How it all began
14 CHAPTER FOURTEEN - Oh, Merlin. Don't hit me.
Notas iniciais
Faltavam dois dias para o baile, a escola toda estava em alvoroço, todos os que iam ao baile tinham permissão para ir a Hogsmeade comprar roupas a rigor no dia anterior ao evento. Não se falava nada na escola a não ser o baile e as expectativas para o mesmo, casais se entocavam nos cantos de Hogwarts, decidindo roupas que combinavam. Os poucos que não tinham par, corriam por todos os cantos tentando encontrar alguém desesperadamente, e eu era um deles, embora eu não corresse pelos cantos, e sim, criava coragem para convidar certa pessoa.
A noite anterior tinha sido a última Lua Cheia do mês, e eu não tinha tido coragem de convidar a ruiva para ir ao baile comigo durante as manhãs onde ela nos esperava acordada para nos ajudar.
Eu sabia que ela tinha recebido vários convites e até então, não aceitara nenhum deles, mas, se eu não me apressasse, ela iria acabar indo com algum idiota chamado John ou Mark e eu ficaria sozinho, porque eu não iria com ninguém que não fosse Lily.
Decido chamá-la ainda naquele dia, enquanto nós iríamos supervisionar a decoração dos jardins para o baile. No almoço, me sento perto dos Marotos e conversamos algumas amenidades enquanto comíamos as deliciosas sopas quentes e grossas que os elfos preparavam no inverno.
Logo depois do almoço, enquanto eu comia uma grande tigela de um doce feito com vinho, Lily surge na minha frente e começa a me apressar, dizendo que estávamos atrasados para a supervisão da decoração e que se não fôssemos logo, Malfoy provavelmente penduraria uma faixa dizendo “Morram sangues-ruins” na entrada do salão.
Reviro meus olhos, sorrindo e acompanho a garota até os jardins, onde Prof. Flitwick e Prof. Mcgonagall congelavam a superfície do lago, deixando-a lisa para que os alunos pudessem patinar sobre ele. Sempre imaginei que ninguém aprovaria a ideia de Chang, mas aparentemente, até Dumbledore tinha gostado da oportunidade de patinar em cima de um lago onde vivia uma Lula Gigante. A mesma que Lily dissera que preferia sair do que comigo. Esse pensamento me faz rir por um momento, mas logo depois me congela tal qual a água do lago. E se ela não aceitasse? E se ela já tivesse um par? E se ela me jogasse no lago dizendo que ainda preferia a Lula Gigante a mim?
As perguntas enchem meu cérebro, me fazendo pirar por alguns segundos, até a ruiva me chamar e pedir ajuda para pendurar alguns festões de folhas e bagas de azevinho e vários ramos de visco. Enquanto eu ajudo a garota a suspender os enfeites e pendurá-los nos pilares que sustentavam uma grande tenda para bloquear a neve, Hagrid começa a trazer as tradicionais doze árvores de natal e as posiciona ao redor da pista de dança branco-pérola, dando espaço para que Prof.Slughorn e os monitores da Lufa-Lufa começassem a decorá-las com luzinhas douradas.
Depois de terminar todo o trabalho pesado, Prof. Sprout pediu ajuda para posicionar a faixa de Boas Vindas na entrada da tenda e enfeitá-la com guirlandas de azevinho e folhas de pinheiro.
Quando não há mais trabalho para fazer, todos nós damos um passo para trás e admiramos satisfeitos o nosso trabalho bem feito e então viramos as costas para a magnífica decoração e começamos a andar de volta para a Torre da Grifinória, parando antes na cozinha para surrupiar alguns petiscos.
Enquanto caminhávamos devagar para retornar ao Salão Comunal, o sol baixava, trazendo uma claridade alaranjada para os corredores que percorríamos, mesclando-se com o cabelo de Lily, fazendo-o brilhar como se tivesse vida própria. E nesse momento, eu a chamo:
— Lily?
Ela olha para mim com aqueles grandes olhos verdes, curiosos, e do nada, toda a minha coragem vai pelos ares.
— Ér...Por favor, não bata em mim, mas...Você...quer ir ao baile comigo?
Sua boca com lábios rosados se abre e uma expressão indecifrável toma conta do seu rosto.
— Oh, Merlin, você vai me bater, não vai? — Me encolho um pouco contra a parede, levantando os braços para tentar bloquear a mão que com certeza ia descer com tudo e acertar meu rosto.
Ela ri gostosamente, corando, e segura meus pulsos, me forçando a baixar as mãos
— Relaxe James, eu não vou te bater. Eu adoraria ir ao baile com você.
Arrumo a minha postura, me desencostando da parede e olhando para ela, com a expressão confusa e séria:
— Isso é sério? Mas e a história da Lula Gigante e que você preferia sair com ela do que comigo?
Sua risada enche o corredor, e minha confusão apenas aumenta.
— Bom, infelizmente a Lula Gigante está submersa em um lago congelado, terei que me contentar com você.
Dessa vez, eu dou risada com ela e ficamos conversando algumas amenidades, até que ela me para em frente ao quadro da Mulher Gorda e fala:
— Você poderia pedir para os meninos não contarem nada para as garotas? Elas apostaram que eu iria com algum cara aleatório chamado John ou Mark, e eu não quero dar esse gostinho a elas.
Eu sorrio, concordando. Eu teria concordado com qualquer coisa que ela pedisse depois dela aceitar meu convite. Subo as escadas para o dormitório me sentindo flutuar e a sensação não passa mesmo depois de passar longos minutos na banheira do banheiro dos Monitores e de jantar maravilhosamente bem. E eu tinha a impressão de que aquela sensação demoraria muito para passar.
No dia seguinte, todos nós tínhamos combinados de irmos juntos para Hogsmeade ainda de manhã e almoçarmos no Três Vassouras, então, 9h30min, saímos do castelo e fomos em direção à cidadezinha.
Durante todo o caminho, conversávamos sobre onde queríamos ir quando chegássemos na cidade, e a primeira parada de todos era a Trapobelo Moda Mágica. Parando rapidamente no Três Vassouras para cumprimentar Rosmerta e reservar uma mesa para o almoço, saímos pelas ruas geladas em um grande grupo de dez pessoas para comprarmos roupas.
Chegando ao Trapobelo, as meninas imediatamente foram para a seção de vestidos e começaram a opinar entre elas mesmas sobre quem deveria pegar o que. Enquanto isso, nós fomos atendidos por uma simpática senhora de cabelos grisalhos que nos mostrou as opções de vestes a rigor e em menos de meia hora, nós cinco já estávamos com vestes compradas e sentados em pufes confortáveis esperando as meninas saírem de baixo das enormes pilhas de vestidos coloridos que as cobriam, enquanto uma trena mágica tirava suas medidas.
Depois de quase duas horas, finalmente elas saem da loja, carregando sacolas enormes e pequenas caixinhas, que supomos que traziam as gravatas que combinavam com os vestidos. Era uma tradição boba, onde as meninas entregavam para seus pares uma gravata que era da mesma cor do vestido delas. Lene atira a caixinha para Sirius, que pega no ar e puxa uma gravata vermelha de dentro, olhando maliciosamente para Lene. Alice entrega a caixinha para Frank, dando-lhe um beijo caloroso, Mary e Dorcas entregam os embrulhos para os respectivos pares, corando levemente e Lily apenas faz um sinal com a mão, “depois”, sorrindo para as amigas e escondendo o pacotinho antes que elas vejam.
— Ei, Lily, você comprou uma gravata para quem? Você ainda não tem par — Lene pausa um momento antes de continuar com a frase — James, porque você não vai com a Lily? Até onde eu sei, você também não tem par.
Antes mesmo que eu possa abrir a boca para responder, Lily já está fazendo isso, com uma voz tão firme que quase me convenceu também.
— Eu já tenho um par, Lene. E para a informação de vocês todas, não é nenhum John ou Mark.
Elas deixam o queixo cair e começam a bombardear a ruiva com perguntas que só cessaram no momento em que sentamos na mesa de madeira clara do Três Vassouras e pedimos nossos pratos. Depois de almoçar, Lily decide levar todos os Hipogrifo da Alvorada e dessa vez, já familiarizado com a música, eu bato a caneca na mesa ao mesmo tempo que todo o resto quando toca a música, Remus também nos acompanha e todo o resto fica olhando para nós como se fossemos loucos. Conversamos até metade da tarde, quando as meninas decidiram ir para algumas lojinhas comprar mais coisas para o baile e eu fui junto com os meninos para a Dedosdemel. Era surpreendentemente bom me ver rodeado de doces invés de roupas multicoloridas. Compro algumas coisas para reabastecer meu estoque de doces, e quando vejo um pomo de ouro feito de chocolate recheado de sorvete de frutas, não hesito em comprá-lo. Também compro uma coleção luxuosa de penas de açúcar de diferentes sabores, sabia que Lily adorava penas de açúcar, e como ela me daria a gravata para o baile, nada mais justo do que presenteá-la com algo também.
Voltando ao castelo, as garotas estão com muito mais sacolas do que tinha quando nos separamos na vila. Pego metade das sacolas que Lily carregava, evidentemente pesadas demais para ela carregá-las sozinha até o castelo sem doer suas mãos, ela agradece e seguimos assim até o castelo.
Já na Torre da Grifinória, largamos as compras em cima de uma poltrona e sentamos em um círculo, conversando sobre a guerra que estava se aproximando cada dia mais e logo o nosso pequeno círculo vai se desfazendo, com as pessoas subindo para os dormitórios deixarem as compras, indo na biblioteca ou indo tomar banho. Logo, Lily também sobe e nos encontra apenas no jantar, com a expressão de quem havia tirado uma soneca.
Depois do jantar, eu e a ruiva vamos fazer nossa habitual ronda pelo castelo, encontramos alguns casais se esgueirando pelos corredores, dois ou três corvinos saindo das cozinhas e Ranhoso tentando se esgueirar para a Torre de Astronomia. Neste último, foi com a maior satisfação do universo que descontei 30 pontos da Sonserina e lhe dei detenção por estar perambulando após o toque de recolher. Ele buscou o olhar de Lily, tentando explicar-se ou se livrar da detenção, mas a única coisa que a ruiva faz, é sustentar seu olhar com frieza e despachá-lo para a sua sala comunal, sob a ameaça de uma semana de detenção e mais cinquenta pontos descontados da Sonserina, ele olha para mim com desprezo, passando o olhar para Lily e voltando a mim, então corre para as masmorras, com as vestes batendo às suas costas como se fosse um morcego de cabelos sebosos.
No final da ronda, paramos em uma janela do sexto andar para admirar a lua, então ela puxa uma caixinha de veludo preto da manga das vestes e me entrega, sorrindo:
— Aqui. Não entreguei antes para não perder a cara de surpresa delas quando chegarmos juntos amanhã.
Eu dou uma risadinha, Lily podia ser bem maligna quando queria. Abro a caixinha, puxando uma gravata roxo-escura de dentro. Olho para a gravata e olho para Lily, e falo:
— Roxo? Sempre achei que você fosse escolher verde.
— Verde? Você quer que eu me pareça com uma árvore de natal? Já vão ter doze delas na decoração do baile, não precisam de mais uma perambulando por aí.
Rimos alto, dando as costas para a janela e a lua brilhante e começamos a andar pelos corredores iluminados pelos archotes. Eu mal podia esperar pelo baile, e mal podia esperar para ter a ruiva em meus braços, nem que fosse por apenas uma dança.
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