How To Save Two Lives
17 Capitulo 16: Somethin Bad/ João e Maria
Notas iniciais
"I got a real good feeling something bad is 'bout to happen
Drinks keep coming, throw my head back laughin’"
– Something Bad (Miranda Lambert)
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Manfred deixou os arredores dos estábulos assim que ouviu o som da trava da porta sendo retirada. Fora inteligente o suficiente para fazer algo que todos achariam estúpido: Seguir a princesa da magia, mas não seria idiota de estar lá quando ela saisse.
Esperou, escondido, que ela passasse para onde fosse e, assim que a barra do vestido desapareceu de sua vista, saiu do esconderijo em busca de Alvan ou Bjorn, qualquer um dos dois serviria para o que queria. Por sorte fora o mais novo que encontrou em uma espécie de cercado lutando esgrima com outros rapazes mais novos.
— Alvan! — o ruivo apenas esperou derrubar aquele que estava contra sua espada para responder, limpando o suor dos olhos e se aproximou do irmão com um sorriso satisfeito nos lábios. — Porque está sorrindo? Por acaso conseguiu alguma forma de se livrar de algum dos nossos problemas?
— Fale mais alto um pouco — respondeu puxando o irmão por um dos braços para longe dos cavalariços — Todos aqui são muito leais tanto a Elsa quanto a Brienne e acredito que não queira estragar nosso disfarce de bons moços.
— Não! — respondeu ele arrumando o próprio casaco — Mas a pergunta ainda é válida, encontrou algo de novo?
— Nada — respondeu ele — Só que a inglesa não dorme com nenhum desses rapazes.
— Sem dúvida essa é uma informação muito importante para limpar a imagem dela, algo que parece não se importar, no entanto — respondeu ele — Próximo a sua incrível habilidade de não conseguir nada e a de Bjorn de babar pela rainha, aliás — respondeu após uma pausa mais longa — Onde está aquele animal?
— Não o vejo há algum tempo — respondeu com sinceridade ao irmão mais velho — Mas se estivesse fazendo algo prejudicial já estaríamos sabendo.
— Sim, talvez eu esteja me preocupando demais.
— O que queria comigo? — perguntou sentando-se em um banco próximo.
— Acabei de ouvir Brienne pedindo a Kristoff um mapa para encontrar os trolls de pedra — respondeu ele — Ela parecia bastante ansiosa para nos mandar embora.
— Engraçado, há poucos dias ela não queria que fôssemos.
— Sabe o que isso quer dizer? — perguntou o mais velho com um sorriso malandro nos lábios.
— Que você ira segui-la para descobrir o que quer? — retrucou ele se cruzando a perna.
— Não meu irmão! — disse Manfred se aproximando dele e apoiando uma das mãos em seus ombros — Significa que você vai segui-la e conseguir essa informação, eu tenho mais o que fazer.
— O que, por exemplo? — perguntou o outro ruivo sem cerimônias.
— Eu não sei se deveria confiar tanto em você, mas vamos lá — respondeu esfregando as grandes mãos — Enviei uma carta à Rayne, em nome de Bjorn, claro — respondeu concentrando o olhar nas janelas mais acima — Vou atacar de uma forma que ele deveria ter feito.
— Como assim?
— Apontei ao nosso irmão a inabilidade de uma rainha governar sozinha e é o mesmo que farei aqui.
— E como fará isso? — perguntou tentando esconder o pouco de preocupação que surgira em sua voz.
— De verdade? — retrucou o outro se levantando em um salto — Eu não sei ainda, mas acredito que Lady Brienne seja minha chave para isso.
— Por isso é importante a minha companhia.
— Não muito, já tenho toda a informação que pode ser necessária — respondeu ele — Mas é possível que esse seu trabalho me ajude a clarear as ideias a respeito do plano. — ele se voltou para o irmão com um sorriso aberto e assustador mostrando todos os dentes — Então não falhe.
— Farei o que estiver ao meu alcance .
— Obrigado — respondeu se afastando — Agora eu preciso pensar, adeus meu irmão.
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— Quanta impaciência — comentou Brienne ao entrar em uma sala semi vazia do castelo, apenas Elsa se encontrava lá com o vestido azul tremulando em meio ao grande salão — Tudo isso por minha causa? Me sinto lisonjeada.
— Sem brincadeiras, Brienne! — censurou Elsa de maneira firme, mas seu estado denunciava o medo que sentia, tinha as mãos juntas e a voz tremia — É um assunto sério.
— Posso imaginar — respondeu entrando e fechando a porta. Havia uma mesa em um canto próximo a uma janela com um bule ainda fumegante e xícaras de porcelana — Aceita um chá?
— Eu estou com medo — respondeu ao invés — Eu… Eu não sei se…
— Vai conseguir controlar o seus poderes? — perguntou Brienne servindo a segunda xícara — Nós já avançamos tanto, mas lembre-se do que lhe disse na nossa primeira aula.
— A magia é controlada, muito mais, pelos sentimentos do que pelos pensamentos. — repetiu monotanamente, encarando os dedos longos e pálidos.
— Exatamente — respondeu ela entregando a segunda xícara de chá para a jovem rainha — Você precisa controlar seus sentimentos e não se deixar controlar por eles.
— Eu sei, mas é que… — ela fez uma pausa e se levantou em direção as grossas cortinas para espiar o tempo lá fora.
— Está tudo tão confuso desde que Hans apareceu? — perguntou Brienne com os grandes olhos castanhos sob as pestanas negras.
— Eu perdi o controle e desde então eu não consigo recuperar — afirmou ela apoiando a mão sobre o parapeito, mas não se assustou quando o gelo começou a se expandir, afinal, era isso o que queria, queria ter a leve sensação de que estava sob controle, mesmo que por poucos minutos.
— Eu lhe disse que dois sentimentos muito poderosos tinham o poder de fazer algo daquele tipo — disse olhando para a xícara em suas mãos.
— O amor ou o ódio — respondeu a loira, tomando cuidado para descongelar o parapeito da janela.
— O problema disso — começou Brienne, após um momento de silencio, no qual apenas encarara a amiga e aluna emoldurada pelo horizonte — É que eles são uma válvula, uma vez que não se sabe lidar com eles,liberta-se muitos dos velhos amigos: o medo, a insegurança… — ela fez mais uma pausa, percebendo como a amiga se retesava — Você se lembra deles?
“Esconder, não sentir, não os deixe saber”. O velho mantra ecoou por sua cabeça como uma sombra e ela sentiu que começava a perder o controle mais uma vez.
— Eu nunca mais vou poder controla-los? — perguntou apreensiva
— Nunca é um tempo muito longo — respondeu Brienne — Tome o chá antes que esfrie e vamos conversar.
— Não sei no que isso pode me ajudar — confessou após o primeiro gole na bebida quente.
— O chá ajuda a manter a mente calma — respondeu enquanto dava mais um gole e engolia com dificuldade — Agora, vamos começar pelos seus sonhos?
— Eles não significam nada — respondeu a outra
— Talvez, pode ser apenas a artimanha de uma bruxa que tenha interesse em juntar você e Hans — comentou, levando a xícara novamente a boca para sorver outro gole — Ou, talvez, seja sua mente dizendo que é preciso tentar.
— Não! — se enfureceu a rainha, levantando de supetão e derrubando a xícara que se estilhaçou contra o gelo. — Eu nunca poderia amar o homem que machucou a minha irmã.
— Poder é diferente de querer Elsa — respondeu Brienne — Seu coração não tem nada a ver com as regras que você se impõem.
— Eu não estou apaixonada por ele — respondeu colocando as mãos na cabeça, como se para conter uma dor muito forte.
— Então porque está com raiva de mim? — perguntou Brienne, mas não recebeu qualquer resposta — Eu sinto Elsa, sinto a sua raiva por eu não estar usando a minha magia e sinto a sua inveja também.
— Eu não sinto inveja de você — foi a única coisa que conseguiu dizer, mesmo assim não era verdade, ela sabia que havia sentido isso há muito pouco tempo, mas nunca mais acontecera.
— Não se preocupe com isso — respondeu Brienne com um sorriso — Eu também já fui aluna, já senti isso também, mas diferente de você eu ainda sinto — respondeu ela.
— De que? — perguntou Elsa abismada observando Brienne se levantar — De quem?
— Sua lição é tomar bastante chá e pensar nos seus sentimentos, nada mais por hoje — respondeu indo até a porta — Tenho algumas coisas a fazer, talvez consiga salvar Hans, mas tudo depende dos trolls de pedra. — ela abriu a porta e então se voltou para Elsa — Sobre o poder que sinto inveja: Minha mãe, ela pode virar um corvo.
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— Finalmente te encontrei — disse o ruivo, descabelado como se tivesse corrido toda Arendelle em vinte minutos.
— Esteve me procurando? — perguntou Brienne com as sobrancelhas franzidas de surpresa.
— Não! — respondeu ele de forma sarcástica — Eu corri esse castelo inteiro após uma sequencia de lutas com seus meninos porque precisava de exercício.
— Quem sou eu para dizer algo? — perguntou ela olhando o da cabeça aos pés — Mas estava realmente parecendo um nobre encostado com alguns quilinhos a mais.
Ela se virou e continuou em direção na direção oposta, mas foi impedida pelo príncipe que a agarrou pelo braço.
— É sério, Brienne — falou ele a encarando com seriedade e a puxando para mais perto.
— Vocês, ilhéus, deveriam parar com essa mania de conta intimo — respondeu soltando o braço e se afastando alguns passos — Eu não gosto que fiquem agarrando meus braços e menos ainda de ter pernas roçando nas minhas — disse irritada, esfregando o local onde ele havia apertado — Agora, o que você quer?
— Vou ser direto! — ele respondeu, mas sua afirmação apenas fez Brienne erguer uma das sobrancelhas — Eu quero ir com você até os trolls.
— Porque eu aceitaria a sua companhia? — perguntou com a testa franzida e um meio sorriso no rosto, aquilo era absurdo.
— Porque pode ser uma jornada perigosa.
— Eu vou ver trolls de pedra, não enfrentar um leviatã — respondeu com uma seriedade falsa — E sei muito bem me defender, sem contar que seria muito mais perigoso ir com um dos cãezinhos de Manfred nos meus calcanhares. — ela voltou a seguir seu caminho, mas novamente foi parada pelas mãos fortes do príncipe do Sul.
— Eu já lhe disse que as coisas não são o que parecem — respondeu ele olhando fundo nos olhos dela — Eu sei que disse que não precisava confiar em mim e não precisa mesmo, eu só quero ter certeza que sua missão não será um fracasso.
— Ou talvez garantir que assim seja? — perguntou com os olhos franzidos — Ou apenas sondar o território para Manfred. Acredite, eu já estive em uma guerra, conheço muitas táticas.
— Manfred me mandou seguir você — ele confessou — Não sei se isso vai fazer você confiar em mim, mas… — ele fez uma pausa curta antes de continuar — Eu preciso fazer isso de qualquer jeito
— E ainda tem a coragem de me dizer que não é um cachorrinho de Manfred — retrucou irritada, se soltando com mais força do que antes — Passar bem.
— Brienne — ele chamou — Brienne! — falou uma pouco mais alto.
— Grite um pouco mais alto — respondeu ela se voltando para ele — Talvez seu irmão ainda não tenha escutado, ele irá adorar saber que veio me contar o plano dele.
— Exatamente — respondeu o príncipe — Ele vai adorar saber que tentei estragar tudo contando a você nosso plano.
— Me desculpe por não acreditar que esse seja todo o plano — respondeu com um meio sorriso — O fato de estar tentando ganhar minha confiança só te torna mais esperto, mas não muda a minha opinião — ela voltou a se aproximar e cochichou no ouvido dele — Mas se pudesse me contar todo o plano… Talvez eu pudesse cooperar um pouco mais.
— Eu não posso — respondeu ele abaixando um pouco a cabeça com uma decepção palpável.
— Sinto muito — respondeu ela se afastando com um sorriso no rosto e, antes de sumir, completou — Então não posso ajuda-lo.
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Anna já havia terminado de arrumar tudo com a ajuda de algumas criadas e conversava animadamente com Gerda quando Kristoff entrou no quarto.
— Aposto que esteve com a Rena — comentou uma criada mais nova quando o rapaz entrou no recinto, fazendo o erguer o braço para conferir se o cheiro estava tão horrível, mas Anna parecia não se importar, pois se aproximou de qualquer forma e lhe deu um beijo estalado nos lábios.
— Vou mandar preparar um banho para você rapazinho — respondeu Gerda enquanto passava por eles para sair — Volto em um instante.
Apenas quando todas deixaram o quarto, foi que o homem largou a esposa e se sentou de frente para a escrivaninha no canto do quarto.
— E então? — perguntou ela apoiando as mãos nos ombros largos do marido — Como foi sua conversa com Brienne?
— Sem grandes problemas na verdade — respondeu pegando um pedaço de papel e começando a rabiscar uma espécie de mapa improvisado.
— E o que ela queria? — perguntou com um sorriso inseguro.
— Você está com ciúmes? — perguntou a encarando de lado.
— Eu? — perguntou em falsa segurança para depois soltar uma lufada que fez erguer um pouco a franja cor de laranja sobre seus olhos — Sim — confessou tristemente.
— Você sabe que eu não amo mais ninguém, além de você né? — perguntou abraçando-a por trás e beijando o pescoço.
— E o Sven? — retrucou se virando para encara-lo, ele riu baixinho.
— E o Sven, — respondeu ele sentindo as mãos pequenas e finas passearem sobre o casaco da roupa — Sim, mas mais ninguém — ele tocou o nariz dela com o dele e sussurrou baixinho — E você mais do que ninguém.
— Eu também — respondeu, olhando fundo nos olhos azuis do marido — Amo você mais do que todo mundo.
— Mais do que a Elsa? — perguntou no mesmo tom que ela usara antes, um tom brincalhão, ambos sabiam que eram tipos completamente diferentes de amor, mas não podiam resistir.
— Não a deixe saber — cochichou colocando um dedo sobre os lábios do amante — Mas sim! Muito mais.
Um sorriso alegre e brincalhão tomou conta do rosto da moça quando o marido a puxou para mais perto e lhe roubou um beijo casto. As mãos de dedos finos apertaram as roupas de tecido grosso que ele usava, buscando um contato maior para com o homem a sua frente.
— Está feliz? — perguntou correndo os dedos grossos contra as amarras que prendiam o vestido da amada.
— Muito — respondeu, voltando a beija-lo, de forma mais intensa.
— Aqui, por favor — pediu a voz materna de Gerda e logo um quarteto de jovens invadiu o quarto carregando uma tina, água quente, sabão e o que mais era necessário para um banho completo, fazendo com que o casal se soltasse no mesmo instante. — Vamos rapaz — falou a governanta o empurrando para mais perto da água ao perceber o quão vermelho ele estava.
— Eu acho que posso fazer isso sozinho daqui para a frente — comentou coçando a nuca, enquanto a esposa esqueci por alguns instantes de sua vergonha e soltava uma gargalhada um pouco mais alta.
— Está bem então mocinho — respondeu a mais velha, se tornando tão vermelha quanto os dois antes, ao perceber o que interrompera — Vamos meninas!
Assim que as portas se fecharam, o homem começou a se despir, fazendo a inocente esposa corar um pouco e então avançou para ela.
— Você vai rir então, né? — começou ele a segurando pela cintura e começando a soltar as amarras do vestido — Então você vai ver.
— Não! Kris! — pediu ela com um sorriso brilhante no rosto — Você precisa tomar banho!
— Eu sei — respondeu escorregando o tecido até que este encontrasse o chão — E preciso de alguém para lavar minhas costas.
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"Agora eu era o rei, era o bedel e era também juiz
e pela minha lei, a gente era obrigada a ser feliz"
– João e Maria (Chico Buarque, Sivuca e Nara Leão)
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