How do you fix a bronken heart?
1 Capítulo Único
O cheiro do hospital e o silêncio da sala de visitas havia se tornado comum pra mim. Corriqueiros. Diários. Assim como meu coração quebrado, destruído por cada célula que entrava em metástase no corpo de Sasuke. Meu namorado estava morrendo, e a única coisa que eu podia fazer era aguentar a dor que me transformava em pó, me recompor e sorrir pra ele quando entrasse. Sorrir pra todo mundo quando saísse, porque não importa como os meus amigos estivessem ali para me apoiar, nenhum deles podia sugar um pouquinho do meu pesar. Meu pesar era todo meu e só meu.
— Bom dia, querido — eu disse, entrando na sala, torcendo pra que Sasuke não notasse meus olhos vermelhos de choro.
— Bom dia, Belle de Jour — ele sorria, com seu recém-adquirido senso de humor.
Era incrível como Sasuke fazia questão de sorrir na cara da morte.
Eu sorri, fitando seus olhos negros, tão profundos. Sasuke era tão precioso que eu tinha queria abraça-lo e guardar um pedacinho dele dentro de mim, pra sempre.
Ele fez sinal para que eu sentasse na cama, e pegou minha mão.
— Espero mesmo que exista pós-vida, pra que eu possa passar o tempo inteiro me lembrando de você.
A esse ponto, eu já estava chorando feito uma idiota.
— Se existir pós-vida, me avise, que eu vou com você.
Embora eu desconfiasse que a única pós-vida que eu teria seria a minha própria vida, sem Sasuke.
Ele fez que sim.
— Acho que tá na hora de você ir — ele disse, com a voz embargada. — Você sabe que eu daria tudo no mundo pra ficar mais uns minutinhos com você, né?
Fiz que sim, sentindo o gosto salgado das lágrimas.
— Antes que você vá, tenho uma coisa pra te entregar — ele se esticou um pouco e pegou um envelope em cima da mesinha. — Prometa que só abrirá isso amanhã.
— Amanhã? Por quê?
— Prometa. Você vai saber.
— Tudo bem. Até amanhã, querido.
— Até.
Eu não voltei no hospital no outro dia. Acordei com Itachi, meu cunhado, à minha porta. Sasuke havia nos deixado. Eu simplesmente caí, e não sei quando tempo fiquei fora de mim, apenas chorando. Era tudo o que eu podia fazer. Porque não importa o que eu fizesse, pra quem eu rezasse, o que eu jurasse, o quanto eu me esticasse, eu já não podia mais alcançar Sasuke.
Quando meu ar já se esvaía de tanto chorar, lembrei-me da carta que Sasuke me entregara. Corri para o quarto.
Olhei pateticamente para aquele pedaço de papel como se ele fosse a última coisa que restasse do meu Sasuke nesse mundo. De fato, tinha seu cheiro.
Minha Belle de Jour,
Sei que você preferia que eu te falasse pessoalmente do que te fazer ler uma carta póstuma, mas francamente, minhas palavras por vezes engasgam na minha falta de coragem.
Eu poderia de dar mil obrigadas. Obrigado por ser a cura da minha ansiedade, obrigado por me fazer entender músicas de amor, obrigado por me fazer parar de fumar, obrigado por me aproximar da minha família, obrigado... Obrigado por ter entrado na minha vida e insistido em permanecer, até o fim. Obrigado por ser minha belle de jour, a luz do dia.
Nem a morte separou Heathcliff e Cathy.
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