes de ser morta, então alguns segundo após ela ter morrido, os quatro homens caíram agonizando ao chão.
Yash estava abrindo portais pelos quais Leo estava atravessando e atingindo inimigos rapidamente e matando-os também. Mas Yash teve um pequeno descuido do qual foi letal. Virou de costas para um grupo de homens que o atacou rapidamente com tiros e facadas, do qual não pôde se defender. O garoto alto, gordo e loiro caiu de joelhos ao chão com o sangue escorrendo pela boca e nariz.
Fiquei assustada e procurei onde Thay estava. Consegui avistá-la correndo pelas escadarias do local. Parecia assustada, mas eu a entendia. Rezei para que ela não caísse, porque essa garota deve ter um pequeno fetiche pelo chão. Fiquei invisível e corri para o lugar onde ela tava. Arrastei Leo e Isadora comigo e assim, Thay nos segurou e novamente entramos dentro da casa. Estávamos machucados e sangrando, mas nada de tão grave.
Thay, eu e Leo voltamos para fora para buscar os corpos dos mortos, do qual foi surpreendentemente rápido, e voltamos para dentro. Paula estava mexendo em algum tipo de controle do qual fazia as armas se moverem lá fora, e foi quando ela colocou um código no tal que fez com que enormes bombas fossem explodidas ao mesmo tempo em praticamente todos os lugares do jardim. Foi um enorme banho de sangue. Porém, estávamos todos salvos.
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Gelei após ouvir daquele homem ''Eles estão vindo e vão matar todos vocês''. Me perdi em pensamentos e a única coisa que eu sentia naquele momento era ódio, e aquilo exalava por todos os cantos. Dan percebeu o que estava acontecendo e me segurou pelos ombros tentando me fazer voltar a si. Malu e Giu vieram correndo para ver o que estava acontecendo e ficaram assustadas com a situação, mas continuaram firmes, sem medo. Mas elas ficaram se perguntando quem era aquele homem que estava amarrado na árvore.
Após algum tempo, consegui colocar meus sentimentos no lugar e me sair daquele ''transe''.
–''Agora podemos começar com as perguntas?'' — Perguntou Malu.
–''Claro.. podemos sim!''- Respondi, tapando o rosto com as mãos.
–''Ok. Primeiramente: Quem é esse cara? O que ele tá fazendo aqui? Porque você ficou com tanta raiva? E porque diabos ainda estamos parados aqui?''- Disse ela irritada.
–''Pensei que seria uma de cada vez, e não todas ao mesmo tempo.''- Disse Dan.
–''Esse cara é um daqueles espiões filhos da puta que tentaram matar a gente. Ele nos seguiu de novo. É sempre ele que segue a gente. Eu fiquei com muito ódio e lembrei de muita coisa que me fez sentir raiva e nós ainda estamos aqui porque precisamos descansar um pouco. E agora eu tô sem meu carro, então fodeu. Vamos ter que ir andando e nos teleportar poucas vezes. Se não o Thalles vai ficar sempre exausto.''- Respondi por final.
–''Ok, nós vamos matar ele agora ou vamos deixar ele viver pra seguir a gente de novo?''- Perguntou Giu.
–''Eu quero matar ele.''- Respondi.
–''Ei, ei. Sem mais mortes aqui, ok?''- Disse Dan.
–''Concordo com o Dan. Sem mortes.''- Falou Malu.
–''Mas se matarmos ele, eles vão parar de nos seguir e ver que somos ''perigosos''.''- Comentou Giu.
–''E aí, eles iriam declarar guerra.''- Disse Malu.
–''Mas já houve uma guerra, não se lembram? Se lembram de quantos de nós eles mataram? Hm? Pensem nisso também. Muitos de nós morreram sem piedade. Foram mortos como baratas.''- Respondi irritado.
–''Vocês estão estranhos.''- Comentou Dan.
–''Estranhos como?''- Perguntou Giu.
–''Não sei. Estranhos. Desde a explosão.''- Respondeu Dan.
Thalles surgiu em meio aos arbustos e disse:
–''Então, galera. Vamos comer?''-
Demos risada, nos levantamos e fomos comer.
Thalles havia colocado um pano de piquenique na grama, em frente ao lago onde o Sol estava no alto, e havia bastante comida. Nos acomodamos em volta do tal.
Durante o lanche eu realmente percebi que eu e Giu realmente estávamos estranhos. Algo deveria ter acontecido em meio aquela explosão. Novamente entrei em transe.
''Era tudo tão estranho naquela época, era tudo muito novo pra todos nós. E ver aquilo tudo acontecendo era horrível. Nossos amigos sumindo, sendo sequestrados, mortos. Éramos muito novos quando tudo aconteceu, foi uma das piores coisas que aconteceram pra todos. A maioria perderam suas famílias, outros foram levados para algum tipo de ''pesquisa'' e outros como eu, nos escondemos.
Me senti perdido em meio aquela guerra, eu ainda era fraco e inexperiente com meus poderes. Sabia usá-los muito bem, porém era diferente naquele momento. Não eram apenas pessoas contra nós. Haviam armas e máquinas. Foi tudo tão rápido que não deu tempo de todos nós nos defendermos. Aconteceu um enorme banho de sangue de ambos os lados. Foi uma catástrofe. Todos ainda se culpam por aquilo, mas a culpa não foi de ninguém.''
–''Jhon? Jhon? Ow, filho da puta!''- Gritou Thalles.
–''ooi.. oi! O que foi?''- Respondi.
–''Cara, você deveria prestar mais atenção na gente.''- Disse ele em tom sarcástico.
–''Sorry.. continue.''- Falei.
–''Eu estava falando agora que nós poderíamos voltar pra casa por um dia ou dois. Nós vamos encontrá-la.''- Falou ele.
–''Não, não deveríamos. Se algum de vocês quiser voltar, pode ir a vontade. Não vamos mais colocar ninguém em perigo.''- Falei.
–''Para de fazer desfeita, nós concordamos em vir, certo? Só pensamos nessa possibilidade porque estamos ficando sem nada. As únicas coisas que sobraram foram os conteúdos de nossas mochilas que eu consegui tirar de lá e esconder antes de explodir tudo.''- Disse Thalles.
–''Ok, tudo bem. Vamos fazer assim. Se você quiser ir lá e levar alguém contigo pra pegar algo ou simplesmente descansar, pode ir. Eu continuarei aqui, vou prosseguir, já disse.''- Falei.
–''E eu vou continuar aqui contigo.''- Afirmou Giu.
–''Bom, eu posso ficar, não tem nenhum problema pra mim.''- Disse Malu.
–''Ok, vamos ficar mais uns dias, se as coisas apertarem, nós voltaremos, ok?''- Disse Thalles.
Todos concordaram e continuamos o lanche em silêncio. Ninguém mais tocou no assunto.
Levantei-me e andei um descalço por um período de tempo pela grama, fumando alguns cigarros e levando em mãos uma garrafa de vodka. Sentei-me, abri a garrafa e dei uns longos goles. Era tão maravilhosa aquela sensação de queimação descendo pela garganta e o gosto amargo que fica na boca. Isso me lembrava das festas do qual nós íamos. Tudo bem que a cada canto que você olhava, estava rolando altas putarias, mas o que importava mesmo era a diversão entre os amigos. Dos quais eram essenciais.
Ficar ali sentado sozinho, com cigarros e bebida me fazia muito bem, era uma diversão apenas comigo mesmo. Aliás, quem não gosta de ficar um tempo sozinho pra esquecer tudo o que te perturba?
Olhei para onde meus amigos estavam e decidi ir até lá para resolvermos o que faríamos com o tal homem.
–''Gente, já tá anoitecendo. O que vamos fazer com aquele cara?-'' Perguntei.
–''Deveríamos matá-lo. Assim como ele fica nos rastreando para tentar nos matar.''- Respondeu Giu.
–''Olha.. Concordo em matá-lo. Até porque ele está nos vigiando e se não fossemos inteligentes o bastante, nem teríamos sobrevivido.''- Disse Malu.
–''Eu não o mataria. Mas levando em conta o que ele fez conosco, ele merece um pouco de dor.''- Indagou Dan.
–''Bom, porque não fazemos o seguinte: Vamos deixá-lo amarrado aí? Ele iria morrer de causas naturais. Com fome e sede. Mas estaria amarrado. Existe sofrimento maior?''- Perguntou Malu.
Assim, todos ficamos alguns minutos em silêncio e assentimos com a ideia. Arrumamos nossas mochilas e o que sobrou da nossa comida e decidimos partir. Andamos por aquele enorme jardim que mais parecia um pequeno parque até encontrarmos um pedaço de floresta do qual adentramos. Sabia que aquele caminho iria me levar á algum lugar.
Passamos por um trecho onde havia uma cachoeira enorme. Decidimos tomar um banho para ver se as coisas se animavam.
Ficamos relembrando o tempo das nossas festas e fomos beber e curtir aquela enorme cachoeira.
Saí da água e me sentei em cima de uma pedra e fiquei observando o local do qual era realmente muito bonito. O sol estava sendo tapado por algumas rochas, mas mesmo assim o lugar estava muito iluminado. Fiquei olhando para o começo da cachoeira, imaginando como aquele lugar havia sido moldado para ser tão lindo. Foi quando um lobo enorme e de pelugem castanha estava parado no topo de uma rocha nos observando. Não deixei transparecer o meu susto, porque meus amigos estavam se divertindo naquele lugar e não deixaria um animal estragar tudo isso. Até que o lobo pulou em direção a água e se transformou em uma garota.
Malu e Giu deram um grito agudo e esganiçado. Dan levou um leve susto mas continuou em modo de defesa. A garota surgiu na superfície da água. Ela era bonita e tinha olhos um pouco puxados e negros, lábios levemente carnudos e um cabelo totalmente cacheado.
–''Me desculpem pelo susto. Eu me chamo Daniela.-'' Disse ela.
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