How To Save Two Lives
3 Capitulo 2: The Monster
Notas iniciais

"Você está tentando me salvar
Pare de prender a sua respiração
E você acha que sou louca, sim, você acha que sou louca
Bem, isso não é nada"
— The Monster (Rihanna feat. Eminem)
~~X~~
Elsa entrou um pouco aborrecida em seu escritório, seguida de Kai que ainda bradava, irritado, sobre a ousadia da rainha do Sul que viera pedir a Elsa que tivesse pena de Hans.
— Onde já se viu – berrava ele ao fechar a porta – Vir até aqui para pedir por um homem que tentou... – ele olhou em volta e então abaixou a voz como se falasse alguma novidade que ninguém podia saber – mata-las.
A rainha, no entanto, parecia mais ocupada a olhar para as montanhas do deserto de gelo. Suspirou alto e se virou para o homem, apoiando as mãos no parapeito da janela.
— Eu sei, Kai – falou a mulher com a expressão mais cabisbaixa – Mas e se Hans estiver mesmo lá fora?
— Isso não importa majestade – respondeu ele – Eu não me lembro de qualquer carta sobre essa transferência ter chegado, não é culpa sua, esteja, onde este jovem estiver.
— Ah! Kai adoraria poder pensar como você – suspirou pesadamente – Mas eu não posso deixar para lá. Entende?
— Você não pode estar falando sério, majestade – falou, ainda assustado com as ideias da rainha.
— Eu sei, tudo isso me parece loucura também – comentou ela se voltando rapidamente para a paisagem congelada antes de sentar na cadeira de madeira escura – Mas você, assim como eu, sabe que não estamos em condições de entrar em uma guerra.
— Eu sei minha rainha – respondeu com o rosto tristonho, tinha total consciência de que Arendelle não era um país bélico e, por isso, não tinha a capacidade para entrar em uma com as Ilhas do Sul – Mas posso apostar com a senhorita que o príncipe Rayne não começaria uma guerra por tão pouco.
— Kai – ponderou a rainha olhando por debaixo das longas pestanas loiras – Ainda é um dos irmãos dele.
— Tem outros onze – respondeu, nem mesmo ele poderia acreditar no que falava, mas Kai conhecia a história que o príncipe contara para Anna – Duvido que sinta falta de um encrenqueiro, aproveitador.
— De qualquer forma, Rayne não é minha maior preocupação – falou Elsa sem se convencer com o argumento do conselheiro – Por favor, – respondeu se virando para uma das criadas que entrara junto deles – Chame Brienne para mim, obrigada – a rainha se levantou da mesa assim que a empregada saiu – Sei que está preocupado Kai e agradeço por isso, mas garanto que ele não sairá do controle.
— Não me culpe por me preocupar Elsa – disse ele com um sorriso baixo – Você e Anna são como filhas para mim.
— Eu sei e agradeço por isso.
Nesse momento, Brienne abriu a porta do escritório e entrou com farfalhar de suas saias negras atrás de si.
— Que bom que está aqui, mas antes de seu assunto – disse a rainha voltando para trás de sua mesa – Preciso saber tudo o que sabe sobre Rayne.
— Rayne – a mais nova franziu a testa e então começou a recitar enquanto andava pelo espaço, correndo os dedos pelas lombadas dos livros – Primogênito do rei Bertram com Wanda de Nygaard, príncipe regente das Ilhas do Sul há quatro ou cinco anos, desde a morte do pai por uma pneumonia forte.
— Sobre Wanda? – perguntou a rainha.
— Uma nobre nascida em Nygaard e casada com o rei Bertram das Ilhas do Sul. Atual rainha da mesma, mas não rege o país que está nas mãos de seu filho Rayne.
— Se Hans estivesse preso – começou a supor a rainha, não sabia como, mas Brienne era uma enciclopédia de nobres e reinos e isso era muito útil – Com qual dos dois deveria em preocupar mais?
— Com os dois – respondeu rapidamente, sem nem ao menos pensar sobre isso – Rayne já era adolescente quando Hans nasceu e tem grande carinho pelos irmãos mais novos, apesar de não ter crescido com eles e Wanda, – ela fez uma pausa olhando para as portas – Wanda é uma verdadeira leoa quando se trata dos filhos, dizem que, quando Hans foi preso nas Ilhas, era ela quem levava a comida para o filho e cuidava da aparência dele, fazendo a barba e aparando o cabelo.
— Meu deus – respondeu correndo os dedos pelos cabelos extremamente claros – Kai, o que vamos fazer? Não podemos ter uma guerra.
— Então foi a senhora que o prendeu na Torre Negra – perguntou abismada, cortando a rainha e seu conselheiro, não podia entender porque alguém que passara pelo que ela passara podia fazer algo daquele porte.
— Eu nem sabia que Hans estava no reino – disse com um bufar estressado, os problemas não paravam de se acumular e pela primeira vez pensou na sombria possibilidade de passar o trono para outra pessoa, qualquer um, o primeiro que se apresentasse para a função – Quanto tempo de viagem? – perguntou após se levantar e olhar para a montanha adiante.
O castelo de gelo brilhava, refletindo os raios do sol em um caleidoscópio de cores que incomodava a visão quando batia direto nos olhos.
— Menos de um dia – respondeu a outra de repente, tirando a rainha de seus devaneios – Algumas horas se não houver nevasca.
— Não irá haver, eu garanto – ela respondeu e se virou para a criada que chegara junto de Brienne e permanecera calada até então – mande selar meu cavalo, por favor, e o de Lady Brienne também. – a jovem assentiu e saiu pela porta sem falar mais nada – Kai, cuide de Anna está bem? Me prometa.
— A senhora sabe que vou.
— Obrigada.
~~X~~
— Pronta? – perguntou Brienne já montada na égua branca que virá com ela da Inglaterra.
— Sim – respondeu Elsa também montando a sua da mesma cor.
Atrás de si, uma comitiva já começava a se formar com os mantos nas cores de Arendelle tremulando atrás deles com o vento que batia com força.
— Não! – pediu a mulher erguendo as mãos para impedir que os soldados se aproximassem – Vamos apenas nós, Hans não trará problemas.
Nenhum deles tentou impedi-la, mas pararam em seus lugares, como se sentissem medo da rainha.
— A senhorita tem certeza majestade? – perguntou o mais velho dos soldados, tomando a frente.
— Sim general – confirmou com o queixo erguido – Tenho certeza – confirmou, por fim, antes de virar as costas com o manto azulada tremeluzindo à luz do poente.
— Onde vai minha irmã? – perguntou Anna ao chegar com os braços dados a Kristoff que segurava sua mão pequena na posição.
— A rainha foi buscar Hans – disse o homem sem pensar duas vezes, só para depois
~~X~~
— Vamos parar um pouco, majestade – sugeriu a morena quando a nevasca começou a cair com mais força – Parece que o tempo está virando – não queria arriscar insinuar que Elsa pudesse estar perdendo o controle de seus poderes, mas era apenas isso que passava por sua cabeça. – E os cavalos não vão poder ir muito longe nesse ritmo.
Ela parou e, como se de repente tivesse voltado à realidade, a nevasca parou. Tudo se acalmou em volta das duas e o único branco a vista era o do gelo acumulado contra o cinza das nuvens que tempestade, mas mesmo essas não demoraram a se dispersar mostrando um céu impecavelmente azul de verão.
As duas se encararam por um tempo, até que Elsa abaixou os olhos azuis e falou – Talvez esteja certa – ela suspirou e então desceu de Sneh e pegou as rédeas do animal antes de se sentar na neve fofa – É melhor parar por algum tempo, até a tempestade ceder.
Brienne preferiu ficar quieta, não havia a necessidade de conversar sobre algo que não lhe dizia respeito, mas por outro lado, ela tinha uma missão e isso poderia ser, relativamente, importante para completa-la.
— O que a está incomodando rainha? – perguntou enquanto tirava alguns pedaços de madeira seca de sua sacola de viagem. Não havia quase nada que ela não possuísse, na dúvida, era sempre bom ter a mais do que faltar em uma emergência.
— Eu só não estou me sentindo muito bem – respondeu com a cabeça entre as mãos – Acho que é tudo o que aconteceu. Não sei se estou pronto para enfrentar aquele passado horrível de novo.
— Não será a mesma coisa – disse Brienne acendendo, com um pouco de mágica, o fogo que derreteu parte da neve acumulada – Anna está para casar e você tem controle dos seus poderes – continuou, mas lembrou-se dos acontecimentos de poucos minutos e completou – Ou, quase isso.
— Só de pensar naquilo eu perco o controle – respondeu tentando se desculpar.
— Quer falar sobre isso? – perguntou a morena encarando a rainha com os atenciosos olhos castanhos.
Ela suspirou e apertou as pernas contra o peito, como se tentasse se proteger de algo – Não é nada – respondeu com o olhar para baixo – Apenas medo.
— Só o medo não a deixaria assim – disse com sinceridade – Não quando todo o reino está em jogo.
— Melhor seguirmos viagem – respondeu a rainha se erguendo e voltando a montar sua égua.
Só restou a Brienne fazer o mesmo e não perguntar mais sobre o assunto, por mais tensa que a rainha pudesse parece enquanto guiava o animal pelos montes macios de gelo.
~~X~~
Hans estava deitado sobre o chão de pedra cinzenta e fria novamente. Parecia que aquilo jamais acabaria e que viveria para sempre naquele looping de congelar até a próxima visita de Brienne.
Não tinha certeza se podia ou não confiar na jovem, mas era o melhor que podia fazer naquela situação e, nesse momento, ela carregava todo o peso de seu plano. Era confiar ou desistir.
Naquela mesma manhã Brienne havia ido visita-lo e voltado para o castelo pouco tempo depois deixando um fogo acesso, um pouco de pão e um odre de vinho para aquecer, mas o fogo logo cedeu ao vento frio que entrava cortando pelas finas janelas que permitiam a entrada do sol e que o prisioneiro visse o céu de um azul claro que coroava o dia.
A comida e o vinho estavam bem, Hans mal tocara nos pães, era preciso poupar até que Brienne voltasse na próxima semana e no vinho dera pouco mais do que alguns goles.
Depois deu algumas voltas pela sua prisão, olhou o céu, deitou-se e adormeceu até que o frio se tornou insuportável.
Tremendo, ele se ergueu com as duas mãos esfregando os braços para tentar se aquecer. Os pequenos flocos de neve voltaram a cair lentamente até alcançar o chão de pedra e se acumular em montinhos aos seus pés.
— O que é isso? – perguntou para si mesmo enquanto se aproximava da parede para tentar ver, pelas frestas, o que acontecia lá fora.
Olhou lá fora, onde o céu parecia azul há minutos, ou havia sido horas?
Isso não importava, até porque era difícil acreditar que o tempo havia virado tão rapidamente.
Pegou o odre novamente e o levou aos lábios tremendo, até que todo o liquido estava acabado. O atirou do outro lado da sala e se aconchegou nos próprios braços buscando algum conforto e então... Tudo parou tão de repente que Hans teve certeza que aquilo não era normal.
Sentiu vontade de gritar para que Elsa parasse de incomoda-lo e tortura-lo, mas não tinha voz e não encontrava forças para parar de tremer.
Já não se aguentava sentado quando caiu em um baque surdo. Só então pode ouvir os cascos chapinhando na neve recém-caída.
Poderia ser Brienne, mas ela não voltaria tão seguido. Mesmo assim, quem quer que fosse, se apiedaria dele e o levaria daquele inferno gelado.
Se arrastou pelo chão com os dedos fracos até encontrar a porta .
Socorro! Era tudo que queria gritar, mas não conseguia ainda, mesmo depois de todo o vinho, ainda estava fraco demais para fazê-lo e então a porta abriu.
Brienne entrou arrastando a saia ainda branca de neve e o olhou séria.
— O que fez nesse tempo todo? – perguntou – Está um caco.
— Frio – falou em um fio fraco de voz – Vinho – terminou apontando para o odre vazio – Muito frio.
— Tudo bem amigão – disse a garota com um meio sorriso nos lábios – Trouxe alguém para ajuda-lo.
Nesse momento outro farfalhar de sedas se fez ouvir no local e Hans pode apenas ver um vestido fino e azul cintilante brilhando na penumbra do espaço. Não podia ser.
Mas não soube dizer se sonhava ou não, pois apagou em seguida, batendo com o rosto de leve no chão de pedra.
~~X~~
"Eu queria a fama, mas não a capa da Newsweek
Oh bem, acho que mendigos não podem ser escolhidos"
— The Monster (Rihanna feat. Eminem)
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