Notas iniciais
Historinha curta (nem tanto) sobre um amizade que começou por acaso e terminou de maneira trágica.

boa leitura.

20.03.2015

- Abaixa essa faca. – disse Lana Westengard receosa. Em seu rosto, o pavor estava estampado.

- Lana, vá embora e me deixe morrer! – falou Jaden Westengard movendo a mão trêmula que segurava a faca em direção ao peito.

- A Jen não ia querer que fizesse isso! – falou Lana tentando fazer seu irmão mudar de ideia.

- A Jen MORREU! Acorda Lana, isso pode não ser o que ela queria, mas é o que EU quero! – disse Jaden apoiando a ponta da faca na altura do seu coração.

- É mentira, Jaden pense em mim! Pense na mamãe! Nós... podemos resolver isso! – implorou Lana, tentando se aproximar dele.

- NÃO! Só existe uma maneira e é está aqui! – gritou o jovem, pensando seriamente no que ele estava fazendo. Lana pareceu pensar por um instante antes de falar.

- E quanto a Amy? Vai quebrar a sua promessa? – Amy. Ele não podia deixa-la sozinha.

- Não, mas... não consigo continuar vivendo! A Jen era tudo para mim! Ela era o meu “Tchan”! – exclamou deixando as lágrimas descerem sem medo.

- Jaden se fizer isso a Amy vai ter perdido todos que ela amava! A Jen te amava também e por isso ela te fez prometer! – gritou Lana, meu coração pesava e minha mão ia se afastando do meu peito.

Jen. Como eu sinto a sua falta.

***

- Quanto tempo eu tenho? – perguntou Jennyfer Curts, olhando para o oncologista a sua frente. O mesmo pareceu pasmo com a pergunta da garota e ela questionou novamente. – Dr. Scott, quanto tempo eu ainda vou viver? – ele olhou em meus olhos com certo pesar.

- Cerca de 1 ano, com tratamento talvez 2. – falou ele com o tom baixo – eu lamento senhorita Curts. – Jen balançou sua cabeça de um lado para o outro tentando assimilar o que ele havia lhe dito.

1 ano. Só mais um ano de vida. Talvez ela nem complete 16 anos. “Por que eu me sinto assim? Todo mundo morre, não é? pensou.”

Ela sentiu a mão da assistente social, pesar em seu ombro. Olha para trás e a vê a Senhora Landgrab com os olhos marejados. A senhora Landgrab, ou Maggie (como gosta de ser chamada), era uma mulher de meia-idade, com cabelos grisalhos sempre presos em um rabo de cavalo. Pequenas rugas marcavam os cantos dos seus olhos mel. Jen suspirou de leve e se levantou olhando para o médico.

- Obrigada Doutor Scott, mas eu não farei o tratamento. Prefiro morrer logo sem grande sofrimento, do que passar horas em uma quimioterapia e criar a esperança de que talvez minha doença tenha um retrocesso. Obrigada pela sua gentileza. – disse ela, saindo pela porta do consultório sem escutar a resposta do médico.

Sua cabeça era um turbilhão de sentimentos, num misto de raiva e medo. Teve a impressão de escutar Maggie lhe chamar, mas ela não queria ficar naquele hospital nem mais um segundo. Correu como nunca havia corrido antes e não conseguia raciocinar direito.

As lágrimas embaçavam sua visão, seu coração parecia que ia explodir de tão rápido que batia. Tentou olhar a sua volta, mas ela não conseguia enxergar nada com precisão. Foi quando esbarrou em alguém.

- Você está bem? — Exclamou a pessoa em baixo dela. Jen estava tão confusa que apenas abraçou seja lá quem fosse que estivesse ali com ela e chorou. Chorou muito. – Moça, tá tudo bem? – perguntou a pessoa se sentando e em seguida colocando-me no seu colo.

- Jen! – exclamou Maggie se aproximando deles. – Jennyfer Curts, quer me matar do coração? – ela estava com o rosto enterrado no peito do que achou ser um garoto.

- Ei, seu nome é Jen certo? Olha, eu não sei o que aconteceu, mas tem uma moça que te conhece vindo pra cá e eu acho que ela pode te ajudar. – Falou o garoto com um tom doce e reconfortante.

- Por favor, não me solte. – disse ela entre os soluços. O garoto sentiu que deveria fazer aquilo e então disse:

- E não vou.

Maggie corria esbaforida em direção a onde viu que Jen estava. Apesar do frio do inverno, ela suava.

- Jen! – exclamou ao ver sua pequena protegida com um estranho.

- Olha dona, eu acho que ela não quer falar com você. – disse o garoto que estava abraçado a Jen, ou melhor, que Jen estava abraçada.

- Garoto, eu sou a assistente social responsável por ela. Não precisa se preocupar, não farei mal algum a ela. – disse Maggie tentando esclarecer as coisas.

Jen parou de soluçar por um instante e sussurrou “Venha comigo, por favor,” apesar de não ter a menor ideia do porque, ela sentia que aquele garoto era importante. O garoto sentia o mesmo e sussurrou um “tudo bem” para Jen.

- Maggie, eu só vou para casa... – disse Jen ainda agarrada ao garoto – se ele for junto. – Maggie olhou para o rapaz com uma expressão interrogativa.

- Tudo bem para você? – perguntou a assistente social para o garoto que assentiu. – Certo... Qual o seu nome meu filho? – questionou Maggie.

- Meu nome é Jaden, Jaden Westengard. – respondeu Jaden com um belo sorriso.

Os três andaram até o carro de Maggie que estava estacionado uma quadra depois do hospital de onde Jen havia fugido. Durante a caminhada ninguém falou uma única palavra, deixando várias questões pairando no ar. Maggie tentava compreender quem era esse tal de Jaden e o porquê de Jen ter exigido que ele a acompanhasse. Jen só pensava em uma coisa: como daria a notícia a sua irmã, Amy, de apenas 10 anos.

***

- Jen, Jen! – exclamou uma criaturinha de cabelos louros e olhos dourados correndo na direção da mesma. – Olha o que eu achei! – disse a pequenina estendendo uma rosa negra para a mais velha.

- É linda, meu amor. Como você sabia que é a minha flor favorita? – perguntou Jen abraçando sua irmã menor.

- Quem é ele? – perguntou Amy com os grandes olhos arregalados olhando para Jaden. O mais velho se ajoelhou e ficou da altura dela.

- Olá meu nome é Jaden. – disse ele estendendo a mão para ela, que a apertou. – e qual é o seu?

- Meu nome é Amy. – disse ela meio escondida atrás de Jen.

- Amy, hora do lanche! – exclamou Maggie, vindo buscas a menor pela mão. Dando uma olhadela para Jen.

Assim que a menor saiu, Jen murchou, ela andou até o sofá da casa de Maggie (onde morava) e se sentou. Jaden a seguiu sem entender a mudança de atitude da garota, viu seus olhos marejados e sentiu que deveria esperar que ela mesma lhe respondesse sua dúvida. Minutos se passaram e Jen continuava a encarar a flor tentando não permitir que as lágrimas rolassem em seu semblante.

- 1 ano. – disse Jen quebrando o silêncio. Jaden não havia entendido até que ela se pronunciasse novamente. – Eu tenho só mais um ano.

Jaden ficou boquiaberto. Mesmo tendo conhecido-a a pouco mais de 2 horas, ele nunca imaginaria que aquela garota de cabelos negros e olhos dourados, estava doente e pior, a beira da morte. Um baque interno pareceu derrubar o garoto causando-lhe uma onda de tristeza.

- E-eu... nem sei o que dizer. Jen eu sinto muito. – disse Jaden após medir se aquelas eram as palavras certas.

- Obrigada. – disse ela tristonha – Sério mesmo. Obrigada. Desde quando descobriram a minha doença todos me tratam como coitadinha e ficam dizendo “você vai sair dessa” ou “tudo vai ficar bem”, isso me irrita profundamente. – disse ela alternando seu tom de melancólico para irritado de uma palavra para outra.

- Mas... – começou Jaden, escolhendo bem as palavras – e quanto a Amy? Ela já sabe? – perguntou o garoto sem jeito. Jen balançou a cabeça negativamente.

- Eu gostaria de ter coragem para dizer, mas toda vez que a vejo imagino ela sozinha depois da minha morte, digo, ela ainda teria a Maggie, mas crianças da idade dela nunca são adotadas. Tivemos muita sorte de Maggie ter nos acolhido depois que o abrigo onde nós morávamos pegou fogo. – As lágrimas inundavam novamente os olhos de Jen ao relembrar do fato. Jaden tinha um olhar distante e perdido. Instantes se passaram com eles em silêncio.

- Eu fugi de casa. Uns 3 anos atrás, e cheguei a ficar a beira da morte por causa de uma hipotermia. – murmurou Jaden, despertando certa curiosidade da parte de Jen. – No meu aniversário de 17 anos, um maníaco invadiu a festa e tentou me matar, mas como eu tenho um treinamento ninja sai com apenas esta cicatriz – falou ele mostrando a marca dos pontos em seu antebraço. Jen solta uma risadinha, algo um tanto incomum para ela que até estranhou a naturalidade com que a mesma fluiu de suas cordas vocais.

- Habilidades de ninja... sei. Mas, por que está me dizendo estas coisas? – perguntou Jen desconfiada.

- Porque... – pensou Jaden – francamente eu não sei – disse o jovem– apenas senti que podia te contar, assim como senti que deveria vir com você. – Jen sentiu suas bochechas queimarem, pois ela sentia o mesmo.

***

11 meses depois.

- Vamos Jen! – disse Amy, puxando a irmã pela mão. Jen já se encontrava bastante debilitada, mas não consegui dizer não a casula.

- Ei raio de sol, vamos deixar sua irmã descansar um pouco. Que tal ir buscar um sorvete para ela? – perguntou Jaden levando Jen até um banco na praça. Amy, que já via Jaden com um irmão, concordou e, depois de pegar o dinheiro da mão dele, saiu correndo em direção ao carrinho de sorvete, parado uns metros mais a frente. No instante seguinte ele olhava para Jen.

- Jen, sabe que deveria estar descansando não é? – questionou Jaden olhando sério para Jen.

- Mas ela estava tão animada... – começou Jen tendo uma crise de tosse em seguida.

- Olha só você, mal consegue se manter viva e ainda assim tenta agradar sua irmã. – ele queria que aquela frase tivesse saído como uma reprovação, mas ele não conseguiu repreendê-la por uma atitude tão nobre.

- Me desculpe. Acho melhor – mais uma crise de tosse – ir – mais tosses – para o... – ela não terminou a frase. Seu corpo ficou rígido por um instante e Jaden percebeu que ela não conseguia respirar.

Certo terror inundou os pensamentos do rapaz, sua melhor amiga estava sufocando diante dele. Amy que voltava saltitando com um sorvete, parou de repente ao ver os lábios arroxeados da irmã. Ela correu a irmã desesperada chamando pelo seu nome enquanto a mesma contorcia seu frágil corpo, arfando em busca de ar. Jaden sacou seu telefone e ligou para a emergência.

- Aqui é da central, qual a emergência? – perguntou uma voz feminina do outro lado da linha.

- Minha amiga, ela não consegue respirar! – disse quase histérico.

- Senhor, por favor, se acalme pode nos dizer onde está? – a voz se mantinha calma e tranquila.

- Estamos no parque das rosas, ela está doente. O que eu faço? – perguntou Jaden.

- Certo senhor, há mais alguém ai que possa lhe auxiliar nos procedimentos de primeiros socorros?

- A irmã mais nova dela. Ela está aqui ao meu lado! – exclamou.

- Certo passe o telefone para ela e eu vou dizer o que deverá fazer. – Jaden confirmou com a cabeça e entregou o telefone.

- Primeiro verifique se ela está respirando. – repetiu Amy assustada.

Jaden colocou sua mão sobre a boca de Jen e depois o ouvido, mas ele não sentiu ou escutou nada. Ele balançou a cabeça negativamente e Amy disse a resposta para a atendente.

- Agora coloque uma das suas mãos pressionando para cima a testa da vítima, de maneira a abrir a boca da mesma e, com a outra mão, tape o nariz da mesma; Inspire ar até que seus pulmões se encham de maneira significativa; Com os seus pulmões cheios, você irá comprimir a sua boca com a boca da vítima assoprando com força todo o ar inspirado. Tire as mãos da face da vítima e comprima uma sobre a outra o tórax desta, para que ela possa expirar o ar que você inflou em seus pulmões. Continue até que a ambulância chegar. – disse Amy quase roboticamente.

Jaden seguiu as instruções a risca, torcendo para que aquela ambulância chegasse logo.

Alguns minutos se passaram até a ambulância chegar e os paramédicos rapidamente levarem Jen para o hospital.

***

Jaden batia o pé impacientemente no chão, com o rosto entre as mãos e os olhos marejados. Estava ele ali a mais de 3 horas esperando por uma simples informação ou notícia sobre o estado dela.

Maggie estava um poço de nervosismo, mas estava em casa tentando consolar Amy que chorava muito.

2 horas depois

As unhas de Jaden já não existiam e ele andava de um lado para o outro pisando furiosamente no chão. Uma das enfermeiras havia lhe trazido um pouco de calmante, mas nem que lhe dopassem sua ansiedade diminuiria. Ele queria dizer a ela tudo que sentia, queria que as doces lembranças de sua amizade fossem mais que apenas aquilo, amizade. Ele não sabia quando começou a gostar dela de uma maneira diferente, talvez tenha sido quando ela chorou em seu ombro pela primeira vez, ou quando ele entregou para ela seu casaco para que ela não se congelar, ou quem sabe foi no dia em que ela tocou sua mão acidentalmente durante um almoço com as duas irmãs, ele não tinha ideia, mas precisava dizer para ela. Antes que fosse tarde demais.

Um médico se aproximou e disse:

- Senhor Westengard? – perguntou e eu assenti – A senhorita Curts pode não se recuperar, eu recomendo que ligue para os parentes dela. E-eu lamento.

Aquela notícia deixou Jaden sem chão, literalmente, pois ele caiu de joelhos. Seus olhos provavam o que ele queria negar, as lágrimas ameaçaram cair, mas ele tomou o pouco de coragem que restava e pegou o celular, discando o numero de Maggie e lhe dando a notícia.

***

Maggie e Amy haviam entrado no quarto onde Jen havia sido acomodada a cerca de 1 hora. Jaden queria ser o ultimo a se despedir, queria ser quem estaria com ela no final, mas também queria poder dizer a ela o quanto a amava. Ao seu lado, na pequena cafeteria do hospital, estava sua irmã mais velha Lana. Jaden mexia vagarosamente o seu café, tentando pensar em como iria dizer para ela sobre o seu amor.

- Jaden! – exclamou Lana, acordando o irmão de seus devaneios. – Olha maninho, eu sei que está apaixonado por ela e esta será a sua ultima chance de falar isso para ela. Vá fazer isso logo!.

Nesse instante uma enfermeira, de cabelos ruivos muito volumosos e olhos azuis, entrou pela porta da cafeteria e arfou enquanto ia em direção a mesa onde eles estavam sentados.

- Rápido... Jen... agora!

Jaden levantou em um pulo e correu pelos corredores do hospital, subiu pela escada de incêndio até chegar aos quartos. Identificou-se e andou conferindo os números dos quartos até chegar ao de Jen e ficou pasmo ao ver os olhos da mesma se fecharem a sua frente.

Ele andou lentamente até ela e tocou sua mão. Dentro dela estava um bilhete escrito de forma trêmula em um papelzinho amarelo.

“eu também”

Seus olhos se encheram de lágrimas e ele a abraçou, beijando sua face pálida. O monitor cardíaco dela parou fazendo um bipe contínuo, marcando a morte de Jen.

***

05.04.2015

Jaden olhava para o por do sol sentado debaixo de uma arvore sobre a colina onde ele costumava ficar conversando com Jen.

- As flores estão lindas não estão Amy? – perguntou o garoto olhando para a mais nova, que assentiu. Ela estava distraída despelatando uma margarida. –Poderíamos levar algumas para Jen, você não acha? – Amy concordou novamente. — Que tal aquelas? – perguntou Jaden apontando para um pequeno canteiro de rosas negras.

- Ela iria adorar. – murmurou Amy. – Podemos ir ao cinema? – questionou a mais nova para seu “irmão”. O mais velho sorriu gentilmente e respondeu.

- Claro! Afinal não sabemos quanto tempo ainda temos.

Notas finais
Quem chorou? Quem não chorou? Quem achou clichê?

Comentem. E se chorou... bate aqui e vamos chorar mais um pouco.

Bjs. e comentem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!