Notas iniciais
A quem ainda está por aqui... boa leitura!

Capítulo 36 – Too Much Of Nothing

Quinn terminava o seu café da manhã quando viu Rachel entrar na cozinha, desejando-lhe bom dia. Ela se limitou a responder o mesmo. O clima entre elas ainda estava estremecido depois da visita de Finn e ela sabia que a culpa era inteiramente sua, uma vez que ela não tinha dado qualquer abertura para a morena falar sobre o assunto desde então, agindo como se nada tivesse acontecido. Antes que Rachel se sentasse, ela levantou da mesa.

“Até quando vamos ficar assim?” A voz da morena ecoou atrás de si. Sem escapatória, Quinn virou-se para ela. Rachel estava apoiada na pia, café em mãos e uma expressão consternada no rosto.

“Assim como?” Ela perguntou, mesmo sabendo exatamente ao que Rachel se referia.

“Você sabe como...” A morena sussurrou.

“Eu só... estou com muita coisa na cabeça, Rach.”

Quinn não estava mentindo. Ela tinha uma série de audiências importantes se aproximando para as quais ela precisava se preparar e aquilo a estava consumindo. Ainda havia sua preocupação constante com Brittany. E sim, havia Rachel e a inesperada visita de Finn martelando em sua cabeça. Ela só sabia que chegar em casa naquele domingo de manhã e encontrar Finn ali, logo depois dela e da morena se beijarem na noite anterior, havia mexido com a pior parte dela.

“Estava tudo tão bem entre a gente.” A morena disse, chateada. “Não faz isso. Não por isso, não por ele.”

“Não é isso.” A loira balançou a cabeça, respirando fundo. “Não é isso.”

“Conversa comigo então.” Rachel pediu.

“Esse não é um bom momento. Eu não estou em um bom momento.” Quinn esquivou-se, mais uma vez.

A morena suspirou, parecendo derrotada. “Ok.”

“Desculpa.” A loira murmurou antes de sair rapidamente da cozinha, sem querer encarar a expressão de decepção no rosto de Rachel.

Foi só quando entrou no carro que Quinn conseguiu relaxar a postura tensa. Ela odiava quando a confrontavam e o fato de ser Rachel apenas piorava a situação. Durante todo o trajeto para o trabalho, a advogada tentava se convencer de que ela havia tomado a atitude certa ao não ceder aos apelos da morena. Do jeito que ela estava, nada de bom sairia de uma conversa entre elas.

O fato era que o que ela havia presenciado entre Brittany e Carter havia mexido mais com ela do que imaginou ser possível. A todo momento em que ela pensava em Rachel, a imagem de Finn no apartamento assaltava sua mente e isso a transportava automaticamente para a discussão entre Brittany e Carter. Era como se sua mente tivesse criado uma conexão entre as situações e ela sabia exatamente o motivo. O motivo era o medo que sentia de não ser suficiente. Medo de que sobrasse a ela o papel de Carter ao final, que tinha o amor de Brittany, mas jamais seria Santana, por mais que tentasse.

Quinn não queria isso para si. Ela já tinha se contentado com pouco por toda uma vida e prometera a si mesma que nunca mais voltaria a ser essa pessoa. Ela queria ser aquela pessoa e não a segunda melhor opção. Quinn queria tudo e ela duvidava que Rachel pudesse lhe dar tudo. E ela já estava tão envolvida pelos seus sentimentos pela morena que ela sabia ser impossível para ela retroceder em seu querer. Uma vez que ela permitisse a morena entrar novamente, ela não conseguiria querer menos de Rachel, ela não conseguiria dar menos de si. Não quando ela já se sentia inteiramente dela...

Sim, ela estava sendo contraditória e tinha plena noção disso. Às vezes, Quinn sentia que Rachel tinha aparecido em sua vida apenas para isso, contradizer todas as suas certezas, tudo o que ela pensava ser...

Mas muito pra mim é tão pouco
e pouco é um pouco demais!
Viver tá me deixando louca,
não sei mais do que sou capaz.

Gritando pra não ficar rouca,
em guerra lutando por paz.
Muito pra mim é tão pouco!
E pouco eu não quero mais...

...

Brittany olhou pelo que aparentava ser a milésima vez para o celular e suspirou. Mais um dia havia se passado sem que Carter falasse com ela. Ela jogou o aparelho ao seu lado na cama e encarou o teto do quarto, perdida. A morena tinha ido embora de NY lhe pedindo um tempo para pensar sobre o tudo o que tinha acontecido, mas Brittany não pensou que isso significasse um tempo dela. Pelo visto, era exatamente o que significava. Desde que Carter fora embora, elas pouco haviam se falado. Carter não atendia suas ligações e mal respondia suas mensagens, se limitando a dizer que estava bem e que ainda não estava pronta para conversar.

Ela sabia que diante do que havia acontecido, o mínimo que poderia fazer era respeitar a vontade da namorada e que seria completamente egoísta da sua parte não o fazê-lo. Mais egoísta do que ela já havia sido, do que ela estava sendo. Isso porque Brittany não conseguia evitar um certo ressentimento pelo jeito que Carter escolhera lidar com tudo aquilo. Se o que incomodava a namorada era justamente os sentimentos conflitantes que existiam dentro de si, porque então se afastar? Brittany não precisava da distância de Carter, ela precisava mais do que nunca que ela se mantivesse próxima, que a lembrasse uma e outra vez do amor que sentiam uma pela outra, que a assegurasse de que ela não desistiria tão fácil assim...

Brittany não queria tempo, não queria espaço, porque ela sabia muito bem quem poderia ocupá-los e uma parte de si, justamente aquela que ela jamais havia conseguido mudar, implorava para que assim fosse.

Ela havia chegado em NY tão certa de si! Tão certa do seu relacionamento, tão determinada a permanecer inabalável. E tudo isso havia ruído em poucos meses. A Brittany dos últimos anos em LA sequer reconheceria ela agora.

A dançarina riu dos próprios pensamentos. Por que ela insistia em mentir para si mesma? A dúvida nunca havia a abandonado...

Brittany parou em frente à porta tão conhecida, hesitando por um momento. Perguntando-se, pela milésima vez, o porquê de estar ali. Ela estava prestes a dar meia volta quando a porta abriu de forma abrupta, assustando-a.

“Brittany?” Ricardo encarou-lhe, evidentemente surpreso por encontrá-la ali.

“Oi, Ricardo.” Ela sorriu-lhe, o que foi retribuído pelo mesmo. Ela conhecia o irmão de Santana desde que ele era criança e ver o quanto ele tinha crescido sempre a assustava.

“Ricardo? Tem alguém na...?” A voz firme de Naomi ecoou pelo corredor.

Assim que os olhos da mãe de Santana pousaram em si, Brittany viu um enorme sorriso se abrir no rosto da mais velha. “Britt? O que você está fazendo parada aí na porta?” Ela logo disse. “Ricardo, deixa ela entrar.” Ela gesticulou para o filho.

No momento em que ela entrou na casa dos Lopez, a dançarina sentiu seu corpo ser engolfado por um abraço aconchegante, o qual ela prontamente retribuiu e do qual ela havia sentido muita falta. Ela pôde discernir a mais velha dizendo algumas palavras em espanhol, mas nada que fizesse sentido para ela.

“Mãe, eu estou indo, ok?” Ricardo disse. Ambas desfizeram o abraço e Naomi assentiu. “Bom te ver, Britt. Espero que você ainda esteja aqui quando eu voltar.” Ele disse, despedindo-se e fechando a porta atrás de si.

“Vem, mi amor. Vamos para a cozinha tomar um café. Ontem mesmo eu fiz aquele bolo de maçã que você ama. Com sorte, o Ricardo ainda não comeu tudo.” Ela disse, revirando os olhos e indo para o interior da casa.

Brittany a seguiu, rindo do que a mais velha havia dito. Naomi parecia não ter mudado absolutamente nada desde a última vez que haviam se visto. Meia hora depois e a dançarina se sentia como se nunca tivesse deixado de frequentar aquela casa. O carinho e amor que ela sentia por aquela família vinha de uma época em que ela e Santana eram apenas melhores amigas querendo desbravar o mundo. Naomi, antes de ser sua sogra, tinha sido a tia que sempre a recebera de braços abertos e um bolo quente no forno, que ouvia suas reclamações de quando se chateava com seus pais, que puxava sua orelha quando ela e Santana aprontavam alguma coisa, que a defendia até mesmo da própria filha.

Mesmo depois do café, elas permaneceram na cozinha. A mais velha fazia questão que Brittany lhe contasse absolutamente tudo sobre sua faculdade, Los Angeles, seus pais. A loirinha sabia o quanto Naomi se frustrava por Santana ser uma pessoa fechada e que não compartilhava quase nada de sua vida com ela. Ao contrário dela, que sempre fora muito aberta em relação a tudo em sua vida.

Havia acabado de escurecer quando Eduardo chegou do trabalho. Ele, assim como Naomi, a puxou para um abraço, parecendo tão feliz quanto a esposa por sua visita inesperada.

“Mi hija, como você cresceu! Parece ontem que você e Santana costumavam entrar por aquela porta pedindo pra fazerem uma noite do pijama no meio da semana...” Ele sorriu, nostálgico.

Brittany sentiu seu sorriso vacilar. Era inevitável não sentir o coração pesar com aquele comentário. Ela viu, de relance, Naomi lançar um olhar para o esposo, mas Eduardo não pareceu perceber nada. Brittany observou ele se aproximar da esposa e dar um beijo doce em seus lábios, dizendo que iria tomar um banho.

Assim que ele saiu, Naomi levantou da cadeira. “Você fica para o jantar.” Ela comunicou. “Não aceito desfeita.” Emendou, antes que a loira pudesse recusar.

A mais velha logo começou a se movimentar pela cozinha, iniciando os preparativos para o jantar. Brittany levantou, oferecendo ajuda, que foi prontamente aceita. Aquela cena também era familiar para a loira. Ela perdera a conta de quantas e quantas vezes Naomi havia entrado no quarto de Santana e pedido para elas descerem para a ajudar com o jantar. A única coisa que faltava para a cena ser completa era uma Santana adolescente reclamando de qualquer coisa que Naomi pedisse para ela fazer. Brittany podia até mesmo projetar a imagem da latina sentada à mesa de braços cruzados e cara emburrada, testando a paciência da mãe.

“Está tudo bem, mi hija?” A voz de Naomi interrompeu seus devaneios. Os olhos azuis se fixaram no rosto da mais velha. “Você lembrou dela, né?” Perguntou-lhe, em um tom quase de pesar.

Brittany assentiu, sem ter porque negar, voltando a cortar os legumes que a latina havia pedido. “Como ela está?” A dançarina perguntou, em um sussurro de voz.

Naomi soltou um riso baixo. “Você conhece a Santana. Sei que ela está viva e trabalhando.”

Brittany sorriu de lado. Algumas coisas realmente nunca mudavam.

“Amanhã ela está aí, vem com a Quinn. Mas acho que você já devia saber disso, já que apareceu aqui hoje.” A latina completou.

“Eu só queria visitar vocês, não queria causar nenhum clima estranho.” Brittany disse, dando de ombros.

“Você sempre será bem-vinda nessa casa, Britt. Sua relação com a Santana não interfere em absolutamente nada no carinho que nós temos por você. Você é como uma filha para nós, sempre foi.” Naomi disse, desviando a atenção da panela em que mexia para encarar a loirinha.

“Eu sei.” Brittany sorriu-lhe, tentando demonstrar todo o carinho que também sentia através daquele gesto.

Por alguns momentos, tudo o que podia ser ouvido na cozinha era o barulho da comida borbulhando no fogão.

“Às vezes...” Naomi começou. “Às vezes tudo o que eu queria era entender as atitudes da minha filha.” Ela murmurou, mais para si do que para a loira, soltando um longo suspiro.

Por muito tempo, aquilo também tinha sido tudo o que Brittany desejara.

Antes que ela pudesse responder, Eduardo apareceu na cozinha novamente e o assunto se perdeu. Ele se juntou a elas no preparo e o jantar não demorou muito a ficar pronto. Ricardo apareceu com dois amigos alguns minutos depois, mas não se juntou a eles, alegando que havia comido na rua. Eles comeram entre conversas e risos e Brittany pôde enfim matar a saudade da comida que Naomi fazia.

“Mi amor, chame o Ricardo e os amigos dele para mim. Ele não quis jantar, mas tenho certeza que a sobremesa ele vai querer.” Naomi disse para o esposo.

Eduardo fez menção de se levantar, mas Brittany logo se ofereceu para chamá-lo. A loira se dirigiu à sala, mas não os encontrou. Imaginando que eles deveriam estar no quarto do rapaz, ela subiu as escadas que davam acesso ao segundo andar. Pelo que ela se lembrava, o quarto dele ficava logo depois do quarto de Santana, do outro lado do corredor. Ao quarto que um dia tinha sido de Santana, lembrou-se.

Ela andou pelo corredor familiar e, mesmo contra sua vontade, seus pés estacaram ao passar pelo cômodo que havia sido palco de tantas lembranças. A porta estava aberta e ela, sem resistir, parou no batente, seus olhos percorrendo o que ela conhecia de cor. O cheiro indicava que Naomi havia preparado o quarto para a chegada da filha no dia seguinte e a falta de qualquer objeto pessoal denotava o quão pouco Santana havia ocupado aquele quarto desde que havia se mudado para NY.

Os móveis eram os mesmos, mas a estante não tinha mais os inúmeros cds que a latina costumava colecionar, a parede não tinha mais o mural lotado de fotos e bilhetes ou os pôsteres de banda que costumavam ser um constante tópico de briga entre a latina e a mãe, já que Santana vivia os trocando e arrancando a tinta junto com a fita, a mesa de estudo não estava entulhada dos mais diversos objetos que Santana nunca lembrava de guardar, o guarda-roupa não estava com as portas sem fechar direito, o que acontecia com frequência porque a latina sempre empilhava as roupas sem dobrar de volta nele depois experimentar e a cama não estava completamente bagunçada, o que era seu estado natural, uma vez que Santana nunca a arrumava, por mais que Naomi gritasse todos os dias para que ela o fizesse.

Como se estivesse entrando em um lugar sagrado, Brittany adentrou o quarto de forma hesitante. Seu coração batia de forma tão descompassada em seu peito que ela podia jurar que estava hiperventilando. Tentando aplacar o calor súbito que a acometeu, ela retirou a jaqueta que estava usando, depositando-a na cama e se dirigindo para a janela, abrindo-a. Apoiando-se no parapeito, ela fechou os olhos, sentindo a brisa de outono em seu rosto. Ao abri-los, foi impossível não lembrar das incontáveis vezes que ela havia estado exatamente ali, embaixo da janela, chamando pela latina ou esperando que ela fosse ao seu encontro.

Encarando o céu estrelado de Lima, Ohio, aquela noite, Brittany sentiu vontade de gritar. Gritar para o vento, para os deuses, para o destino, para o acaso, para quem quer que fosse o responsável por fazer com que ela voltasse ao lugar em que ela tinha sido a pessoa mais feliz do mundo e se sentisse tão infeliz como ela se sentia naquele momento. Ela se afastou da janela, decidida a ir embora, quando ela lembrou da jaqueta que havia retirado. Seus olhos, traiçoeiros, pousaram na cama, onde ela havia largado a peça. Na cama onde ela e Santana haviam dormido juntas pela última vez, pela primeira vez, por inúmeras vezes, na cama onde elas tinham dado o seu primeiro beijo, seu último beijo, incontáveis beijos, na cama onde elas haviam se descoberto, onde elas haviam feito amor até o amanhecer e até o anoitecer, onde haviam feito o mais incrível dos sexos, na cama onde elas tinham visto os melhores e os piores filmes, onde elas tinham maratonado série atrás de série, na cama onde elas haviam trocado tantas confidências, tantas risadas, tantos desabafos, tantas juras de amor...

A lágrima que Brittany sentiu escorrer pelo rosto foi como um alerta. Ela rapidamente limpou e saiu do quarto como um raio.

O resto do seu tempo naquela casa havia passado como um borrão. Ela havia chamado Ricardo e os seus amigos e tinha desfrutado da sobremesa com a família Lopez, se despedindo de todos com a promessa de que voltaria sempre para visitá-los. No dia seguinte, a imagem de Santana segurando a jaqueta que ela esquecera quase havia feito seu coração saltar pela boca...

Aquele tinha sido o dia em que ela quase desistira de verdade de ir para NY. Se naquele dia Carter tivesse pedido para que ela não fosse, ela não teria ido. Mas Carter não o fez, nem naquele dia, nem em qualquer outro dia. Carter a tinha deixado livre para que pudesse voar...

E ela havia decidido pousar justamente onde uma certa latina estava.

De fato, nenhuma mentira doía mais do que a insistimos em contar para nós mesmos.

...

Já era noite quando Quinn finalmente chegou em casa. Não era surpresa que ela se sentia exausta. Ela se encaminhou até o quarto, querendo nada mais do que um banho e que aquele dia acabasse logo. Ela tirou os sapatos, sentindo um enorme alívio, e amarrou os cabelos em um coque apertado antes de se desfazer da blusa e da calça social. Ela entrou no banheiro, ainda retirando os brincos, e a primeira coisa que fez, como de costume, foi retirar a maquiagem do rosto. Ligando a torneira, ela levou as duas mãos em forma de concha até a água e jogou uma quantidade razoável dela em seu rosto, encarando-se no espelho.

Naquele momento, ela pôde enxergar o quanto as suas feições já traziam o cansaço que ela vinha acumulando ao longo dos meses. Se ela fosse verdadeira consigo mesma, poderia admitir que o seu trabalho estava lhe trazendo poucos momentos de satisfação, tendo se revelado uma realidade muito distante do que havia imaginado. Quinn sentia-se como se estivesse no modo automático, apenas cumprindo um papel e esperando pelo dia seguinte, sem qualquer propósito ou motivação, sem algo que lhe desafiasse ou instigasse de verdade. A cada dia que passava, mais ficava claro para Quinn de que não era aquilo que ela queria fazer pelo resto da vida, de que talvez ela não quisesse continuar fazendo aquilo nem mesmo pelos próximos meses...

Ela ouviu a porta do quarto se abrir e voltou a ele a tempo de ver Santana entrar por ela.

“Pode ir tirando essa cara de derrota do rosto que vamos sair hoje.” A latina anunciou. “Você tem meia hora.” Concluiu, já saindo do quarto.

Quinn balançou a cabeça, ignorando a latina completamente e voltando ao banheiro. A loira saiu do banho alguns minutos depois e ainda estava enrolada na toalha quando Santana entrou novamente no quarto, já completamente arrumada.

“Não acredito que você ainda tá assim, Fabray.” Ela revirou os olhos. “A gente vai no Tom, não na NYFW.”

“Eu não me lembro de te dizer em nenhum momento que eu ia sair hoje.” Quinn disse, abrindo o pequeno closet em busca de um pijama.

“Você não tem que dizer nada, Fabgay. Foi uma comunicação, não um convite.” Santana insistiu, tomando o lugar da loira e retirando de lá algumas peças de roupa e um par de botas. “Pronto.”

“Santana...”

“Quinn, só bota a merda da roupa e vem beber a porra de uma cerveja comigo.” A latina a interrompeu, impaciente.

A advogada encarou a amiga, logo percebendo que não era uma questão de querer, mas sim de precisar. Santana estava precisando dela naquele momento, mesmo que não tivesse pronunciado aquelas exatas palavras. Dela e de uma garrafa de cerveja na mão. Bom, se Quinn fosse sincera consigo mesma, ela estava precisando exatamente da mesma coisa.

Um par de horas e algumas partidas de sinuca depois, Quinn podia afirmar que não era nada daquilo que ela esperava de Santana quando a latina a tinha intimado para ir ao Bar do Tom aquela noite. Ela esperava que Santana fosse beber até não conseguir mais ficar em pé ou que ela fosse ficar com a primeira mulher que lhe chamasse atenção e deixá-la voltar pra casa sozinha. Mas, até aquele momento, a latina parecia não ter a intenção de fazer nem um e nem outro.

“Chega dessa caralha de jogo.” Santana disse, contrariada, depois de perder mais uma partida para Quinn.

“Você não sabe perder, Lopez.” Quinn riu, assistindo a latina abandonar o taco na mesa de sinuca e ir em direção à mesa que elas ocupavam. Balançando a cabeça em divertimento, a advogada guardou os tacos nos devidos lugares e retirou a garrafa vazia de cerveja que Santana havia abandonado na borda da mesa antes que Tom visse. Santana nunca aprendia.

Ao chegar na mesa, duas doses de tequila a aguardavam e ela brindou com Santana antes de virar rapidamente a sua.

“Primeira dose de tequila da noite e nós estamos aqui há mais de duas horas. Isso deve ser uma espécie de recorde.” Quinn brincou, ainda sentindo os efeitos do líquido em sua garganta.

Santana assentiu. “Eu deveria estar virando uma garrafa de tequila no bico depois de saber que aquele boçal esteve no nosso apartamento.” Ela soltou, de repente, uma expressão de desgosto no rosto.

Quinn se remexeu na cadeira, incomodada.

“Você acredita que a Rachel me disse que ele foi lá para se desculpar por tudo que fez a ela no passado?” A latina balançou a cabeça. “Piada do século.”

Finn era realmente sem noção a este ponto? Bom, Quinn não precisava pensar muito para saber que sim.

“Sabe qual é a minha vontade?” Santana continuou. “Minha vontade é de ir até o McKinley e socar de novo a cara desse infeliz, na frente dos alunos, do Mr. Schue, da porra toda.”

Quinn riu pelo nariz, imaginando a cena. Seria uma bela cena. Memorável.

“Pelo menos ele voltou para o buraco de onde veio e não vai mais dar as caras por aqui.” A latina afirmou, virando o resto de cerveja que tinha na garrafa.

“Como você sabe?” Quinn, dessa vez, não conseguiu frear a pergunta. Talvez efeito da tequila que tinha acabado de virar.

“A Berry que disse.”

Quinn tinha certeza que Rachel não havia utilizado exatamente aquelas palavras.

Santana se levantou para ir no banheiro logo em seguida, deixando a advogada com seus próprios pensamentos na mesa. Mesmo sem querer admitir, um peso que ela nem mesmo sabia estar carregando havia ido embora com o que fora dito por Santana. Porém, outro havia ocupado o seu lugar. A dor na consciência a atingiu pela forma com que havia agido com a morena depois que Finn havia ido embora. Ela sabia que estava sendo incoerente, que as palavras que ela dissera para Rachel momentos antes de se beijarem não condiziam com as atitudes que ela estava tomando...

No entanto, Quinn também sabia que suas ações não se tratavam de uma questão de querer e sim de conseguir. Ela queria ter agido diferente, mas não havia conseguido. O medo ainda tomava conta de si ao menor sinal de que ela poderia se magoar. Tudo era um processo e talvez na ânsia de querer que tudo se resolvesse entre elas, Quinn tivesse subestimado o tanto que ele ainda influenciava sua relação com Rachel.

Talvez elas estivessem indo rápido demais, cedo demais. Ou, talvez, fosse tarde demais...

Santana logo voltou, trazendo mais cerveja e aquele assunto acabou sendo deixado de lado. Elas permaneceram no bar até serem as últimas por ali e serem expulsas pelo próprio Tom, depois de Samuel ter servido a elas mais cinco rodadas depois do aviso de Tom de que seria a última. Quinn podia dizer que o efeito do álcool finalmente as tinha atingido naquelas últimas rodadas, mas logo o ar frio de Nova York as engolfou com força total ao saírem do bar e uma certa sobriedade pôde ser sentida.

Elas caminhavam de volta ao apartamento entre risos e provocações, a última sempre presente entre elas, e a advogada se sentiu grata por Santana ter feito com que ela saísse de casa aquela noite. Ela definitivamente estava se sentindo bem melhor do que quando havia chegado em casa do trabalho.

“Obrigada por me fazer sair de casa hoje.” Quinn disse, vocalizando seus pensamentos. “Eu nem sabia que estava precisando tanto disso.”

“Não tem de quê, Fabray.” A latina respondeu, batendo seu ombro no da amiga. “Minhas intenções eram completamente egoístas.”

Quinn sorriu de lado, mas nada disse. Não precisava. Ela e Santana sempre tiveram a habilidade de entender uma a outra apenas com um olhar, um gesto ou poucas palavras. Elas podiam não parecer as melhores das amigas, mas elas eram. E era isso que importava. Se tinha algo que ambas haviam aprendido era de que as aparências pouco ou nada diziam sobre as coisas.

Um breve silêncio se fez presente entre elas e Quinn soube que Santana estava prestes a dizer algo importante antes mesmo que as palavras saíssem de sua boca, apenas pela forma com que a latina havia segurado a respiração.

“A Brittany veio me pedir desculpas.” Foram suas palavras.

“E como foi isso?” Quinn não escondeu a surpresa diante da informação. Ela definitivamente não esperava que Brittany fosse tomar aquela atitude depois do que ela presenciara entre a amiga e Carter.

“Ela se desculpou e eu disse algo estúpido sobre não ter sido importante e depois fui embora.” Santana disse, com uma evidente frustração em sua voz.

“E o que você queria ter dito de verdade pra ela?” A loira perguntou, sabendo como Santana era especialista em tomar a atitude oposta da que realmente queria quando os seus sentimentos estavam em jogo.

Santana riu, sem qualquer humor. “Eu queria ter dito a ela que eu a desculparia mesmo que ela tivesse feito isso comigo mais mil outras vezes. Eu queria ter dito que eu sei que eu mereço muito mais do que isso por tudo que eu já fiz a ela.” Ela admitiu. “E depois...” A latina engoliu em seco. “...Deus, Quinn, depois eu queria ter trancado a porra da porta e feito amor com ela ali mesmo.” Confessou.

Quinn sentiu-se arrepiar diante da sinceridade crua da latina. Eram raros os momentos em que Santana externava com tanta clareza seus verdadeiros pensamentos. “O que te impediu de agir assim?” Questionou.

“É esse maldito orgulho!” Santana respondeu, parecendo verdadeiramente irritada consigo mesma. “Eu não o quero, Quinn. Não com ela...” Negou com a cabeça. “Ela veio me pedir desculpas e eu ajo como uma idiota do caralho. Porra! Ela deve estar me odiando. Mais do que já me odeia...”

Quinn balançou a cabeça. Ela sabia que Brittany jamais seria capaz de odiar Santana e doía nela que as coisas entre elas estivessem tão fodidas ao ponto de a latina não conseguir enxergar aquilo. “De verdade, San? Eu tenho certeza que a Brittany não está pensando isso de você. Aliás, eu tenho certeza que ela deve estar exatamente como você está agora, se martirizando por tudo isso.” Quinn tentou esclarecer.

“Ela comentou algo com você?”

“Ela não precisa comentar nada comigo. Eu conheço a Brittany. Você conhece a Brittany.” Argumentou.

Santana negou. “Às vezes, parece que não. Não mais...” Disse, perdendo um pouco do ímpeto.

“Nem tudo é o que parece. Você sabe disso.” Quinn a lembrou.

Elas logo chegaram em casa. O apartamento estava completamente apagado. Rachel provavelmente já deveria estar dormindo, a morena sempre chegava bastante cansada das apresentações. Ambas caminharam silenciosamente pela sala até alcançar o corredor que levava aos quartos. Elas se despediram assim que Quinn abriu a porta do seu quarto, mas, antes que a latina pudesse seguir para o seu, a loira a segurou pelo ombro.

“Quer um conselho? Não seja uma idiota do caralho duas vezes, San. Vá atrás dela.” Ela sussurrou para a amiga.

“Eu posso dizer o mesmo pra você, Fabray.” A latina respondeu, arqueando a sobrancelha.

“É diferente, ok?” A loira disse, desviando o olhar.

“De onde eu vejo, parece exatamente a mesma coisa.” Santana se limitou a dizer, piscando-lhe e indo para o próprio quarto em seguida.

Quinn respirou fundo, o olhar automaticamente indo até a porta fechada do quarto de Rachel. Ela deu dois passos hesitantes e parou. O que Santana sabia, afinal? Pensou, retrocedendo de volta ao seu quarto. Ao fechar a porta, porém, uma sensação inquietante tomou conta de si. Era realmente isso que ela queria? Deitar em sua cama e acordar para mais um dia de trabalho, se limitando a apenas assistir a vida passar diante dos seus olhos?

Em um arrombo de coragem, a loira abriu novamente a porta e tomou os passos que faltavam até o quarto de Rachel. Ela tentou captar qualquer som que pudesse vir do cômodo a sua frente, sem sucesso. A morena devia realmente estar dormindo. Agindo por impulso, ela abriu com cuidado a porta, tentando evitar qualquer barulho que fosse. O quarto estava completamente escuro, tendo como única fonte de luz as frestas da porta fechada do banheiro, onde Rachel deveria estar. Quinn adentrou completamente no quarto e, com os olhos já acostumados com a pouca luz, conseguiu constatar que, de fato, a morena não estava na cama.

Quinn hesitou sobre o que fazer tempo o suficiente para que a porta do banheiro se abrisse e Rachel saísse por ela, vestindo apenas um moletom e lingerie, recém-saída do banho. A loira sentiu seu corpo reagir imediatamente. Rachel estava linda, extremamente linda, seu cabelo preso em um coque frouxo e o moletom azul marinho que parecia terminar propositalmente aonde Quinn ainda pudesse ver que a morena estava usando uma lingerie branca, as pernas completamente desnudas e os pés descalços. Maravilhosa. Irrevogavelmente bela.

“Quinn?” Rachel chamou-lhe, rindo um pouco. Provavelmente do seu aparente estado alcoolico.

Ela devia estar uma bagunça, mas não estava bêbada. Não de álcool, pelo menos. Da morena... Oh, sim... Ela se sentia inebriada pela sua beleza, pelo seu cheiro impregnado por todo o quarto. Até pelo sorriso confuso que ela lhe direcionava naquele exato momento.

“Você está bem?” Ela perguntou, diante do seu silêncio, uma ligeira preocupação começando a se formar em suas feições.

Quinn assentiu, molhando os lábios. A loira sentia a garganta seca, extremamente seca. Ela fechou a porta atrás de si, o click da fechadura ecoando em sua cabeça como um decreto. Sim, seu coração havia decretado que, naquele momento, era ele quem estava no controle. Ele iria fazer o que queria e havia tanto tempo que ele queria a mesma coisa que era difícil para Quinn se lembrar de como era não querer. Não querer Rachel Berry.

Os olhos da morena foram da porta que acabara de ser fechada até os seus e Quinn andou lentamente até ela, parando longe o suficiente para que ainda pudesse olhá-la, mas perto o suficiente para que pudesse levantar suas mãos e, com toda a delicadeza do mundo, envolver o rosto da morena com elas. Ao sentir seu toque, Quinn observou as orbes castanhas se fecharem e um pequeno suspiro escapar de seus lábios. Sem resistir, ela aproximou ainda mais o seu rosto e inalou o cheiro que desprendia dela, seu nariz praticamente tocando o outro. Ela sentiu as mãos da morena segurarem o seu pulso e um arrepio percorrer entre elas.

“Por que tudo com você tem que ser assim?” Sussurrou, mais para si do que para Rachel, tomando os lábios dela nos seus.

Quinn queria, com aquele beijo, apagar tudo o que estava entre elas. Ela queria apagar a presença de Finn, a forma com que ela agira com a morena ao vê-lo no apartamento, os medos que tão facilmente surgiam à superfície, a insegurança e a incerteza que sempre permeavam a relação delas, os sentimentos confusos e desordenados que ultimamente pareciam comandar a sua vida, a insatisfação diante das escolhas que fizera...

Rachel era, ao mesmo tempo, causa e efeito, castigo e redenção. Doía ficar longe. E, por isso, suas mãos foram até a cintura esguia, envolvendo o corpo moreno em seus braços. Mas também doía ficar perto. O que a fez partir o beijo logo em seguida, os olhos fechados, com medo de encarar a realidade do que fizera. Ao abri-los, Quinn tentou transmitir todos aqueles sentimentos conflitantes, mas ela sabia que o fazia em vão. Era impossível tentar explicar algo que nem ela mesma entendia.

Rachel, no entanto, parecia não esperar por qualquer explicação. Os olhos castanhos a fitaram de forma intensa, certa. E, como em um passe de mágica, a atmosfera entre elas mudou. Quinn sentiu uma das mãos da morena subirem até os dedos entrelaçarem em seus cabelos e a outra descansar na base das suas costas e, no instante seguinte, os lábios de Rachel envolveram os seus. Era Rachel quem estava no controle agora. E ela simplesmente deixou-se ir...

Rachel parecia querer explorar cada canto da sua boca, beijando-a como se tivesse todo o tempo do mundo, sem qualquer pressa. Sua língua passava entre seus lábios e dominava sua boca por completo, a deixando sem fôlego, apenas para fazer isso uma e outra vez e quando ela achava que a morena quebraria o beijo em busca de ar, ela apenas distribuía pequenos beijos em seus lábios, sugando-os com vontade, antes de mais uma vez tomar a sua boca para si. Quinn não podia julgá-la por isso. A sensação dos lábios da morena nos seus era tão viciante que ela desejava que realmente fosse possível que aquele momento entre elas jamais acabasse. Tudo em Rachel era viciante, desde a forma com que seus dedos acariciavam os seus cabelos, puxando-os delicadamente para trás para que ela pudesse deslizar os lábios inchados pelo seu pescoço, até os pequenos gemidos que saíam de sua garganta, como se, assim como ela, a morena não tivesse qualquer controle sobre si, não quando seus corpos estavam tão deliciosamente colados.

Quinn teria ficado completamente satisfeita se Rachel decidisse beijá-la daquela forma a noite inteira. A morena, porém, parecia ter outros planos, pois enquanto sua boca descia mais uma vez pelo pescoço alvo, castigando seu ponto de pulso, suas mãos habilmente retiraram o casaco e a blusa que a loira vestia. Ao sentir ao mãos geladas da morena percorrerem sua pele quente, causando-lhe arrepios por onde passava, Quinn soube que estava enganada. Ela não teria ficado satisfeita apenas por beijar a morena, por mais que fosse maravilhoso fazê-lo. Ela queria mais, ela precisava de mais.

Isso fez com que ela retirasse o moletom que Rachel usava em um único movimento, percebendo que a morena não estava usando nada por baixo dele ao fitar seus seios desnudos. Foi o suficiente para que ela perdesse o pouco de sanidade que ainda lhe restava. Como se sentisse o seu desespero, Rachel permitiu que ela tomasse o controle por alguns instantes, cedendo aos seus lábios, famintos pela boca dela. Quinn beijou a morena com vontade. Ao contrário de Rachel, seus movimentos eram fugazes, desenfreados. A loira se sentia febril, envolta em uma áurea de sensualidade e desejo que refletia nas suas partes íntimas, vergonhosamente encharcadas se levasse em conta o fato de que elas ainda não tinham feito muito mais do que se beijarem.

Rachel logo retomou o controle, contudo, aplacando a vontade da loira com leves mordidas em seus lábios, enquanto as guiava de costas até a cama. A morena sentou em sua beirada, mas não permitiu que Quinn a seguisse, segurando sua cintura para que ela permanecesse em pé. Rachel levantou a cabeça, fitando os olhos avelãs enquanto lentamente guiava as suas mãos até o fecho do sutiã de renda preto que a loira usava. Ela desfez o fecho habilmente e delicadamente retirou a peça de seu corpo, encarando a pele nua a sua frente. Quinn testemunhou os olhos da morena escurecerem ainda mais e brilharem de forma intensa, como se estivessem maravilhados com o que viam. Aquilo derramou sobre a loira uma sensação de completo deleite, pois era exatamente assim que ela se sentia diante do corpo moreno. Maravilhada. Encantada. Completamente entregue. Rachel parecia refletir o mesmo, suas mãos subindo pelo seu tórax antes de envolverem ambos os seios. Um gemido escapou dos lábios de Quinn, os dedos da morena em seus mamilos rígidos fazendo com que sua excitação aumentasse exponencialmente, por mais que parecesse impossível para Quinn, até aquele momento, se sentir mais excitada do que já estava. Rachel sempre gostara de superar expectativas.

Quinn sentiu o último fio de pensamento racional a abandonar quando os lábios da morena fecharam-se sobre o seu seio esquerdo, sugando o mamilo gostosamente antes de passar a língua pelo mesmo, repetindo o movimento até fazer com que ela entrelaçasse seus dedos nos cachos castanhos, pedindo silenciosamente que fizesse o mesmo com outro, o que foi prontamente atendido. Os lábios da morena mexiam-se de forma torturante, brincando ora com um, ora com outro, passando a língua pelo vale entre os seios, chupando-os de forma deliciosa e levando Quinn até o limite da sensibilidade. Quando a loira decidiu que não aguentaria mais aquela provocação, Rachel desceu a boca por sua barriga, direcionando um sorriso lascivo em sua direção antes de deixar-lhe descalço e finalmente alcançar os botões da calça que vestia.

Quinn sequer percebeu o tecido deslizar por suas pernas, seus sentidos sobrecarregados demais com as sensações que o olhar de Rachel queimando sobre si lhe causavam. A loira a observou prender os lábios entre os dentes e puxar seu corpo para que ela sentasse em seu colo e ela assim o fez. Sem desgrudar o olhar do seu, a morena deslizou a ponta dos dedos por toda a extensão das suas costas, disparando arrepios por todo o caminho até se alojarem em suas coxas. Um gemido rouco escapou de seus lábios.

“Você é maravilhosa...” Rachel murmurou, subindo as mãos até suas nádegas e colando seus corpos. O choque entre os seios fez com que a morena gemesse gostosamente, voltando a beijar os lábios que tanto desejava.

Quinn fechou mais uma vez as mãos nos cabelos castanhos e começou um leve roçar dos seus quadris no corpo moreno, procurando extravasar um pouco da pressão que sentia em sua intimidade latejante. As respirações entrecortadas passaram a dar lugar a gemidos cada vez mais audíveis, mas Quinn se recusava a parar o beijo. Era gostoso demais sentir os lábios de Rachel dominando os seus no mesmo ritmo com que os seus quadris se movimentavam contra ela, incentivados pelas mãos da morena que ora deslizavam delicadamente pelas suas costas, ora pressionavam seu corpo contra o dela, como se quisesse fundi-los em um só.

Infelizmente, foi impossível para a loira continuar o beijo depois de sentir a mão direita de Rachel escapar por entre suas coxas e seu polegar deslizar por sua calcinha molhada. Sua boca desprendeu dos lábios da morena de forma instantânea e um gemido intenso pôde ser ouvido. Rachel permaneceu ali, brincando com sua intimidade sobre o tecido, a levando cada vez mais à loucura. Quinn encaixou sua cabeça no pescoço moreno, incapaz de continuar até mesmo os movimentos de seus quadris. Ela apenas conseguia sentir. Rachel, aproveitando-se daquela situação, firmou sua outra mão nos fios loiros e passou a castigar seu pescoço com leves mordidas e lambidas.

Rachel seria sua morte. Quinn tinha plena certeza disso.

Os dedos da morena agora acariciavam sua intimidade com um pouco mais de firmeza, percorrendo toda a parte marcada pela sua excitação, em um vai-e-vem extremamente gostoso. Quinn sentia suas pernas bambas e seu corpo mole, completamente perdida nas sensações que os toques da morena causavam em seu interior.

“Rachel... mais.” Ela pediu, ofegante.

A morena obedeceu no mesmo instante, passando a mão por debaixo do tecido e enfim tocando sua intimidade sem qualquer barreira. Foi a vez de Quinn depositar uma mordida em seu ponto de pulso, extasiada. A loira sentiu os dedos de Rachel deslizarem sem dificuldade pelos grandes lábios, espalhando o líquido quente por toda a sua extensão antes de adentrarem mais a fundo. Quinn sentia seu clitóris extremamente rígido, despontando sob a pele que o protegia. Parecendo sentir isso também, Rachel passou a se dedicar somente a ele, circulando-o lentamente por incontáveis vezes, como quem se delicia, por vezes pressionando-o de forma suave, fazendo com que ela revirasse os olhos de prazer. A loira não seria capaz de descrever o quão excitada ela se sentia. Ela estava à beira do precipício, como se pudesse se perder dentro do próprio prazer ao menor dos toques.

Como se não tivesse castigado o suficiente, Rachel permaneceu acariciando seu clitóris com o polegar e levou seus dedos mais para baixo, alcançando a sua entrada. Lentamente, ela introduziu seu indicador sem esforço, fazendo com que os quadris de Quinn voltassem à vida, levando-a o mais dentro possível. A loira gemeu gostoso, assim como Rachel. Isso fez com que Quinn a encarasse, percebendo que a morena estava tão excitada quanto ela, uma expressão de completo prazer em seu rosto. Isso só a excitou ainda mais e ela rebolou com vontade nos dedos da morena, passando a ditar o ritmo da penetração. Rachel não deixou com que ela tomasse por completo o controle, no entanto, continuando a acariciar o feixe de nervos no mesmo ritmo torturante, aumentando apenas a intensidade conforme os gemidos de Quinn ficavam cada vez mais altos e seus movimentos cada vez mais descontrolados.

A loira ainda tentou manter um certo ritmo, mas foi em vão. Seu interior estava em chamas e seus músculos gritavam por alívio e ela se viu incapaz de continuar seus movimentos, deixando com que Rachel retomasse por completo o ritmo da penetração. A morena o fez com maestria, sincronizando a masturbação deliciosa que fazia em seu clitóris com a penetração, dobrando seu dedo para que pudesse atingir o seu ponto esponjoso, estocando uma e outra vez, retirando -o quase que todo só para deslizá-lo mais uma vez entre suas paredes cada vez mais fechadas. Quinn não conseguia mais emitir qualquer som que fosse, a boca aberta em êxtase, seus dedos comprimindo qualquer parte da pele morena que ela conseguisse segurar.

“Tão gostosa...” Rachel gemeu. Sua excitação era tamanha que ela podia sentir seu líquido vazando por entre suas pernas, molhando o lençol. “Céus, Quinn, você é uma deusa.” Sussurrou.

As palavras da morena a atingiram como um raio, liberando descargas elétricas por toda as suas terminações nervosas, reverberando da cabeça até a ponta dos pés. Ela queria que a morena permanecesse naquele ritmo, para que aquele momento pudesse se prolongar o máximo possível, ao mesmo tempo em que desejava que ela o aumentasse para que ela logo atingisse seu clímax, com receio do seu corpo não aguentar a quantidade de prazer que ela estava sentindo e seu coração infartasse de tão forte que ele parecia bater. Como que em um aviso de que logo chegaria ao limite, Quinn começou a sentir espasmos por toda a sua intimidade, incontroláveis, que lançavam ondas de prazer cada vez mais intensas por todo o seu corpo.

Parecendo sentir o momento, Rachel acelerou seus movimentos, esforçando-se cada vez mais para manter a penetração com as paredes internas da loira fechando-se sobre si. Seus corpos suados completamente grudados um no outro, movendo-se como se fossem apenas um. À beira do orgasmo, Quinn sentiu a boca de Rachel envolver os seus seios, estimulando o mamilo rígido com a língua e chupando-o ao mesmo tempo em que gemia, como se aquele ato a levasse à loucura tanto quanto ela estava levando a loira. Aquilo foi o estopim para Quinn, que atingiu o orgasmo de forma avassaladora, pressionando os quadris na morena para aumentar a sensação de prazer extremo que percorria cada parte de si, seus músculos contraindo em seu interior e suas pernas tremendo sem controle. Quinn sentia seu líquido escorrendo por entre suas pernas e o dedo de Rachel ainda dentro de si, seus lábios pronunciando o nome da morena, sem fôlego, como um mantra.

Ela não soube dizer por quanto tempo permaneceu assim, pois sua mente parecia descolada da realidade e seu corpo ainda sentia os efeitos do orgasmo que experimentara, incapaz de processar qualquer outra sensação que não fosse o corpo da morena junto ao seu e os lábios dela distribuindo pequenos beijos por toda a extensão do seu colo. Ainda sem retomar por completo o movimento dos membros, Quinn apenas assistiu a morena envolver seu corpo com os braços e levá-la junto consigo para trás, deitando-as na cama.

Sua noção de tempo ainda não tinha retornado, mas sua respiração já estava um pouco mais controlada quando ela começou a sentir os beijos da morena descerem pelo seu corpo, deixando uma trilha molhada e arrepios por onde passavam, demorando-se em sua cintura antes de partirem em direção as suas coxas.

Rachel beijou delicadamente cada uma delas, a cada beijo se aproximando mais da intimidade da loira. Ao atingir seu objetivo, ela passou a língua lentamente sobre os grandes lábios, abrindo-os. Sua língua então passeou pela parte interna de ambos, sugando-os lentamente. Sem resistir, a morena afastou sua boca por completo e apenas inspirou o cheiro que desprendia da intimidade da loira, recém-gozada. Ela sentiu sua própria intimidade pulsar com o ato, em um prazer doloroso por ainda não ter alcançado qualquer alívio.

“Rachel...” Ela ouviu a loira sussurrar, como se pedisse para que ela voltasse a tomar-lhe com a boca.

Como estava fora de cogitação negar qualquer coisa que Quinn lhe pedisse naquele momento, Rachel fez o que foi pedido, percebendo o quanto ela estava deliciosamente molhada, seu líquido ainda escorrendo da entrada, obrigando a morena a recolhê-lo com a língua, espalhando-o por toda a boceta de Quinn.

“Ohh...” A loira gemeu, sentindo a língua da morena escorregar gostosamente por entre as suas dobras e os lábios dela envolverem seu clitóris delicadamente, chupando-o, como se estivesse saboreando o seu gosto. Quinn sentiu a boca da morena sugar toda a umidade dele, apenas para sua língua molhá-lo novamente com seu líquido.

Rachel repetiu o movimento, uma e outra vez, fazendo a loira arfar de prazer. Sentindo seu clitóris extremamente sensível e sem conseguir controlar toda a excitação que sentia, as mãos de Quinn se embrenharam nos fios castanhos e seus quadris se movimentaram para frente, sua garganta deixando escapar um gemido quase que desesperado.

A morena, sentindo que Quinn não aguentaria muito mais daquele jeito, interrompeu seus movimentos com uma série de beijos por toda a intimidade da loira. Fazendo o caminho inverso, ela continuou fazendo o mesmo pela barriga de Quinn, passando pelo abdômen definido e chegando até os seios, aonde demorou-se, distribuindo lambidas e chupando os mamilos rígidos da loira.

Quinn se sentia deliciosamente devorada pela morena. Ao contrário do que se poderia imaginar, não era um devorar apressado. Rachel parecia querer sentir cada centímetro da sua pele, querer explorar cada ponto de prazer que a loira lhe revelava através de suspiros e gemidos. Como que para provar seu ponto, Quinn sentiu a morena abandonar seus seios, completamente melados por sua boca, e subir o rosto pelo seu colo e pescoço, deslizando a ponta do nariz pela pele branca, como se estivesse embriagando-se do seu cheiro.

Rachel a encarou, seu olhar indo de uma orbe avelã a outra. “O que você fez comigo, Quinn Fabray?” Ela perguntou e, antes que a loira pudesse responder, beijou-lhe a boca.

Ela não saberia dizer o porquê, mas aquele era definitivamente um dos melhores beijos que a morena lhe havia dado. Talvez pelo fato dela ter botado uma perna de cada lado do seu quadril e encaixado deliciosamente seus corpos enquanto sugava seu lábio inferior. Talvez pelo fato de ter entrelaçado as mãos dela às suas enquanto invadia sua boca com a língua como se necessitasse daquele contato. Ou talvez, apenas talvez, porque seus corpos estavam tão colados um no outro que ela podia sentir o coração disparado da morena batendo em seu peito, não muito diferente do seu.

Quinn estava tão perdida naquele emaranhado de sensações únicas causadas pela morena que ela só percebeu o que Rachel pretendia quando sentiu a boceta completamente encharcada da morena deslizar gostosamente contra a sua.

“Porra...” Ela gemeu, seus quadris ganhando vida e indo de encontro aos da morena.

Era impossível para Quinn descrever o que era ter a sua intimidade roçando contra a intimidade da morena. O que Rachel estava fazendo com ela deveria ser considerado um crime, um pecado. Era um completo absurdo o quão em êxtase ela se sentia. Ela nunca havia se sentido assim em toda a sua vida, nunca havia experimentado tamanho prazer. Seu corpo parecia ter se transformado em uma fonte inesgotável de sensações. Cada vez que o clitóris de Rachel deslizava sobre o seu, ela sentia pequenas explosões de prazer por todo o corpo. Elas se moviam em sincronia, fundindo seus corpos cada vez mais, em uma dança sensual que estava levando Quinn à beira da completa loucura pela segunda vez na noite. Suas bocas se desprenderam uma da outra, incapazes de continuar, suas respirações ofegantes e seus gemidos ecoando por todo o quarto.

Foi quando Quinn pôde olhar para o rosto moreno e ela podia jurar que nunca havia visto algo tão belo em toda sua vida. Os cabelos bagunçados grudados na pele suada, a feição contorcida no mais puro êxtase, a respiração entrecortada, os lábios entreabertos incapazes de segurar os gemidos de prazer que escapavam e os olhos castanhos que lhe perfuravam a alma, sem desgrudar nem por um momento dos seus.

“Quinn...” A morena gemeu, arrepiando-lhe da cabeça aos pés.

Isso fez com que a loira libertasse suas mãos, direcionando uma para os cabelos castanhos e a outra para a costas da morena, pressionando ainda mais seus corpos. Ambas soltaram um gemido em uníssono, como se compartilhassem do mesmo prazer, sem saber que, de fato, o faziam. Quinn sentiu Rachel acelerar seus movimentos e a acompanhou, sentindo seu corpo começar a protestar por todo aquele esforço, sem se importar.

“Não para...” Rachel ofegou. “Não para...”

“Deus, eu não vou parar.” A loira gemeu. Ela sentiu seu corpo dar o primeiro espasmo, seguido por outro e o corpo da morena reagir da mesma forma, a sincronia aos poucos dando lugar a um ritmo errático, o clitóris rígido da morena esfregando, roçando em sua intimidade, fazendo com que ela sentisse a rigidez do seu próprio.

“Eu quero assim, não para...” A morena repetiu, fechando os olhos. Como se precisasse! Quinn se sentia incapaz de negar qualquer coisa para a morena naquele momento.

“Eu não vou parar, Rachel...” Ela arfou, segurando com mais firmeza o corpo moreno. A morena abriu os olhos, fitando-a. “Você vai gozar assim, com a sua boceta na minha, bem gostoso...” Ela disse, a voz rouca.

O gemido que Rachel soltou fez com que sua pele parecesse estar lastreada por puro fogo. Parecia impossível para Quinn que seus corpos pudessem se fundir mais do que já estavam, mas foi só a morena levantar uma de suas pernas para que suas intimidades pudessem deslizar ainda mais deliciosamente, conseguindo enlouquecer a loira ainda mais de prazer.

“Quinn... eu vou gozar em você...” Rachel avisou, fazendo com que um gemido gutural escapasse da garganta da loira. “Goza comigo, goza em mim...”

Completamente ensandecida, a loira levou as duas mãos às nádegas da morena e pressionou ainda mais suas intimidades, fazendo um movimento de vai-e-vem com os quadris, seus corpos suados deslizando gostosamente. “Rachel...”

“Ohh... ohh... Quinn...” Ela ouviu a morena gemer e fechar os olhos, sentindo o corpo dela estremecer. Rachel enfiou a cabeça no vão entre o seu ombro e pescoço e Quinn mais sentiu do que ouviu o grito de prazer da morena, abafado pela sua pele.

“Isso... goza pra mim.” Ela pediu, seu corpo sendo tomado por espasmos, o orgasmo da morena derramando-se por entre as suas pernas. “Rachel...” Estremeceu, sentindo todo o seu corpo ser tomado por uma descarga de prazer incontrolável, atingindo o clímax em um orgasmo delicioso, perfeito, indescritível.

Sem ousar abrir os olhos, Quinn se contentou em sentir cada parte do corpo deliciosamente quente de Rachel colado ao seu, sentir a respiração ofegante da morena em seu ouvido e o coração batendo fortemente no peito, em compasso com o seu. Mesmo passado alguns instantes, a loira ainda sentia os efeitos do orgasmo que tivera, todo o seu corpo dominado por uma fadiga gostosa. Rachel parecia sentir o mesmo, aconchegando seu corpo ao da loira e soltando um leve suspiro que Quinn só conseguia identificar como de contentamento.

Sem forças para lutar contra aquela situação, a loira apenas deixou-se levar, envolvendo a morena em seus braços. Nos seus lábios um sorriso involuntário.

Aos poucos, a respiração de ambas foram voltando ao normal e Rachel sentiu o cansaço finalmente tomar conta de si. Ela queria conversar com Quinn sobre o que acabara de acontecer entre elas, mas sua mente parecia um vazio completo depois de todo o prazer que havia sentido.

“Você vai estar aqui quando eu acordar?” Foi o que ela conseguiu dizer, sentindo seu corpo relaxar cada vez mais a cada instante que passava.

“Provavelmente não. Eu acordo cedo amanhã.” Quinn respondeu, mais rouca do que o normal. “Mas vou estar aqui até você dormir.” Prometeu, sabendo que a morena não estava muito longe de cair no sono.

Parecendo satisfeita com a resposta, Quinn sentiu o corpo de Rachel relaxar de vez, o seu próprio começando a sofrer os efeitos de um dia cansativo de trabalho somados à noite agitada que tivera. Por mais que quisesse, ela sabia ser impossível conseguir raciocinar o que quer que fosse com o corpo da morena junto ao seu, não depois da noite que elas tinham acabado de ter.

Amanhã, pensou, sentindo a consciência escapar aos poucos.

Amanhã ela lidaria com as consequências do que havia feito.

Notas finais
E aí, galera? Como vocês estão? Espero que tenham gostado do capítulo rs Até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.